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março 21, 2005

UMA PERGUNTA INGÉNUA

Este fim-de-semana, morreram mais dois agentes da PSP no concelho da Amadora, o que está a levantar uma nova e compreensível onda de indignação nas forças policiais (após o assassinato brutal de outro agente, há cerca de um mês). As reportagens sublinham o que já sabíamos: ao actuar em zonas de risco, a polícia apresenta-se quase sempre mal equipada e muitas vezes com elementos inexperientes (um dos polícias mortos entrara na PSP há apenas seis meses). Quanto aos criminosos, não só estão mais bem apetrechados, em termos de viaturas e armas de fogo, como experimentam agora um sentimento de impunidade que os leva a nem pensarem duas vezes quando lhes surge a ocasião de "despachar um bófia".
A minha pergunta ingénua é esta: em vez de sacrificar jovens polícias mal armados na Cova da Moura, por que é que não se envia para essas áreas de elevadíssimo risco as forças do Corpo de Intervenção, que normalmente só vemos a carregar, forte e feio, sobre os estudantes que lutam contra as propinas ou sobre os trabalhadores que se manifestam às portas das fábricas? A esses agentes da autoridade, sabemo-lo bem, não falta nada: nem escudos inquebráveis, nem viseiras, nem coletes à prova de bala, nem metralhadoras, nem gás lacrimogéneo...

Publicado por José Mário Silva às março 21, 2005 10:06 AM

Comentários

uma bela pedrada.

Publicado por: fernando esteves pinto em março 21, 2005 10:24 AM

Por acaso os polícias dessas zonas de risco até costumam ser do Corpo de Intervenção. Tal como os agentes que patrulham a linha de Sintra. Só que não costumam andar com as viseiras e escudos a menos quando há intervenções no bairro.

Eu morei 5 anos na Damaia, a uns 200 metros da Cova da Moura. A polícia está lá, simplesmente não pode estar em todo o lado. Além destes três casos recentes, não esqueçamos o outro polícia morto, há uns dois anos, com 6 tiros à queima-roupa, na Damaia. Foi na minha rua.

Quando é que Portugal vai deixar de cobrar aos agentes pelos danos causados nas suas fardas no cumprimento do dever? Se um polícia rasgar a camisa, tem de comprar uma nova! Se riscar o carro patrulha é responsável pelos danos. Exigimos de agentes das forças de segurança que nos protejam, com um ordenado que não costuma passar os 1000 euros mensais, e ainda por cima paguem os danos causados quando têm de intervir a bem da mesma segurança. Já chega.

Publicado por: Nelson Sousa em março 21, 2005 10:55 AM

É típico do "Portuga" indicar como causas próximas dos problemas, coisas materiais; ou é um problema de dinheiro ou falta de material, como se ultrapassadas estas duas questões estivesse o problema resolvido (aos Americanos não falta nem dinheiro, nem material, e tão pouco conseguem por cobro à situação de terror no Iraque…).
As verdadeiras razões residem na falta de quase tudo: Emprego, Educação, Justiça, Solidariedade e uma grande vontade para resolver os problemas de todos, sem pruridos de tocar nos interesses de meia dúzia…
A proliferação de condomínios fechados, aonde se instalam os mais afortunados e muitos vigaristas de colarinho branco, são o bom exemplo de como a sociedade tem investido na resolução de problemas… o dinheiro que se gasta a fazer rotundas e outros embelezamentos públicos, só deveria ter lugar depois de darmos a dignidade aos que vivem nas zonas mais degradadas… falta definir para PORTUGAL uma hierarquia de prioridades…

Publicado por: Xico em março 21, 2005 11:35 AM

Muito bom post. Para quando a real solução deste problema?
Quanto à intervenção do corpo de Intervenção frente às fábricas, fica sempre bem...triste país o nosso.

Publicado por: vanessa a. em março 21, 2005 12:15 PM

Nem mais, Xico. Concordo contigo quando dizes que «as verdadeiras razões residem na falta de quase tudo: Emprego, Educação, Justiça, Solidariedade e uma grande vontade para resolver os problemas de todos, sem pruridos de tocar nos interesses de meia dúzia…», mas ambos sabemos que esses problemas não se resolvem de um dia para o outro. E entretanto há medidas práticas que se podem e devem ir tomando.

Publicado por: José Mário Silva em março 21, 2005 12:17 PM

O problema residirá na pobreza e na exclusão social. E não na falta de emprego.Porque simplesmente essa gente ainda é pior que o funcionário público.Este quer emprego,não quer trabalho.Os dos gangs da Cova da Moura nem emprego nem trabalho,querem é pó e uzis,mano.

Publicado por: fvaz em março 21, 2005 02:18 PM

para qundo tornar a questão da segurança um assunto prioritário???
Estew tipo que matou os policias não tem falta de emprego é um criminoso.
Enquanto se pensar que quem vive em condominos são delinquentes de colarinho branco e nos bairros de lata é tudo desgraçadinho
estamos feitos
para quando deixar de olhar para estes problemas com visões estereotipadas

a minha pergunta para o xico e o JMS
é a seguinte
este tipo que matou dois policias a sangue frio precosa de #Emprego, Educação, Justiça, Solidariedade e uma grande vontade para resolver os problemas de todos, sem pruridos de tocar nos interesses de meia dúzia… "???
estão a gozar comigo????
,

Publicado por: ss em março 21, 2005 02:24 PM

Os que vivem nos condomínios fechados pagam de sisa o suficiente para oferecer uma casa aos que não querem nem emprego nem trabalho mas exigem a CASA A QUE TÊM DIREITO. E como têm grandes carros pagam de IA e imposto sobre combustiveis o suficiente para financiar uma boa rede de transportes públicos.E se não fugirem ao IRS/IRC ainda lhes financiam o rendimento mínimo ou o subsídio de desemprego.

Conclusão: realmente,Xico, a culpa é dos que vivem nos condomínios fechados porque eles é que sustentam esses ...exluidos.

Publicado por: fvaz em março 21, 2005 02:25 PM

os que vivem em condomínios fechados ( não quero individualizar mas apenas avalio a "tendência") deviam pagar MAIS em todos os impostos pela contribuição que com o seu egoísmo mesquinho, paranóia securitária e preconceito elitista dão para a desumanização da cidade transformando-a numa sequência de casernas de luxo nas quais se tornarão também no futuro eles próprios prisioneiros.

Publicado por: tchernignobyl em março 21, 2005 04:04 PM

O teu post é demagógico-demagógico-demagógico!! Espelha o pensamento simplista que sempre alimentou os esquerdistas e que reflecte incapacidade para ler o mundo. O mesmo se aplica aos que tolhidos pela inveja mesquinha vão chamar para o tema os condomínios fechados. Somos um povo cinzento, incapaz de análises isentas e mesquinho em (quase) tudo...
Para além das causas sociais que originam os guetos, a razão principal porque polícias são baleados, não será porque os media - alimentados pelo lóbi esquerdista-bloquista-politicamente-correcto crucificam na igual medida o polícia que abusa da autoridade com o que abate um criminoso?
Em situação de risco iminente não se pode pensar duas vezes. Enquanto o polícia reflecte acerca de usar ou não a arma, já tem dois tiros no corpo.

Publicado por: Rafael em março 21, 2005 04:34 PM

Pois, Rafael, o que vale é que o teu comentário está isento dessa terrível demagogia, não é? O «lóbi esquerdista-bloquista-politicamente-correcto» é que é o mau da fita, não é?

Publicado por: José Mário Silva em março 21, 2005 04:55 PM

Ofende-me, como cidadão, o que se passa com as polícias, onde não se remunera justamente nem sequer se dão condições de segurança e eficácia.

Também me ofende a miséria, que começa sempre por ser a cultural, da educação, antes de ser a material. O povo não quer saber das Covas da Moura, de bom grado veria o exército a patrulhar as ruelas do bairro e a instituir um gueto.

Por fim, o fenómeno da delinquência cria ciclos destes, onde alguns indivíduos se transformam em "desperados", podendo até criar reacções em cadeia, inspirar terceiros para a emulação e superação.

Sela lá qual for a análise, está provado que o regime da "tolerância zero" funciona. É aplicá-lo.

Publicado por: Valupi em março 21, 2005 04:57 PM

José Mário
Não, o «lóbi esquerdista-bloquista-politicamente-correcto» não é que é o mau da fita! Simplesmente deveria evoluir, e (re)assumir o papel de «liderança das ideias» que noutros tempos já teve e que desde meados do séc. XX perdeu, trocando-o por folclore e t-shirts estampadas.
O mundo de hoje é diferente. Demagogia fácil enfraquece a capacidade analítica. Neste caso, devemos sentir respeito e pesar pelos que morreram e (rapidamente) reagir!
Não é com conversa saloia acerca de condomínios (não vivo em nenhum nem invejo os que lá vivem), ou insinuações de que «polícia bem armada é só contra bonzinhos indefesos» que se vai à raiz do problema.
E quanto a mim este é: a) Problemas sociais graves não equacionados por quem o devia fazer (o Estado mas também a sociedade cívil); b) Fragilização da capacidade de intervenção da polícia, que não pode hesitar quando necessita agir; c) Sentimento «público» de justiça «branda» para com crimes graves.

Publicado por: Rafael em março 21, 2005 05:16 PM

mas é verdade,queremos mais policia na rua!!! Ao menos era capaz de dar mais saida de trabalho aos muitos senhores doutores saidos das universidades portuguesas, entretanto se os abaterem,poderão assim manter uma eterna e verdadeira politica de mudança permanente sem que ninguém se sinta excluido.

Publicado por: triciclo em março 21, 2005 10:54 PM

O indivíduo que matou os dois polícias não era nenhuma "vítima da sociedade", mas sim, ao que parece, um traficante de armas. Que certamente teria mais redimentos que os rapazes que assassinou.

Publicado por: João Pedro em março 22, 2005 01:09 AM

Eficiência Policial
No blogue de um meu conterrâneo são feitas várias referências à morte dos dois polícias. Concordando com algumas e discordando de outras apenas me apraz comentar a inoperacionalidade das policias em Portugal no geral.

Quanto a mim, este é um verdadeiro problema com que nos debatemos desde alguns anos para cá. Tenho bem presente tudo o que se escreveu e disse, quais as reportagens e pressões, sobre as forças de segurança desde as manifestações contra as portagens na ponte 25 de Abril.
Quem desarmou as policias? Quem as transformou em meras instituições de figuras de corpo presente e pouco mais?
Basta relembrar, que tempo ouve em que um polícia quase tinha que pedir por favor para prender um bandido, caso contrário teríamos uma reportagem da tvi imediatamente a transformar o bandido em vítima e o polícia em bandido.
Sendo assim, não será normal as nossas polícias serem inoperantes? Qual a responsabilidade dos jornalistas em “geral” e de alguma imprensa em particular?
Questiono-me se alguma vez em Espanha (aqui ao lado) onde se vêem polícias armados de metralhadora a patrulharem durante o dia a capital daquele país, existe algum partido que se atreva a pedir para que os polícias andem desarmados?
Enfim, assim é difícil termos unidades policiais eficientes que se concentrem sem receios no seu dever, que é proteger de igual maneira todos os cidadãos.

http://www.ajferrao.blogspot.com/

Publicado por: ajferrao em março 22, 2005 01:30 AM

Dos jornais. Mataram mais dois policias a tiro nos arrabaldes da capital do país onde os meios privados de distracção estão nas mãos de meia-dúzia de gorilas de gravatas de seda que já eram macacos sabidos no tempo do chamado fascismo. Quem estiver a ser acusado sem razão faça favor de levantar a mão que tiver menos cachuchos. Estes exemplares dos Hominídeos, que às vezes se observam a passear descontraidamente entre as paredes marmóreas de ministérios obscuros, usam a Cova da Moura como um dos muitos pretextos para exigir um aumento dos efectivos da polícia, efectivos que são depois cuidadosamente usados para defender os seus luzidios trazeiros oligárquicos. Á noite, ou de dia, em mansões ou palacetes, alguns construídos nos tempos dos últimos reis do rincão saboroso, têm conversas com outros donos de bancos, companhias de seguros e empresas multinacionais e um ou outro chefinho de partido não especificado. E falam, pois sabem falar, e concordam que o povo em geral se preocupa muito com tiros e alcapones de fitas e que podem contar com os blogueiros da direita, como se os jornais não fossem bastante, para espalhar a horrivel possibilidade de sermos baleados ao virar duma esquina num dia de azar, e para protestar contra o esbanjamento de dinheiros em rotundas públicas ajardinadas. Tolerância zero – a arte mágica americana de criar uma população prisional onde a maioria tem a pele preta... quando a maior parte dos crimes são perpretados por gente loura, ou semi-loura, ou castanho ibérico – vem aí. E lá mais adiante, se isso não resultar, vai uma foiçada na mão ou uma pedrada na testa como fazem lá prós lados da Arábia Saudita. Valha-nos isso, Cova da Moura. Preparem as criancinhas.

Publicado por: Calisto em março 22, 2005 11:30 AM

eu apenas agradecia ao cosmopolita rafael que explicasse a tal história da "conversa saloia dos condomínios fechados". sem demagogias claro...

Publicado por: tchernignobyl em março 22, 2005 12:09 PM

... "conversa saloia dos condomínios fechados" surge quando se utiliza como argumento de caracterização social - e postura cívica - uma dada forma de habitação.
Perdoem-me, mas para mim, é demasiado simplista. Então e os que vivem em propriedades «invisíveis» (porque apenas se vê o portão de entrada), e os que habitam em apartamentos de luxo, ou vivem em hotéis de cinco estrelas? Não é por aí. Numa sociedade livre há que saber conviver com a diferença, com o abastado e o menos bafejado pela sorte. O que é preciso garantir é o cumprimento da lei, o pagamento dos impostos, e o tratamento igual para todos por parte do Estado.
Ser «rico» não é ofensivo nem criminoso, e ser «polícia» também não... Não sou uma coisa nem outra, mas acho que há muito, uma certa forma de ser «esquerda» passa pela hostilização de ambos, com os resultados que se conhecem.

Publicado por: Rafael em março 22, 2005 02:36 PM