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março 29, 2005

DA LENTA AGONIA DE JOÃO PAULO II (UM DESABAFO)

Dão-nos a ver o Papa à janela, quase todos os dias. Dão-nos a ver o Papa em esforço, fazendo o gesto da cruz ou agitando a custo um ramo de oliveira. Dão-nos a ver o Papa em fotos e ângulos rigorosamente seleccionados (às vezes só de costas, ou só de lado). Dão-nos a ver o Papa furioso consigo mesmo, por causa da impotência muda durante o Urbi et Orbi. Dão-nos a ver a lenta decadência do Papa, como se fosse um espectáculo, em sinistro conta-gotas mediático. Dão-nos a ver um Papa marioneta, preso por fios, boicotando involuntariamente a sua dignidade. E nisto tudo, perdoem-me os católicos, o Vaticano age e manobra ao melhor estilo soviético. Soviético, leram bem. Karol Wojtyla, of all people, não merecia acabar assim.

Publicado por José Mário Silva às março 29, 2005 04:19 PM

Comentários

E ainda houve quem pensasse que o «Big Brother» seria o máximo da pornografia televisada...

Publicado por: Ricardo Alves em março 29, 2005 04:48 PM

Muito bom post. Não sendo católica, acho incrível que a maioria dos católicos ache normal e aplauda o que caracteriza como acto de fé e não passa dum absoluto desrespeito pela dignidade humana. E é triste não verem, ou não quererem ver os interesses por detrás. os quais, lamento, mas são muito pouco cristãos.

Publicado por: vanessa a. em março 29, 2005 04:55 PM

Provavelmente o reality show irá até ao leito de morte.

Publicado por: toix em março 29, 2005 04:56 PM

Se bem me lembro, o "estilo soviético" era precisamente o oposto: alguém que já se sabia morto continuava durante semanas a ser dado como "a descansar" ou meramente "doente".
A não ser que contemos com a múmia do Lenine; mas esse já não se encontrava em estado de se importar com boicotes à sua dignidade...

Publicado por: Pensativo em março 29, 2005 04:57 PM

É sempre bom lembrar que apenas o próprio pode resignar e que equanto o não fizer, prevalece a vitaliciedade do cargo que desempenha. Como católico e profundo admirador de Karol Wojtyla, parecem-me lagítimas as críticas a esta tomada de decisão do Papa (ou ausência dela), mas profundamente primárias as presunções de manipulação e instrumentalização da situação pelo Vaticano.
Por outro lado, esta situação parece ser apenas constrangedora para quem não professa a religião católica... Fica para vossa análise.

Publicado por: Miguel Nascimento em março 29, 2005 05:28 PM

Pensativo,
O "estilo soviético" e o "estilo do Vaticano" coincidem na criação de um mesmo simulacro: a de que o líder ainda está no poder, quando na prática já morreu (fisicamente ou politicamente). Resta esperar para ver como é que as encenações se vão prolongar, após a morte de João Paulo II.

Publicado por: José Mário Silva em março 29, 2005 05:52 PM

Miguel Nascimento,
Dizes que «por outro lado, esta situação parece ser apenas constrangedora para quem não professa a religião católica...» O problema é justamente esse. Onde é que pára a piedade? Onde é que fica a misericórdia?

Publicado por: José Mário Silva em março 29, 2005 05:53 PM

O que a Cúria devia saber é que não se submete um moribundo a trabalhos forçados, não se exibe o sofrimento como os mendigos profissionais que alugam deficientes para comoverem os transeuntes e aumentarem o óbolo, não se explora a dor para gáudio de uma multidão ensandecida pelo martírio do seu Deus. A bênção Urbi et Orbi, de grande efeito mediático e enorme regozijo para os créus, ficou por dar e as palavras por dizer. estrelinha ajuizada

Publicado por: vermelhofaial em março 29, 2005 06:01 PM

Será mesmo assim?

O que quis dizer é que para os católicos não representa uma lenta e impiedosa agonia provocada pelo que chama de Vaticano(só existe desde 1929 e é apenas uma cidade-estado).
Eu não gosto da fotografia resultante desta situação porque acho que é mais negativa do que positiva para a Igreja, mas é precisamente de misericórdia que se trata quando os católicos se alegram com as boa notícias e se entristecem com as más. Trata-se de ter o coração com (misericórdia) aquele que é o nosso "pai na fé" ou, como diria Santa Teresinha, o "cristo na terra". São argumentos que não entenderá, mas que deve respeitar e até, esforçar-se por entender, sob pena de tornar os seus comentários injustos, ignorantes e meramente anti-clericais.

Publicado por: Miguel Nascimento em março 29, 2005 06:30 PM

Caríssimo Zé Mário, insistes nas falácias fáceis e nos silogismos silly. E todos sabemos que estás provido de neurónios em abundância mais do que suficiente para evitares este temor e tremor sempre que se bota faladura sobre temáticas católicas. Contudo, e com tudo, lá vem a resposta emocional, o acerto de contas com uma guerra que nunca conheceste a não ser dos livros de história e da literatura depressiva ou desvairada.

Afinal, qual será o teu problema? Como é que te tornaste, de repente, consultor em dignidades pontifícias? O que será que mais te incomoda, a doença - vista pelos teus olhos como "decadência" - ou a contumácia de uma Igreja que ainda não foi a correr despejar o velho traste num armazém de outrora-humanos?

Mas, a pergunta que me desperta a maior curiosidade é esta: o que estará, então, o maquiavélico e satânico Vaticano a ganhar com a situação?...

O cinismo não é bom conselheiro, não me cansarei de repetir.

Publicado por: Valupi em março 29, 2005 07:37 PM

Eh pá, desculpem lá mas eu não posso ser o único a reparar na extraordinária estupidez do Valupi. Reparem neste comentário do palerma. Os floreados verborreicos (e diarreicos), os joguinhos de palavras armados em cultos (mas estultos), as brincadeiras de cabo-de-esquadra cabotino. Alguém lance um repto ao mentecapto inepto para que se deixe de facécias facílimas. Os raciocínios do pateta confirmam a ideia de que quem não sabe escrever não sabe pensar. Para ele só há duas hipóteses: ou o Papa continua a fazer o que faz ou é despejado num amazém de outrora-humanos (o dramatismozinho! O dramatismozinho!). Ir para casa, para estar em paz e sossego, que bem precisa, e morrer em paz, não é uma hipótese. Tudo o que não seja obrigar o velho a exercer as suas funções até ao último suspiro, é tratá-lo como um traste. Bonito, bonito, é deixá-lo vir todos os dias à janela para que possa babar uns papéis que não consegue ler e encarar um microfone para o qual não pode falar. Toca a esmifrar o homem até à últma gota de sangue. O que estará o maquiavélico e satânico Vaticano a ganhar com isto tudo? Hum... Deixa cá ver... O Papa só sai se renunciar. Mas já se percebeu que não renuncia. Há duas opções: ou o Papa vai para casa e, embora não tendo renunciado, deixa a Igreja sem líder; ou continua a fazer umas aparições patéticas e, para todos os efeitos, temos Papa até ele morrer. Qual destas será mais vantajosa para a Igreja? Caraças, que difícil...

Publicado por: Zé em março 29, 2005 08:28 PM

Notícia fresquinha:

"João Paulo II poderá ter de regressar ao hospital

O Papa João Paulo II poderá ser obrigado a regressar ao hospital para a inserção de um tubo de alimentação, embora a decisão ainda não tenha sido tomada, noticiou esta terça-feira uma agência italiana.

Citando uma fonte não identificada, a agência noticiosa APcom escreveu que o Papa precisará desse tubo para melhorar a sua alimentação, devido às dificuldades que enfrenta para engolir.
Essas dificuldades prendem-se com a inserção de um tubo de respiração no passado dia 24 de Fevereiro, quando foi submetido a uma operação cirúrgica à traqueia."

Realmente, só o Zé Mário para ver sinais de "decadência" nesta doença! Que estúpido, Zé Mário, com franqueza. Deixa-te de cinismos e usa os neurónios para evitares respostas emocionais. Então não é óbvio que uma pessoa com este estado de saúde tem todas as condições para continuar a trabalhar? Custa-te a engolir, João Paulo? Mas olha que há fiéis para benzer, pá. Tens de voltar ao hospital? Não te demores, que a janela está aberta e tens ramos de oliveira para abanar. Tem juízo, Zé Mário.

Publicado por: Zé em março 29, 2005 09:27 PM

Mas será que é mesmo o papa que continua a aparecer nas janelas?

Publicado por: Mariana Pereira da Costa em março 29, 2005 09:39 PM

Exacto. E mais: será que aquelas janelas são mesmo janelas?

Publicado por: Sousa em março 29, 2005 09:56 PM

Como de costume o Pensativo e o Valupi vieram acrescentar ao cozido aquilo que lhe faltava - decência, observação acerante, carne e chouriço grosso. Valha-nos isso. O senhor José Mário Silva, acostumado como está a orgasmos estéticos no Museu do Prado perante meninas a óleo do Velasquez, parece ter acordado de repente dum pezadelo de inspiração maçónica barata e o primeiro impulso que teve foi o de meter os dentes no comercialismo vaticanista desvergonhado, pouco lhe importando se estava ou não a ofender uma fé religiosa que em quase nada difere da sua, que ninguém sabe se é humanista, ateísta, marxista, oportunista, trotskista, ou doutra simpatia qualquer. Por onde é que este senhor de boa educação e princípios delicados de Alice no País das Maravilhas ou Frente a Espelhos que não Reflectem Vampiros terá andado a aprender esta maneira de espicaçar o anti-católico que vive dentro de cada um de nós como mulher sempre pronta a abrir as pernas aos desejos da Nova Ordem Mundial? Ninguem sabe. O que se sabe é que homens como este senhor, por razões que escapam infelizmente à maioria dos badamecos “politizados” , são por vezes forçados a utilizar o solenóglifo ferrujento para aumentarem o número de visitas a blogues prestes a desmaiar com posts ridículos do tipo que o Jorge Palinhos nos apresenta hoje sobre computadores de mesa e de colo.

Publicado por: Sombra em março 29, 2005 10:52 PM

Raramente em tão pouco espaço via tanta verdade junta.
SOVIÉTICO, sim senhora.
DECANDENTE, ESTALINISTA, MISERÁVEL, CONFRANGEDOR, IMPOTENTE, sei lá, tudo.
Posso subscrever?

Publicado por: Nuno em março 29, 2005 11:26 PM

Dão-nos a ver um ser humano, quase esmagado pelo peso de uma missão que não quer abandonar a destempo. Dão-nos a ver o exemplo de alguém que pede para abandonar mais cedo o hospital, que luta contra a sua enfermidade pela graça de mais uma palavra ao seu rebanho, de mais um dia como pedra fulcral da sua Igreja. Os que se atêm aos espectáculos da carne como centro de tais eventos nunca poderão compreender por inteiro este velho que agora choram.

Publicado por: Pensativo em março 30, 2005 12:35 AM

Dão-nos a ver um ser humano que não consegue levantar-se, e está debilitado ao ponto de mal poder mover-se, respirar e engolir. Também não consegue falar, pelo que a graça de mais uma palavra ao seu rebanho não lhe será concedida. Dão-nos a ver, por isso, um ser humano que está a sofrer à vista de todos inutilmente, porque tanto é uma pedra fulcral da Igreja no recato do seu quarto como a contorcer-se à janela. Em suma, dão-nos a ver um ser humano que, infelizmente, está a morrer. E a morte é obscena. Desde o teatro grego que a morte fica nos bastidores. Não é para ser olhada. Os que ignoram isto nunca poderão compreender por inteiro uma coisa que se chama humanidade.

Publicado por: Zé em março 30, 2005 01:13 AM

Mas quem será você para decretar o que é ou não é sofrimento inútil?
No recato do seu quarto, ou do seu Gólgota, também poderia ter ficado aquele outro caramelo incómodo, de sofrimento ali dependurado na cruz, obscenamente à vista de todos. Não é, caro Zé?
Se mérito outro não tivesse, a agonia do Papa já serviria para retirar a morte dos tais "bastidores" discretos a que os néscios sedentos de palavrinhas e silêncios reconfortantes a querem remeter.
Pois é, Zé. Terríveis novidades: sofremos e morremos, por muito poder temporal de que pareçamos investidos. Aceitar isto sem tremores nem indignações esganiçadas é que talvez tenha algo a ver com a nossa dita "humanidade".

PS: “O Papa está em condições pouco consumíveis, por assim dizer”, acaba de proclamar um asno disfarçado de jornalista, na SIC Notícias. Talvez isto, à força de um sorrisinho burro, amenize a carga assustadora que tanto ultraja o nosso Zé.

Publicado por: Pensativo em março 30, 2005 01:27 AM

Parece que, se o Papa não no-lo recordar morrendo à nossa frente, temos tendência para esquecer que a morte é inevitável. Pessoalmente, estava convencidíssimo que ia durar até aos 600 anos, e só quando vi o Papa à janela com um tubo metido na garganta é que percebi que não. Peço desculpa por ter falado em sofrimento inútil. O sofrimento do Papa é muito útil. Vamos tirar a morte dos bastidores. Obriguemos o Papa a, se possível for, morrer em directo, aos nossos olhos, sem tremores nem indignações esganiçadas. Uma vez que é o representante de Cristo na Terra, façamo-lo morrer como Cristo. Bem lembrado, Pensativo. Obscena, a morte de Cristo? Não, foi espectacular, pá. Quem te dera poder ter visto, hem? Ah, poderes ver com os teus próprios olhos a agonia do teu Redentor... Que alegria.
Aliás, se Cristo morreu à vista de todos, vamos seguir o exemplo da morte pública. Parece que, entretanto, passaram 2000 anos, e que o espectáculo da morte pública (crucifixões, autos de fé, enforcamentos, etc) sempre foi considerado desumano. Mas que importa isso, se a possibilidade de ver o Papa a morrer à nossa frente é tão essencial e útil? Esperemos que o Papa possa falecer à janela, para que a contemplação da sua morte nos traga o consolo de que o Pensativo está à espera.

Publicado por: Zé em março 30, 2005 01:42 AM

Zé,
Dir-se-ia que sim; que há quem julgue, por pudor, medo ou simples tontice, que a morte "não é para ser olhada". Mas, se calhar, é só impressão minha.
O sofrimento do Papa é-te inútil (ou pelo menos assim o presumes); tudo bem, outros milhões discordarão e a ti resta-te sempre o consolo do telecomando para esconder semelhantes obscenidades.
Nestas imagens que despertam a vossa veia tão "solidária" e justiceira, eu encontro o sacrifício de um homem a quem bastaria uma palavra para se furtar a muito sofrimento; e isto é lição de monta para mim. Oferecer a Alguém um sacrifício será idiotice rematada para vós. Azar o vosso; para muitos, ainda é acto capaz de nos elevar um pouco do chão dos dichotes pueris e dos sustos disfarçados de repugnância.
Gracejas com a morte de Cristo, por ter ocorrido "à vista de todos"? Olha que tomas a nuvem por Juno, a árvore pela floresta, o signo pelo significado. Mas não me pagam para dar explicações aqui.

Publicado por: Pensativo em março 30, 2005 01:55 AM

Mesmo que te pagassem as explicações, sairiam baratas, já que o valor delas não pode ser elevado. Desde logo porque, como é bom de ver, não sabes nada de semiologia embora tentes fingir que sim. Não queres dizer "o signo pelo significado", evidentemente, mas sim "o significante pelo significado" (são estes dois que formam o signo, já agora. E aproveita porque esta explicação é gratuita.)
Depois, porque os teus argumentos já roçam a barbárie. Quando esta discussão começou, nunca me passou pela cabeça que alguém chegasse ao ponto de defender a utilidade do sofrimento do Papa. A comparação com a morte de Cristo - vinda, ainda para mais, de um cristão - e a proposta de que a morte do Papa possa decorrer como a do Messias, aproximam-te daqueles fanáticos que se flagelam nas ruas das Filipinas.
Para mim, está ali um homem, e está a morrer. Para ti, esta a oferecer um sacrifício. O seu sacrifício, que tu tanto queres receber, é a morte pública. Que te faça bom proveito.

Publicado por: Zé em março 30, 2005 02:11 AM

"Dir-se-ia que sim; que há quem julgue, por pudor, medo ou simples tontice, que a morte "não é para ser olhada"."
Quem fala assim é um católico ou o director do jornal da TVI? Parece-me que está tudo dito...

Publicado por: JFM em março 30, 2005 02:19 AM

Não. Por acaso, o que queria dizer era mesmo o que ficou escrito: confundes o ruído das aparências com o sentido profundo das coisas. Preferes um resumo tosco à complexidade efectiva do mundo, a informação à realidade.
Cristo morreu face ao Mundo, mesmo que a sua morte tenha sido testemunhada apenas por meia dúzia de maltrapilhos; não está em causa a comezinha literalidade de este facto ter sido testemunhado por multidões ou não.
Nunca comparei o sofrimento presente do Papa com a morte de Cristo. Apenas apontei Este como um bom candidato à discrição a que desejas remeter todos os moribundos. O resto é alucinação tua: claro que o Papa não vai morrer em directo nem eu me impetro o papel de receptáculo do seu sacrifício. Posso ser egocêntrico, mas ainda não cheguei ao ponto de escrever "Alguém", assim com maiúscula e tudo, para fazer referência à minha pessoa...

Publicado por: Pensativo em março 30, 2005 02:32 AM

JMF,
Olha que "tomar tudo ao pé da letra" não quer dizer engolir líquidos sobre a pata de uma letra gigante...

Publicado por: Pensativo em março 30, 2005 02:40 AM

Não me querendo meter em tão elevada discussão, devo fazer-vos notar que a minha definição de "metonímia" inclui precisamente um ponto 5.º que engloba isso do "signo pelo significado"...

Publicado por: Littré em março 30, 2005 02:51 AM

Mas também não têm de me levar muito a sério. Mísero psiquiatra remetido às desgraças do banco,longe de mim presumir-me entendido em semiologia ou semântica. Entendo sim uma coisa ou duas de sofrimento humano. E até consigo compreender e aceitar o sacrifício de João Paulo II, sendo que não vejo onde estará, e com que intuito sinistro, a mão manipuladora do tal "Vaticano"; será ela a carregar no gatilho de mil e uma câmaras, a accionar dúzias de satélites e legiões de alinhamentos de telejornais em todo o mundo?

No entanto, se me estão a oferecer mesmo o cadeirão de director da TVI, olhem que ainda aceito...

Publicado por: Pensativo em março 30, 2005 03:15 AM

Bem; parece que ninguém quer brincar comigo. Vou mas é ver se durmo.

Publicado por: Pensativo em março 30, 2005 04:28 AM

Zezito, tornou-se oficial: estás apaixonado por mim. Tão notória eleição, tamanha fogosidade, só podem ter essa explicação; assim é a natureza humana.

Creio que a raiz das tuas carências intelectuais começa por estar na semântica. Se alguém te conseguir explicar que a actividade papal não é um trabalho mas uma missão, há boas probabilidades de vires a ganhar coragem para pedires que te expliquem o que é isso de "missão". Cá vai uma pista: é uma dimensão simbólica (portanto, concomitantemente hermética e expressiva), antes e depois de ser actividade produtiva.

Na Igreja utiliza-se um léxico que se tornou politicamente incorrecto, realmente incompreensível para gerações laicas, espiritualmente iletradas, que entretanto desembocaram num desumanismo brutal, como nunca se conheceu na história. Hoje confunde-se o humano com o animal, querendo outorgar ao animal os mesmos direitos que foram conquista e definição mesma do humano. Por exemplo, a tourada deve ser proibida porque o toiro não merece sofrer dores físicas (e psicológicas?) no contexto de uma celebração humana. A dilaceração da carne do animal aparece como suprema injustiça, violação do suposto direito animal a uma integridade física que exclui a supremacia humana. Esta gente ainda aceita o consumo de carne por falta de alternativa, mas a meta será acabar com a morte de qualquer animal às mãos do "macaco nu". Depois virão as plantas, também elas com direitos individuais, também elas com psicologia; pessoas, afinal. Acabaremos a consumir produtos sintéticos, situação que não será suficiente pois esta lógica de um neo-angelismo só se satisfará com formas puras de energia, último estádio antes do vácuo – ou seja, estamos perante um ciclo cultural sob a regência da 2ª Lei da Termodinâmica: a entropia toma conta da humanidade na ausência de trocas com o sistema espiritual.

Esta digressão para retornar ao léxico que incomoda tanto os néscios: carisma e sacrifício. Num registo meramente psicológico ( respectivos méritos e relevância inquestionáveis) as palavras "carisma" e "sacrifício" serão sintomas de quadros patológicos variados, porque contrários ao Princípio do Prazer. Vamos ao exemplo fundador – quando Jesus se ofereceu em sacrifício para redenção do "Pecado Original", nada fazendo para evitar a crucificação, foi o Cristo ou o suicida alucinado, vítima de uma ilusão narcísica?

Caros, não há terceira via para quem ultrapassar o "não sei". Se foi o suicida, toda a história da Igreja, e das Igrejas cristãs, é demência colectiva. Se é demência, nada haverá que se salve. A doutrina é demente, os religiosos são dementes, os crentes são dementes. E os bens que a Igreja possui deverão ser imediatamente confiscados. Passará a ser obrigação dos Estados laicos o internamento da turbamulta em instituições preparadas para lidar com seguidores de um fundador que se auto-intitulou "Filho de Deus", muito provavelmente como resultado neurótico da sua condição de bastardo, pois a senhora sua mãe andou na folia com algum mariola antes do pachola do José a ter salvo do escândalo popular.

E o Papa entubado, obscenamente doente? Pois, os malandros. O zezito, cheio de razão, acha mal que alguém nessas condições continue a ter de ir trabalhar. De facto, não lembra ao Diabo. Ele olha para o Papa em sofrimento e pensa: "Que nojo! Isto no teatro grego nunca seria permitido... Porcos!". O zezito não está em condições de admitir a instância da vontade como atributo do humano, apenas o corpo e sua condição é critério: o homem é mais um animal e deverá ser destituído do seu valor simbólico sempre que estiver a chatear a malta com doenças e merdas foleiras do género das que se devem levar para um quarto, de preferência sem janelas, e por lá ficarem (o zezito, se pudesse escolher, optava por Papas morenos, atléticos e que se reformassem aos 40 “por causa das coisas, pá” [sic]). Ou melhor, o zezito será um artista do contorcionismo, pois admitirá de bom grado o exclusivo critério da vontade se a temática for o aborto ou a eutanásia. Já querer cumprir-se por inteiro no carisma de uma vocação que pode implicar o sacrifício último – a doação plena da fragilidade até ao limite humano que será assunção do divino – não passa de mera manipulação de perversos e sádicos agentes da conspiração católica. O feto, afinal, está a mais? Tira esse animal daí, que nem humano é, berra o zezito. Estás desesperado com a doença de alguém e não há perpectiva de cura? Manda esse animal para o matadouro, que já deixou de ser humano, canta o zezito.

Moral da estória: o zezito, afinal, quer é tourada.

Publicado por: Valupi em março 30, 2005 06:26 AM

Bem, quanto a argumentos como a manutenção da agonia á guisa de estabelecimento de um exemplo como comprovação de um ponto de vista, acho que nem vale a pena comentar. Quando se acha que faz parte da demonstração de fé a redução e auto-submissão a um estado de sofrimento atroz, acho que está tudo dito. E entende-se como raios é que, por exemplo, o ensaio de porrada cósmica e sádica que é a "Paixão de Cristo" teve o sucesso que teve.
Embora eu seja agnóstico e não simpatize muito com Karol Wojtyla (acho sinceramente que muita da estagnação da Igreja católica em termos de acompanhamento da sociedade se deve ao seu pontificado), penso que é redutor dizer que uma pessoa só poderá entender o que se passa com o papa se professar uma fé religiosa. O que está à vista de todos é um homem que já merece descanso, a possibilidade de viver o remanescente da vida em condições que não signifiquem o prolongar e acelerar da deterioração da sua saúde e aumento de dor e desconforto. É um ser humano, e merece muito mais resguardo da sua dignidade que aquela que é demonstrada.
Quando aqui se fala em permitir que o homem faça o que quer, por vontade própria, mesmo que não esteja nas mínimas condições para isso, sob pena de ao contrariá-lo, estarmos a mostrar que não nos importamos com o idoso em causa, e como dizer que uma pessoa com cancro ósseo deve continuar a treinar para os cem metros. Claro que pode fazê-lo, mas não deverão os seus entes queridos, os que lhe querem bem, evitar que o sofrimento aumente e se prolongue? Não deverão retiá-lo da pista de tartan quando ele já se estiver apenas a arrastar, minado pelas dores nos ossos e fracturas?
Bem, pelo que leio aqui, suportar o sofrimento é sinónimo de demonstração de fé. Aceitar que o papa possa finar-se enquanto grunhe para uma audiência deve ser o ponto alto dessa demonstração de fé...
A mim parece-me somente triste, até mesmo algo sádico, e injusto para um ser humano que, ainda que toldado por um inegável sentido de missão, merecia um final de vida mais pacífico, confortável e sobretudo humano.
Mas eu sou uma besta, um agnóstico. Que sei eu dos desígnios insondáveis da fé cristã...

Publicado por: Stephen King em março 30, 2005 10:23 AM

Não sendo grande fã de religiões, sempre prefiro, em termos de organização social, as que professam e oram pela paz e fraternidade entre povos (exactamente o que fez o Papa no passado domingo).
Mas há uma pequenina diferença para a praxis soviética. É que ele veio à janela no Vaticano, defronte dos seus fiéis seguidores (ao que consta, ter-se-ão apresentado de livre vontade) e, last but not least, os canis de televisão PUDERAM estar presentes e filmar todo o sucedido, passando uma imagem de crença ou de necrofilia, consoante o (LIVRE) observador.
É triste observar estas comparações absolutamente ridículas.

Publicado por: Cirilo Marinho em março 30, 2005 10:51 AM

Esta pequena conversa teve, para mim, dois méritos: primeiro, discutir uma questão interessante; segundo, revelar o fanatismo obtuso do Valupi. Vamos todos fingir que o corpo não existe (Blhéc, o corpo! Que porcaria! Nós, católicos, temos raiva do corpo. Que chatice, o facto do corpo existir...). O Papa é só uma alma, e como a alma não tem dois tubos enfiados nas goelas, ele está óptimo para vir à janela. Se ele não vier à janela exibir, com sacrifício, o seu estado de saúde terminal, o simbolismo da sua missão termina. "O Papa está a morrer", diria um cardeal. "Por isso, vai recolher a um quarto - onde terá conforto, cuidados médicos e (acabámos de decidir) janelas - como se costuma fazer com as pessoas de quem gostamos." E diz o Valupi: "Ora porra! Lá se vai a carga simbólica. Então a morte do Papa vai ser recatada e digna? Nazis! Para mim, não há dúvidas: isto da morte do Papa é exactamente igual à tourada. A comparação entre as duas parece-me evidente e é vidente (viram? Mais um dos meus divertidos jogos de palavras. Não foi à toa que eu venci a XXVIª edição dos Jogos Florais de Alcabideche)."

Publicado por: Zé em março 30, 2005 01:29 PM

ahahahahahahahaha!

Publicado por: ban em março 30, 2005 01:42 PM

Ó Cirilo, qual é a religião que não professa nem ora pela paz e fraternidade entre os povos?

Publicado por: Sousa em março 30, 2005 02:06 PM

Zezito, és um copião. Tirando isso, que não tem mal e até nos diverte, nada mais há a dizer sobre as tuas opiniões. Tu não discutes os assuntos "interessantes", escorrega-te antes o chinelo para a pulsão sarcástica em registo primário. Claro, já adivinhaste a rima, também és um bufão.


Mas chega de perder tempo com os teus desmames primaveris. O Zé Mário, entretanto, é mais incendiário do que bombeiro e desistiu da peleja a meio do segundo acto. Shame.


As religiões reclamam uma experiência do divino, do sobrenatural. É a chamada esfera do sagrado. O sagrado, por sua vez, constitui-se como um outro texto possível, uma narrativa, a aplicar à realidade antropológica universal. Não é de agora a critica filosófica que diz serem as religiões uma mentira ao serviço de interesses mundanos. Não é de agora e não é sequer destes dois últimos milénios, vem de mais longe no tempo. São cartuchos secos.

Um espiritual sabe que Deus não existe – mas há. Um espiritual não diz que o corpo tem uma alma – diz que a alma é um corpo. Um espiritual não obedece à moral – obedece à vida. Um espiritual vê o mesmo que nós vemos – mas não sabemos o que estará a ouvir.

O Papa pode estar a ser disfuncional e patético ao querer participar nos actos litúrgicos e rituais. As personalidades que o acompanham de perto podem estar a ser irresponsáveis ao permitir que ele ainda apareça. Os crentes podem ser vítimas da máquina propagandista do Vaticano. Os Evangelhos podem ser embustes literários. Jesus pode nem sequer ter existido ou ter sido apenas mais um doidinho. O ser humano pode não ter nenhuma dignidade especial e não passar de um efémero momento cósmico nascido do acaso e condenado à extinção. Claro que sim.

Só está a faltar, para os laicos proselitistas, a epifânica conclusão – se nada há a esperar e andamos todos à nora, se tudo vale por nenhum critério ser absoluto, porque não deixam os católicos curtir à sua maneira?

Publicado por: Valupi em março 30, 2005 07:33 PM

"Só está a faltar, para os laicos proselitistas, a epifânica conclusão – se nada há a esperar e andamos todos à nora, se tudo vale por nenhum critério ser absoluto, porque não deixam os católicos curtir à sua maneira?"

Bem, esta frase foi magistral: quem dera a milhares de pessoas, desde há uns 2000 anos a esta parte (tirando aqueles que morreram ou sofreram à conta de outras tantas mentiras anteriores), que os tivessem deixado «curtir» à sua maneira!!!

Não sejas assim rapaz, olha que Torquemada também curtiu à brava! Vá lá que tu não viveste a época dele, senão também te tínhamos na lista dos que curtem à brava com a vida dos outros!!!!

Publicado por: hetero_doxo em março 30, 2005 10:12 PM

Coitadinhos dos católicos, que não podem curtir à sua maneira! Os católicos são muito perseguidos, pá. A ironia maior é que a gente não os deixa curtir, logo a eles que deixam curtir toda a gente. Ainda se eles se pusessem com ditames do género "Não podes usar preservativo! Não podes abortar! Não podes foder antes do casamento! Não podes fazer inseminação artificial!", compreendia-se. Agora assim, sendo eles uns pândegos, é injusto. Bom, vou até lá fora, porque descobri que a minha vizinha de baixo é bruxa e apetece-me queimá-la. E ai de quem não me deixar curtir. A dignidade humana, às vezes, é gira. Menos quando não me permite curtir o obscurantismo à minha maneira.

Publicado por: Zé em março 31, 2005 03:07 AM

Hetero, és brutal. Pun intended.

Zezito, as tuas intervenções vão de mal a pior. Estás a perder o gás.

Olha, apresenta-nos a tua definição de dignidade humana. Se tiveres tempo, debruça-te também sobre outras concepções da dignidade que não a humana (sugestões: a animal, a vegetal e a mineral), para arrumarmos esse assunto.

Convém recordar que o tópico é duplo: por um lado, temos um Papa nos limites da resistência (e quais serão esses limites, afinal? quem o pode saber?...) que insiste em participar na vida litúrgica, direito que lhe assiste; por outro lado, há o fenómeno do interesse mediático que tal acontecimento desperta, provoca, convoca. Entranhada nesta dupla questão, está o tema da "lenta agonia", que o Zé Mário escolheu para título e que trata pelo lado do exibicionismo e da manipulação.

Aparentemente, o que João Paulo II está a fazer deveria ser motivo de admiração e orgulho, para qualquer um de nós. A ser verdade que é por sua decisão que aparece em público, estamos perante um caso de entrega plena a uma causa. É um manifesto do sempiterno desejo de viver, uma celebração da natureza humana no que ela tem de mais sobrenatural – a vontade. Quem olhar para esse homem e se deixar impressionar pelos tubos e tremeliques, os fios e os esgares, estará apenas a revelar o quanto ignora do que seja uma vivência religiosa genuína. A ser verdade que o Papa contínua, apesar da doença, a ser autor da sua vida, somos testemunhas de um martírio. É um acontecimento raro, e muito raro.

Mas há outros cenários possíveis, todos eles aberrantes e alguns meros delírios asininos. O homem Karol poderá estar mentalmente perturbado, tendo um comportamento que irá acelerar o desfecho mortal. Neste caso, será preciso que uma de duas coisas esteja a acontecer: que a perturbação mental seja indetectável; que as pessoas que o rodeiam sejam acabados idiotas. Crível?...

Porém, a tese que reúne maior agrado entre os ressabiados anticatólicos é a da bolorenta conspiração. Sem nunca explicarem como, nem porquê, nem para quê (como se constata de cima abaixo nestes comentários), aproveitam a ocasião para blindarem a sua ignorância. O mecanismo consiste em evitar ter de pensar. Perante uma realidade que nos obriga a suspender os preconceitos, os ressabiados refugiam-se no castelo da "teoria da conspiração". Temos um "Papa marioneta", e quem mexe os cordelinhos é essa entidade tenebrosa, o "Vaticano". O "Vaticano" tritura qualquer um e qualquer coisa, até a dignidade dos Papas. O "Vaticano" é uma força do mal e só não manda milhões para a fogueira porque já não pode, mas a gana assassina continua lá intacta. Pensar assim, sem apresentar qualquer prova ou mero indício do que se afirma, é uma ofensa – mas não à Igreja, antes à inteligência e à honestidade intelectual próprias.


Eu diria que vocês ainda não descobriram que os Evangelhos são uma curtição e o JC um superbacano.


Publicado por: Valupi em março 31, 2005 05:56 AM

querem saber........na história do nosso mundo mundo, a igreja foi um dos maiores catalisadores para guerras, intrigas e revoluções, que só pioraram a situação........n tenho nada contra as pessoas que tem fé, que acreditam na santidade do papa, mas para mim, ele não significa nada. pensem bem: com tantas pessoas passando fome, entre outras necessidades no mundo, o papa se senta em uma cadeira coberta de ouro e jóias. sei que é idoso e incapaz de manifestações radicais, mas para mim, ele não parece se importar com essas pessoas e cá entre nós, isso sempre foi assim: os dominantes e os dominados.

na minha opinião, a igreja tira proveito da fé das pessoas, controlando-as, o que é um absurdo. a definição de religião está sendo passada de forma cada vez mais errada para aqueles que a procuram. eu mesma, não frequento igrejas, pois penso que isso não é necessário para construir a religião de alguém. pelo contrário, pode ser até prejudicial, porque muitas vezes os pregadores a passam de forma errada, repreendendo a q quem não concorda com certa "coisa", sob a justificativa de que não agradará a Deus, ou q irá para o inferno se não fizer o q é mandado.

tenho como bíblia, um livro filosófico, que vc interpreta do modo que quer. mesmo para quem é ateu, é legal ler, porque ajuda você a ter idéias de como conviver melhor em sociedade. não é preciso segui-la ao pé da letra, são lições de vida - vivenciadas ou inventadas - que nos ensinam a respeitar o direito de todos, a lutar pelo que você acredita(sendo isso, uma coisa considerada boa), a viver com a esperança que algo vai mudar a situação em que vivemos hoje e que podemos fazer algo pelo próximo. se realmente quisermos, se nos importarmos, podemos juntos mudar isso, trabalhando na idéia de justiça e igualdade para todos.

uma coisa é que não pode:
desperdiçar nossas idéias ficando parados. temos que nos mover pelo que acreditamos ser melhor para nossa sociedade, acabando com esse comodismo existente, e conscientizando as pessoas que se nada fizerem, nada acontecerá.
o que acabei de falar, tem ligações, mas não se refere diretamnete ao papa. mas axo importante, já que vcs aí em cima estão nessa briga de religiões. acho que é só isso...

obs - resumindo, o que eu quis dizer foi:
você pode construir sua religião em casa, sem sofrer esse controle da igreja, podendo até frequentá-la, mas não se deixando levar pelas proibições rídiculas da mesma. em relação ao papa, não tenho muito a dizer. acho que cada um tem uma idéia diferente a respeito dele. não gosto da imagem que ele representa a muitas pessoas do nosso mundo. a superioridade com que o tratam é absurda. finalizando, gostaria que seja lá o seu destino, o papa viva em paz e feliz, se assim for melhor.

meu nome é Ana Luiza, tenho 15 anos. quem quiser trocar uma idéia comigo, é só mandar um e-mail.

Publicado por: luluzinha em abril 2, 2005 03:11 AM

gffdgma nfgxd

Publicado por: vanessa em abril 2, 2005 07:32 PM

Hehehe... Ana Luiza, dos 15 aninhos brasileiros, as tuas ideias são válidas e ficam-te bem. ;)

Publicado por: Valupi em abril 3, 2005 12:32 AM

COMO É TRISTE VER TANTO COMENTÁRIO SEM NEXO NENHUM, OU SEJA, PESSOAS QUE SÓ SELEMBRM DA RELEGIÃO CATÓLICA PARA A ATACAR. SÓ QEUM NÃO VIVE O ESPÍRITO CRISTÃO, NÃO SE APERCEBE DA REALIDADE. POIS SÓ QUEM NÃO ACREDITA NA VIDA ETERNA, QUANDO UMA PESSOA DEIXA DE SER TÃO ÚTIL À SOCIEDADE, É POSTA PARA O LIXO. EXATAMENTE UMA ATITUDE ATEIA! ISSO MESMO. O PAPA ESTANDO CONSCIENTE, DECIDIU FICAR ATÉ AO FIM. QUAL É O PROBLEMA SENÃO DOS CATÓLICOS (CONSCIENTES!) TODO O RESTO, SÓSERVE PARA DESTRUIR, E NADA ADMIRA. TENHAM JUÍZO, QUE O VATICANO TEM PODER, CAPACIDADE, E CONSCIENCIA DAQUILO QUE FAZ. CATÓLICA ASSUMIDA

Publicado por: FILO em abril 8, 2005 06:00 PM