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março 18, 2005

A MÃO INVISÍVEL

Da Mão Invisível, da vara que dobra mas não se sabe para onde, da regulação sem concorrência e da concorrência sem regulação, e dos seus monopólios, da amplificação das flutuações sem "feedback" negativo, do canibalismo, e da emergência da mediocridade...

[...] In Adam Smith's (1723-1790) world of economic processes, a world involving a system of goods and demand for those goods, prices will always tend toward a level at which supply equals demand. Thus, this world postulates some type of negative feedback from the supply/demand relationship to prices, which leads to a level of prices that is stable.
This means that any change in prices away from this equilibrium will be resisted by the economy, and that the laws of supply and demand will act to reestablish the equilibrium prices. Recently, economists have argued that this is not the way many of the sectors work in the real economy at all. Rather, these economists claim that what we see is positive feedback in which the price equilibria are unstable.
For example, when video cassette recorders (VCRs) started becoming a household item some years back, the market began with two competing formats - VHS and Beta - selling at about the same price. By increasing its market share, each of these formats could obtain increasing returns since, for example, large numbers of VHS recorders would encourage video stores to stock more prerecorded tapes in VHS format. This, in turn, would enhance the value of owning a VHS machine, leading more people to buy machines of that format. By this mechanism a small gain in market share could greatly amplify the competitive position of VHS recorders, thus helping that format to further increase its share of the market. This is the characterizing feature of positive feedback - small changes are amplified instead of dying out.
The feature of the VCR market that led to the situation described above is that it was initially unstable. Both VHS and Beta systems were introduced at about the same time and began with approximately equal market shares. The fluctuations of those shares early on were due principally to things like luck and corporate maneuvering. In a positive-feedback environment, these seemingly chance factors eventually tilted the market toward the VHS format until the VHS acquired enough of an advantage to take over virtually the entire market. But it would have been impossible to predict at the outset which of the two systems would ultimately win out. The two systems represented a pair of unstable equilibrium points in competition, so that unpredictable chance factors ended up shifting the balance in favor of VHS. In fact, if the common claim that the Beta format was
technically superior holds any water, then the market's choice did not even reflect the best outcome from an economic point of view. [...] John L. Casti, "Complexity - An Introduction", 1997.
(Vitorino Ramos)

Publicado por tchernignobyl às março 18, 2005 10:40 AM

Comentários

And the point is...?

Publicado por: pataphisico_azul em março 18, 2005 11:33 AM

Gostei do comentário sobre a mediocridade. Aquilo que a esquerda em geral não perdoa ao capitalismo: satisfazer as necessidades e anseios das pessoas normais. De facto o capitalismo - e o seu acompanhante politico, a democracia liberal - é um sistema mediocre, como Nietchze tão bem sublinhou. O problema é que todos os outros são muito piores.

Publicado por: Pedro Oliveira em março 18, 2005 12:31 PM

Essa é a grande questão que se levanta, pataphisico. Não sei se sabem mas a mulher de Adam Smith usava o cabelo loiro pintado penteado liso, e costumava vestir "blusão de ganga". É outro bom post, tcherni.

Publicado por: Hélder Mântua em março 18, 2005 12:31 PM

Ainda por cima o exemplo que o autor utiliza nem ao menos é sério: quem ainda se lembre desses tempos remotos da guerra de formatos vídeo, deve também saber porque é que o formato VHS bateu o Beta...

De facto embora a tecnologia Beta fosse originalmente de melhor qualidade que o seu concorrente VHS, estava sujeita a uma patente da Sony, e quem fabricava este tipo de videogravadores tinha que pagar royalties, o que fez com que os mesmos tivessem um preço menos competitivo.

Publicado por: Pedro Oliveira em março 18, 2005 12:42 PM

pata...
go back to the beginning and read it again... carefully.
PO:
comentário um: a mediocridade a que se refere o texto é ( será preciso explicar? claro que é... no país da iliteracia )a do pensamento único ultra-liberal que trata de satisfazer algumas necessidades mas não exactamente as das pessoas "normais"... (disse normais??)
comentário dois: se leres bem esse tipo de coisas são referenciadas no texto

Helder: um gajo escreve a palavra "loira" numa porra de um post e é garantido que há logo uns bichinhos que não conseguem parar de salivar. Aconselho-te uma visita ao elevador se a imagem te foi tão sugestiva.

Publicado por: tchernignobyl em março 18, 2005 01:15 PM

É claro que o Pedro Oliveira tem toda a razão. O exemplo citado (VHS vs. Beta) é apresentado de forma tão distante da realidade que se aproxima do embuste. É óbvio, para quem tenha presentes os acontecimentos de então, que os dois concorrentes não formavam, de forma alguma, "a pair of unstable equilibrium points" e que seria previsível, dados os constrangimentos que a Sony colocou à popularização do seu formato, o desenlace desta disputa.

Isto é um ponto decisivo, não uma minudência que possa ser descartada com um encolher de ombros tipo "esse tipo de coisas"; e claro que não está referenciado no texto. Destruiria a análise aí feita.

Publicado por: Pensativo em março 18, 2005 01:38 PM

Aliás, a coisa até é pior: nem os dois sistemas foram lançados ao mesmo tempo (75 para o Beta, 76 para o VHS), nem possuiam, na altura e naturalmente, fatias do mercado iguais; o Beta dominava aquando da entrada em cena do rival. Durante o ano em que permaneceu só, a Sony vendeu mais de 30.000 máquinas nos EUA.
Esta história é bem mais complexa do que parece: quando surgiu o VHS, este sistema possuía uma vantagem decisiva: o tempo de gravação máximo, que duplicava os 60 minutos do Beta. Por isso, também é apressado garantir a superioridade daquele formato...


PS: a pressão oriunda do mercado de fitas pré-gravadas, dada pelo autor como crucial, só começou a fazer-se sentir no início dos 80, quando o Beta já tinha sido esmagado.

Publicado por: Pensativo em março 18, 2005 01:54 PM

Parece que alguém descobriu agora que o valor de um formato não depende das suas qualidades abstractas só possíveis num mundo ideal, mas do uso concreto que as pessoas reais podem fazer desse formato. E como é óbvio, o uso concreto depende da vulgarização do formato. Por isso não interessa se racionalisticamente determinado formato é melhor, mas se um formato se torna popular sejam quais forem os méritos que as pessoas reas lhe reconheçam. O valor numa economia de mercado é determinado de forma descentralizada e não combina com as análises supostamente informadas dos intelectuais. E isso é que os chateia.

Publicado por: JoaoMiranda em março 18, 2005 04:49 PM

'pensamento único ultra-liberal que trata de satisfazer algumas necessidades mas não exactamente as das pessoas "normais"... ' Mas és imbecil ou idiota? Achas que o pensamento, único ou nao, ultra-liberal, intra-liberal, supra, ou micro, tenta satisfazer as necessidadez de alguém? Alguma vez leste algum livro de economia com mais de duas páginas?

Publicado por: pataphisico_azul em março 21, 2005 11:29 AM