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março 26, 2005

O PREÇO DAS NOTÍCIAS

É o primeiro caso de um diário português a cobrar pelo acesso aos seus conteúdos: o Público. Suspeito que se sigam outros. Deverá o acesso à informação ser gratuito (i.e. pago pelos patrocinadores...) ou pago? Neste caso não me repugna minimamente a cobrança (ainda mais a um preço simbólico). Mas é um caso a acompanhar, juntamente com publicações como o Diário Digital ou o Metro. Será que o futuro da imprensa é ser gratuita, paga pela publicidade? O futuro dirá se a decisão do Público vai no sentido correcto da História.

Publicado por Filipe Moura às março 26, 2005 04:12 PM

Comentários

Modelo de subscrição e modelo de publicidade, ambos têm sido adoptados desde que os media vieram para a web. Um e outro têm vantagens e desvantagens. Assim por alto: quando o objectivo principal é o lucro (ou pelo menos o menor prejuízo) o modelo de subscrição é o mais seguro (e em Portugal ainda mais, face ao débil mercado publicitário); mas onde o principal é assegurar a ocupação do espaço mediático, o projectar um brand name, então o modelo de publicidade (ou até sem ela, mas gratuito na mesma) é mais indicado.

No caso do Público, optou correctamente pelo segundo modelo nos primeiros anos, os anos de ocupar espaços e impôr o nome. A opção presente pela subscrição parece-me desadequeada, a menos que os actuais custos da edição online sejam imcomportáveis (não me parece, é o Clix que suporta aquilo, mas enfim, não sou eu quem faz as contas). A (melhor) imprensa diária europeia segue os trilhos (correctos) da gratuitidade e mais ainda, incorpora os leitores-consumidores na sua rede, seja pelos blogues (ver Le Monde), seja pelos foruns, seja pelos canais RSS distribuíveis por milhares de sites de terceiros.

A expansão é fundamental para a sobrevivência a prazo no meio digital, pelo que a actual posição do Público se me afigura errada. Como escreves, Filipe, o futuro o dirá. Claro.

Por alguma razão o Público tem hoje uma forte presença na Internet, logo na vida diária de centenas de milhar de pessoas, por via dos links e citações (em blogues nomeadamente). Comparar com a presença do Expresso (modelo de subscrição há largos anos) é um bom exercício: as "magistraturas de influência" de um e outro são radicalmente opostas, no meio digital, às que detêm no meio atómico. Ora... o futuro dos media está em qual deles?

Responder a esta questão é adivinhar o modelo correcto.

Publicado por: Paulo em março 26, 2005 04:44 PM

O arrependido fazem os intelegentes. eremos se a direcção do Público é intelegente ou não, pois baixará bastante o número de acessos se não passar a ser nulo. (ou quase)

Publicado por: polittikus em março 26, 2005 06:16 PM

Aqui o BdE não vai passar a ser pago pois não ...?

Publicado por: Pedro Farinha em março 26, 2005 10:12 PM

Vejamos se daqui a seis meses o Público persiste na teimosia dos conteúdos pagos, em Portugal isso não funciona, um dos apelos da internet é a gratuitidade.

Publicado por: JCV em março 27, 2005 12:07 AM

diário insular, açoriano oriental... também são diários e são pagos online há um ror de tempo..

Publicado por: alexandre em março 27, 2005 12:38 AM

Às vezes interrogo-me como é possível continuar a ler gratuitamente, diariamente, algumas das pessoas cuja escrita mais prezo. Nos blogs, sim. Espero que durante muito tempo.

Publicado por: [CB] em março 27, 2005 05:12 AM

à partida não percebo o que poderá o público ganhar com isto.
não é pelo facto de eu frequentar diariamente o jornal on-line que deixo de o comprar quase todos os dias. Porquê? porque fico com "apetite" para reler determinados artigos de forma mais "portátil" , recortá-los com o aspecto gráfico original e fazer pequenos diossiers... enfim manias que julgo serem comuns a muita gente.
O contrário pode muito bem vir a acontecer pelo menos no que me diz respeito...
é como o el pais, é um jornal excelente mas tem essa política. resultado "esquece" o el pais e se se quiserem ler as notícias de espanha vai-se ao el mundo, o que como se sabe não é a mesma coisa...
talvez seja uma questão de mercado, massa critica, etc.. mas faz-me confusão como uma série de jornais e revistas americanos de alta qualidade permitem um acesso mais ou menos livre ( ou livre só para alguns numeros atrasados, ou o inverso, existem várias estratégias ) com um mínimo de chatices para os utilizadores. resultado: cativam os clientes. falo por mim que acabei a assinar uma série delas.

Publicado por: tchernignobyl em março 29, 2005 04:40 PM