« COISAS SIMPLES | Entrada | LICENCIADO EM LÍNGUAS OFERECE-SE PARA PRESIDIR À ASSEMBLEIA GERAL DA ONU »

março 22, 2005

O NOME DA BESTA

A blogosfera em peso (1, 2) procura bodes expiatórios para os "inenarráveis" títulos portugueses dos filmes estrangeiros. É pena é que ninguém se lembre dos títulos portugueses que são melhores (Citizen Kane - O mundo a seus pés), mais previdentes (Indiana Jones and the Last Crusade - Indiana Jones e a Grande Cruzada) e mais evocativos (It's a Wonderful Life - Do céu caiu uma estrela) que os originais.
Mas eu explico: ao contrário do que é senso comum, não são os tradutores e legendistas que dão o nome ao filme. Consoante este é proveniente de um grande estúdio ou uma produção independente, o processo é diferente.
No primeiro caso, o nome é escolhido pela grande produtora americana que agrupa os países do seu potencial mercado em lotes (Portugal pertence ao lote ibero-americano) e escolhe um título para cada lote. A globalização em todo o seu esplendor...

No segundo caso, são os executivos da distribuidora portuguesa que decidem qual o título que lhes parece ser mais apelativo para o público, normalmente durante a pausa para o café.

Ou seja, para abreviar, como quase em tudo na vida, a culpa é dos americanos e dos capitalistas.

Publicado por Jorge Palinhos às março 22, 2005 02:54 PM

Comentários

a ultima frase é deliciosamente luis-fernando-verissiana....

Publicado por: marini em março 22, 2005 03:20 PM

Ó Jorge, pára para pensar! Não desates já aos tiros aos americanos... E, durante a tua pausa para o café aproveita para ler "A obsessão antiamericana" do Jean-François Revel. É claro que se não o fizeres de mente aberta e esírito livre, não vais perceber nada...

Publicado por: Rafael em março 22, 2005 03:26 PM

precisamente ao contrário... quem experimentar ler esse folhetim de "mente livre e aberta" não vai perceber nada. É à revel(ia) de qualquer espécie de seriedade intelectual.

Publicado por: tchernignobyl em março 22, 2005 03:49 PM

Saboroso tópico, Jorge. Acrescento mais um caso de um feliz baptismo: "O Crepúsculo dos Deuses" para "Sunset Blvd."

Entretanto, aproveito a deixa cinéfila e conto que estive há dias a ver na Cinemateca o "Maria do Mar", de Leitão de Barros. Éramos 10, contando com o pianista e um seu amigo. Eram 9.30 da noite quando começou. Era tempo de Portugal saber que tem ali uma obra-prima como não voltou a ver.

Publicado por: Valupi em março 22, 2005 04:49 PM

E não queres escrever uma pequena prosa sobre o filme, grande Valupi? A gente depois publica...
;)

Publicado por: José Mário Silva em março 22, 2005 06:16 PM

Hum... o Leitão de Barros não será "persona non grata" por estas paragens?... ;)

Publicado por: Valupi em março 22, 2005 08:39 PM

Como o poderia ser, Valupi? Leitao de Barros [escrevo de Fez, a tal, onde o infante Fernando morreu numa enxovia, porque o irmao Navegador nao quis devolver Tanger a seu dono, porque a empresa dos descobrimentos precisava desse entreposto, pois...] bom, Leitao de Barros foi um divertidissimo cronista (leiam Os Corvos), e este é um blogue descontraido. Pode estar portanto em casa. Ademais, tudo isso era no Diario de Noticias...

Conta, Valupi.

Publicado por: fernando venancio em março 23, 2005 01:04 PM

Bem aparecido, Fernando! E votos de moçárabes encantos.

Pois. E pois. A verdade é a de que o nosso excelente Zé manifesta um olímpico silêncio perante a pergunta; o que até nem será de estranhar se lembrarmos que o nome Leitão de Barros traz por arrasto o de António Ferro. Fados e toiradas, uma Nazaré mitificada e um Salazar entusiasta, talvez não seja dieta para este blogue.

Publicado por: Valupi em março 23, 2005 01:36 PM

Nem por sombras, Valupi, nem por sombras. Que venha a prosa. Por esta hora já devias saber que no BdE não há tabus (se até a Laetitia trazemos à baila). Além disso, não vejo melhor forma de arrancar o meu irmão ao seu retiro académico (está a dar os últimos retoques na tese, o pobre). Acontece que estes temas — «fados e toiradas», o Ferro, etc. — são o pão nosso do dia dele. Mete-te por esses caminhos e terás o Manel à perna, como nos bons velhos tempos do post sobre a «Carmina Burana».
Pela minha parte, já me estou a ver com o Fernando, a assistirmos deliciados, na primeira fila dos comentários, ao festim.

Publicado por: José Mário Silva em março 23, 2005 05:36 PM

Bom, 'tá combinado, então. Se os deuses o favorecerem, teremos amêndoas pela Páscoa.

Publicado por: Valupi em março 24, 2005 08:35 AM

Sao mais berberes, Valupi.

E pronto, ja estamos na primeira fila, o ZM e eu. Venham as pipocas.

Publicado por: fv em março 24, 2005 06:43 PM

Sei, Fernando. Mas não resisti a um trocadilho com (talvez) demasiadas derivadas.

Publicado por: Valupi em março 25, 2005 08:04 AM

Guardem um lugar na primeira fila :)

Publicado por: Gabriel Gonçalves em março 25, 2005 08:00 PM

Excelente trocadilho, Valupi. Duas derivadas, que chegam e sobram.

Publicado por: fv em março 25, 2005 10:13 PM