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março 30, 2005

FLAGRANTE

À porta de uma fábrica (a Vicaima, em Vale de Cambra), alguns activistas da Greenpeace protestavam contra o uso de «árvores derrubadas clandestinamente na Amazónia brasileira». De repente, chega o administrador: grisalho, engravatado, furioso. No meio de insultos de toda a ordem, agride sem mais nem aquela o vice-presidente da Quercus e um operador de câmara da SIC (aliás, as imagens captadas são elucidativas quanto ao furor do manda-chuva).
O mais curioso é que o indignado patrão podia ter deixado para a GNR, presente no local com os efectivos da praxe, a zelosa defesa da sacrossanta propriedade privada. Mas nem pensar nisso. Preferiu fazer a peixeirada à moda antiga e com as próprias mãos. Resultado: os rapazes da Greenpeace lá puseram fim ao bloqueio, sem oferecerem resistência, e foram transportados de jipe para o posto da guarda, «a fim de serem presentes ao juiz de instrução», enquanto o agressor voltou à sua vidinha porque, segundo as autoridades, «a agressão não foi presenciada em flagrante».
Quer isto dizer que os agentes da GNR, aparentemente, não viram nada do que a SIC mostrou que eles não podiam deixar de ter visto. E assim se mantém a ordem pública, para sossego dos poderosos impunes.
Belo país, este.

Publicado por José Mário Silva às março 30, 2005 09:15 AM

Comentários

Foi uma vergonha tal presenciar isto, que por vezes dá para questionar se as forças de segurança não têm mesmo as condições que merecem. Foi uma demonstração de complacência com agressões e a consequente falta de respeito que a mim me deu a volta ao estômago.
O que vale é que as imagens falam por si, há uma carrada de testemunhas, e a agressão aconteceu mesmo, além das injúrias, e o crime de atentado á liberdade de imprensa.
Não basta a vergonha da compra e transporte ilegal de madeiras proibidas, provavelmente para ornamentar a sala de um destes imbecis, como ainda dão a cara á guisa de furiosos indignados.
Uma vergonha de país e mais uma página negra nas nossas patéticas forças de ordem e segurança.

Publicado por: Stephen King em março 30, 2005 09:21 AM

Para o qauadro ser completo só faltou a GNR, em vez de ficar de braços cruzados, começar a dar porrada também. sim, só faltou...

Publicado por: vanessa a. em março 30, 2005 10:16 AM

não vi a cena mas o que descreves mas fez-me lembrar aquela cena do avelino torres a entrar pelo campo adentro a querer agredir um árbitro perante um polícia perfeitamente apavorado com a situação e que levantava uns bracinhos mas sem efectivamente impedir a passagem ao autarca.

Publicado por: tchernignobyl em março 30, 2005 11:21 AM

Concordo com quase tudo o que escreveste. Só não vi "os patrões" mas sim o "o patrão"! Depreendo que o erro seja do hábito:) Era apenas um e chegou de tal maneira exaltado que ia esmagando uma protestante da Greenpeace contra as grades.

Publicado por: Bekx em março 30, 2005 11:27 AM

Creio que foram mesmo os patrões, plural, que deram um singular exemplo de empreendedorismo. Afinal, ainda há patrões que utilizam as mãos.

Publicado por: Bruno Vieira em março 30, 2005 11:42 AM

Tens razão, Bekx, eu é que fiquei tão irritado com a cena que até vi o patronato a dobrar. Vou singularizar a coisa.
;)

Publicado por: José Mário Silva em março 30, 2005 12:14 PM

De acordo. O big-chefe parecia saído do século XIV.

.

Publicado por: range-o-dente em março 30, 2005 12:47 PM

Foram 2, sim senhor. Um bateu no repórter de imagem e o outro arrancou os óculos ao ambientalista. Team work muito lamentável , de facto.

Publicado por: João Paulo Baltazar em março 30, 2005 04:03 PM

... e o "industrial" a chegar de rompante e a travar à bimbo?

Publicado por: Range-o-Dente em março 30, 2005 04:28 PM

Hábitos do futebol e arbitrágens que temos ...

Publicado por: chato em março 31, 2005 12:34 AM