« SANTANA ABANDONA LIDERANÇA DO PSD | Entrada | NO REGISTO (2) »

fevereiro 22, 2005

NO REGISTO

«Nome completo?» — perguntou a funcionária.
Rapidíssimo, diligente, com os bilhetes de identidade na mão, eu respondi logo, voz segura, sem me esquecer da ordem dos apelidos. E de repente a súbita estranheza. Ali, pela primeira vez em letra de forma, num papel oficial com selo branco, o nome da filha.
A súbita estranheza: olhar para a minha bebé e sabê-la já lançada no mundo, ocupando espaço nos arquivos do Estado.
A súbita estranheza: ela ainda de fraldas — tão frágil — e já habitante da República, esboço cada vez menos esboço de cidadã.

Publicado por José Mário Silva às fevereiro 22, 2005 08:58 PM

Comentários

sabe muito bem acompanhar aqui a história da Alice (ao mesmo tempo é um pouco estranha esta quase invasão de privacidade). de resto são talvez estes posts (não só os da alice , claro), posts que deixam uma marca pessoal de quem os escreve, que fazem com que o BdE não seja apenas mais um blogue que fala de política.
desejo que a alice possa ter a melhor vida.

Publicado por: carla de elsinore em fevereiro 23, 2005 10:27 PM

chato, chato, vai ser quando ela tiver de sacar o número de contribuinte...

Publicado por: Animal em fevereiro 24, 2005 01:42 AM

Zé Mário,
Quando registei o meu rapaz, encontrei lá um casal que quase se pegou à chapada porque não se entendiam quanto ao nome da filha. Teve de ser a funcionária a acalmá-los e a mandá-los tomar um café para discutirem as coisas tranquilamente.
:-)
Para mim, mais estranho que registar o meu miúdo, foi obter um número de contribuinte para ele. Isso é que foi esquisito...

Publicado por: Marco Oliveira em fevereiro 24, 2005 09:23 AM

vá, zé mário, agora ela já é cidadã da república. (dos nossos corações já era há muito tempo.) Como excelente pai que és agora tens cerca de 18 anos para a ensinar como é que a república funciona e qual é a melhor maneira de participar nela! :)

Publicado por: lia em fevereiro 24, 2005 09:52 AM

Vá, Zé Mário, pode começar agora a morrer. Ter filhos é o modo mais subtil de aprender a morrer e de começar a preparar a sua própria morte.

Publicado por: Baruch em fevereiro 24, 2005 11:29 AM

Baruch, fazes-me lembrar um tipo meu conhecido que também preparou a sua morte (com imensa dignidade) há uns quantos séculos. O seu apelido era Espinoza.
;)

Publicado por: José Mário Silva em fevereiro 24, 2005 12:21 PM

Bolas, Baruch, como as pessoas podem ser diferentes...?! Imagina que sinto rigorosamente o contrário. Um filho é a porta para a eternidade! Os meus pais estão vivos em mim, e eu vou estar viva no meu filho.
Mas essa cena dos nome, tem a sua piada.
Conheço vários casos assim... Mas custa a acreditar :)

Publicado por: Emiéle em fevereiro 24, 2005 12:43 PM

Elementar meu caro Emiéle. É precisamente porque os filhos são uma porta para a eternidade, que os pais podem começar a preparar a própria morte. Não se trata, repara, de morbidez doentia. É apenas o modo como o tempo e a eternidade, o absoluto e o relativo, a necessidade e a contingência, entrelaçam as mãos.
E é bonito porque é assim mesmo.

Publicado por: Baruch em fevereiro 24, 2005 10:55 PM

Percebo bem o Baruch. Não tenho filhos e felizmente os meus pais estão bem vivos, mas quando um dos pais morre, começa-se a morrer um pouco. Quando nos nasce um filho, ficamos mais preparados para morrer. Creio que é isto que ele diz e eu penso assim também.

Publicado por: Filipe Moura em fevereiro 25, 2005 12:23 AM