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abril 06, 2005

AREIA NÃO FALTA

Não falta areia nas nossas praias para aí enterrarmos colectivamente a cabeça.

A entrevista com António Costa Silva no caderno de economia do Público de 2.ª feira é assustadora sobretudo por exprimir a opinião de alguém que não pode ser considerado como um outsider.
Como vem sendo hábito porém, e possivelmente até estarem criadas as condições para que surja como salvação última para a catástrofe da nossa falência a energia nuclear, vamos todos ignorar uma situação que se avoluma a olhos vistos e que corre o risco de nos explodir na fronha em poucos anos.
Relativamente aos assuntos económicos e financeiros, vivemos já no domínio do pensamento único. Já se sabe o que pensam os economistas do PS do PSD e do PP. É "simplificação" e "flexibilização" da Constituição, o habitual pontapé para a frente que já sabe de cor qualquer taxista ou vendedor de materiais de construção em convívio de fim de semana.
Já quanto às questões energéticas, vão aparecendo toques a rebate isolados fora do clima geral de jaula das avestruzes no Jardim Zoológico, mas estarão o Governo, as associações ambientalistas, e sobretudo estaremos nós, o conjunto da população à altura de encarar de frente o problema de fundo da necessidade urgente de se impulsionar em Portugal o recurso às energias renováveis?
O "choque tecnológico" deveria passar por aqui.
Outra coisa que me choca: se é Portugal um dos países europeus com maior incidência solar, porque é que estamos tão dependentes da Alemanha nas investigações sobre estas matérias?

Publicado por tchernignobyl às abril 6, 2005 04:30 PM

Comentários

CONCORDO com o apelo à utilização da energia solar e acrescento as energias eólica e dos oceanos (marés, diferencial térmico, correntes marítimas, energia das ondas, etc.). O Estado tem um papel mais activo a desempenhar nesta matéria, mas também o tem a sociedade através do tecido empresarial. Num país que precisa diversificar a sua indústria e onde os sectores tradicionais (como o vestuário) estão ameaçados, é necessário reagir e, de preferência, rapidamente.
NÃO CONCORDO com os preconceitos opinativos dirigidos aos «taxistas e vendedores de materiais de construção», que os coloca no fim da fila do saber. Aliás, em matéria de saber não há fila, cada um sabe o que pode ou lhe deixaram saber, e deve ser respeitado pelo que diz e não pela profissão, (religião! Dá-me gozo dizer isto aqui…), origem social, ou outra particularidade qualquer. Não é assim? Pessoal da esquerda…

Publicado por: Rafael em abril 6, 2005 05:23 PM

nuclear já!

http://wired.com/wired/archive/13.02/nuclear.html

Publicado por: pfig em abril 6, 2005 05:33 PM

caro rafael, touché.

Publicado por: tchernignobyl em abril 6, 2005 05:47 PM

Até para se poder discordar parece que o comentário do pfig necessitava de um link

Publicado por: tchernignobyl em abril 6, 2005 06:57 PM

Concordo,no essencial,com a tua opinião.
Sugiro que, no âmbito das energias alternativas, se transformem as opinioes de alguns "doutos" contestatários em biomassa.

Publicado por: jsm em abril 6, 2005 10:16 PM

Sem dúvida tais opiniões libertarão metano capaz de nos levar a outras galáxias.
A propósito de fotografias, jsm, coisa feia (e bem portuguesa)a inveja!

Publicado por: Teresa B em abril 6, 2005 10:34 PM


RAFAEL,

Muitíssimo bem dito. Dá forte nessa burguesada elitista que julga basto um "crash-course" anti-Bush para se fazer passar por uma esquerda realmente interessada em acabar com as diferenças entre taxistas e pseudo-intelectuais. Como se não tivéssemos todos peixotas! Eu não, claro.

Publicado por: Madalena em abril 7, 2005 11:15 AM