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março 05, 2005

PERSPECTIVAS PARA ESTE ANO

Começa daqui a umas horas a edição de 2005 do Mundial de Fórmula 1. Será esta edição como a de 2004, uma monotonia onde tudo ficou decidido num instante e Schumacher ganhou? Ou será como a de 2003, em que houve disputa e emoção até ao fim e Schumacher ganhou? Vamos ver. Na verdade até pode ser que a história seja outra. Eu não escondo as minhas simpatias ferraristas, mas desejo que este seja o ano da afirmação definitiva de dois dos mais talentosos pilotos: Jarno Trulli e Jenson Button. E que o português Tiago Monteiro seja uma surpresa agradável (principalmente quando meio mundo prefere o seu colega de equipa). Que tudo lhe corra pelo melhor.

(Calharam ser da Ferrari, mas após alguma pesquisa escolhi estas fotografias pelas imagens em si e não pelas equipas - embora não pusesse aqui fotos do Montoya. Esta aqui em baixo, então, agrada-me particularmente. Das pessoas com quem mais simpatizo na fórmula 1 são os mecânicos e das coisas que eu mais gosto de ver são as trocas de pneus.)

Publicado por Filipe Moura às março 5, 2005 11:53 PM

Comentários

Gosto da fotografia de baixo - a velocidade mesmo nas boxes. E Tiago - força, meu.

Publicado por: Onan em março 6, 2005 03:01 AM

Caro Filipe Moura,

Não o escondo. Há já alguns anos que sou defensor da teoria, difícil de provar num mundo de intriga cuidadoso que não deixa actas nem rastos, de que o Partido Comunista Português foi resultado duma iniciativa da Maçonaria empurrada e inspirada pela cristandade nova portuguesa, como forma de ataque ao flanco do poder apostólico ibérico defendido por Salazar e Cerejeira. A classe operária foi, e continua a ser, mero pretexto. Teoria sem dúvida difícil de engolir por marxianos e marxistas que nunca viram (talvez porque nunca lhes foram facultadas as leituras pertinentes) na criação do extinto Estado Soviético uma etapa necessária à presente filosofia globalista, cujo fim derradeiro é arrancar-nos a escassa liberdade que estupidamente vamos desperdiçando em ninharias pseudo-desportivas e não só. Não tenho ilusões, portanto, quando leio os teus pedacinhos de escrita de homem de esquerda alinhavadas em noites aborrecidas de Paris ou arredores. Mas é sempre confrangedor ver-te a dar o sinal de partida numa corrida tão do agrado dos barões do grande capital. Que outras provas da capacidade de adaptação mental dum ex-comunista nos reservas, Filipe?

Publicado por: Roland em março 6, 2005 08:43 AM

Quase que fazes pena: não acertas uma. Então, armas-te em entendido em F1 e nem sabes que acabou o folclore das "trocas de pneus"?
Quanto ao português, foi o que se esperava: andou mais devagar que o colega, fez piões e atrapalhou os restantes.

Publicado por: ai ui ai em março 6, 2005 04:32 PM

Não te sabia ferrarista, Filipe. É pena ;)

Vi a corrida. Não consegui ver os treinos porque com 80 canais de televisão nenhum os transmitiu, mas consegui acompanhá-los no site oficial da F1 (www.formula1.com). Têm lá uma aplicação excelente que vai dando o quadro completo de tempos com cronometragens intermédias, informações meteorológicas, etc.

Já comentei no meu blog a corrida, não vou repetir aqui opiniões sobre a corrida. Quem quiser ler opiniões pode sempre ler o Autosport amanhã, de certeza que percebem mais do assunto que eu.

Em relação aos resultados desportivos prefiro não fazer previsões. Mas a monotonia é garantida. Não fosse o Alonso andar feito maluco a passar meio mundo e nem uma ultrapassagem se via.

Dizes que gostas de ver mudanças de pneus? Pois é, eu também, mas acabaram-se. Agora só se pára para reabastecer. Tá na altura de perguntar ao senhor Max Mosley se ele alguma vez viu uma corrida de automóveis! É que se queremos mais espectáculo não é com motores a resistir dois fins de semana e zero trocas de pneus por corrida que o fazemos. Os carros são cada vez mais sensíveis ao ar turbulento (graças às limitações das asas e coisas afins) e agora nem sequer podem travar tão forte porque não se podem dar ao luxo de danificar os pneus.

Também gosto do espectáculo. Não aprecio as suas politiquices (FIA + Ferrari vs. resto do pelotão) nem das sucessivas alterações de regulamentos que só contribuem para o aborrecimento colectivo daqueles que ainda insistem em ficar acordados até às 5:30 da manhã para ver a primeira corrida do ano. Lembro-me de um GP do Mónaco em que um Ayrton Senna com um motor rasca aguentou atrás de si um Mansell super favorito durante umas 10 voltas. Aquilo era zigue-zague por todo o lado. Agora limitamo-nos a ver passar a procissão na esperança que os reabastecimentos baralhem alguma coisa ou a chuva apareça.

Publicado por: Nelson em março 6, 2005 04:39 PM

Mais um título para o Michael...só pode!a não ser que o portuguÊs monteiro lhe consiga tirar o título ;)

Publicado por: Pantera em março 6, 2005 04:49 PM

Eu não tenho TV francesa pelo que não posso ver F1 em casa. Teria de ir à sala comum. Não fazia ideia dessa da supressão da mudança de pneus. Não vamos ter mais cenas como as de Prost/Senna em 1990, em que os mecânicos poderiam decidir o campeonato? Temos o reabastecimento mas não tem um pingo da graça da mudança de pneus. Tens razão, Nelson: o Mosley nunca deve ter visto um Grande Prémio!

Publicado por: Filipe Moura em março 7, 2005 01:53 AM

Roland, eu não sou ex-nada. Reservo-me o direito de gostar do que quiser e não comento as suas teorias de conspiração.

Publicado por: Filipe Moura em março 7, 2005 01:56 AM

Filipe, desde que Senna morreu, deixei de ver F1. Eu que sempre acompanhei todas as corridas, fui fã do Lauda, do Piquet e adepto incondicional de Senna.

Um aparte. Nos tempos de Senna, quando este desistia, eu deixava de ver. Deixava de ter interesse. Aquele piloto, marcou-me de tal forma que, todos os que por lá agora passam são pequenos demais para os ver a pilotar. Eu sei que isto é exagero. Mas e depois?

Publicado por: André em março 7, 2005 11:27 AM

A minha alma está parva!Os comunas também gostam de ver as corridas de carros dos fachos!

Publicado por: Tio Sam em março 7, 2005 02:21 PM

Já a minha alma não está: os idiotas de direita (apenas os idiotas, atenção) continuam a chamar comunas a toda a gente que critique a mesma direita.

Publicado por: João André em março 7, 2005 03:34 PM

André: não é exagero, é assim...

Publicado por: Filipe Moura em março 7, 2005 06:00 PM

João André,

Se a achas que as pessoas inteligentes da direita sabem muito bem que não se deve chamar “comunas” a todos os que na esquerda os criticam, em que faixa de inteligência incluis, por exemplo, um Fernando Pessoa que, como sabes, nutriu simpatias fortes por Mussolini enquanto escrevia poemas a criticar Sal e Azar? Não me digas que o homem andava confuso com a rima. E não foi, como tu sabes, essa simpatia de Pessoa pelo fascismo italiano que levou a esquerda portuguesa a não considerar o poeta com um irmão da sua grande família. Mais confusão? Num mundo de espiões, agentes secretos, elementos provocadores, e quinta-colunistas, a simplicidade na rotulação produz quase sempre melhores resultados na lotaria politica que o estudo chato e demorado de separar partidinhos com diferenças de cinco por cento nas filosofias. O Tio Sam, nome horrível, por mim está perdoado, ou compreendido. Nesta terra anda tudo ao mesmo, só que uns preferem cores mais garridas. Em política, como na matéria, só há três estados: o sólido, o líquido e o gasoso. Os dois primeiros vêem-se bem. O outro, não tanto assim.

Publicado por: Sombra em março 7, 2005 10:10 PM

segredinhos,isso não se faz!! Apesar de concordar plenamente com o comentário de sombra.

Publicado por: triciclo em março 7, 2005 10:20 PM

Sombra, parece-me que o teu conhecimento de política anda pelo mesmo caminho que o teu conhecimento da matéria: pelo ensino secundário. Existem mais alguns estados da matéria, mas para os conhecer é preciso estudá-los. Quanto a conhecer a política a situação é semelhante, convém estudá-la um pouco para a conhecer.

Não percebi muito bem a ideia de trazer o Pessoa para a história, mas também não se percebe o que queres dizer em quase nenhum ponto da tua argumentação.

Para que saibas: comparar o país (político ou não) de Pessoa com o país actual é como comparar a ciência do século XIX com a do século XX. Como tal nem vale a pena perder o meu tempo com isso.

Deixo apenas uma explicaçãozinha: toda a gente com um pingo de inteligência, seja de esquerda ou de direita, percebe que uma tomada de posição de esquerda, seja lá por quem for, não rotula essa mesma pessoa de comunista. Não perceber isto é como não perceber a matemática do 5º ano. Como tal, e vendo que, ainda que fraquinho, o teu conhecimento de ciência é melhor que o de política, aconselho-te um manual de física do 12º ano. Sempre podes avançar mais depressa. Quanto à política começa por ler aquelas composições de escola sobre o 25 de Abril, podem ser pesadas para ti mas tens de começar por algum lado.

Publicado por: João André em março 8, 2005 11:33 AM

Se existe deporto elitista e acessivel apenas a meninos de papás ricos, esse é sem duvida o desporto automóvel!Não deixa portanto de ser no minimo engraçado, ver pessoal que se diz de esquerda, embarcar nesse mundo do grande capital.

Publicado por: Tio Sam em março 8, 2005 12:28 PM

Tio Sam, a esquerda aceita que haja quem enriqueça, apenas coloca as suas prioridades de forma diferente. A direita quer que haja esse enriquecimento para que a economia melhore e só posteriormente todos possam beneficiar dela. A esquerda quer começar por proteger quem tem menos condições ou oportunidades e só depois melhorar a economia. Isto são os desejos limites, as aspirações de cada lado. Não são assim tão diferentes. Lá porque há extremistas de um lado ou de outro que recusam certos preceitos, isso não significa que todos assim o sejam.

Eu não digo que és um capitalista que se está pouco lixando para que haja gente a morrer à fome para que enriquças, pois não? (assumamos que até eras abastado para este exercício mental, claro)

Publicado por: João André em março 8, 2005 07:43 PM


João André,

Vê lá tu que andava eu por aqui a passear avenida abaixo quando reparo na tua reacção (química?) ao meu comentário do outro dia. Já me tinha esquecido completamente que existias como elemento e ainda mais das palavras que usei para defender o Tio Sam da tua navalhada de figaro inofensivo. E não páras. Continuas a tentar baralhar o homem com o romance da esquerda direita e das nuances de banho de burra ao alcance das nossas bolsas e mentalidades. Para ser franco, o teu nome já se me tinha apagado da memória, se bem que é, estranha coincidência, exactamente o mesmo que o do filho duma criada que o meu avô tinha na nossa casa da Herdade dos Trincos.. Quando te belisquei no outro dia, não quiz provocar zaragata, acredita, mas constato com amargura que deixaste explodir o ego nervoso que vive dentro dessa carcaça de homem politicamente indefinível que carregas. Triste de fazer chorar, mas acontece e vai haver mais no futuro, a julgar pela maneira como alinhas os ombros com o nariz. Gostei de me teres lembrado que preciso começar a aprender coisas básicas sobre “A” matéria, essa incompreendida donzela produto das nossas imaginações. De facto, se eu me atrevesse aqui a defini-la à minha moda, que provavelmente não é a tua nem a daqueles que te ensinaram, ainda ficarias com essas bochechas doutorais mais vermelhas de indignação causada por tanta “ignorância”. Mas aceito a tua sugestão irada de que preciso “estudar”. Mas é isso que faço, irmão, é isso que faço! todos os dias e a todas as horas, nas noites em branco, e nos segundos que perco a ler baboseiras de primatas não-idiotas como tu envolvidos nas brumas da política. Lamento não ter precisado os outros dezoitos estados da matéria, mas a culpa é desta teimosia com o número três que reparo não surte efeito contigo. Poderia ter pedido ajuda a mosqueteiros, trindades, troikas e triunviratos ou aos quatro cavaleiros do apoca, ou às cinco virgens da beira do lago, mas seria trabalho perdido porque gente como tu não gosta de pôr a cuca ao serviço do “meia palavra basta”. E noto que levaste bastante tempo a comentar uma argumentação incompreensivel. Aceita as minhas sinceras desculpas. Não és o primeiro que refila contra essa pecha que tenho, nem és o segundo gafanhoto sensível que salta com dor aflita quando um nervo rectal é tocado ao de leve com a ponta duma pinça incandescente. Não mano, não percebo nada de política, confesso a extrema ignorância detectada pela tua claridade mental, e muito menos do período pós-aprilino, porque quando os primeiros tiros de borracha foram disparados contra os cus anafados dos adeptos da antiga senhora ainda eu andava a bater punhetas a grilos capitalistas disfarçados de lacraus da esquerda. Quanto ao Fernando (amigo dos Versos e da Maçonaria, do Alex Crowley, da Esquerda e do Mussolini e dum bom Cigarro, como eu, aliás) o homem, acredita, teve e tem tanto, ou mais, a ver com o país real das eleições de há três semanas como têm comentadores de meia-panela como tu. Ou como eu, que isto aqui não é só falar em democracia e não lhe dar uso. E põe-te a pau comigo. Sombra hoje, Sol amanhã...


Publicado por: Sombra em março 9, 2005 10:06 AM

Um texto tão longo para me insultar e eu é que deixei, como é?... «explodir o ego nervoso que vive dentro dessa carcaça de homem politicamente indefinível» que carrego... Está bem.

Bom, podes deixar cair essa figurinha de pseudo-ignorante. Isso não fica bem numa discussão dessas. Apenas diz que não percebe nada de um assunto quem quer dar a entender que percebe mais que os outros.

Portanto, fica lá tu com as tuas certezas que eu fico com os meus conceitos. E se eu sou políticamente indefinível por ti... bom, problema teu. Felizmente que não precisas de me definir para ninguém.

PS - quanto ao meu nome que tanto pareces esquecer, pelo menos é o meu nome verdadeiro. Sombra e um endereço de e-mail como o que usas apenas denuncia cobardia, própria de um bicharoco que gosta de escuridão.

Publicado por: João André em março 9, 2005 12:40 PM

Caro João André
aceito o teu ponto de vista, no entanto continuo a achar que ideais de esquerda e Fórmula 1 não combinam.

Publicado por: Tio Sam em março 9, 2005 05:45 PM


João André,

Primeiro era ignorante chapado, agora sou cobarde porque me escondo atrás dum peseudónimo. Contas feitas, que importância é que isso tem, não saberes quem sou? Um nome é um nome. Alem disso já tens tantas certezas sobre o meu arcabouço académico que o facto de me chamar Rosa, Policarpo ou Berta na vida real não virá alterar nada, não achas? O que interessa é a personalidade, mesmo num país onde o cágado não enfeita muito os jardins. Mas, no campo da cobardia, até talvez esteja à altura de querer meças contigo, porque já arrisquei a minha vida para salvar outras. E com medalha para te provar. Claro que desistirei deste último repto se me confessares que és bombeiro voluntário há vários anos. Assim, proponho esquecer a “cobardia” se estiveres preparado para fazeres o mesmo em relação ao “insulto” a que aludes, porque há uma voz secreta que me diz que somos capazes de concordar nalguns pontos. O que é natural porque somos todos entusiastas ferrenhos da Internacional Bloguista de Satisfação do Ego. Um conselho. Não desças frequentemente ao incómodo de passares a escrita dos teus oponentes no campo das ideias a pente fino gramatical para os demolires. Uma grande parte dos herois da História eram analfabetos e as coisas começaram a ficar na merda devido, precisamente, a uma superabundância de intelectuais. Além disso, por vezes, como já deves ter notado, quando estamos a escrever estas coisas sentimos vontade de dar um paido que não vem à velocidade desejada, e lá se lança, por distracção ou despressurização, uma corruptela qualquer. Passa bem e manda sempre.

Publicado por: Sombra em março 9, 2005 09:09 PM

Tio Sam: de acordo, é sempre agradável concordar que discordamos :)

Sombra: começo por dizer que há vários tipos de cobardia (como sabes de certeza absoluta). Uma não tens: a cobardia física. Não sei se a tenho ou não. Já saquei uma amiga do mar quando estava em dificuldades, mas eu pessoalmente não corri grande risco. Conta?

Outra coisa é a cobardia que se pode ou não demonstrar ao se dar a identidade ou não. Repara, contra o nick nada tenho, mas muitas pessoas há que usam nick mas que se identificam dando um endereço de e-mail válido. Não fazes nenhuma dessas coisas. Como tal, apesar de acreditar no que disseste quanto a teres salvo uma vida, tanto o poderias ter feito como não. Eu poderia dizer que tinha 58 anos, que tinha sido membro dos páraquedistas e que tinha salvo uma vez três companheiros e que desde que tinha saído das forças armadas que trabalhava nos Bombeiros Voluntários. Tudo seria mentira mas não haveria como comprovar, isso seria cobardia da minha parte. Seja como for acredito no que dizes, só acho que não tinhas necessidade de o fazer.

Quanto à internacional bloguística, eu pessoalmente começo por gostar da satisfação do ego (aparentemente até sou definível, então), não necessito particularmente da internacional bloguística (até porque uma organização para satisfação do Ego soa algo paradoxal...). Concordo com o que dizes, muitas figuras da história (pareces ter uma fixação por figuras históricas, eu gosto mais de momentos, mas isso são gostos pessoais) não eram particularmente brilhantes. Mas concordarás concerteza que a maioria das figuras históricas eram, de alguma forma, pessoas com um mínimo de erudição para a época. Pelo menos as que influenciaram o destino da História.

Mas, nas imortais palavras desse ícone da cultura e da história portuguesa, Teresa Guilherme, isso agora não interessa para nada e voltemos ao que iniciou a questão. Foi o meu comentário sobre a esquerda, a direita e onde cada um se posiciona no espectro. O Tio Sam compreendeu o que eu lhe disse e, discordando, desconcordou (não é gralha, é mesmo com "e"). Entendeste a minha reflexão? Independentemente de concordares ou não....

Publicado por: João André em março 9, 2005 10:05 PM