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abril 11, 2005

TRISTEMENTE REPRESENTATIVO

Este texto é uma bela amostra de tudo o que separa a actual administração norte-americana, e a direita que a apoia acriticamente, do resto do mundo. O antigo inspector das Nações Unidas no Iraque, Hans Blix, limitou-se a afirmar que acredita que a longo prazo, a principal ameaça para a humanidade será o efeito de estufa (e não o terrorismo). Um dos representantes da direita republicana bushista, certamente ainda frustrado por não se terem encontrado armas de destruição maciça, em lugar de rebater a posição do sr. Blix com argumentos, limitou-se a ridicularizá-lo.
Neste assunto, eu não poderia estar mais de acordo com o Sr. Blix. Não quero com isto de forma nenhuma minimizar o terrorismo e nem os seus efeitos. Principalmente porque, desde o 11 de Setembro de 2001, ficou demonstrado que há terrorismo para o qual não pode haver esperança de "resolução política", e que só tem justificação na maldade em estado puro. Por isso mesmo, a sua resolução não se afigura fácil, e é preciso ser-se muito optimista para achar que estará resolvido a curto prazo. Mas tal não nos deve levar a minimizar as ameaças contra o nosso planeta, que nos dizem respeito e prejudicam a todos. Raciocinando no limite, um super ataque terrorista poderia destruir toda a nossa avançada civilização ocidental. Bem, mas da humanidade ainda restariam os terroristas e todos os outros... Se o nosso planeta não sobreviver ao efeito de estufa e às outras ameaças que sobre ele pairam, quem restará?
Claro que, a curto prazo, o terrorismo é uma ameaça para a qual temos de estar prontos, e é compreensível que nos assustem mais imagens como as de Nova Iorque ou Madrid. Mas as ameaças para o nosso planeta deveria estar sempre presente no nosso quotidiano, não fossem as nossas preocupações ditadas por uma agenda de direita, comandada por Washington, e apostada em manter-nos todos muito assustados.
O referido texto parecer-me-ia menos grave, repito, se se reportasse somente a curto prazo. Mas não: parece apostar em como, a longo prazo, a nossa principal preocupação será o terrorismo. Para o autor do mesmo, pelos vistos, a história das próximas décadas será sempre a mesma: a nossa civilização estará sobre uma ameaça permanente por parte dos bárbaros, os nossos protectores EUA vão invadir e civilizar país após país, de forma a nós podermos ter petróleo e continuarmos a usufruir do nosso estilo de vida. O efeito de estufa, de facto, é um pormenor.
Devo no entanto ressalvar que o André, do mesmo blogue, em tempos já escreveu sobre questões ecológicas textos bastante mais razoáveis (e vale a pena ler na sequência mais um texto do Paulo Querido). Faço votos para que o André consiga derrotar os "complexos ecológicos" dos seus novos colegas de blogue.

Publicado por Filipe Moura às abril 11, 2005 05:20 PM

Comentários

Tanta asneira e tanta crendice, em tão pouco texto (e o texto é grande). Bem-aventurados os pobres de espírito... Quem promove o terrorismo e pratica mais terrorismo e proimove o terrorismo é a administração americana. Quantas vezes mais vou ter que dizer isto para que as pessoas acordem e comecem a analisar, sem cretinice, a realidade à sua volta? Mas eu não me canso, podem ficar descansados.

Publicado por: Biranta em abril 11, 2005 09:01 PM

Tanta asneira e tanta crendice, em tão pouco texto (e o texto é grande). Bem-aventurados os pobres de espírito... Quem promove o terrorismo e pratica mais e pior terrorismo e "fabrica" terroristas é a administração americana. Quantas vezes mais vou ter que dizer isto para que as pessoas acordem e comecem a analisar, sem cretinice, a realidade à sua volta? Mas eu não me canso, podem ficar descansados.

Publicado por: Biranta em abril 11, 2005 09:03 PM

Isso da "maldade em estado puro" só existe mesmo na cabeça de crianças e em contos de fadas. Andas a leste.

Publicado por: QED em abril 11, 2005 10:39 PM

Filipe,

Que naquinho de prosa deliciosa! Parece ladainha dum corrector da bolsa meu conhecido que anda a meter os cornos à mulher com uma militante de partido dos verdes. Mas continua a mandar-nos mais desse material revelador do espírito daqueles que gostam de viver nas nuvens. Aposto que se um dia te cair uma bomba atómica na cabeça vais pensar que é um golo do Sporting. Vais, vais...

Publicado por: Madalena em abril 12, 2005 06:31 AM

Bom Filipe, não posso dizer que tenha sido dos tesu melhores momentos de escrita por aqui pelo BdE, mas de certeza que não é pelas ideias. É que com este pessoal, as coisas têm que ser todas muito bem explicadinhas, com causas e consequências como se explicadas às cirancinhas, porque a história do terrorismo é muito mais fácil de entender.

Um dia destes pode ser que alguém se consciencialize que o terrorismo já existia antes de Setembro de 2001 e que o problema ambiental continuará a existir muito para lá da data de uma hipotética "vitória total contra o terrorismo".

Biranta: força, continua a insistir que um dia destes dar-te-ão ouvidos e aperceber-se-ão que és, na realidade, o (a?) novo(a) profeta de Deus. Até podes substituir o "Dubya" na função...

Publicado por: João André em abril 12, 2005 08:13 AM

O "c" no "corrector" tem a ver com "cacau".

Publicado por: Madalena em abril 12, 2005 08:13 AM

Se fossemos dar ouvidos aos pregadores das catástrofes já o mundo tinha acabado há muito tempo. Fala-se muito nas consequências da poluição nas alterações climatérias, mas a verdade é que se sabe ainda muito pouco sobre isso. Faz-me lembrar aquela história de há uns anos atrás, em que se falava que o petróleo estaria quase no fim...

O planeta está em mudança constante, mas o intervalo entre duas "eras" não é assim tão pequeno. Isto não quer dizer que não haja uma relação entre os dois fenómenos, mas acho que temos de aprender com o passado relativamente a estes "avisos".

De resto, subscrevo o post. Relativamente à Madalena, fico com a impressão que tem inveja da amiga do tal partido. Quanto ao Biranta, nem comento. Au revoir.

Publicado por: Random em abril 12, 2005 01:18 PM

Embora um pouco off-topic, gostaria de aqui deixar um comentário... ao texto do Paulo Querido. A relação com este post não é directa, mas tem a ver com o omnipresente tom catastrofista sempre que se fala em questões de ambiente...

Há um livro muito interessante de um tal de Bjorn Lomborg, chamado "The Skeptical Environmentalist" (procurem na Amazon), que acho que devia ser leitura obrigatória no secundário. (http://www.lomborg.com/books.htm)

Vou tentar resumir a génese do livro, e o fundamental do que nele se diz, com base no que o próprio autor escreve no preâmbulo, e uma vez que estamos a falar de um livro com mais de 500 páginas e várias centenas para as referências, pode-se perceber o quão pela rama isto vai ter que ser.

O supracitado senhor é professor de estatística numa universidade na Dinamarca, e descreve-se como de esquerda, e à altura dos acontecimentos membro do Greenpeace. Um belo dia vê na televisão um "falcão" americano dizer que a maior parte do que as pessoas julgam que sabem sobre o ambiente não passa de uma litania de erros e omissões que não têm suporte na ciência que se faz no terreno. O nosso herói fica compreensivelmente fulo, e decide, dada a sua profissão, fazer um livro em que se propõe analisar os já abundantes dados que existem sobre a ecologia do nosso planeta (FAO, ONU, organismos dependentes do governo americano, etc., cujos dados são exactamente os mesmos que os ecologistas utilizam), e conclui que... no essencial o falcão americano tinha razão!

Antes que me comecem a chamar nomes (e ao autor do livro), ninguém sustenta que não existem problemas ambientais, ou que eles são irrelevantes (e penso que o efeito de estufa é provavelmente o mais importante e com mais consequências a longo prazo); ao invés, o que o livro (cujo subtítulo é "measuring the REAL state of the world") advoga é que, numa sociedade real, onde os recursos são, e serão sempre, limitados, importa ter uma visão REAL do mundo que nos rodeia, para que a nossa intervenção ambiental possa ser direccionada para onde ela é realmente importante.

O livro mostra como, tema após tema, a situação actual está a melhorar, ao contrário daquela que é a percepção da esmagadora maioria da opinião pública, em quase todos os temas abordados no livro (fome, doença, pobreza, florestação, biodiversidade, poluição do ar, mar, etc., etc., etc...). Chama também a atenção para o muito que ainda há a fazer, e para aquilo que está a piorar, ou a ter evoluções menos positivas.

E passa a mostrar como, sistematicamente, os ambientalistas (Wordwatch Institute e WWF, sobretudo), com a conivência da comunicação social, para quem uma desgraça é sempre melhor que uma boa notícia, e da simpatia que têm na opinião pública (afinal, eles só estão a defender o planeta contra os interesses dos capitalistas sem escrúpulos que estão a dar cabo disto tudo, certo? São concerteza uns gajos porreiros...), manipulam dados estatísticos existentes para fazer passar mensagens exageradas, e a maior parte das vezes, completamente erradas sobre qual está a ser a evolução do ambiente no nosso planeta. A primeira parte do livro é mesmo dedicada exclusivamente aos mecanismos que potenciam esta distorção do que passa para a opinião pública. Não, não é nenhuma conspiração, é simplesmente o resultado do modus operandi dos vários intervenientes no processo.

Pronto, venham de lá esses flames...

Publicado por: Vasco Pimenta em abril 12, 2005 03:04 PM

Random,


Muito obrigada pelas tuas opiniões “at random” que deixaram a maior parte a chuchar no dedo da indiferença. Vê-se que és optimista, que não acreditas em poluições e que a falta de petróleo foi tudo “grupo” e que para ti não há catástrofes. Porreiro. O que duvido é que estejas bem informado/a sobre isso tudo. De qualquer forma, ninguem pode roubar-te o direito de pensares assim. No entretanto, não te incomodes com os meus desejos secretos na área do baixo-ventre. Não sei se já ouviste falar (se não, precisas de dar um giro fora da paróquia) mas há uma terceira via na maneira como olhamos o “sexo” e já se vai falando disso há algum tempo. Refiro-me ao “assexualismo” que é uma espécie de amar sem necessidade de intumescências. Eu sou uma dessas descobertas modernas, e parece-me que já somos tantos e tantas como os homossexuais. Não me perguntes onde é que isto irá parar. Desculpa se te dei a ideia que era diferente. Quanto ao Piranha, não deites o homem abaixo com esse encolher de ombros desprezativo de pessoa ressabida. Se houver em ti honestidade e bom coração, daqui a uns anos serás bem capaz de ter de morder esses lábios com remorsos. Repara. Nem tudo o que luze é oiro. Por exemplo, o nosso amigo Pimenta aqui em cima parece bem intencionado e vai certamente suscitar o apoio dalguns irmãos anti-catástrofe, mas a verdade é que a maior deles está-se marimbando para ir consultar esta página (http://www.lomborg-errors.dk/error_catalogue.htm) para rebater a sua opinião. É o que eu digo - sair da paróquia.

Publicado por: Madalena em abril 12, 2005 04:48 PM

Cara Madalena, obrigado pelo link, que de resto já tinha consultado. Podes também procurar pontos de vista semelhantes em http://www.mylinkspage.com/lomborg.html.

Existem imensos erros na argumentação do Lomborg, alguns importantes, mas muitos deles, embora factuais, não alteram de forma significativa as conlusões a que chega. Ainda bem que há quem se dedique ao contraditório.

Não sou um "optimista", nem me declaro detentor da verdade. Simplesmente gosto de me informar sobre os assuntos, por forma a não ter que me confinar a acatar acriticamente as opiniões dos grupos interessados. E aquilo que aprendi é que os ecologistas também são um grupo de interesse, algo que antes nunca me tinha apercebido; ou seja, que da mesma forma que não acreditamos no que dos diz a indústria do petróleo porque eles são um lobby a proteger os seus próprios interesses, também os ecologistas o são, apesar das devidas distâncias no que fazem e naquilo por que lutam. A consciência disto é o passo fundamental para a procura de informação equilibrada, isto é, que não esteja a puxar a brasa a sardinha nenhuma. Fazer-me perceber isto foi a melhor coisa que extraí do livro do Lomborg.

Quanto à minha suposta natureza paroquiana, obrigado pelo conselho, mas a paróquia está a milhares de quilómetros daqui, num país acolhedor e ensolarado, cheio de gente simpática, que consome o dobro da energia por unidade de riqueza produzida do que qualquer outro do seu continente. Muito ecologista, portanto.

Publicado por: Vasco Pimenta em abril 12, 2005 05:32 PM

Vasco Pimenta,


Desculpa mas não te tinha em mente quando utilizei o termo “paróquia”. Era mais um aviso àqueles que estão dispostos a concordar ou discordar apenas baseados nas notícias que correm pelos regueiros da nossa media. Um comentário como o teu, bem esgalhado num português escorreito e quase didáctico, pode embaralhar muita gente incapaz de folgar o torniquete que estrangula a informação. No tempo de Salazar chamava-se a isso censura, agora não tem nome porque se tivesse haveria o perigo de cair no goto das gentes como objecto de sanha. Uma leitura rápida daquela página sobre as investigações do Lomborg confirmou-me aquilo que já desconfiava. E julgo que terás de concordar com a minha opinião de que foi um pouco apressado da tua parte sugerir que toda a gente deveria começar a beber dessa fonte. Eu, por regra ditada pela experiência, prefiro esperar um pouco pelas confirmações. Espero não vir a arrepender-me. Acrescento que os “verdes” a mim não me dizem nada. Nem outras cores. Se a verdade tivesse uma, talvez.

Publicado por: Madalena em abril 12, 2005 10:51 PM

Madalena, fico feliz por seres diferente. Gosto de pessoas diferentes. (n estou a ser irónico)

Deixa-me corrigir um ponto: eu não disse que o petróleo durava para sempre. O que eu disse é que existe muita ficção e informação falsa (estatísticas mal interpretadas, etc) relativamente a assuntos como esse, ou os efeitos da poluição.

Relativamente ao petróleo deixa-me te informar que apesar de ser verdade que os locais de extracção conhecidos estarem "a dar as últimas" (não sei o tempo preciso, talvez meia dúzia de anos em alguns), temos ainda
1) reservas 2) locais de extracção muito caros
No caso de 2) é uma questão de esperar que o preço do petróleo esteja tão elevado (o que vai acontecer com tanto chinês a querer aquecimento em casa) que, a certa altura, compensa extrair petróleo dos tais locais que são conhecidos.

Portugal tem sorte. Muito urânio em trás-os-montes. Parte dele até foi usado na bomba... Não nos faltará energia. Ainda por cima, várias equipes de físicos estão já a trabalhar na transmutação dos resíduos nucleares através de tecnologia laser, pelo que um colega de trabalho me disse.

Se eu estiver mal informado, corrigam-me, agora não me digam é que as pessoas nunca foram paranóicas em relação a catástrofes naturais! isso seria ingenuidade.

Au revoir!

Publicado por: Random em abril 13, 2005 11:33 PM

P.S- Dsc se a minha "impressão" foi errada. mts vezes engano-me. Sou completamente pessimista pq sou realista. Agora isso n implica que alinhe em paranóias. Paróquia? lol.

Publicado por: Random em abril 13, 2005 11:39 PM

Há muito tempo que venho dizendo o mesmo. Não existe hoje em dia política mais terrorista que a atitude dos EUA em relação ao efeito estufa e a utilização dos combustiveis fosseis! Eu pergunto: e se o dinheiro, recursos e dedicação que foi dado ao pojecto manhatan e á chegada á lua fosse dada a encontrar uma alternativa aos combustiveis fosseis? Este problema já estaria resolvido de certeza!

Publicado por: NeuroGlider em abril 15, 2005 01:52 AM