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fevereiro 09, 2005

APOIADO (1)

O choque horário, artigo de Graça Franco que deveria servir de exemplo também a mim.

«A minha última visita ao médico estava marcada para as três por ordem de chegada. Às duas e meia perfilei-me à porta. Fui atendida perto das cinco por um senhor simpático e bonacheirão com quem ainda troquei umas palavrinhas sobre a situação política. Não me passou pela cabeça questionar o atraso, nem a ele desculpar-se pelo incómodo. Ir ao médico às três e sair às seis nem é mau...

Não são só os médicos. Há um sem-número de profissionais que já deviam estar num lado enquanto ainda é suposto permanecer no outro. Uma impossibilidade matemática só ultrapassada com o beneplácito de todos. Isto, para não falar do grupo que entra às nove para sair às nove e meia para tomar café. Regressa às onze para sair ao meio-dia. Almoça até às três e meia e está de saída às cinco. (...)

Se cumpríssemos horários, a começar nos transportes públicos, e nos serviços do mesmo nome, mas estendendo isso a toda a sociedade, os dias efectivamente trabalhados subiriam em flecha. A produtividade disparava (ajudando a competitividade e a meta das exportações do PP). O crescimento económico iria atrás (tornando mais realistas algumas das metas do PS/PSD). O emprego subiria a seguir, tornando mais próxima a recuperação dos 150 mil postos de trabalho perdidos de que fala o Eng. Sócrates. Última vantagem: não custava um cêntimo!»

Publicado por Filipe Moura às fevereiro 9, 2005 12:20 PM

Comentários

O que ela escreve tem mais haver com a ideia de serviço ao cliente do que com pontualidade. Em qualquer dos casos eu subscrevo

Publicado por: homem_neves em fevereiro 9, 2005 03:13 PM

Exactamente, homem neves. Aliás, eu "demarquei-me" da pontualidade (embora a ache importante) pois quem me conhece sabe sempre que chego com os meus quinze minutos de atraso. Tenho grande dificuldade em calcular tempos. Mas o que me choca mais é mesmo o deixarem-se coisas por fazer. É a loja que deveria estar aberta e não está. É o serviço que não funciona. E gostei que a autora se tenha servido de exemplos de profissões liberais (o médico, o comerciante) e não de assalariados. Ao contrário do que a direita nos quis fazer crer nos últimos três anos, creio que este é, em Portugal, um problema de topo.

Publicado por: Filipe Moura em fevereiro 9, 2005 04:08 PM

Ó homem neves, "tem mais haver" não tem nada a ver.

Publicado por: Valupi em fevereiro 10, 2005 12:21 AM

Foi pena na altura (em 2003) pouca gente (cerca de 2800 assinaturas) ter aderido a esta petição, apesar da sua divulgação em Jornais e em alguns canais da TV: http://www.diasdesousa.org/porthora/

Publicado por: Vitorino Ramos em fevereiro 10, 2005 01:39 AM