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março 11, 2005

FOI BONITA A FESTA, PÁ

No tempo do fascismo, o aparelho produtivo estava nas mãos de uma oligarquia protegida pelo Estado Novo. Em geral havia situações de proteccionismo e monopólio.
Hoje, grande parte do aparelho produtivo está nas mãos de uma oligarquia que depende do Estado e dos seus subsídios, apesar de só se queixar dele. Continua a haver várias situações de proteccionismo e de monopólios.
No tempo do fascismo, a economia dependia de uma mão-de-obra mal paga e explorada. Hoje, em nome da "competitividade", é desejo de muitos empresários regressar à política de salários baixos. Para os trabalhadores, claro; para os gestores, nem pensar. Para estes, os salários têm de ser competitivos.
Desta perspectiva, há que concordar que, no aspecto económico, faz hoje 30 anos que as coisas ficaram um pouco mais transparentes... Muitos dos ganhos que hoje temos como adquiridos foram conquistados faz hoje 30 anos.
No plano militar, pelo contrário, passam hoje 30 anos em que se iniciou um processo ambíguo e onde as diferentes partes cometeram vários excessos. A situação no aspecto político e militar só viria a ficar clarificada - e bem - a 25 de Novembro. Mas há que não esquecer que a derrota, esperemos que definitiva, do regime fascista e dos seus nostálgicos deu-se faz hoje 30 anos.
Por estas razões, o 11 de Março de 1975 foi uma data positiva da nossa história, que convém recordar.

Publicado por Filipe Moura às março 11, 2005 07:39 PM

Comentários

Não percebe nada de História, pá! Lamento dizer-lhe mas a Língua portugusesa, também, não é o seu forte. Então os gestores não são trabalhadores? O problema de uma certa esquerda é continuar a acreditar na "lavoura" (os extremos tocam-se). A maioria dos trabalhadores oprimidos d' hoje usa fato e gravata.

Publicado por: afonso salgueiro em março 11, 2005 11:17 PM

É urgente reconhecer o logro em que quase todos caíram ao acreditar desesperadamente neste sistema político e económico. O ideal democrático é incompatível com a nova ordem económica mas teima-se em fazer crer o contrário.

Publicado por: esgoto em março 11, 2005 11:37 PM

Olhe Afonso Salgueiro, deve ser de facto uma questão de português. Claro que em português trabalhador é alguém que trabalha, ponto final. Assim com excepção dos completamente ociosos, todos somos trabalhadores. Mas o texto do Filipe tinha falado, na linha de cima, em "mão-de-obra". Se em vez da palavra trabalhadores ele usasse de novo mão-de-obra, ficaria mais claro?
Porque parte do que diz o Filipe, ou pelo menos da leitura que fiz, vem ao encontro de muito do que penso. Que o que está e sempre esteve verdadeiramente mal na nossa terra é uma péssima gestão. Quem "trabalha" muito mal é a maioria dos nossos gestores. A nossa mão-de-obra quando imigra e é gerida por outros gestores até produz. E, posso estar enganada, mas não conheço gestores portugueses que vão "lá para fóra" gerir empresas em países onde a mão-de-obra tem muitos direitos e que sejam muito bem sucedidos.

Publicado por: Emiéle em março 12, 2005 09:33 AM

Emiéle, talvez não me tenha feito entender. Penso que trabalhador e empregado não são sinónimos. A história do trabalhador português em França ou no Luxemburgo é uma falácia, um "caboverdeano", também, produz mais na Holanda que em Cabo Verde. A verdadeira questão não é o fascismo é o comodismo. A tendência que temos em ser pouco exigentes com os outros mas, fundamentalmente, connosco. Isso não tem a ver com gestores incompetentes, que os há, claro!

Publicado por: afonso salgueiro em março 12, 2005 02:35 PM