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março 11, 2005

M-11

Faz hoje um ano que a cobardia do terrorismo chegou, de comboio, a Madrid. Na bagagem: morte, ódio puro, sangue de inocentes.
Também não esqueceremos isto, como não esquecemos o resto.

Publicado por José Mário Silva às março 11, 2005 10:08 AM

Comentários

Já estava com saudades da imitação do Albarran. Quase tira a seriedade que um dia destes merece...

Publicado por: zangalamanga em março 11, 2005 11:09 AM

Íamos todos naquele comboio ...

Publicado por: Marion em março 11, 2005 11:58 AM

Ó mangalaranja: e se fosses pentear macacos?

Publicado por: brutus em março 11, 2005 12:13 PM

Visite este blog estrelinha ajuizadajunte aos favoritos

Publicado por: vermelhofaial em março 11, 2005 12:36 PM

Com certeza brutus, por onde quer que comece?
Acho que por vezes José Mário Silva cede a um tipo de tentação incontrolável que é o de fazer comentários exagerados sobre os fenómenos do mundo e da humanidade.
O que ia no comboio eram pessoas, bagagem não devia haver muita, e umas bombas miseráveis postas por uns miseráveis radicais. Podemos não esquecer mas daqui a uns anos vai acontecer outra igual/pior e vamos voltar a berrar com vigor:"nunca mais!"E assim por diante, sem nunca fazer nada de jeito, condenando quem tente impedir estas miseráveis coisas humanas.
A morte e o ódio são próprios do homem, e não se cingem a viagens suburbanas.

Publicado por: Zangalamanga em março 11, 2005 02:06 PM

... qual resto?

Publicado por: JotaVê em março 11, 2005 02:13 PM

Pois é, Zangalamanga,
Deixando de lado a comparação, para mim ofensiva, com o abominável Albarran, gostava de lhe dizer algumas coisas:

1) Tem todo o direito de não apreciar os meus posts. Já não tinha gostado de um outro sobre o tsunami. Agora, dizer que são «comentários exagerados» não lhe parece, passe o pleonasmo, um exagero? Se não formos "exagerados" nestes casos, guardamos as hipérboles para que ocasiões? Rixas na Cova da Moura? Taças europeias ganhas pelo FCP? Maiorias absolutas socialistas?

2) Para além do direito de não gostar, não lhe roubo o direito de não entender o que lê. Nesse caso, porém, seria mais prudente o silêncio. Eu nunca disse que havia bagagem nos comboios. O que eu escrevi, num tom vagamente elíptico, foi que a "morte", o "ódio puro" e o "sangue dos inocentes" eram a bagagem do terrorismo. A isto chama-se uma metáfora. É uma figura de estilo. Se tiver dúvidas, consulte uma gramática.

3) No fundo, o que o deve ter incomodado foi o recurso (na sua opinião) a lugares-comuns. Mas, meu amigo, mais uma vez insisto: é nestas alturas que os lugares-comuns fazem sentido. Até naquilo que eles simbolizam: lugar comum, lugar de todos, lugar onde todos nos encontramos. Se reparar, as grandes tragédias têm quase sempre os maiores lugares-comuns como resposta. É, talvez, uma forma de nos defendermos do choque, de nos protegermos do confronto com uma realidade demasiado absurda. Os meus "lugares-comuns" incomodam-no? Lamento. Mas não me desculpo por eles porque eles não me envergonham.

4) Uma última questão: como não vale a pena dizer «nunca mais», o que esperava encontrar, ao abrir hoje o BdE, era o silêncio, não era, caro Zangalamanga?

Publicado por: José Mário Silva em março 11, 2005 03:28 PM

Jotavê,

O resto estava implícito mas eu torno já explícito: o resto é o 11 de Setembro. Mas também Bali ou Istambul. E, já agora, Guantánamo e Abu Ghraib.

Publicado por: José Mário Silva em março 11, 2005 03:31 PM

Caro José Mário Silva, compreendo alguma das coisas que me diz mas permita-me apontar-lhe alguma ingenuidade, quando me aconselha a consultar a gramática. As hipérboles que usa são precisamente o que eu critico. E, exactamente, a forma como as usa augura-lhe um bom estágio em qualquer jornal desportivo ou quiçá, n´O Crime.As metáforas também são usadas levianamente (um problema que grassa pelos escrivãos portugueses).

As figuras de estilo são uma forma nobre de escrita, e já que gosta tanto delas esforce-se mais um pouco e fuja à banalidade. Eu por acaso até acho que consegue.

Eu percebi o uso e abuso das figuras de estilo. O José Mário Silva não percebeu a minha crítica simples ao seu texto. Não concorda? Certo. Afirmar que eu não percebi o seu post é mais uma vez exagerado. Hiperbolizado?!

Além disso, afirmar que lugares-comuns não incomodam parece-em oxímoro.

Publicado por: Zangalamanga em março 11, 2005 03:47 PM

Zangalamanga diz, num tom escarninho: «a forma como as usa augura-lhe um bom estágio em qualquer jornal desportivo ou quiçá, n´O Crime». E depois eu é que sou ingénuo...

PS- Uso e abuso das figuras de estilo? Pelos meus cálculos, só usei uma. Mas pelos vistos uma já é demais.

Publicado por: José Mário Silva em março 11, 2005 05:08 PM

Mais uma vez não percebeu a minha irónica deixa. Mas isso é normal em pessoas que não se conhecem, como é o caso. Não gosto da forma como por vezes usa os fenómenos do mundo e da humanidade para postar.A figura de estilo não se resume à palavra ou expressão em que é usada, e muitas vezes estende-se a toda a ideia que se tenta expressar.É por isso que se deve ter cuidado.

É simples.

Eu estou certo, e o José Mário Silva acha que está certo. Já lhe tomei até demasiado tempo.

Bom fim-de-semana

Publicado por: Zangalamanga em março 11, 2005 05:32 PM

Que polémica pindérica! Caguemos nas metáforas e lembremos, ao menos uma vez por ano, já que todos os dias é muito pesado prá vidinha, os actos de barbárie. O estilo não interessa, quanto mais directo melhor. Mas não esqueçamos. E, já agora, lembremos Beslan (foram crianças, senhores!). Ou os tchetchenos não são terroristas, não fazem parte da mesma rede monstruosa? Ou não é um árabe saudita que está agora à frente deles? Será que os russos ainda são comunistas, logo podem ser vítimas dos ataques terroristas à vontadinha?

Publicado por: jm em março 11, 2005 06:13 PM

Porque a memória ainda é uma defesa que temos...
Bom post...
Saudações Nómadas...
http://nomadasperdidos.blogspot.com

Publicado por: ricardomteixeira em março 11, 2005 07:11 PM

1 escrivão...
2 escrivãos...
3 escrivãos...
Com tanto escrivão estava capaz de dizer que há comentários que deviam passar primeiro no detector de metais...

Publicado por: Luís em março 11, 2005 07:17 PM

Muito bem lembrado, jm. Porém, temos o problema ao contrário: lembrar implica ter esquecido.

Como é que se deve lidar com o terrorismo? Sei bem que milhares de pessoas em todo o mundo dedicam (e arriscam) as suas vidas a pensar no assunto. E que o assunto é de uma complexidade trágica. Só que devia também fazer parte da vidinha, pois é uma questão de tempo até sermos nós os próximos.

Publicado por: Valupi em março 11, 2005 07:44 PM

Valupi, como quase sempre, tem razão: lembrar implica ter esquecido. Mas não será verdade que esquecemos mesmo? Para quê o «deveríamos» lembrar todos os dias, para quê as declarações de desejos altamente morais se, se não no-lo lembrarem anualmente as efemérides mediáticas, esqyecemos mesmo? Por medo de prolongar o medo, pelas imposições da vidinha, pela ânsia de normalidade, por cobardia, por egoísmo... Que não devia ser assim já sabemos, mas será que, por o proclamarmos de vez em quando, que deixa de ser assim?

Publicado por: jm em março 11, 2005 09:34 PM

Agora pergunto eu: por é que stes riapas não vão pentear macacos? Não sei, mas acho que pela amostra não devem servir para muito mais.Ah, morreram muitos mais portuguese por causa daquela guerra colonial promovida pela Estado Novo.

Publicado por: João Pedro em março 12, 2005 12:30 AM

O "Resto"

Não... nem por uma vez é possível uma condenação simples, directa e incondicional do acto terrorista.

"Como não esquecemos o resto": é preciso adicionar a pequena frase e deixá-la funcionar, é preciso qualificar.
O "resto" *pode* ser a intervenção americana no Iraque, ou a actuação de Israel, ou outra coisa qualquer que fique do outro lado da balança.

Porque, para quem escreveu o post, o importante é contrabalançar, lamento, em favor do terrorismo.
Triste hipocrisia, quase ingénua de tão óbvia...

Publicado por: Manuel Severo de Carvalho em março 12, 2005 10:45 AM

Só para ver o que dá a má-vontade e o parti pris, caro Manuel Severo de Carvalho, vou confessar-lhe uma coisa: aquilo em que eu estava a pensar, quando escrevi a palavra "resto", era no 11 de Setembro. Não esquecemos o 11 de Março como não esquecemos o 11 de Setembro. "Triste hipocrisia", não é?

Publicado por: José Mário Silva em março 12, 2005 12:00 PM

»»(...)o resto é o 11 de Setembro. Mas também Bali ou Istambul. E, já agora, Guantánamo e Abu Ghraib.

Publicado por: José Mário Silva em março 11, 2005 03:31 PM»

Já depois do meu comentário, vi isto lá em cima, escrito por si, meu caro José Mário Silva.
Má vontade minha? Parti pris?
O seu "já agora" é extraordinário! Você tem mesmo sempre de contrabalançar o terrorismo com qualquer outra coisa "do outro lado". Guantánamo e Abu Gharib... já agora. Colocar Guantánamo e Abu Gharib na mesma enumeração em que coloca os atentados é, desculpe, má pornografia. Mas para você faz sentido. Você é simplesmente incapaz de fazer uma condenação incondicional do terrorismo.

Publicado por: Manuel Severo de Carvalho em março 12, 2005 10:01 PM

Escrivãos.É triste, merecia uma vergastada maior Luis.

Publicado por: Zangalamanga em março 14, 2005 12:29 PM