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abril 04, 2005

NA PRAIA DA NAZARÉ

O número é 454. Trata-se de convocar 454 pessoas para estarem presentes na rua Barata Salgueiro nesta segunda-feira, dia 4 de Abril, para a sessão das 21.30 na Cinemateca. Destas, 227 com o respectivo ingresso. As restantes, preparadas para uma manifestação de protesto. Irão reclamar contra a lotação da sala Dr. Félix Ribeiro e pedir para se calendarizar uma terceira exibição do filme MARIA DO MAR no corrente ano. Porquê? Porque quem nunca viu este filme ainda não sabe o que foi, e o que pode ser, o cinema português.
Consta que Leitão de Barros, o realizador, terá dado meia volta no túmulo e largado um bocejo, no passado dia 12 de Março, quando a exibição deste filme conseguiu a façanha de reunir 10 bravos, contando com o pianista. Pois, é filme com piano a acompanhar, uma luxúria aristocrática. É também o primeiro filme recuperado pela Cinemateca Portuguesa, e se eles se deram ao trabalho é foleiro não ir lá praticar o desporto favorito dos pátrios: dizer mal. Ou apenas largar um disparate qualquer, como “Os filmes a preto-e-branco dão-me sempre seca”, já que da fita não se solta a voz a ninguém. Aliás, a tragédia desta obra é só a de não se falar nela, fruto de uma censura sonora que mesmo um filme mudo não merece, especialmente quando celebra 75 anos de existência. Há um tabu cinéfilo em Portugal, afinal só mais uma nota nesta esquizofrenia de sermos uma nação com história e um país sem memória.
Trailer para as massas, locução manhosa:
«Paixões à solta na Nazaré. A fúria do mar a revolver as ondas do desejo. Uma comunidade de pescadores dividida entre o fatalismo e a fruição de um erotismo selvagem, primitivo, amoral. Nunca em Portugal se viram corpos filmados com tanta sensualidade... Muito brevemente numa cinemateca perto de si ou, se não tão perto, acessível através de um vasto sistema de transportes, incluindo carros, motociclos e bicicletas privados.»
Conversa para cinéfilos com potencial, em formação:
«Um filme pode ter sido filmado em 1929 e continuar em 2005 a ser uma obra de vanguarda. Não acreditas? Não acreditas, porquê? Porque és parvo ou porque nunca viste Eisenstein, Vertov e Pudovkine? Cala-te, vai mas é ver isto. Parvalhão...»
Repto para o português que ainda existir no português:
«Concidadão, o 25 de Abril foi uma alegria, ‘tá tudo bem e a malta gosta mais assim. Agora, isto de nos sonegarem os tesouros artísticos e filosóficos associados com o salazarismo, com o Portugal da Exposição do Mundo Português, com o António Ferro de alma d’aço, com a metafísica de uma Nazaré inventada pelo Raul Brandão, com a tessitura de uma "alma portuguesa" incómoda e indigesta para desalmados sem pinga de sangue, não pode ficar impune. As revoluções também se fazem em salas escuras e confortavelmente sentados. Preço módico.»
That’s all, folks.
(Valupi)

Publicado por José Mário Silva às abril 4, 2005 09:00 AM

Comentários

Excelente estreia itálica, Valupi. Queremos mais...

Publicado por: José Mário Silva em abril 4, 2005 09:24 AM

«País sem memória», ficou dito. Ó ZM, tens a certeza de que esta é a «estreia itálica» do Valupi? Ou será algum agradabilíssimo (além de reveladoríssimo) déjá vu meu?

Publicado por: fernando venâncio em abril 4, 2005 11:37 AM

Ó Fernando, agora é que me deixaste baralhado. Vou investigar.
;)

Publicado por: José Mário Silva em abril 4, 2005 11:45 AM

Enquanto o ZM investiga:

- basta uma colaboração anterior do Valupi para provar que esta não é a estreia,

- mas é preciso repassar tudo para provar que o é.

Haverá, em universos paralelos, outra organização, mais equilibrada, da realidade? Facto é que nem sequer temos cérebro para concebê-la, a essa outra.

Publicado por: fernando venâncio em abril 4, 2005 12:23 PM

Com que então, o "Maria do Mar" é vítima de uma sinistra cabala para lhe abafar a (ausência de) voz e foi-nos mesmo ignominiosamente sonegado. Mais um tesouro remetido à obscuridade de uma arca censória, bolorenta mas por certo repleta de lindos bibelots "artísticos e filosóficos associados com o salazarismo".
Mas como assim? Não se trata do"primeiro filme recuperado pela Cinemateca Portuguesa"? Estranha forma de censura, esta, que restaura e mostra em vez de destruir e ocultar... coisas dos malucos do tal "25 de Abril", certamente. Esse furioso ímpeto obscurantista também se deve ter reflectido no número de vezes que a obra já passou na televisão estatal...
(E olha que já se cumpriram 5 anos sobre a apresentação desta versão restaurada, com música de Bernardo Sassetti; não apresentas notícias lá muito frescas.)
Aparte a deriva saudo-política, que tal dizeres umas coisas acerca do filme? É que essa ladainha do erotismo selvagem e dos corpos filmados com subversivo erotismo já anda a ser rezada, por http://www.amordeperdicao.pt/basedados_filmes.asp?filmeid=217" >inúmeros altares ao Cinema dedicados, há um ror de anos! Não há mais nenhuma cenoura para se colocar à frente do burro com ambições de cinéfilo, além de ensaios de invectivas chistosas?
Is this it, folks? Not quite up to expectations, I fear...

Publicado por: Pensativo em abril 4, 2005 01:03 PM

a dura aprendizagem da condição de blogger...
há sempre um gajo para nos dar cruelmente castanhadas na cabaça.
de qualquer modo, um bom texto de se ler como não poderia deixar de ser algo assinado pelo Valupi.

Publicado por: tchernignobyl em abril 4, 2005 03:20 PM

Indeed. Such are the hardships of life online: now, the boot is on the other foot...

Publicado por: Pensativo em abril 4, 2005 03:28 PM

:)

Amigos, o Zé Mário honrou-me com o convite para este itálico e o Fernando deu o empurrão final. Muito obrigado aos dois, com especial deferência para o Zé por razões óbvias. A razão do agradecimento é apenas esta: gostei de o ter escrito e não o teria feito sem o desafio de um e a provocação do outro. Já agora, a foto é liricamente evocativa; muito bem.

Tchern, se são estas as crueldades, vamos ter de redefinir o sentido do substantivo. Eu diria que estou em muito boa companhia.

Pensativo, obrigado pelo teu comentário. Antes de avançarmos, tenho de te fazer a pergunta sacramental (fruta da época...): viste o filme?

[pergunta cuja resposta desejo seja "sim", esclareço desde já]

Publicado por: Valupi em abril 4, 2005 03:48 PM

Sim. Julgo que nunca vi a versão restaurada; mas não estou certo disto.
Recordo uma fotografia fabulosa, planos que impressionavam sempre que incluiam o mar, rostos e corpos esculpidos pela luz com hierática intensidade, uma intriga de faca e alguidar. E, claro está, o tal erotismo latente, longe do contemporâneo dedo do pé de Buñuel, mas que não deixava de ser ousado, sobretudo tendo em conta o ambiente político de então...

Publicado por: Pensativo em abril 4, 2005 04:38 PM

[só para dar razão ao Fernando, este é o segundo itálico, tendo o primeiro sido iniciativa do Filipe Moura reproduzindo um comentário]

___

Pensativo

Bom, fizeste uma salgalhada com aquilo que escrevi, o que está por ai à disposição e o que eu não disse. Resumindo, criticas as barbas da notícia, a falácia da suposta censura e a ausência de uma opinião cinematográfica ortodoxa. Ainda bem, volto a agradecer-te, pois permites que se cumpra o segundo objectivo deste texto, o seu desenvolvimento. O primeiro é o fazer campanha pelo visionamento da obra, num registo vagamente agit-prop (isto anda tudo ligado...).

Vamos lá:

- Eu estive na Cinemateca no passado dia 12 de Março. A sala estava vazia, num sábado às 21.30. Para lá da evidência de o cinema só o ser no cinema, de este ser um filme que se pode rever sem cansar por ser muito mais pujante a sua dimensão estética do que a dramatúrgica, de o acompanhamento ao piano engrandecer a experiência, de haver milhões e milhões e milhões de portugueses que nunca o viram nestas condições de exibição e pós-restauro (pelo menos), será que não há em Lisboa 3 ou 4 turmas de estudantes de cinema, comunicação social, história ou belas-artes (e sei lá que mais) para quem o filme tivesse interesse pedagógico, educativo ou formativo – ao limite, meramente informativo?...

- Faz 75 anos que foi lançado o MARIA DO MAR no São Luís de celebérrima e opípara tertúlia cinéfila. Quem o irá celebrar na comunicação social? Que memória tens de atenção mediática para com a figura do Leitão de Barros e confrades (de um António Lopes Ribeiro que morreu admirador de Salazar a um Jorge Brum do Canto que fez um filme hoje escândalo, CHAIMITE)? Essa gente esteve ao serviço do Estado Novo, atolados até ao pescoço pelo menos durante uma parte das suas vidas, outros até ao fim. Quem pega neles sem sujar as mãos? Basta levar a sério a tua diatribe e googlenear a coisa – para além de uma ou duas entradas enciclopédicas, o resto é informação despicienda. Inúmeros só os esquecimentos.

A cinemateca não é a norma, é a excepcional excepção. Começa por ser sua a missão de recuperar o património filmográfico. Concederás que, a recuperar alguma coisa, se recupere primeiro o antigo e só depois o recente. Ora, MARIA DO MAR não é só um filmezito patusco feito em 1930 com pescadores reais a serem filmados como reais pescadores, não senhor. Este filme é exibido nas cinematecas internacionais como obra-prima portuguesa do período mudo. Este filme representa a síntese de escolas cinematográficas diversas na idiossincrasia da sua temática lusitana. É único, não há nada parecido em todo o universo conhecido e que o Hubble perscruta. Diz-me agora tu quantas vezes o filme passou na televisão, de modo a ficarmos com um número qualquer para comparar importâncias, efeitos e consequências.

- Mas a Cinemateca é também o local da erudição cinematográfica. Se queres opiniões fundamentadas e iluminadoras, tens bom remédio: saca uma das fotocópias do mestre Benárd, vão lá estar hoje à disposição. Para mim, a obra pede "mastigação" (private joke entre nós), mas revelo o meu especial interesse pela temática folclórica, o mito da Nazaré e do mar "destino e perdição". O erotismo acaba por ser relevante ao servir uma visão artística vitalista, não pelo comichão (de resto, ambíguo...). E os pormenores, a técnica, da montagem, da fotografia e da composição são lições para quem ama o cinema. Só visto.

Publicado por: Valupi em abril 4, 2005 07:29 PM

Valupi,


Taking the piss, right? Gostei imenso da rrretrospectiva e do baptismo de fogo com letras italianas. Este blog está a caminhar no bom sentido.Malta polémica e com boa caligrafia é que a gente gosta. Uma estória. O meu avô viu essa fita e chegou a casa com um priapismo não-doloroso, mas a minha avó não quiz saber disso e mandou-o tomar banho porque só cheirava a peixe. Não gostei do termo “estética” nem do conselho que dás à malta das belas-artes. Ainda haverá muita gente em Portugal que considere cinema uma arte? Lembras-te da cena do chuveiro no Pshyco, do Hitchcock? Do som da faca a cortar as carnes alvas da Janet? Era um gajo a dar facadas num melão. Do sangue a escorrer pelas paredes e pelo plástico direito ao escoador? Era chocolate derretido. Still 9 out of 10 for your entry. Para a próxima fala-me do Stanley Kubrick e da cena orgíaca do Eyes Wide Shut envolvendo uns amigos nossos conhecidos. That is real meat, man! (com uma pianada do Ligeti, ainda por cima).


Publicado por: B Lugosi em abril 4, 2005 09:37 PM

Tenho que ver, está visto. Fiquei logo preso do «trailer para as massas». Culpa da «locução manhosa», qué que julgavam.

Quanto ao mais, erudição, cinematográfica ou outra, já se lha conhecia, ao Valupi. Agora o que não estava assim tanto a esperar era o particular interesse dele pelo exacto mito da Nazaré. Mas este homem tem as sete vidas logo juntas! Nem Fradique, ZM, nem Fradique.


Publicado por: fernando venâncio em abril 4, 2005 09:38 PM

bem, eu não quero meter muito o bedelho em matérias cinéfilas em que sou semi analfabeto, mas não foi este o filme para cujas filmagens arrastaram, lá para a tal Nazaré um célebre realizador italiano (Visconti?) que saiu de lá furibundo porque achou aquilo a tresandar mais a folclorada do que a peixe?
Aguardo paciente o cutelo vingador valupiano/venanciano no meu pescoço, com a condição de não recorrer ao já famoso argumento da moda giliana/guidarebeloandradiana de que eu estou aqui a lançar nuvens de suspeita por "inveja" do leitão.

Publicado por: tchernignobyl em abril 5, 2005 12:53 AM

seria o rosselini?

Publicado por: tchernignobyl em abril 5, 2005 02:07 AM

O cutelo terá de ser valupiano. Eu sou aqui tão inocente como... um peixinho morrendo numa canastra.

Publicado por: fernando venâncio em abril 5, 2005 06:17 AM

"Semi" é favor, Tcher. Nesse tempo os dois italianos ainda andavam a bater punhetas a grilos (ou grilas).

Publicado por: Sombra em abril 5, 2005 07:31 AM

Ou talvez não.Pelo que me apresso a retirar o tom "semi"-ofensivo do meu comentário anterior, aduzindo que, tanto quanto sei, o interesse dos dois homens pelo cinema se revelou nos anos trinta.

Publicado por: Sombra em abril 5, 2005 09:06 AM

Valupi,

Francamente, continuo sem ver onde estará a tal ocultação de que te queixas: o filme foi restaurado por entidades públicas; já foi exibido na RTP (vi-o por lá duas vezes; ignoro o total de exibições); até pagaram uma partitura novita em folha para o acompanhar, com direito a orquestra, piano e cantoria da Filipa Pais...
Imagina tu que um sinistro governo socialista incentivou o processo, apresentou os resultados com fragor, tudo no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia! Se tal te parece denotar vontade de esconder uma tralha ideologicamente incómoda debaixo do tapete do olvido... nem sei que te diga mais.
Mas tu teimas em ver no ostracismo criado pela tua miragem mais um ominoso sintoma de uma "nação com história e um país sem memória". Deixa lá escapar a ínfima confissão: inventaste essa suposta cabala censória - de permeio com a referência chistosa ao 25 de Abril - apenas pour epater le bourgeois de esquerda que frequenta esta casa, não foi?
Quanto ao Google, achas mesmo que o número de páginas relevantes (longe do tal "uma ou duas") que assim topas é parco para um filme de 1930?
E não; não exigia "opiniões fundamentadas e iluminadoras"; aguardava sim o teu ponto de vista sobre a obra. Se calhar, era só aquilo.

Publicado por: Pensativo em abril 5, 2005 11:55 AM

Lugosi, explica lá melhor essa parte de não gostares do termo estética e etc. Deixaste-me curioso.

Fernando, o Fradique?!... Bom, vindo de uma autoridade na matéria, terei de acatar a referência sem protestar, e com um sorriso cúmplice a acompanhar.

Tchern, não tenho nenhum conhecimento sobre esse episódio. O extenso texto do Bénard que acompanha a sessão não lhe faz menção. O que se sabe é que Visconti, nascido em 1906, teria 23 anos por altura da rodagem e ainda não se tinha iniciado no cinema. O mesmo para Rosselini, nascido no mesmíssimo ano e também ainda sem trabalhar em cinema (isto é, nos seus currículos não aparecem registos anteriores a 1935/36). Outro dado é o seguinte: esta obra é de vanguarda, é moderna, no contexto da época. Enfim, mas tudo pode ter acontecido com outro nome qualquer, embora seja estranho a anedota não ter ficado registada por escrito.

Pensativo, o ostracismo a que aludo é genérico e relativo, sem dúvida. Embora a Cinemateca não seja exemplo, tanto pela sua função como pela sua história (e se ainda não o fizeste, aconselho uma viagem pela biografia do Félix Ribeiro), é um facto que temos o filme aí, bem tratado e disponível. Onde tu fizeste uma leitura literal, eu deixei um apontamento críptico e retórico. Mais uma vez te agradeço a oportunidade de também desenvolver esse ponto até ao fim.

A minha tese é a de que a Direita não tem voz nas artes. Sociologicamente, a arte pós-25 de Abril é quase toda de Esquerda. E a pouca arte de Direita que subsiste está a cair de gasta – Agustina, Oliveira, quem mais?... Isto leva a que um vasto conjunto de temáticas tenha ficado sem tratamento, e outras não tenham tido um tratamento complementar. Isto leva a que pessoas de Esquerda tomem conta dos centros de decisão e distribuição dos subsídios, das retrospectivas, dos meios de comunicação social que divulgam as iniciativas e as destacam. Enfim, leva a que um traste do calibre do Paulo Portas tenha razão, quando disse na declaração em que se demitiu estar o País dominado por uma Media de Esquerda.

Sem dúvida, é muito mais difícil aparecer um artista de Direita do que 10 de Esquerda. Por factores que decorrem da própria lógica do projecto, que nascem das culturas e subculturas respectivas, associamos Direita com conservadorismo e Esquerda com transgressão. Para uma psicologia juvenil, o conservadorismo é antitético com a expressão artística – que se quer "livre", libertária e até libertina. O corolário, usual, é a inanidade subjectivista, egocêntrica, narcísica. Como escreveu algures o Tristan Tzara (se não estou em erro, cito de memória): "Os escritores hoje só escrevem sobre o que lhes acontece, e nada lhes acontece."

Para uma psicologia madura, e sapiente, a (boa) Direita não é conservadora, é tradicionalista. E a Tradição renova, é criativa. Mas não se chega a esta consciência sem se ter feito a longa viagem.

Quanto ao meu ponto de vista sobre a obra, jamais iria pelo registo do "gosto disto, não gosto daquilo", exercício para mim tão inútil quanto ignaro. O meu ponto de vista é: ide ver. Há boas, e muito boas, razões para conhecermos e estimarmos este filme – razões objectivas. Mesmo que não gostemos dele, se for o caso.

Publicado por: Valupi em abril 5, 2005 05:53 PM

Valupi,

Falas tu agora, depois de a teoria censória se ter enfiado a todo o vapor num beco-sem-saída, em arte "de Esquerda" e arte "de Direita". Devo confessar-me algo perdido: será de direita apenas obra que nos fale de melancolia, de saudade, de tradição? Temo que, se for este o caso, terás de confinar a tua busca às boas casas de Fado da capital...
Será a poesia do Mexia de direita? Não estou lá muito a ver porquê. E que dizer, por exemplo, do Mário de Carvalho? Será que sua "Fantasia" é um livro "de esquerda" (seja isso o que for)?
Não se trata de conversa para desenvolver aqui; mas julgo que não podes confundir o criador com a coisa criada ou vice-versa.
E, se calhar, vale a pena investigar se não é a própria direita lusa que repele os criadores, ao dar à Cultura os tratos de polé costumeiros. Basta pensar que Santana Lopes já teve responsabilidade governamental sobre o sector, e que a figurinha que o traste Portas encontrou para tutelar a Cultura (a par com o Turismo, imagine-se) no seu brilhante governo-sombra era... Telmo Correia. Em termos ideológicos, os políticos de Direita que aturamos têm como posição sobre a Arte a imoralidade dos subsídios a criadores, uns vagos desígnios de ressuscitação da "Revista à Portuguesa", a imposição de buscar "públicos" ou mercados; e pouco mais.
Só mais uma coisa: julgo claro que um ponto de vista pessoal sobre uma obra de arte não se limita (e por vezes até nem passa por aí) à emissão de decretos de gosto. Mas claro que sabias disto.

Publicado por: Pensativo em abril 5, 2005 06:42 PM

Caro Pensativo, a discussão do que será a arte de Esquerda ou de Direita tem o seu inegável mérito, mas aparece aqui como contextualização. Para todos os efeitos, Leitão de Barros foi um notável colaborador do Estado Novo, e se isto não é ser de Direita mais nada o é. Curiosamente, os tradicionalistas portugueses – e refiro-me, em particular, ao Integralismo Lusitano – rapidamente passaram a ver no Salazar um traidor. No entanto, para agarrar o toiro pelos cornos, e recorrendo a um inevitável simplismo, a fronteira pode ser marcada pela noção de transcendência. A Esquerda sob o jugo de ser a religião o ópio do povo, a Direita reclamando o transvase do divino para a vida pública. Sim, eu sei, isto é um reducionismo e até algo anacrónico na pós-modernidade, mas também um ponto de partida possível para a discussão.

Tu não vês censura porque não existe nenhum organismo cuja competência seja censória. Eu vejo censura porque os autores e as obras e as temáticas não estão na agenda da divulgação ou do projecto artístico. Remetes para o significado histórico de termo, eu para o seu sentido figurado mas não menos pragmático.

Os exemplos de autores que dás, e outros que podemos ir buscar, são a matéria com a qual se poderá fazer uma bela discussão. Não me digas é que o Santana, and else, é de Direita ou a representa de alguma forma. A Direita de que falo não é a da representação partidária. Como exemplo, eis dois: Freitas do Amaral é de Direita, e é por ser de Direita que ataca os americanos; idem para o Papa, um exemplo de posição de Direita, seja em que matéria for.

Publicado por: Valupi em abril 5, 2005 09:08 PM

Ninguém nega que existem artistas de esquerda e de direita. A perplexidade que o teu comentário anterior me suscitou tem a ver com a ideia de "arte de Direita" (ou simétrica). Julgo que, para grande fatia da produção artística nacional dos últimos 100 anos, tal divisão será bem problemática ou mesmo missão risível.
Continuo pertinaz na minha: não consigo ver como é que um filme em que um governo de esquerda investiu milhões para restaurar, musicar e mostrar ao mundo está arredio de uma tal "agenda da divulgação".
Quanto ao Santana, falava, naturalmente, da nossa direita institucional, com ambições a governar-nos.
E essa ligação ao divino como marco fronteiriço não me parece mui convincente; mas é teoria que gostaria de ver expandida. Força.

Publicado por: Pensativo em abril 5, 2005 10:29 PM

Eu sei que uma boa parte dos blogueiros e visitantes que aqui vêm não têm a mínima ideia do que é que Pensativo e o Valupi estão falar. Mas eu vou-lhes dizer, para pôr fim a este derramamento de sangue e tinta intelectual que me parte o coração. É àcerca dum filme realizado há setenta e cinco anos por um homem que admirava Salazar e que é visto hoje como obra de arte pelo Valupi e como coisa que passou à história, ou nunca foi história, pelo Pensativo. É a eterna luta entre dois homens que vomitam com muita virtuosidade palavras que beberam com sofreguidão em inúmeras bebedeiras ideológicas que apanharam nas tertúlias de opinião e leituras solenes. Mas que ninguém se deixe levar por esta música, por muito sinfónica que pareça. Se os crâneos destes individuos fossem zurzados repetidamente com correntes de bicicletas, os sons cavos expulsos pelas suas bocas assemelhar-se-iam bastante aos vivas e morras que ecoaram pelas ruas de Lisboa há trinta anos, agora conservados em fitas magnéticas nos museus da nossa democracia de braço ao peito. Interessante observar como de cinema mudo se passa a portas, santanas e outros primatas do poder rotativo para provar viragens e navegações da esquerda-direita. Que desperdício de talentos raros...

Publicado por: Madalena em abril 6, 2005 12:14 AM

Não me parece nada risível, Pensativo, e apresento aquele que me parece ser um exemplo elucidativo: a comparação entre a "geração de Orfeu" e o movimento da "Seara Nova". Eis dois ideários intelectuais que entrecruzam arte e política, aglutinando variados representantes e representantes complexos. Num caso há o endosso para uma transcendência poética, no outro para um humanismo político, com as subsequentes influências transversais a outras áreas de labor intelectual. Idealismo versus Realismo, enfim.

Entretanto, vou notando em ti uma apetência para o sofisma. Quem recuperou o filme MARIA DO MAR não foi um Governo socialista, foi a Cinemateca. A Cinemateca, como aparentemente pareces desconhecer, é um bastião da Direita. Mas da Direita culta, ilustrada, brilhante, democrática. Para além disso, o filme transcende a questão ideológica, até porque é inócuo nesse particular. O filme é a obra-prima do cinema mudo português para muito boa gente, "tinha" de ser recuperado. De resto, esse Governo socialista a que te referes era dirigido por um católico, cujo partido de socialista já só tem o nome.

Mas eu não estou a fulanizar a questão neste filme, antes no conjunto de autores associados com este filme por afinidade programática com o seu realizador e Regime de então. Assim como também não me estou só a cingir ao cinema, mas à literatura, às artes plásticas, à filosofia e até à política.

Acima de tudo, como fazes questão de ignorar, estou a reagir contra uma sala vazia. Eu vejo aí o facto e o sintoma. O facto de não haver um público (nem sequer de estudantes) para este filme, que é de culto, é o sintoma de não haver interesse em haver um público para este filme, que implica outros filmes e outras coisas, politicamente incorrectas.

Presumo que tenhas lido o José Gil, que não tem medo nenhum de existir, onde o mesmo problema, sob diferente ponto de vista, é apresentado. No livro, José Gil fala do abafamento radical a que o salazarismo foi sujeito no pós-25 – sem ter sido castigado – e de como isso permitiu a sua sobrevivência encapotada sob a forma de mentalidade. Pois é disso que falo, da necessidade de um confronto com essa parte da nossa história, da urgência em curar a amnésia; e, de caminho, recuperar parte das jóias da coroa.

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Madalena, não gastes, tu também, o teu muito bem tratado latim em vão e junta-te aqui a nós. Viste o filme?

Publicado por: Valupi em abril 6, 2005 07:53 AM

Persistes em confundir obras com obradores. E olha que não neguei a tal condição política a toda a produção artística nacional; sei bem o que foi o nosso peculiar "neo-realismo", por exemplo. Mas, citando exemplo popular por estas bandas, será que o Surrealismo conseguiu mesmo ser uma "arte de Esquerda"? Tenho dúvidas.
No que toca ao restauro do "Maria do Mar", não julgas mesmo que um empreendimento de tal monta e custo foi mesmo levado a cabo sem o empenhamento activo do ministério da Cultura, pois não? Como terá surgido o apoio da PT? Pensarás que o ANIM caiu dos céus aos trambolhões e anda a funcionar em roda livre?
Quanto à sala vazia que tanto te ofendeu, responde-me a isto: se lá tivesse sido projectado antes o já citado "L'Age d'Or", também filme de culto, também coisa muda e pouco apelativa, encontrarias a plateia mais composta? Duvido.

No que diz respeito à Madalena, cabe-me preencher uma só lacuna da sua ignorância e julgamento apressado: eu, por acaso, até gosto bastante do "Maria do Mar". De resto, o meu "crâneo" (seja lá isso o que for) passa bem sem ser "zurzado" (idem).

Publicado por: Pensativo em abril 6, 2005 02:04 PM

Pensativo,

É uma honra ter o "latim" a que o Valupi alude revisto por um homem "de plume" que raramente perde a calma. Vê lá tu que ainda há pouco estava eu a pedir ao Nuno para dar um encosto amigo à minha gramática de freira reaccionária. Mas há, fora de brincadeiras, uma boa razão. Roubaram-me recentemente o meu precioso volume de conjugações de verbos difíceis, e tudo isto ne causou um terrível "mal au crâne". Mesmo assim, não te encolhas e bate-me forte em nome desta língua que não pode fugir ao teu crivo fino. Espero no entanto ter contribuido para acabar com um debate já a cair no regaço da senhora esterilidade.

Publicado por: Madalena em abril 6, 2005 03:18 PM

"Volume de conjugações de verbos difíceis"? Please. Não ficaria muito melhor "volume de verbos de conjugação difícil"? Madalena, Madalena, onde é que anda essa cabecinha?

Publicado por: Madalena em abril 6, 2005 03:35 PM

Que o Buñuel não encha a sala é problema diferente de o MARIA DO MAR estar às moscas. Num caso sofre a cultura cinematográfica, no outro a cultura nacional.

Esta questão da Direita e da Esquerda só fará sentido, se o fizer, se a circunscrevermos ao plano artístico, suspendendo o político até esclarecimento do que se fala. Não me estou é a ver na confusão de obras com criadores, por isso não me pronuncio sobre o Mexia, por exemplo. É preciso distância histórica para ousar uma reflexão que exige percorrer um caminho cheio de armadilhas. Uma delas será a de não relacionar as obras com os criadores.

O enfoque é nas obras, mas as obras arrastam inevitavelmente uma parte do criador. Se a obra não esgota o criador, também não o dispensa. Vejamos o caso de Pessoa e a temática do "Quinto Império", por exemplo, para mim um terreno típico (por isso, claro) do que considero uma agenda artística de Direita. Trabalhar criativamente o "Quinto Império", como Pessoa o fez, convoca entidades simbólicas (Deus, Pátria, Rei, Destino, Espírito, Cristianismo, etc.) que representam entidades políticas, dando-se assim, no acto mesmo da sua expressão, ao debate ideológico.

A opção do criador resulta sempre de um quadro de referências prévio, o que implica bater no fundo dos pressupostos. Para mim, a linha da transcendência (usando o termo mais operacionalmente do que semanticamente) separa duas concepções da realidade que são antagónicas e que radicam no dualismo Idealismo/Realismo, tal como foram elaboradas por Platão e Aristóteles. A realidade recuperada ou a realidade construída, uma arte que recua e uma arte que avança, eis a síntese mais curta do mundo sobre o assunto, até para um blogue, que aqui deixo.

Voltando à Cinemateca. Claro que o dinheiro da Cinemateca, como Museu do Cinema, virá do Estado (e de mecenas). Eles têm um orçamento, fizeram obras de monta, continuam a recuperar filmes – ainda hoje (quarta) passou outro em cópia nova, A SEVERA, também do Leitão de Barros. Por aí, serão todos os contribuintes que se associam para recuperar os filmes "salazaristas". Só que essa circunstância, relativa a um serviço especializado, não anula a conjuntura. É a sociedade que não cultiva a herança dos artistas associados com o Estado Novo. Censura, para mim, pois as obras são meritórias, tesouros culturais. Nada, no plano artístico, justifica o silenciamento.

Tu deves estar munido de uma versão do Google muito mais avançada do que a minha, pois eu já percorri as páginas todas relativas ao filme (antes e depois deste itálico) e os "inúmeros altares" são dois ou três, e em registo enciclopédico. Pura e simplesmente, it's not a hot stuff.

__

Madalena, filha, andas desasada e por isso já nem revês os teus textos antes de eles se perderem no mundo. Chega cá ao pé de mim e conta-me: de que andas à procura?

Publicado por: Valupi em abril 7, 2005 05:21 AM


Valupi,


Boa pergunta. De pau, I mean, paulada... E a propósito de Platão, a qual te referes - ao da "Republica" das manhãs de nevoeiro de Atenas ou aos de carne e osso que viveram muitos séculos depois? Há uma certa polémica sobre isso, não sei se sabes. Oh porra, esqueci-me que este blogue não gosta de coisas desoficiais (vá lá mais um neologismo para chatear o Pensativo).

Publicado por: Madalena em abril 7, 2005 08:17 PM

Nunca ouvi falar desses platões. E agora vais ter de me contar. Cheira-me a esoterismo, o que também faz parte da minha dieta.

Eu falo do Mestre, escusado seria dizer mas aproveito para o celebrar. Aquele que, precisamente na República (um dos livros que levaria para a ilha deserta, no caso da ilha não estar provida de Internet), diz para Céfalo, "[...] é para mim um prazer conversar com pessoas de idade bastante avançada." Tem de se gostar do que vem a seguir.

E este é também o Platão que escreve, na mesma República, "[...] nada importa que a cidade exista em qualquer lugar, ou venha a existir, porquanto é pelas suas normas, e pelas de mais nenhuma outra, que ele pautará o seu comportamento." Um libertino, este Platão.

Publicado por: Valupi em abril 8, 2005 06:21 AM

Valupi,

Com muito gosto. Vamos lá a ver o que é que se pode arranjar. Bom, Platão, Plotin, e Pleton (arranja-me, se houver, aportuguesamento para os dois últimos porque quando andei à costura não li nada deles) são as principais personagens históricas ligadas ao chamado “platonismo” que dormiu, como sabes, sonos de vários séculos duma vez. Platão “nasceu” mais de quatrocentos anos antes de Cristo, Plotin ressuscitou as ideias do “Mestre”, como tu lhe chamas, no século III e Pleton reanimou o que já tinha sido reanimado, 1200 anos depois, ou seja, no século XV. Os nomes não são exactamente os mesmos, mas se acreditares nestas coincidências e similitudes onomásticas irás também acreditar em tudo aquilo que o Sócrates, neste caso o nosso primeiro-ministro, te quizer vender. Nota também que os manuscritos do sábio Platão para consumo das audiências de hoje e de há muitos anos só foram encontrados no século XV, que é, também por coincidência, a época em que viveu o nosso amigo Pleton, que é o meu suspeito favorito do “crime” de ter escrito coisas que se atribuem a Platão. Confuso? Pleton , em “imitação” do “mestre grego, fundou em Florença, a “Academia de Pleton” e também escreveu, como o mestre, um “Tratado de Leis” que convenientemente desapareceu. Uma obra do mesmo nome (Tratctate on the Laws, em inglês) da “autoria” do nosso admirado Platão, e qualquer coisa como dois mil anos mais velha que a sua sucessora, ainda anda por aí para nos deliciar. Pergunta a um jurista amigo versado nestas coisas. Espero que nada disto venha abalar o respeito que nutres pelo clássico Platão, mas, se vier, paciência – podes transferir esse respeito para o Pleton.

Publicado por: Madalena em abril 8, 2005 11:39 AM

Valupi,

Presumo que ainda andas às voltas pelo Google à procura de inspiração para responderes a estas acusações “esotéricas”. Pouco encontrarás, but take your time. Por seu lado, o espírito do V.B. Amaral neste blogue também deve ter “pensado” que o melhor era não fazer mais reparos (merecidos, outra vez) ao meu português. Espero uma reacção, nem que seja para ser pronnunciada odalisca-mor da conspiração.

Publicado por: Madalena em abril 8, 2005 05:04 PM

Minha querida, não preciso de inspiração para te responder, tu é que estás a precisar de erudição para me inquietar. Referes-te a Plotino e a Giorgio Gemisto Pleton. Biografias disponíveis e sem mistério.

As obras de Platão não foram descobertas no século XV, mas sim redescobertas pelo Ocidente católico por essa altura, quando vários intelectuais gregos migraram para Itália durante os séculos XV e XVI. Que estes factos não comprometam a tua candidatura a odalisca-mor, com ou sem conspirações.

Publicado por: Valupi em abril 8, 2005 08:03 PM

Valupi,

Há duas coisas que, tristemente, sou forçada a constatar na tua resposta. A primeira é que não andaste na costura, como eu. E a segunda é que acabaste de te declarar, para minha surpresa, como candidato ao prémio de 10 ou 20 mil dólares, que é a quantia oferecida por uma editora americana para provar errada a equipa de investigadores (incluindo cientistas de numerosas áreas) que colocou, entre muitas outras, a hipótese que te apresentei acima e que tu, tão displicentemente, vieste reduzir a pó com a tua entrada de almanaqueiro entregue à missão diária de impressionar bloguistas. Se estiveres interessado nesses 10 ou 20 mil bucks, dá uma voltinha ao Google, talvez ainda vás a tempo. Interessante não me perguntares onde é que fui desenterrar as minhas idéias. Tampouco servirá incomodar-me a encaminhar-te para lugares mais iluminados, porque iluminado já tu pareces ser ou estar. Tens o destino traçado. No entanto, não quero despedir-me sem te dizer que às lupas dessa equipa de cientistas não escapou nenhum dos antigos alfarrábios em existência (a lista bibliográfica monta a nada menos de 50 páginas) a esmagadora maioria cópias de originais misteriosamente “desaparecidos”, alguns dos quais utilizados pelos mestres, ou mestras, que te deram a mão quando andavas a tirar o teu curso de bordados no liceu. Aperta Veritas.

Publicado por: Madalena em abril 8, 2005 11:30 PM

As tuas ideias estão confusas, rapariga, e mal amanhadas. Cumprindo o teu destino de fêmea, és vítima das estratégias de marketing mais básicas (sim, já lá vai o tempo em que se vendiam livros como pão quente). Essa "equipa de cientistas" e respectiva editora que me mande um email para esclarecimentos definitivos ou, em alternativa que favoreço, o cheque das verdinhas.

Nimium ne crede colori.

Publicado por: Valupi em abril 9, 2005 03:46 AM

Já lá vai o tempo em que se escreviam livros para enganar impunemente as massas e já é tempo para perderes esse hábito de andares de rabo alçado atrás das pessoas quando elas andam a cagar postas de pescadas. Pareces um gato, rapaz!!! Um e-mail? Tu nem mereces um postal de condolências dum frade da Ordem de S. Bento!

Publicado por: Madalena em abril 9, 2005 09:15 AM

Tens graça, Madalena, e agora estou para aqui a roer-me de curiosidade. Vou começar pelas unhas mas não sei onde isto irá parar.

Publicado por: Valupi em abril 9, 2005 08:42 PM