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fevereiro 07, 2005

AVÉ MARIA, CRUZ CREDO

Só faltava mais esta. A Igreja Católica decidiu entrar na campanha eleitoral (com a chantagem moralista do costume, mais a retórica ultra-conservadora e a ostensiva manipulação da "vontade" dos fiéis). E não, infelizmente, não é um boato.

Publicado por José Mário Silva às fevereiro 7, 2005 06:22 PM

Comentários

Mas a Igreja alguma vez não esteve metida na política portuguesa ??!!

Publicado por: Peralta em fevereiro 7, 2005 08:01 PM

Sinceramente não me parece que o PAdre Loreno tenha assumido a posição da "Igreja Católica". Ou mesmo da sua hierarquia. Igreja Católica é um termo demasiado abrangente para ser usado de forma tão displicente: se Igreja Católica for entendida como a comunidade de leigos então de certeza que não entrou na campanha com a "chantagem moralista do costume". Continuamos a confundir a parte com o todo. O Padre Loreno é que deve ser responsabilizado por uma atitude incorrecta e verdadeiramente anti-democrática porque não foi sensível à postura moral de uma parte dos católicos. Ele pode pregar o que quiser sobre o que quiser (democracia oblige, né?) mas não no reduto sagrado do altar, onde, apelando ao voto num determinado partido quebrou os laços de tolerância com uma assembleia religiosamente homogénea mas politicamente díspar. é que, lado a lado, podem rezar um bloquista e um PP'ista.

Publicado por: Francisco Curate em fevereiro 7, 2005 08:02 PM

ZM,

A Igreja Católica não é de confiar, não. Mas tenho de contrariar alguma precipitação tua. Não foi, desta vez, =A= Igreja Católica que falou. Foi um pobre coitado, um fruto lamentável do que muita Igreja Católica andou ensinando. Para já, portanto, o mal está limitado.

Terá isto sido um balão de ensaio? Quero crê-lo, sim. Vai ser bom ver, agora, como se vão definindo as posições. Promete algum espectáculo.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 7, 2005 08:23 PM

A haver precipitação, Fernando, partilho-a com a jornalista do DN:
«Embora reconheça que "a ninguém é permitido invocar exclusivamente a favor da própria opinião a autoridade da Igreja", o Patriarcado de Lisboa não poderá argumentar que o pároco de São João de Brito agiu isoladamente. O padre Loreno mais não fez do que repetir a linha doutrinal da Igreja.»

Publicado por: José Mário Silva em fevereiro 7, 2005 08:54 PM

Com o apoio da igreja ou sem o apoio da igreja o PSD já ganhou: a SIC fez um inquérito via-telefone através dos Jornais da Noite para saber, segundo os telespectadores, quem tinha vencido o debate Sócrates-Santana na 2/SIC. As pessoas ligaram e votaram no respectivo favorito. Foram milhares de chamadas para que, no final do Jornal da Noite, o pivot anunciasse «segundo os nossos telespectadores o vencedor do debate foi Sócrates/Santana...». A SIC recebeu milhares de chamadas a votarem nos dois candidatos a PM. A Malta soube que foram feitas 4.600 chamadas de um único número de telefone. Adivinhem de onde era esse número... da sede do PSD!

Publicado por: Malta em fevereiro 7, 2005 09:00 PM

Há uma campanha organizada de forças conservadoras em vollta de questões morais. Querem pistas: as palavras de Santana noi debate; as palavras do Artigo de César das Neves no DN (está claro, de Domingo) em que repetiu os mesmos temas que Santana entenda que deviam serem debatidos; o abaixo-assinado de distintos católicos, com o Reitor da Universidade à frente e o pároco de São João de Brito. Não há coincidências.

Publicado por: Januário em fevereiro 7, 2005 10:57 PM

Caro Zé Mário,
o padre de S. João de Brito não é a Igreja católica. E o Patriarcado também não. E há muitos católicos envolvidos noutros partidos... De esquerda, também. Como noutras eleições, há quem puxe sempre para um lado. Mas a Igreja católica não é uma realidade única, politicamente. Um exemplo de 2002: http://www.portugaldiario.iol.pt/noticias/noticia.php?id=29946

Publicado por: Marujo em fevereiro 7, 2005 11:09 PM

Alerta para os provocadores do PSD eles andam outra vez por aqui.

Ontem peguei na novela do Eça A Capital e não é que uma personagem me fez lembrar o Paulo Portas
o mesmo ar beato
o mesmo cheiro a insenso
o mesmo respeitinho pela sotaina

E NA VOLTA UM GRANDE PECADOR

Paulo Portas é no seculo XXI o émulo perfeito do RAPOSÂO.

Publicado por: a.pacheco em fevereiro 7, 2005 11:13 PM

Caríssimo e quase babado Zé, é óbvio que não conheces (em triplo sentido bíblico) essa entidade simples de nomear mas que se furta a ter só uma face.

Dando pano para mangas, calças, casacos e carpetes industriais, as temáticas relativas à Igreja Católica sofrem tratos de polé às mãos da Esquerda preconceituosa, a qual só consegue expressar a sua condição de debilidade intelectual, não atingindo sequer o nível crítico mínimo em que se adquire legitimidade para se saber do que se está a falar. Poderá não ser o teu caso (nada indica que seja, bem pelo contrário), mas é essa a pecha do teu texto que aqui nos entretemos a comentar.

Comecemos pelo fim, a Igreja Católica designa o conjunto de todos os fiéis. É o "lato sensu" sociológico mas também o Corpo Místico, a um tempo carnal e espiritual. Neste sentido, ninguém representa a Igreja a não ser ela própria como um todo, formando um conjunto heteróclito impossível de reduzir a uma mediania, muito menos a um porta-voz. Há de tudo e para todos os gostos.

Porém, esta organização é como qualquer outra organização humana, constitui-se numa hierarquia. A hierarquia cumpre a função de estabelecer doutrina, estruturar a logística evangelizadora, gerir os recursos materiais. É este órgão que invariavelmente se torna o alvo da denúncia de origem ideológica. E sempre por erro de compreensão.

Aparentemente, a existência de Estados laicos deveria levar a Igreja para um território desprezado politicamente. Na essência da laicidade republicana está a consignação do direito à livre profissão de fé, salvaguardado o âmbito legal da actividade. Se se for coerente com os pressupostos, a opção pela crença escapa ao escrutínio político. O que o cidadão escolhe como valores e modo de vida só a ele diz respeito enquanto não violar a lei geral. Admite-se a liberdade de não abortar, por exemplo, ficando a justificação para a esfera privada do sujeito. Se a justificação for de cariz religioso, tal é indiferente para o Estado laico, quando muito torna-se estatística.

Pois bem, o que fazem os preconceituosos de esquerda? Atacam os valores da Igreja. Inevitavelmente, esse ataque é potencialmente "assassino", pois a Igreja ao se despojar dos seus valores perde a natureza, a razão de ser. A ideia de combater uma entidade religiosa com argumentos laicos mostra bem o diálogo de surdos em que muitos perdem o seu tempo. Mas ainda mais revelador da vontade de poder em acção, os que criticam as posições da Igreja – sobre assuntos que só aos seus fiéis dizem respeito – estão contra a liberdade de expressão e vivência inerentes à assunção de uma qualquer opção religiosa.

Das duas, uma: ou a religião é permitida ou é proibida. Se é permitida, ela vai ser o que quiser, o que é, não alguma coisa que negoceie com ateus e agnostas princípios e objectivos. Será esta uma ideia demasiado complexa para um adulto?

Aparentemente, é. Dizer, como se fosse uma descoberta a pedir castigo, que a Igreja é moralista, conservadora e manipuladora tem algo de esquizóide; pois a Igreja não pode ser amoralista, progressista e laxista, nem sequer uma coisa algures pelo meio. É absurdo esperar da Igreja dinâmicas que não são religiosas visto ser a religião um constructo que se fundamenta na transgressão do fluxo temporal, remete para uma transcendência, implica a leitura da história da humanidade a partir de uma teleologia.

Dando a César o que lhe pertence, a Igreja, seja em que dimensão for, é apenas coerente ao tentar influenciar o voto. Negar-lhe esse direito (que, aliás, não assume institucionalmente) é negar-lhe a própria mensagem. Como se poderia aceitar passivamente que um partido político defendesse o aborto livre quando acreditamos ser o aborto um crime, por exemplo? Qual é o problema em ser activista por uma causa de tamanha importância para quem nela crê? E que paternalismo é esse de
não admitir consciência crítica, autonomia de pensamento, vontade livre no rebanho? É uma ideia grotesca, só possível a quem não conhece a realidade nem a quer conhecer.

O que a Igreja Católica tem de censurável não são as verdades de fé, os dogmas, a doutrina. É a falta de santidade, os lobos com pele de cordeiro.


Publicado por: Valupi em fevereiro 8, 2005 05:47 AM

http://filhoespancado.blogs.sapo.pt/

Publicado por: http://filhoespancado.blogs.sapo.pt/ em fevereiro 8, 2005 11:14 PM

Além de palerma, este Valupi tem a mania que tem graça. Alguém faz o favor de explicar ao senhor que não tem nenhuma?

Publicado por: Zé em fevereiro 9, 2005 03:10 AM

Então que é isso, Zé? A acordar a gente com belas perspectivas, e depois a cortar-se?

Além de que a vida está hoje cara para tais «favores». Desunhe-se, homem.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 9, 2005 07:30 AM

Concordo com o Fernando. Em nome da comunidade e dos ilustres editores, peço explicações. Zé, chega-te à frente.

E até te dou uma ajuda, aceito o rótulo de palerma.

Publicado por: Valupi em fevereiro 9, 2005 12:28 PM

Enquanto o Zé não se chega à frente, avanço eu.

francisco curate:
Como é óbvio, não pretendi confundir "a parte com o todo", sendo que o "todo" inclui muitos leigos que não se revêem nalgumas posições oficiais da Igreja. E é evidente que a posição do padre de S. João de Brito não é «a» posição da Igreja. Mas, sendo assim, como explicar a falta de um desmentido veemente por parte das autoridades eclesiásticas, ao nível do que vimos em Espanha quando o padre Martínez Camino (porta-voz da Conferência Episcopal Espanhola) teve a ousadia de dizer que o uso do preservativo se justificava «no contexto de uma prevenção integral e global da SIDA»?

Marujo:
Sei perfeitamente que a Igreja católica não é uma realidade única do ponto de vista político. Ainda bem. Mas convenhamos que exemplos como este acabam por dar à Igreja, no seu todo, "a bad name".

Valupi:
Vamos lá ver se nos entendemos. Eu nunca pretendi «combater uma entidade religiosa com argumentos laicos». Era o que mais faltava. Eu estou de fora. A vida e o funcionamento da Igreja não me interessam nem me incomodam, desde que não colidam com a vida e o funcionamento da nossa sociedade laica. É tão simples quanto isto.
Decorrendo da ideia anterior, o facto da Igreja ser moralista, conservadora e manipuladora é um problema dos crentes (nomeadamente daqueles que conciliam a fé com ideais de esquerda). O problema está naquilo que resumes desta forma: «a Igreja não pode ser amoralista, progressista e laxista, nem sequer uma coisa algures pelo meio». E o problema está aqui porque isto significa que a Igreja, quando sai da esfera espiritual e age na esfera política, condiciona à partida as regras do jogo. Justamente porque não há meio termo na sua moralidade e conservadorismo, inclina sempre a balança para um lado. E todos sabemos perfeitamente qual é esse lado (basta atentar no sorriso dos beatos do PP).
Uma última discordância prende-se com esta frase: «a Igreja, seja em que dimensão for, é apenas coerente ao tentar influenciar o voto». Não, não e não. A Igreja não tem nada que tentar influenciar o voto. Aliás, foi isso que me irritou na prédica do padre de São João de Brito e me fez escrever um post eventualmente áspero demais. Há um princípio para mim fundamental nas sociedades laicas como a nossa: a separação entre o Estado (sensu lato) e a Igreja. Se quiseres, é para mim um descanso ver as duas entidades bem separadinhas. Quando uma se aproxima demasiado da outra, fico logo com suores frios. E não é a tua prosa brilhante, com argumentos de bom recorte, que me sossegará. Nem o tom afirmativo (viril, chamas-lhe tu) com que vais tentando apequenar a «esquerda preconceituosa» em que não me reconheço.

Publicado por: José Mário Silva em fevereiro 9, 2005 02:18 PM

Zé Mário, nem eu te coloco nessa categoria, a da Esquerda preconceituosa. Dizer o que segue é um mero acto de constatação: tu pertences a um escol intelectual e ético, tens uma superior formação política (porque ilustrada), pautas a tua presença por critérios de ponderação, profundidade, lucidez. E és, por regra, pedagógico.

Contudo, é da natureza do preconceito atacar quando menos se espera, deixar nódoa no melhor pano (vide Louçã). Considero o teu texto preconceituoso, mas não a pessoa que o escreveu. E foi dentro desta confiança suposta, compreensão tácita assumida, que também me permiti o registo provocatório (mas sem maldade).

Custa-me ver pessoas de superior calibre intelectual a passar ao lado da compreensão das temáticas religiosas. Sei bem que não é por incapacidade, apenas por desatenção; isto é, gastam o seu tempo com outros assuntos que consideram mais relevantes. Mas há um preço: enganam-se quando botam discurso sobre a matéria. E enganam-se da pior maneira, inteligentemente.

Se acaso tivesses tempo para isso, ficaríamos aqui em regime de seminário (académico, calma!) a dilucidar a questão, uma questão absolutamente fascinante – até por ser essencialmente absurda e paradoxal. Sei bem que tens mais que fazer, pensar e sentir (e amar...), pelo que vou só tocar ao de leve na tua resposta.

A primeira nota é a de que nunca estamos de fora em relação à Igreja, pois ela está dentro. Está dentro da sociedade, é uma entidade tão política como uma ONG, um partido ou um hospital. Faz parte do todo, existe, ocupa um espaço, intervém, interpela-nos, questiona-nos, incomoda-nos. É por isso que se dá à crítica. É por isso que tomas posição em relação a ela.

O corolário é o de a Igreja ser sempre política. Vamos até estender a tese: todo o movimento espiritual é constitutivamente político, porque está em causa o poder absoluto sobre uma qualquer comunidade. Na verdade, no âmago do projecto religioso estão os mesmos alicerces e processos recapitulados pelos partidos políticos: organização, hierarquia, propaganda, militância, activismo, gestão, confronto – e: doutrinação, ritual, disciplina, punição, liturgia, consagração, carisma, adoração, messianismo. Enfim, tarde demais para ser exaustivo e não estamos no seminário.

Eventual falácia será essa de veres na separação entre o Estado e a Igreja uma obrigatória e subsequente separação entre a Igreja e a política. Ora, o Estado (enquanto organismo público, não enquanto constituição fundante) não subsume a política, antes é apenas um dos seus elementos. O espaço político é maior do que o Estado, e nem tem de ter directa relação com ele. A esta luz, não se precisaria sequer de clérigos mais inflamados na condução do rebanho, bastaria que cada crente lesse os programas e votasse de acordo com o critério da sua fé – o resultado seria a opção por um partido próximo dos seus valores. Diríamos, então, que os Evangelhos estavam a condicionar as regras do jogo?

A esfera do laico apenas pode suportar a esfera do religioso, mas não há comércio entre elas. São racionalidades antagónicas ou mutuamente exclusivas. A racionalidade laica vê na religião uma aberração, é a famosa "loucura" denunciada pela filosofia Grega. E a racionalidade religiosa encara a sociedade laica como espaço de conquista, actual perdição, desvio.

Se a esfera política ainda continuar a dizer respeito ao conjunto de todos os homens que vivem em comunidade, não consta que a Igreja já se tenha elevado aos céus.

Publicado por: Valupi em fevereiro 10, 2005 06:46 AM

Concordo inteiramente com o Valupi. Exigir a separação entre Estado e Igreja é uma coisa. Querer que a Igreja, ou algum dos seus representantes, não se pronuncie sobre política, é outra bem diferente. O José Mário diz que não lhe interessam a vida e o funcionamento da Igreja desde que não colidam com a vida e o funcionamento da nossa sociedade laica. Em que é que as palavras daquele padre colidem com o funcionamento da nossa sociedade laica? O que é que defendes? O padre falou para a comunidade dos fiéis e para mais ninguém. Devemos nós, laicos, calá-lo? É um assunto interno da Igreja. Se alguém tem que questionar a indicação de voto feita pelo padre são os católicos, não quem está de fora. São eles os destinatários da mensagem. Imaginemos que o partido X defende que a pena de morte deveria ser reintroduzida no nosso código penal. O que pensaríamos do eventual silêncio da Igreja Católica? Não seria normal a hierarquia da Igreja pronunciar-se? Haveria indignação à esquerda? Liberdade de expressão e liberdade religiosa são dois dos maiores bens que resultam de um modelo de sociedade em que Estado e Igreja estão separados. Apesar de concordatas é isso que temos e não foram as palavras do padre que a colocaram em causa.

Publicado por: Bruno Vieira em fevereiro 10, 2005 05:11 PM

Parabéns Sr. Padre Loreno!

No meio de tantas peripécias que têm acompanhado o arranque da campanha eleitoral há uma que chocou crentes e não crentes - a declaração do Rev. P. Loreno, a propósito do voto, na Antena 1, durante a homilia dominical ao afirmar: “Conhecemos os partidos e os programas. Conhecemos as práticas que têm operado em Portugal e os seus congéneres no estrangeiro. Um cristão deve aprovar por voto uma ética que não seja indigna de si próprio. A ética cristã promove a vida humana desde a concepção até á morte natural. Aborto nunca, Eutanásia nunca! A família é a célula mãe da sociedade e da Igreja. A família tem o seu alicerce na aliança matrimonial pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunidade íntima de vida e de amor. A ética cristã reprova que seja equiparada à família uma união de facto com outro homem, de uma mulher com outra mulher. A mesma ética reclama que a aliança matrimonial seja indissolúvel. Poligamia nunca, divórcio nunca”.
Face a uma tão sincera e objectiva declaração, emitida na homília pelo Rev. Padre, que erros existem? Em que pode chocar um católico estas declarações? Para um cristão minimamente informado, tais declarações não estão erradas nem são confusas. Estando de acordo com a moral a fé e a doutrina católica. Importa considerar o “Comunicado dos Bispos Portugueses sobre a Crise política” a 14 de Dezembro de 2004, em Fátima, ao afirmar: “o primeiro dever dos cristão é a participação responsável”. O mesmo documento continua a afirmar: “na campanha eleitoral que se aproxima temos todos o dever de nos esclarecermos criteriosamente, passando para além do discurso eleitoralista e apoiando as soluções objectivas que nos são propostas…”. Alertando ainda mais, dizem: “importa avaliar da sua justiça, da sua viabilidade, da sua consonância com os princípios da dignidade humana, do respeito pela vida…”.
Face ao exposto, estou surpreendido, não em relação aos comentários dos não crentes, mas perante todo o ruído, a cobardia demonstrado por alguns crentes católicos, ao serem interrogados pela comunicação social, a comentar as respectivas declarações do Rev. Padre Loreno.
A propósito, para evitar barbaridades literárias e ofensas aos católicos, como as que têm sido dadas à estampa na comunicação social escrita e falada, aconselho a fazerem uma leitura atenta do Comunicado dos Bispos de Portugal acima referido, bem como da “Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política” de 24 de Novembro de 2002.
Acima de tudo, não se esqueçam caros leitores, que o cristão deve anunciar e testemunhar com coerência a Verdade em que acredita em todos os momentos da sua vida. Pois, é incongruente ser cristão na igreja e ateu na mesa de voto no próximo dia 20.
Em fidelidade a Jesus Cristo, o Baptizado tem o dever de denunciar os erros de uma sociedade relativista e sem escrúpulo, sendo apenas isso que o Rev. Padre Loreno fez.


Com os melhores cumprimentos

Publicado por: jose carvalho em fevereiro 11, 2005 10:19 PM