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abril 05, 2005

OS NOMES DAS COISAS

No Vaticano, 400.000 pessoas por dia passam diante do cadáver do Papa para lhe dizer adeus, depois de esperas superiores a quatro horas. Os repórteres de gravata preta falam de "comoventes manifestações de fé". Agora imaginem uma multidão semelhante em Pyongyang, diante do corpo morto do Grande Líder. Os repórteres (sem gravata preta) falariam, estou certo, de um "esmagador culto da personalidade".

Publicado por José Mário Silva às abril 5, 2005 10:35 PM

Comentários

Essa comparação não lembrava nem ao Diabo.

Publicado por: fvaz em abril 5, 2005 10:48 PM

Acho que lembrava, porque o diabo até é inteligente.

Publicado por: Zé em abril 5, 2005 10:55 PM

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Onde queres chegar, ZM?

Publicado por: Monty em abril 5, 2005 11:10 PM

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Mas o que é certo é que são coisas muito parecidas. Bom, mas talvez isso seja ainda outra coisa.

Publicado por: Zé em abril 5, 2005 11:14 PM

Entretanto, na Coireia do Norte:
mutatis mutandis...

Publicado por: Monty em abril 5, 2005 11:16 PM

Entretanto, na Coreia do Norte:
mutatis mutandis...

Publicado por: Monty em abril 5, 2005 11:16 PM

relativizar é preciso, zé?

Publicado por: Monty em abril 5, 2005 11:18 PM

Quero chegar talvez a isto, Monty: que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa (isso nem se discute), mas que há coisas numa coisa e na outra coisa que são a mesma coisa.

Publicado por: José Mário Silva em abril 5, 2005 11:24 PM

fvaz,
Outro título que pensei para este post foi: «reductio ad absurdum» (sublinhar absurdum). É só uma pista.

Publicado por: José Mário Silva em abril 5, 2005 11:27 PM

Sim, existe um aspecto em comum: muita gente junta no mesmo local por motivo de um cadáver e aquilo que representa. Existirá mais algum? Não creio…
Não percebo porque é que a esquerda não larga o papa e a igreja da mão. Esqueçam! A gente já percebeu que, se pudessem, fariam aquilo que já fizeram quando tiveram o poder, ou seja, em muitos casos, o tiro na nuca. Que raio de perseguição.
Trata-se portanto de um post de mau gosto, absolutamente inútil.
Estamos a ficar habituados.

Publicado por: Lenine em abril 5, 2005 11:28 PM

O costume. Sempre que se fala da Igreja, os beatos saem todos da toca para censurar. Apaga lá a fogueira, Lenine, que ainda não é hoje que vais conseguir lá pôr o Zé Mário. Se fosse aqui há uns séculos...

Publicado por: Zé em abril 5, 2005 11:55 PM

Bom, isto de tiros na nuca é verdade, mas tamnbém se fez muito churrasco à sombra da cruz. Realmente são coisas diferentes com muita coisa em comum. estrelinha ajuizada

Publicado por: vermelhofaial em abril 6, 2005 12:24 AM

Uma coisa é certa, os cyber-beatos estão cada vez mais activos. Até parecem muitos, mas é só realidade virtual!

Publicado por: ARDENTÍA em abril 6, 2005 12:27 AM

Como se diz adeus a um pai? Sem gravata, ou com gravata - mas prestando-lhe homenagem. Pode ser estranho para uns, mas não é «esmagador culto da personalidade»: em Pyongyang as pessoas seriam "conduzidas" a fazê-lo, pela força da opressão, da ditadura, das armas, da fome. No Vaticano, as pessoas espontaneamente querem despedir-se de um homem, a que podem chamar amigo, padre, santo, pai... ou apenas um grande homem.

Publicado por: Marujo em abril 6, 2005 01:31 AM

Lá vou ter de concordar mais uma vez...
Domingo, durante o comentário do Marcelo, pemsei exactamente isso, que as motivações de um acto que, noutros, seria mais que condenável, aqui, é aceite como sendo a "unica reacção possível".
Definitivamente, neste caso, uma coisa é uma coisa, é outra coisa é a mesmissima coisa.

Publicado por: vanessa a. em abril 6, 2005 06:40 AM

é tudo o culto da personalidade, não tanto por parte do povo, sentimentalista por natureza, mas principalmente por uma comunicação social fazedora de personalidades

Publicado por: LuisC em abril 6, 2005 08:23 AM

A diferença é que enquanto espaços de anti-clericalismo primário como este têm 10 comentários favoráveis por post, uma igreja católica de força e sustentada invade uma cidade para homenagear o grande responsável pela felicidade nas suas vidas.
Continuem a fechar os olhos e a menosprezar os católicos que continuam a fazer gigantescas manifestações de fé enquanto eles trabalham para o mundo e rezam por vocês!

Publicado por: Miguel Nascimento em abril 6, 2005 08:38 AM

Há que não confundir o contorno com a forma, podem tratar-se de «objectos» diferentes. Nem sempre a devoção por uma dada pessoa, sobretudo quando ela está de partida, significa «culto da personalidade». Imaginem alguém que tem muitos filhos, netos, amigos. Morre. Todos o apreciavam. Não contém lágrimas e saudade. A imprensa sabe disso e faz o seu papel (esperado). Será culto da personalidade?
Fala-se de «cyber-beatos». Existem? Não me revejo minimamente na expressão. Nem tudo é branco ou preto, existem meios-tons. Aceitar que a dignidade, a cortesia, e até a solenidade fazem parte do património cultural da humanidade não me parece que seja negativo. Sê-lo-á apenas para espíritos mesquinhos, perturbados pela inveja ou nostalgia de um futuro que não conseguiram trazer até nós. Mas esse tipo de gente penso que não habita neste blogue. Pois não?

Publicado por: Rafael em abril 6, 2005 08:49 AM

Não são a mesma coisa, lamento. Nem cá, nem lá.

Publicado por: Monty em abril 6, 2005 10:08 AM

ufa, já estou mais descansado por saber que há católicos a rezar por mim. até vou fumar outro cigarro. e se calhar vou despedir-me. e deixar de pagar a renda da casa. e preservativos, nunca mais.

Publicado por: pfig em abril 6, 2005 10:11 AM

Comparar a expressão (livre e voluntária) do genuíno pesar pelo falecimento do líder espiritual dum culto com uma encenação política levada a cabo aquando da morte dum qualquer tirano de pacotilha é perfeito disparate. O mesmo se poderá dizer da utilização que aqui foi feita da expressão "culto da personalidade", traço habitual dos regimes autoritários que dificilmente poderá equivaler à exposição mediática que muitas figuras merecem.

Publicado por: M. em abril 6, 2005 10:13 AM

Há muitos mais católicos (e não só) a rezar permanentemente por ti do que alguma vez poderás imaginar! Infelizmente o facilitismo e a irresponsabilidade são o caminho mais fácil e que exige menos esforço. É pena!

Publicado por: Miguel Nascimento em abril 6, 2005 10:23 AM

Os totalitarismos são todos muito parecidos. Mesmo muito.

Publicado por: Ricardo Alves em abril 6, 2005 11:10 AM

A grande, enorme, descomunal diferença é que na Coreia do Norte o culto será até sincero mas foi inculcado à força; pela repressão, pela lavagem cerebral quotidiana, pela violentação das personalidades de todo um povo.
Nem por provocação extrema se pode afirmar que é o caso da Igreja Católica. Só um tonto se lembraria de falar de "totalitarismo" a propósito da Saanta Sé de hoje.

Publicado por: Pensativo em abril 6, 2005 01:13 PM

A diferença é que nenhuma pessoa é alvo de denúncias dos vizinhos se for ver o cadáver do Papa. E não me parece uma diferença tão pequena quanto isso...

Publicado por: Leonardo Ralha em abril 6, 2005 01:14 PM

Key Word: MOTIVO

http://www.ai-o-camandro.blogspot.com/

Publicado por: Farpas em abril 6, 2005 01:59 PM

Como se vê, não são só estes os radicais...

Publicado por: Marta em abril 6, 2005 05:14 PM

o hyperlink não está a funcionar. Estes = http://a-metamorfose.blogspot.com/2005/04/junho-de-1989-funeral-de-ayatollah.html

Publicado por: Marta em abril 6, 2005 05:17 PM

Trata-se de um culto.Religioso.Mas não o culto da personalidade. Homenageia-se o Papa. Se fosse só o Karol Woytila brilhante professor de Filosofia em Krakow não estávamos a falar disto. E isto até um ateu como eu percebe.

E vão todos de livre vontade.Questão relevante.Em Pyongyang iriam "levados,levados sim" como cá antes de 74.

Mas no meio desses 40.000 hora também vai muito emplastro que passa 15h na fila não para homenagear o Papa mas para levar um troféu:uma foto do cadáver do Papa no telemóvel.É o novo Papamóvel.

Publicado por: fvaz em abril 6, 2005 11:35 PM

fvaz,
Pede ao António Filipe ou aos Madredeus histórias passadas num célebre "Festival da Juventude" em Pyongyang que logo verás que aquele culto lunático é hoje mais que sincero. Ali, ninguém precisa de ser "levado" para lado nenhum. A loucura triunfou de vez.

Publicado por: Zuche em abril 7, 2005 11:21 AM

Será que não existe uma pequena diferença entre o ir voluntariamente (concorde-se, ou não, com a opção, e o ser-se arregimentado?

Será que não existe diferença entre ser-se obrigado "pavloviamente" a ter reverência a uma pessoa, e o respeitar de livre vontade, ainda que com algum excesso?

Publicado por: analista em abril 7, 2005 11:02 PM