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abril 15, 2005

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (9)

Não parava de enumerar as coisas à minha volta — matrículas de automóvel, alforrecas na praia, estrelas no céu — como se dessa forma o mundo pudesse fazer algum sentido.
É tão fácil ser inocente quando se tem nove anos.

Publicado por José Mário Silva às abril 15, 2005 07:39 PM

Comentários

Mas quando se tem trinta e tantos é que não há desculpa nenhuma!

Publicado por: Madalena em abril 16, 2005 03:39 PM

Qual é que é o teu problema, Madalena?

Publicado por: José Mário Silva em abril 16, 2005 04:44 PM

JMS

O meu problema é apenas o teu problema. O problema de não poderes viver com um ou outro comentário mais áspero de pessoas que se fartam dos teus passeios pela mão da senhora Nostalgia Lacrimosa. Pior quando começas a numerar esses passeios. Mas se achas que o problema é só meu (tens todo o direito) então dir-te-ei que ele é enorme. Ou, melhor, que são vários, e tu, infelizmente, não tens ou não prometes vir a ter solução para nenhum deles. Se vês chateação no que escrevo, lembra-te que posso defender-me alegando que fazes um convite às pessoas que andam a passear neste espaço para comentarem as tuas entradas, as daqueles que te ajudam neste blogue e até as dos que como eu aqui vêm para meter a colher frívola ou acertada. Tenho a certeza que o azedume que viste nas minhas palavras é mais que compensado pelas reacções contentes e concordantes doutras meninas e meninos que como tu se lembram dos puxões violentos dos papagaios de papel e das dentadas de caranguejos no dedo mindinho à beira-mar. Portanto não te queixes, o saldo ainda é positivo. Há já algum tempo que ando a bisbilhotar neste blogue, mas ainda não descobri se a tua intenção é a de distrair, divertir ou iludir a malta que aparece por aqui. Instruir não é, de certeza, pelo menos em matéria que me interesse. Quando escreves sobre este mundo e os homens que nele mandam só nos dizes friamente que gostas ou desgostas, raramente nos explicas porquê e quando explicas é rebuscando em sebentas antigas ou caindo na esteriotipia.
Queria dizer-te mais mas receio que fiques triste. Eu também tenho um coração.

Publicado por: Madalena em abril 18, 2005 07:37 AM

Madalena:

Eu escrevo simplesmente o que me apetece, quando me apetece e da forma que me apetece. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, tem milhões de alternativas válidas (não consta que andem para aí senhores de gabardinas escuras a apontar pistolas à cabeça dos cidadãos deste país, forçando-os, contra a sua vontade, a digitar http://bde.weblog.com.pt).
Uma das vantagens dos blogues, Madalena, é fazermos deles o que nos dá na real gana. A mim, apeteceu-me lembrar coisas mínimas, certamente insignificantes, mas sempre alusivas, sobre os meus "verdes anos". Se me levasse mais a sério, como tu pareces exigir (talvez porque também te levas demasiado a sério), nunca arriscaria este exercício fadado aos infortúnios do ridículo e das farpas maldosas.
Acontece que eu não me levo demasiado a sério, nem quero iluminar o espírito da classe operária (ou de outra classe qualquer), verberando com os argumentos certos "este mundo e os homens que nele mandam".
Escrevo aqui sem ilusões de espécie alguma, pelo simples gozo de escrever e de ser lido (mesmo por pessoas como tu, persistentemente mal intencionadas e azedas). Nisto tudo não vejo problemas nem soluções, apenas um efémero e frágil espaço de partilhas, entusiasmos, desabafos, pensamentos, provocações e, tantas vezes, pura parvoíce.
Não sei, francamente, porque te preocupas tanto com isto. Mas folgo em saber que afinal sempre tens coração. Cuidado com as artérias coronárias.
Cumprimentos,
ZM

Publicado por: José Mário Silva em abril 18, 2005 01:35 PM