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fevereiro 22, 2005

VIVA ESPAÑA! E VIVA A EUROPA!

Absorvidos que estivemos com as eleições portuguesas, nem comentámos umas outras eleições, importantíssimas para a Europa: o referendo à Constituição Europeia em Espanha. Menos de metade dos espanhóis votaram, mas estes votaram esmagadoramente pelo sim. Grosso modo, os espanhóis ou se abstiveram ou votaram "sim"; o número de eleitores que se pronunciaram pelo "não" representa uma clara minoria, talvez mesmo residual. É mais um dos (vários) bons exemplos que a Espanha de Zapatero dá à Europa.
Aqui em Portugal, certamente chegará a altura em que teremos que debater esta questão.

Publicado por Filipe Moura às fevereiro 22, 2005 08:26 AM

Comentários

O resultado do referendo em Espanha não legitima qualquer posição, nem a abstenção que aí se verificou serve de "bom" exemplo para qualquer democracia. A perda de consciência cívica por parte dos cidadãos não pode ser aproveitada para legitimar decisões de fundo sobre o futuro de um país, sob pena de colocarmos em causa o próprio conceito de democracia. Em primeiro lugar, haveria que inverter aquela tendência. Aqui, deveria valer o princípio da participação mínima para a validade (eficácia) dos resultados. Estou em crer que o apelo à participação seria bem mais incisivo e o esclarecimento sobre as implicações do assunto em apreciação bem mais profundo. No fim do dia, ganharia, a democracia; ganharia o povo.

Publicado por: The Bird @ frangosparafora.blogspot.com em fevereiro 22, 2005 09:49 AM

Espero sinceramente que a constituição não passe em Portugal!É totalmente errado os outros mandarem em nós!!!!Eu cá irei votar não na constituição Europeia.Por um Portugal Português!!!


www.blocoesquerdaprocaralho.blogspot.com

Publicado por: Pantera em fevereiro 22, 2005 10:16 AM

A nossa campanha decorreu tão vazia de ideias e de propósitos que a questão nem sequer foi aflorada. O nosso sistema privilegia a representatividade, desde que seja ele a estabeler-lhe os contornos, e abomina a participação do eleitor seja no que for. Chamam-lhe depois a democracia exemplar!

Publicado por: LFV em fevereiro 22, 2005 10:38 AM

Eu vou votar não á Constituição Europeia.
Sou a favor da Europa dos países não ao país chamado Europa.

Publicado por: Vitor Manuel em fevereiro 22, 2005 12:57 PM

É uma chatice. Mas «VIVA LA ESPAÑA» não é lingua nenhuma conhecida.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 22, 2005 03:12 PM

Era portuñol, Fernando, como queria o Gilberto Gil. Mas muchas gracias.
Já agora: posso perguntar-lhe o que pensa do assunto do post? Como se diz lá na Baía, ajoelhou, tem de rezar!

Publicado por: Filipe Moura em fevereiro 22, 2005 05:25 PM

Que bom exemplo é esse em que há 60% de abstenção e são usados recursos estatais para fazer propaganda por uma facção?
Zapatero é um desatre! Ninguém em "EN LA ESPAÑA" parece estar contente com ele, mas por cá ainda há gente cega ou mal informada! Tudo o que esse senhor faz é ceder a lobbies minoritários e destruir a boa economia deixada por Aznar.

Publicado por: Miguel Nascimento em fevereiro 22, 2005 05:47 PM

Pois rezemos, Filipe.

Eu passei o dia de domingo, como passo muitos outros: trabalhando, com a TVE internacional ao fundo. Aqui onde estou, é o mais próximo de Portugal que consigo «ver». Por isso, o referendo em Espanha foi-me um acontecimento natural. Posso informar que, em três intervenções da noite eleitoral - a da vice-presidente, a do ministro-adjunto e a do presidente -, todos três se referiram à vitória do PS português, e se congratularam.

Como estava com os fones na TSF, pude constatar que nem um só dos líderes portugueses se referiu à vitória do Sim além-fronteiras. Agora que você me faz pensar nisto, vejo qual a qualidade da nossa vida política.

Miguel Nascimento:

60% de abstenção é lamentável, mas não é excepcional neste tipo de votação. E para sua informação: pude ver como Zapatero e o seu governo não descansaram no tentar convencer dos espanhóis para que votassem. A ele não se ficou a dever.

O retrato que dá dele não me parece exacto. Posso mesmo dizer-lhe que em Espanha sopra claramente um outro vento. De resto, pior do que o falso e mau perdedor Aznar é muito difícil.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 22, 2005 07:28 PM

Deixem-se lá de espanholismos, que não têm jeito nenhum para isso!
Creio que importa reflectir aqui sobre a participação do eleitorado espanhol, que foi apenas de 42%. Deste referendo só se salva a boa intenção do governo de Zapatero, enquanto promotor da democracia. Quanto a resultados, o "SIM" à Constituição Europeia será o passo necessário a uma Europa espartilhada, neo-liberal, federal e militarizada a pretexto de ameaças fantasma. E não é disto que precisamos, meus senhores!

Publicado por: AbLaZe em fevereiro 22, 2005 07:42 PM

Bom exemplo, Filipe?
Já passou os olhos pelo que nos é proposto? Para começar, chamar Constituição àquilo, é um enormíssimo favor... Manifesto neo-liberal ainda aceito, mas Constituição?! E depois, é só passar os olhos pelo que lá vem escrito.

Uma Constituição não deve ser dirigida, deve ser geral, uma espécie de declaração de princípios, que permite aos diversos governos governar como prometeram ao povo em campanha: uns mais à esquerda, outros mais à direita. São assim as Contituições portuguesa, francesa e dos EUA.
Este tratado é mais do que dirigido e não deixa NENHUMA margem de manobra para mudanças de rumo futuras.

Se este tratado passar, nunca mais poderemos ter uma Europa Social, das pessoas, das culturas e dos povos.
A Europa do tratado é a do Euro, a das multinacionais, a do petróleo. A Europa do Bush e da NATO.

Uma das coisas que é claramente especificada é que os países se comprometem a investir tendencialmente mais em armamento e no exército. Sempre cada vez mais. Pergunto eu, para quê? Vamos desatar à "espadeirada" a torto e a direito como o Bush?
Estamos a pensar em Guantanamo II onde? Em Malta, na Sicília ou em Chipre?

O que os Espanhóis deram desta vez foi tudo menos um bom exemplo!
Eu também gostei muito do Zapatero ao início. Tomou medidas, essas sim, exemplares no âmbito do casamento de homossexuais e da violência doméstica, por exemplo. Cheguei a esperar que ele tivesse juízo na questão da Europa...

Publicado por: Helena Romao em fevereiro 22, 2005 07:54 PM

AbLaZe,

«Deixem-se lá de espanholismos, que não têm jeito nenhum para isso!»

Pode ser, como dizem os troca-tintas de inglês, «mais específico» - isto é, mais explícito?

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 22, 2005 08:42 PM

«Eu também gostei muito do Zapatero ao início. Tomou medidas, essas sim, exemplares no âmbito do casamento de homossexuais e da violência doméstica, por exemplo. Cheguei a esperar que ele tivesse juízo na questão da Europa...»

Esta frase esclarece o meu comentário sobre as políticas fúteis do Zapatero.
Fernando, se viu nele falsidade e mau perder, é porque não percebe que que chegou ao poder pela mão de terroristas e por uma campanha suja, que na véspera organizou uma manifestação espontânea(apesar dos cartazes, autocolantes e organização que indiciava preparação prévia) em dia de reflexão. É porque não sabe que há fortes indícios, e quem vive em Espanha sabe, da colaboração da ETA no 11M.
Eu vejo na Espanha de Aznar o crescimento económico em período de recessão e um nível de vida superior que este Zapatero está a destruir.

Publicado por: Miguel Nascimento em fevereiro 23, 2005 09:45 AM

Miguel:

Você, claramente, apoia o PP espanhol. Sabe qual é a maior desgraça política espanhola? É não haver ali um partido de extrema-esquerda. Isso mantém NO MESMO partido, o PP, muita gente reformista e alguma neo-nazi. Isso torna o PP espanhol vulnerável à chantagem dos ultras, que figadalmente odeiam Zapatero e contam a respeito da sua política o pior. Do género do que você diz.

Pobre Mariano Raxói, deixe-me escrever-lhe o nome à galega, ter (ele que é amigo pessoal de Zapatero) que fazer todas a noites no telejornal de lobo mau, para que o senhor Aznar não se zangue e para tentar equilibrar o demasiado largo PP. E você sabe - porque a comissão parlamentar recentemente o demonstrou - quanto Aznar e a sua comandita tentaram enganar os espanhóis sobre o 11M. Não culpe agora os demonstrantes do dia de reflexão, por amor de Deus.

Você aprendeu-a bem, caramba!

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 23, 2005 11:28 AM

Onde escrevi «É não haver ali um partido de extrema-esquerda» deveria dizer «de extrema-DIREITA».

(E não me chateiem com lapsos freudianos. Ainda acreditam no charlatão de Viena?)

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 23, 2005 11:32 AM

Gostaria de saber se estava em Madrid, na Calle Genova, no dia 13 de Março de 2004 à noite, véspera das eleições? Não? Então não viu o que eu vi! Sim? Então não percebeu.

Lembro ainda que uma semana antes do 11M, a Guardia Civil, por mera coincidência, intrelepou uma viatura basca, conduzida por um motorista basco, carregada de explosivos para arrasar(!!!) a estação de Chamartín. A ETA não é uma organização terrorista, é uma organização mafiosa que se está nas tintas para os meios que põe em prática para ganhar dinheiro. Juntar 3 ou 4 árabes nos arredores de Madrid e chamar-lhes Célula da Al-Qaeda é fácil, barato e dá milhões. Se fossem terroristas experientes não detonavam bombas com telemóveis comprados com cartão de crédito...
Mas enfim, tudo isto corre nos bastidores da justiça espanhola e é falado pela opinião pública em Madrid. Basta ler...

Publicado por: Miguel Nascimento em fevereiro 23, 2005 02:26 PM

Gostaria de saber se estava em Madrid, na Calle Genova, no dia 13 de Março de 2004 à noite, véspera das eleições? Não? Então não viu o que eu vi! Sim? Então não percebeu.

Lembro ainda que uma semana antes do 11M, a Guardia Civil, por mera coincidência, intrelepou uma viatura basca, conduzida por um motorista basco, carregada de explosivos para arrasar(!!!) a estação de Chamartín. A ETA não é uma organização terrorista, é uma organização mafiosa que se está nas tintas para os meios que põe em prática para ganhar dinheiro. Juntar 3 ou 4 árabes nos arredores de Madrid e chamar-lhes Célula da Al-Qaeda é fácil, barato e dá milhões. Se fossem terroristas experientes não detonavam bombas com telemóveis comprados com cartão de crédito...
Mas enfim, tudo isto corre nos bastidores da justiça espanhola e é falado pela opinião pública em Madrid. Não há um Madrileno que acredite na impunidade da ETA no 11M. Basta ler...

Publicado por: Miguel Nascimento em fevereiro 23, 2005 02:27 PM

Miguel:

Não, realmente eu não estava em Madrid nessa noite de 14 de Março de 2004. Estava em Amsterdão, sem acesso à Cadena SER, a única com coragem para transmitir em directo o que você estava a ver. Pelo que depois vi na TVE internacional havia isto: centenas de espanhóis indignadíssimos mas ordeiros. Ou pensa que, se tivesse havido desordem, o Poder não transmitia?

Mas já agora: o que é que você viu de tão esclarecedor?


Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 23, 2005 02:35 PM

E mais isto: se a sua versão dos acontecimentos de 11M é tào corrente nos «mentideros» de Madrid, como é que Aznar y sus muchachos não saltam de lá com ela? Estão também eles na conspiração? No me diga.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 23, 2005 02:38 PM

O que vi de esclarecedor foi uma manifestação (ordeira, evidentemente) absoluta e evidentemente preparada para aquela data, hora e local. Foi tudo menos espontânea, ou convocada por telemóvel, ou lá o que disseram.

Aznar, construtor da melhor espanha democrática de que há memória, foi deposto pelo terrorismo e pelo aproveitamento político macabro que o PSOE fez dos madrilenos para ganhar as eleições, o que só conseguiu na noite da famosa "manifestação espontânea"...

Acredito que a justiça espanhola vai chegar aconclusões sérias sobre o assunto e que o povo espanhol se vai sentir defraudado.

Publicado por: Miguel Nascimento em fevereiro 23, 2005 02:58 PM

Aguardemos, pois. O relatório parlamentar não demora.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 23, 2005 03:32 PM

fernando venâncio,

Com o "espanholismos" remetia para o título original deste post (que acabou por ser re-editado). "Viva La España" não é frase que se diga, nem que se escreva! É que a mim, enquanto descendente de espanhóis, dá-me urticária ler isto!

Publicado por: AbLaZe em fevereiro 23, 2005 05:54 PM

Miguel Nascimento: também ainda há gente que acredita que o 11 de Setembro foi uma conspiração do Bush...
AbLaZe, deixaste-me com vontade de mudar o título outra vez. Viva la España!

Publicado por: Filipe Moura em fevereiro 23, 2005 06:13 PM

Filipe Moura, isso é para ser do contra? Ok, ok. Estamos em tempos de "virança", não é verdade? Venham lá os neologismos, desde que sejam inteligentes.
ó Miguel Nascimento, tu és um gajo perigoso, pá!

Publicado por: AbLaZe em fevereiro 23, 2005 07:48 PM

Desculpe-me a franqueza, mas por acaso não se terá enganado no blog a que pertence?!

Publicado por: mephisto em fevereiro 24, 2005 07:35 PM