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abril 10, 2005

UM DESAFIO AO BARNABÉ

Costumo comentar, com outros amigos leitores de blogues, que mais facilmente entraria para o Barnabé um blasfemo (como o CAA) do que um simpatizante (mero simpatizante que fosse) do PCP, ou mesmo da Renovação Comunista.
O recente alargamento do leque de colaboradores veio reforçar a minha ideia. Em onze "Barnabés", encontramos verdadeiros independentes (os meus favoritos), alguns bloquistas e outros tendencialmente mais socialistas. Tal proporciona agum debate ideológico (por vezes deveras acutilante), mas incompleto. O PS pode disputar votos com o Bloco, mas não está genericamente na mesma zona ideológica. Não se encontra no Barnabé opiniões alternativas, dentro do sector mais à esquerda do espectro político português, que venham de autores que não se identifiquem totalmente com o Bloco de Esquerda. Se tal se poderia compreender com a formação inicial do Barnabé (segundo me apercebi, cinco amigos de longa data, onde as relações pessoais tinham provavelmente mais importância do que pormenores ideológicos), torna-se mais difícil agora, quando os Barnabés são onze - onze! -, e não parecem, aparentemente, ser todos amigos de infância. Isto é bastante empobrecedor para o Barnabé, e é pena. Mas pelos vistos é a escolha deles.
Havia outro sector de opinião que eu não esperaria encontrar no Barnabé: os católicos (de esquerda, claro). Mas pelos vistos estava enganado. É com agrado que vejo lá o Bruno Cardoso Reis. Embora náo concorde com muitas das suas posições sobre o papel da Igreja Católica, destaco o empenho e a coragem com que ele as expõe. Falo em coragem pois, embora tal tipo de posições não seja minoritário e seja muito bem visto na sociedade portuguesa em geral (aí, não é preciso coragem nenhuma para as tomar...), já não se passa o mesmo no Barnabé. O Bruno não tem tido medo de afrontar e ir "contra a corrente" dos restantes colaboradores e da maioria dos comentadores. Por isso, e por enriquecer o debate com argumentos que devem ser considerados, saúdo-o e aos seus textos (mesmo, repito, não concordando em grande parte com eles, mas respeitando-os).
Mas com a entrada do Bruno no Barnabé vai-se assim outra das minhas apostas com os meus amigos: a de que mais facilmente entraria para o Barnabé um blasfemo (como o CAA) do que um simpatizante católico. Põe-se agora, inevitavelmente, a questão: e os comunistas? Será que não há lugar, no principal blogue de esquerda português, para alguém que simpatize, minimamente que seja, com o PCP ou com a esquerda não social-democrata ou bloquista, e que não trate o PCP como um alvo a abater? Ou será que, afinal, o PCP é, para o Barnabé, um incómodo maior do que a Igreja Católica?

Publicado por Filipe Moura às abril 10, 2005 06:21 PM

Comentários

Filipe,
o problema (é a minha opinião, claro), é que mesmo para malta de esquerda, o PCP continua a ser o papão. ~Sinceramente, não entendo o porquê desta postura. E repara que esta atitude mantém-se, como tu assinalaste e bem, para com os chamados renovadores. Esses, inclusive, muitas das vezes são ainda mais criticados, porqaue destoam da ortodoxia. No fundo, e não percebo bem (ou percebo, mas daria provavelmente uma tese), todos parecem acreditar na morte do PCP, mas desejando, um «morrer de pé», um não tentar mudar o qaue tanto se critica. Não sei se me estou a explicar bem. Mas, por exemplo, a «polémica» que houve em torno da questão da Catarina Eufémia, nos estudos sobre o comunismo e que depois passou para o Público, etc. A qauestão maior foi sempre a apropriação/criação do mito Catarina Eufémia por parte do PC. nunca foi, sobre o que em minha opinião deveria ser de facto: quais as condições que se viviam em Portugal, no Sul do País na década de 50 que justificaram esse mesmo assassinato.
Hoje, como ontem, o PCP continua a ser preciso no debate político deste país. E não é pela falada coerência/ortodoxia que defende e acredita. É mesmo pelas posições tomadas, pelas propostas levadas à AR e porque, em suma, defende muitas coisas que deveriam ser defendidas por todos nós.

Publicado por: vanessa a. em abril 10, 2005 08:40 PM

Eu, caro Filipe, ainda assim, tenho dúvidas sobre a pluralidade na aceitação de um católico de esquerda. Como se depreende pelo incómodo do Daniel com o Barnabé tornado em "homilia"... E com dados falsos!

Publicado por: Marujo em abril 11, 2005 12:21 AM