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março 25, 2005

IMPRESSÕES (RÁPIDAS) DE UMA VIAGEM À ALSÁCIA

Já vão com quase uma semana de atraso, mas aqui ficam.
A campanha para o referendo sobre a Constituição Europeia, a realizar em França no fim de Maio, ainda não começou. Em Paris ainda não se nota a propaganda. A Alsácia "burguesa" como, com um certo encanto, lhe chamava Pacheco Pereira nos seus tempos de deputado europeu, já está cheia de cartazes a apelar ao voto no "não".
Grande parte das instituições europeias situa-se em Estrasburgo. Como poderá haver um convívio entre os deputados e outros altos funcionários europeus e os alsacianos? Como me dizia o meu anfitrião, se não estivessem ali localizadas todas estas instituições, provavelmente os alsacianos seriam ainda mais xenófobos e antieuropeus.
Numa deambulação pelo centro de Estrasburgo tivemos ocasião de nos cruzarmos com a esquerda alsaciana toda em peso, que se tinha reunido para uma manifestação. Eram umas duzentas pessoas.

Publicado por Filipe Moura às março 25, 2005 03:01 PM

Comentários

Caro Filipe: deixa-me responder-te na minha condição de Alsaciano, nascido em Mulhouse. ;)

Saí de lá quando tinha 10 anos e já tive a oportunidade de lá voltar umas quatro ou cinco vezes, a última delas em 2003. As impressões que tive nesta minha última viagem são bastante similares às que expões no teu post e vou mesmo mais longe: fiquei chocadíssimo com a xenofobia dos alsacianos e (pior) da comunidade portuguesa que lá vive, que se julgam um espécie de imigrantes de 1.ª categoria em oposição aos árabes (e olha que incluo meu irmão neste meu juízo de valor). Não tenho dados suficientes para avançar com explicações, no entanto, foi por de mais evidente para mim o facto das comunidades árabes não viverem minimamente integrados no tecido urbano de cidades como Colmar, Estrasburgo ou Mulhouse - vivem renegados em bairros paupérrimos, isolados de tudo e de todos. É uma pena: a Alsácia é uma das regiões mais belas de França e com uma gastronomia de levar qualquer um às nuvens (chegaste a provar a famosa «choucroutte»?).

Publicado por: João Pedro da Costa em março 25, 2005 03:30 PM

João, deixa lá o "caro".
Não cheguei a ir a Mulhouse, que o meu guia descrevia como uma cidade industrial, mas Estrasburgo e Colmar são bem bonitas.
Também não tive tempo de me aperceber desse comportamento da comunidade portuguesa, que eu só lamento e que, a confirmar-se, confirma a nossa vocação histórica de proletas reaças.
Provei a choucroutte e a tarte flambée, claro!
Obrigado pelo teu apontamento. Ainda não conheces portanto o mamarracho de 12 metros do post acima, instalado no cruzamento de uma estrada nacional, no meio de hipermercados?

Publicado por: Filipe Moura em março 25, 2005 07:00 PM

Desculpem lá mas o melhor prato de Estrasburgo é o tête du veau vinagrete e os alsacianos são formidáveis falam um francês com sotaque alemão e estão-se cagando se tu entendes ou não, eu cá nunca percebi ponta de um corno. porque será que Strutoff (acho que é assim que se escreve) foi construido ali ?

Publicado por: Real em março 26, 2005 12:22 AM

Não conhecia o mamarracho, de facto (LOL). Mulhouse é uma cidade industrial, de facto, mas foi local de pousio da Jeanne d'Arc quando ela estava sob efeito de LSD (ver «Bigmouth strikes again» dos Smiths), e ainda se pode ver alguns monumentos anteriores ao 1.º milénio da era cristã. Mas, de facto, é uma cidade feiota.

O sotaque de que fala o Real é danado. Eu, por exemplo, herdei um /R/ gutural que, somado com o meu sotaque nortenho, faz com que a minha prosódia do Português seja, sinceramente, pior que valha-me Deus. O gajo que faz as promo da SIC, à minha beira, é um rouxinol.

Publicado por: João Pedro da Costa em março 26, 2005 01:53 AM

De facto, eu desbundei com os «de facto» no anterior comentário. De facto, não havia necessidade.

Publicado por: João Pedro da Costa em março 26, 2005 01:54 AM

"se não estivessem ali localizadas todas estas instituições, provavelmente os alsacianos seriam ainda mais xenófobos e antieuropeus"

Sem nunca ter estado na regiao ou em França sequer (o C.dGaulle não conta)parece-me que esta pode ser uma das causas da xenofobia: os eurocratas de Bruxelas que ali vêm passar a sua temporada e sua entorage de funcionários bem pagos (ainda por cima com as isenções fiscais) que exibem a sua enooorme bagagem cultural, impõe o uso de outras línguas que não o francês, o anglais (não sei se será o caso em Estrasburgo), têm um poder de compra acima da média - desalojando os nativos de alguns dos melhores espaços no centro, encarecendo as rendas; têm muitas vezes uma atitude arrogante e sobretudo não olham os locais de baixo com a humildade e subserviência de outros emigrantes estrangeiros, como por exemplo os portugueses, até dispostos a fazer de cães de fila.

Embora tenha pouca experiência do país (estive lá 6 meses apenas) parece-me que esta era uma das razões que levou Pim Fortum a advogar a saída holandesa da UE. Pode-se ser racista para com os árabes mas moralmente incorrecto, são geralmente pobres, sem educação e apenas procuram melhorar a sua vida. Já com os "ricos" que não fazem qualquer esforço em se adaptar aos locais, antes fazem valer o seu poder de compra para forçar mudanças é fácil e até popular mandá-los para o c..

Publicado por: homem_neves em março 26, 2005 09:46 AM

Já estava a estranhar a demora no post "alsaciano".

Em relação à xenofobia do Alsaciano, que é sem tirar nem pôr o que se apregoa, deve referir-se que nas últimas eleições regionais toda a França virou à esquerda e votou socialista e a Alsácia votou, como sempre vota, Le Pen. O homem conseguiu ir a uma segunda volta das eleições graças aos Alsacianos.

A Alsácia conseguiu reunir o melhor de dois mundos: tem a segurança social francesa e o dinheiro de Paris e os feriados alemães (a juntar aos franceses). Há mais feriados na Alsácia que em qualquer outra região de França. Obviamente que não querem ser alemães! Antes morrer que voltar à Alemanha, isso é certo. Mas também não são completamente franceses. E são todos (quase sem excepção tirando a esquerda alsaciana, os tais 200 da manif que o Filipe falou) contra a constituição europeia e contra a entrada da Turquia na UE.

E nada disto tem que ver com a presença dos euro-deputados. Eu ainda não vi nenhum que tivesse reparado, não me cruzo com grandes "bombas" de matrículas diplomáticas e acima de tudo, o Parlamento não impôs nada aos Alsacianos. As únicas marcas que se podem encontrar em inglês são as placas que indicam o Parlamento e demais instituições europeias, que estão em francês e inglês e o Macdonalds cujo nome não foi traduzido.

Trata-se isso sim de uma região rica que olha para os imigrandes com desconfiança. E os imigrantes que cá estão há 30 ou 40 anos (e eu tenho familiares cá há mais de 40 anos) já se integraram e também olham para os imigrantes com desconfiança. Neste momento, são os árabes (turcos e argelinos). Mas de que nos queixamos nós, os portugueses, que continuamos a olhar com desconfiança e a recusar a integração dos africanos em Portugal?

Publicado por: Nelson em março 26, 2005 11:56 AM

Hey Jon did't know you are reading this too :0. Greets

Publicado por: steven em março 31, 2005 01:51 PM