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abril 11, 2005

NOTA DE RODAPÉ SOBRE O CONGRESSO DO PSD

O líder anunciado venceu: sem entusiasmo, sem capacidade de mobilização, sem carisma. Luís Filipe Menezes foi a nulidade que se previa. E Pedro Santana Lopes também fez o que se esperava: vestiu a pele da vítima e vendeu muito caro o afastamento da liderança, disparando para dentro do partido com o veneno próprio dos ressentidos. António Borges, esse, lá se deu ao incómodo de preparar o futuro, sempre com pezinhos de lã e pose de D. Sebastião seráfico, enquanto os barões pairavam à distância, sem se comprometerem demasiado e aparentemente pouco dispostos aos sacrifícios da travessia do deserto.
Na ressaca de uma derrota histórica, o que se sentiu foi o peso dessa derrota histórica, não o alento de quem vai à luta para recuperar o tempo perdido. O PSD desnorteado de 20 de Fevereiro continuou sem norte no pavilhão de Pombal. E Marques Mendes conseguiu o feito de assinar o mais vazio, redondo, insignificante, mortiço, previsível e maçador dos discursos de encerramento alguma vez pronunciado num congresso dos sociais-democratas.
Com adversários destes, José Sócrates vai — infelizmente — poder governar a seu bel-prazer, mesmo depois do sempre efémero estado de graça. E quem perde não é apenas o PSD; é sobretudo, parafraseando o remate de cada parágrafo de Marques Mendes, Portugal.

Publicado por José Mário Silva às abril 11, 2005 12:52 AM

Comentários

A oposição a este Governo terá de ser da Esquerda, fazendo com que este governo eleito por uma maioria operária resolva os problemas dos trabalhadores não cedendo a lobbys capitalistas, à espera do seu quinhão.

Publicado por: José Manuel Faria em abril 11, 2005 09:32 AM

Enquanto vocês andam distraídos com o congresso do PSD, o meu colega José Sócrates acaba de licenciar mais 256 catedrais do consumo.
Contra a sua anunciada política de contenção na despesa e da protecção dos mais pobres, mal chega ao poder e já se esqueceu das dezenas de milhares de famílias que vivem do pequeno comércio nas cidades, vilas e aldeias. E que lhe deram o voto, enganadinhos pelos jornalistas do regime.
Que se lixem! Que vão trabalhar para o Colombo, se quiserem.
Há lá muita falta de funcionários naquelas lavandarias de dinheiro - perdão - lojas comerciais, onde se pagam chorudos 425 euros mensais por apenas 14 horas de trabalho e com as regalias de se ter ainda 15 minutos para almoçar e jantar. À conta do funcionário, claro!
Passado apenas um mês da tomada de posse, o incondicional apoio que a Alta-Finança deu a Sócrates tem que ser pago, que os prazos estão a correr e tempo, meus amigos... é dinheiro.
E o José aí está a cumprir. A compensar a banca milionária por toda a aflição por que passou durante os 4 meses do maluco do Santana que até a queria pôr - Imagine-se! - a pagar impostos...
256 grandes superfícies para além de contribuírem decisivamente para destruir de vez a nossa balança de pagamentos e a saúde financeira das famílias portuguesas que - sabemo-lo bem - não sabem fazer contas, vão arruinar de vez o pequeno comércio de bairro.
Não faz mal.
São mais 200 mil para o desemprego.
O chato é que não é o Amigo Belmiro quem lhes vai pagar os subsídios.
Somos nós.
Qual política de Saúde? Qual ensino? Qual habitação? Qual Justiça? Haja Continentes!

Publicado por: João Tilly em abril 11, 2005 09:57 AM

Ó João, não fomos só nós que andámos distraídos com o congresso do PSD. Tu pelos vistos andaste por lá a tirar umas belas fotos...
;)

Publicado por: José Mário Silva em abril 11, 2005 10:00 AM