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fevereiro 07, 2005

POLÍTICAS CIENTÍFICAS (OU A SUA AUSÊNCIA)

Apesar de se terem escutado, da boca do ainda primeiro-ministro, as palavras "clonagem" e "biodiversidade", o certo é que no debate entre Sócrates e Santana não se discutiu Ciência - isto é, não se abordaram quaisquer ideias ou políticas para a Ciência em Portugal (como não se discutiram, de resto, outros temas importantíssimos: a Saúde, a Educação, a Justiça, etc).
Não é difícil compreender porquê. A Ciência, durante o governo de Durão Barroso (e mais ainda nos últimos e catastróficos meses do consulado santanista), deixou de ser uma prioridade e foram vários os "cortes" feitos, quase sempre sem critério e pondo em risco não só trabalhos em curso como volumosos investimentos financeiros do anterior governo socialista. Quanto a Sócrates, apesar do chamado "choque tecnológico" e da presença de Mariano Gago na equipa que redigiu o programa, não esconde as suas "origens". Continua o mesmo engenheiro que sempre foi, ultra-pragmático e obcecado por um único tema: a co-incineração.
Tendo tudo isto em mente, compreende-se melhor que as matérias científicas sejam postas à margem durante a campanha eleitoral. E não foi certamente por acaso que a Associação de Bolseiros de Investigação Científica se viu forçada a cancelar um debate intitulado «Que Políticas para a Ciência?», previsto para dia 25 de Janeiro, na Faculdade de Ciências de Lisboa. A ideia era ouvir o que tinham a dizer sobre o assunto as forças políticas com representação parlamentar. Mas, apesar dos repetidos contactos junto dos vários partidos, «apenas a CDU e o BE confirmaram a presença de um representante». Sintomático.

PS- Vale a pena ler e assinar a petição/manifesto que a ABIC lançou «sobre a necessidade de investimento em Ciência e Emprego Científico em Portugal como uma das formas de ultrapassar os problemas que enfrentamos».

Publicado por José Mário Silva às fevereiro 7, 2005 09:33 AM

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