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fevereiro 21, 2005

NOTAS AVULSAS

A descida da abstenção só pode ter uma leitura. O país estava ansioso por votar. Claramente, para a maioria da população é falso dizer que Santana=Sócrates e que eleições antecipadas são uma coisa má.

Por outro lado, a célebre carta de Santana pode ter funcionado. Mas ao contrário...

O portismo morreu. O homem poderá voltar, o mito não.

O santanismo está agonizante. Mas ainda vai espernear muito na incubadora.

Independentemente da qualidade do futuro governo, de certeza que se acabaram as borlas para o Contra-Informação e o Inimigo Público.

Sócrates tem todo o direito a sentir-se desforrado de uma campanha que o atacou de forma rasteira. Mas o discurso de vitória foi francamente mau. Salvou-o Santana que, como usual, foi ainda pior.

Sagrou-se o estalinismo-chic. Esperemos que passe depressa. É curioso que sejam as pessoas que têm na boca o número de vítimas do estalinismo que mais tenham acarinhado o regresso do PCP à linha dura.

O BE teve um bom resultado. Duplamente. Quase triplicou o número de deputados e poderá continuar a contestar sem assumir responsabilidades.

A bipolarização do país é uma falácia. O BE não roubou votos ao PS, o PCP não cresceu à custa do BE e todos foram buscar votos ao PSD e ao PP. Em Portugal impera o centrão e a indefinição ideológica.

Este estarola chegou ao parlamento. Enfim... Por enquanto ainda não chegou ao governo.

É a ideia generalizada: o PS não tem desculpas. Pois não. Com maioria absoluta e 60% de votos nos partidos de esquerda, o PS não tem qualquer tipo de desculpa e tudo o que acontecer nos próximos quatro anos será da sua exclusiva responsabilidade. Responsabilidade essa assente totalmente nos ombros do Sócrates, que tem de garantir o melhor governo possível e o refrear dos boys para não defraudar as enormes expectativas que nele se depositam. Sim, enormes expectativas, ao contrário do que dizem os comentadores encartados, pois caso contrário não se compreenderia a enorme afluência às urnas.
Esperemos que Sócrates se lembre da máxima de Napoleão: "Não há nada mais grave que uma grande derrota, senão, talvez, uma grande vitória". Por outras palavras, se a vitória do PS não se traduzir numa vitória para país, o partido socialista vai pagar bem caro a euforia de ontem.

Publicado por Jorge Palinhos às fevereiro 21, 2005 02:39 PM

Comentários

É o próprio texto que o diz,"..o discurso de Sócrates não foi bom, mas Santana salvou_o", qq coisa assim,se tem consciencia deste facto, pq não o adopta na interpretaçao do resultado eleitorais? A frase de Napoleão adapta_se perfeitamente ao PSD..o PS nunca soube assumir qq projecto compreensivel ou claro..esperemos que a irmã Lucia começe a fazer milagres :D

Publicado por: eu em fevereiro 21, 2005 06:33 PM

Linkei aquilo do estalinismo-chic, li a peça toda (as declarações do J. S.) e não vi migalha de estalinismo! O anticomunismo blogueiro (aqui e no Barnabé) está a ficar acéfalo, instintivo, sei lá...

Publicado por: jm em fevereiro 21, 2005 09:21 PM

Concordo plenamente que desta vez não há desculpas ou haverá? Existe sempre a desculpa eterna...a responsabilidade da situação é dos governos anteriores... Mas sinceramente espero que este seja o ponto de viragem, mas que ninguém se iluda: SOMOS NÒS TAMBÈM A TER DE MUDAR O ESTADO DE COISAS, e isso deixa-me relutante se é que me percebem.

Publicado por: Pedro em fevereiro 21, 2005 09:48 PM

"um alívio vermo-nos livres deste Governo...", dizia Louçã antes das eleições.
"um alívio não termos que levar com Louçã", digo eu agora que o PS tem maioria absoluta.
Este texto é faccioso. De facto, é tudo fraco menos o quinto partido!
De facto, o objectivo de "controlar as políticas" falhou!
De facto, Louçã perdeu porque nunca o fará.
De facto, Louçã só ganhou se pensarmos que conseguiu mais sete "tachos" para os amigos.

Publicado por: Nonio em fevereiro 21, 2005 10:35 PM

«...e poderá continuar a contestar sem assumir responsabilidades.»

pois. isto até eu faço.
agora apresentar projectos, indicando os meios para executá-los é que não é para todos, muito menos para o BE.
voltemos à constestação gratuita, pois então...

Publicado por: letrinhas em fevereiro 21, 2005 11:37 PM

"Estalinismo-chic"? Que estranhos conceitos saem de cabeças gastas por tanto anti-comunismo primário!... Os estalinistas deste país encontram-se no BE, misturados com trotskistas. Que salada russa... Os "chics", esses estão esparramados entre PSD, CDS, PS e BE. "Estalinismo-chic" na CDU? Só em neuróticos fóbicos como o Jorge Palinhos!

Publicado por: AbLaZe em fevereiro 22, 2005 01:55 PM

Desculpa lá, Jorge, mas tenho de concordar que este post é extremamente ofensivo para o PCP. Estalinista, ainda é como o outro; agora "chic", nunca!

Publicado por: Filipe Moura em fevereiro 22, 2005 05:27 PM

Para quem se auto-intitula de "partido moderno" – "esquerda moderna", "agregador de várias sensibilidades" – começa a estalar o verniz proporcionalmente ao aumento da votação.

A atribuição de rotulagens ao PCP, feita pelos aderentes ou simpatizantes do BE, é o tipo de atributo que é normalmente utilizado pelos adversários mais retrógrados da nossa extrema-direita.

Eu sei que os extremos se tocam mas pensei que os super-inteligentes membros e (não)líderes do BE iriam combater essa tendência pré-BE da sua era Jurássica.

Afinal enganei-me, as críticas não são demonstradas mas sim estigmatizadas, ficam-se pelo acessório, ou seja, pela imagem.

Porque não pegam nos estatutos, no programa, nas propostas e nas acções do PCP e seus eleitos e justificam esse discurso antes que a fita se desmagnetize. Agora leiam os vossos...que tal?

Publicado por: ze_ant em fevereiro 23, 2005 10:15 PM