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fevereiro 03, 2005

PORTUNHOL, A NOSSA LÍNGUA

Gilberto Gil, o ministro brasileiro da Cultura, acaba de mostrar-se um entusiasta da fusão do espanhol e do português, o chamado «portunhol». Essa nova língua, diz ele, deve «fluir» livremente, «sem preconceitos».
Ou citando-o: «O portunhol é uma manifestação espontânea, natural, vinda dos corpos e das almas culturais dos nossos povos. Nós precisamos nos entender, não sabemos um a língua do outro e temos, ao mesmo tempo, certos resíduos das línguas do português entre eles e do espanhol entre nós». E ainda: «Temos trocas, uma comunicação histórica que, ainda que incipiente, vem sendo feita ao longo desses anos e que propiciou exatamente o fato que tenhamos que falar um pouco as duas línguas, e isso criou uma outra língua que é uma mistura das outras duas, o portunhol».
Esta saída de um ministro brasileiro – bom músico, mas culturalmente apanhado da cuca – ainda não é o que mais espanta. O que verdadeiramente abisma é a ausência de reacções em Portugal a esta inenarrável sugestão. Não nos toca? Não nos importa? Já tanto se nos dá?
(Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às fevereiro 3, 2005 12:22 AM

Comentários

Zé Mário, de quem é a autoria do TÍTULO do texto? Do Fernando Venâncio ou tua? No segundo caso, isso pode ser visto como uma tomada de posição?
Tenho umas coisas para acabar inadiavelmente, mas quando tiver mais tempo pode ser que escreva sobre isto. Mas, à partida, acho a ideia interessante, como tudo o que vem da Baía.

Publicado por: Filipe Moura em fevereiro 3, 2005 12:37 AM

A autoria do título é do Fernando Venâncio, Filipe. Não tomei posição nenhuma sobre este assunto. Aliás, se tomasse seria num post meu ou num comentário devidamente assinado. Como sempre.

Publicado por: José Mário Silva em fevereiro 3, 2005 12:47 AM

Curiosamente, quase só os lusófonos é que falam "portunhol". A dita fusão não parece ser espontânea entre os que têm o Castelhano como língua materna. Quem fala Português percebe facilmente o Espanhol. O inverso não se aplica (malditas vogais fechadas e nasaladas!). Não me parece que o "portunhol" venha "dos corpos e das almas culturais" dos povos. Acho que vem apenas de um esforço consciente de comunicação entre povos com afinidades. Para quem fala as duas línguas, o "portunhol" soa horrivelmente. Já o Galego é lindíssimo e tem o encanto extra de estar mais próximo de um idioma comum quando as fronteiras eram outras, há um milénio.

Publicado por: Nuno Morais em fevereiro 3, 2005 12:59 AM

Nós não somos os donos do português. Quanto muito, se a amarmos, podemos tentar preservá-lo. Mas não podemos impô-la. Tenho dito.

Publicado por: X p T o em fevereiro 3, 2005 02:16 AM

Muito bem observado, Fernando.

O Gilberto Gil é um ressabiado. Sofre daquela maleita que mitifica o passado para melhor desconhecer o presente e assim recusar o futuro. Quanto ao "portunhol", temos manobra de intelectual (no pior sentido da designação). O intelectual é um político, está sempre carente de intervenção pública e pronto para fazer experiências a partir da janela donde vê o mundo.

Essa proposta da fusão das línguas é tão imbecil que talvez nem mereça comentários indignados. Talvez apenas sirva para o registo anedótico. Escrevo "talvez" pois não conheço o contexto em que foi proferida. Se ele está a pensar na instituição de um código à maneira do Esperanto, pois é até um exercício interessante - como futilidade linguística. Se ele está a pensar na abolição das duas línguas para dar lugar a essa, está doente da cabecinha. Apenas isso.

Não é que seja uma situação impossível, pois as línguas nativas são a consequência das vivências locais e das mestiçagens vocabulares e gramaticais, mas nada no presente próximo e longínquo indica tal tendência. Pelo contrário, o fenómeno é o da recuperação de línguas e dialectos, mesmo falares, já há muito caídos no esquecimento.

A globalização promove a identidade local; surprise, surprise.

___

E para não pensarmos mal dos nossos irmãos, vem a propósito chamar o Olavo:


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela ...

Amo-te assim, desconhecida e obscura
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: «Meu filho!»
E em que Camões chorou, no exílio amargo
O génio sem ventura e o amor sem brilho!

Publicado por: Valupi em fevereiro 3, 2005 06:52 AM

Fernando, agora que abriste a portinhola, revela-nos a ferramenta educativa e moderadora que vais utilizar para imprimir a esta discussão o andamento compassado, cuidadoso e livre de expletivas que todos precisamos se não quizermos ofender os nossos irmãos brasileiros. Não sei se sabias, mas aquela malta da Baía é muito quente e às vezes empranha pelos ouvidos.

Publicado por: Germano Filipe em fevereiro 3, 2005 07:57 AM

É «emprenha», Germano, não «empranha». Eu sei, até o sr. Lobo Antunes fala de alguém com um «lenho» num dedo, o que é uma exorbitância, já que se tratava de um «lanho». Tudo isto por causa do padrão culto que Lisboa desenvolveu e impõe ao país. Mas há coisas mais graves. Embora não pareça.

Os brasileiros, dizias. Como não ofendê-los. Aqui as coisas são decepcionantes de simples, Germano. Eles simplesmente não se interessam connosco. Nós para o brasileiro médio, mesmo culto, e apesar do blablá transatlântico, somos quantidade negligenciável. E ainda bem! Imagina que eles se metiam nos nossos negócios.

E depois, Valupi, os brasileiros também já perderam o Bilac de vista, estão já noutra. A caminho de outra língua, a deles, essa deliciosa, e viva, e inimitável. E acho óptimo que eles a vão fazendo. Desenvolvamos nós a nossa e cuidemos bem dela. Até a globalização, lembras bem, pode dar uma mãozinha.

Por fim: onde disse Gilberto Gil o que disse? Pois no fórum internacional de Porto Alegre. Não propriamente, portanto, um sussurro numa buátchi.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 3, 2005 08:32 AM

"A minha pátria é a lingua portuguesa!" - Fernando Pessoa

Publicado por: LuisC em fevereiro 3, 2005 08:46 AM

Realmente, isto é totalmente idiota. O que é que deu na tola ao Gilberto Gil? E ainda por cima, sendo Ministro da Cultura...

Publicado por: Elvira em fevereiro 3, 2005 08:50 AM

Passou-se da marmita com certeza...
Está no pódio das ideias idiotas do ano.
Acho que esse moço anda a abusar da maconha...

Publicado por: Stephen King em fevereiro 3, 2005 09:03 AM

É incrível a tensão que se nota nos comentários do habitués! Vós já reparastes? Estais sempre ao ataque e à defesa cerrada, alternadamente. Pfuu! Tende calma. Ainda dizeis que eu ando sempre com pedras na mão...

Quanto ao Portunhol: eu sou raiano e cresci a ver não a rua sésamo mas sim "el barrio sésamo" com o Espinete e não o Poupas. Tendo certa admiração pelo Castelhano e amor incondicional pela Língua Portuguesa. Acho uma barbaridade digna de bárbaro a proposta certamente "tripada" do cantor ministro que pôs o pessoal da ONU a dançar (oh, que bonito!). Eu acredito na abertura espiritual e mental de certas pessoas, e o Gilberto Gil parece-me íntegro, mas não é por isso que não tem de pensar antes de abrir a boca. A qualquer conservador pede-se moderação na discussão das ideias porque à mínima pode resvalar para o extremismo e absurdo. Porque é que o pessoal "open minded" não tem que se reger pelas regras do bom senso?

Ainda por cima à boa maneira do seguidismo cego e facho, há logo quem (para estar também "à frente")aplauda o ridículo e se proponha a segui-lo. O Sancho Pança gostava muito do Quixote, e seguia-o nas aventuras mas sempre consciente de que aquilo não tinha nada que ver com a sua ideia do mundo, além de tentar por inúmeras vezes dissuadir o amo de cometer certos erros. (infelizmente nunca li o livro mas quando era pequeno via a série em BD que dava na TVE)

Portuñol?! Uh, me suda la polla!

Publicado por: Zangalamanga em fevereiro 3, 2005 09:57 AM

Não sendo eu defensor do Portunhol, entendo que seria uma vantagem ser o Castelhano uma língua a privilegiar no nosso ensino, talvez faça hoje, tanto ou mais sentido que o Francês.
Quem vai a feiras ou congressos por essa Europa fora, vê-se obrigado a falar o Portunhol, porque são cada vez mais os que falam o Castelhano... Vamos lá, nada de complexos...

Publicado por: Xico em fevereiro 3, 2005 10:14 AM

apesar da relativa formalidade do contexto em que a "proposta" foi feita, parece-me que não se justifica que exacerbemos a nossa indignação. portunhol falamos sempre que falamos com um espanhol ou latino-americano, não morremos por isso, interessa é que não nos fechemos em retrancas que impeçam a comunicação e penso que terá sido esse, aliás penso que se virmos a coisa com bom senso só pode ter sido esse o sentido das palavras do grande gilberto.

Publicado por: tchernignobyl em fevereiro 3, 2005 10:15 AM

voto em que se retome o esperanto,a final de contas mais universal que o portunhol, e com umas raízes latinas que facilitariam a nossa compreensão. Aos intransigentes paladinos da língua de Camões e Santana recomenda-se que não comam telepizza,e não vistam zara nem pull & bear.

Publicado por: Pedro Vieira em fevereiro 3, 2005 12:00 PM

eu próprio já redijo o de forma híbrida - acabei de escrever "a final". Que falta de a tenção.

Publicado por: Pedro Vieira em fevereiro 3, 2005 12:03 PM

Fernando, foi você que escreveu o livro Estilo e Preconceito, que se centra na discussão da língua literária no tempo de Castilho, não foi? Então surpreende-o que a língua evolua como lhe apetece, com influências daqui e dali? Indignações ou propostas normativas são insuficientes para travar seja o que for, como sabe. Quanto ao Portunhol, eu penso que até faz sentido começar-se a pensar seriamente no fenómeno. Trata-se de uma "língua" de compromisso entre línguas já existentes. Foi isso que aconteceu com os crioulos, não? Os crioulos são línguas precárias e que nascem em contextos de isolação e de urgência comunicativa muito particulares, de acordo. Mas há uma semelhança primordial, não?

Publicado por: ZeroAesquerda em fevereiro 3, 2005 08:34 PM

"isolamento", queria dizer "isolamento". Ai o galicismo, o galicismo...

Publicado por: ZeroAesquerda em fevereiro 3, 2005 08:57 PM

Ó magnífico ZeroAesquerda,

Numa coisa tem razão: as «indignações» são insuficientes para travar, em matéria de língua, seja o que for. Realmente, não há maneira de ligar a minha (ou a sua) indignação ao seu (ou ao meu) desempenho linguístico. É muita pena, e contra mim falo, pois muito me tenho indignado também.

Já sobre a ineficácia das «propostas normativas» não estou tão certo. Tendo mesmo a pensar que uma acção, pensada e concertada, de estímulo consegue, mesmo em matéria linguística, travar derivas indesejadas.

Mas sobretudo: tem de dar-se aos utentes do português a maior oportunidade de desenvolverem uma língua rica, expressiva, marota, surpreendente. As potencialidades estão aqui, neste fabuloso idioma que é o nosso. Excelentes exemplos são-nos dados cada dia por gente que se exprime (sobretudo por escrito) dum modo criativo, fecundante. Uma política da língua tem que levar a pôr na rua e nos jornais um idioma fresco - e dê todos os sentidos ao termo.

A ideia do portunhol é uma ideia defectista, de quem deixou de acreditar nas energias do seu idioma. Aí está o motivo por que a sugestão de Gilberto Gil é - além de estapafúrdia - indigna. É que exactamente a primorosa língua do Brasil, dos novelistas e cronistas brasileiros, e a dos brasileiros comuns só de abrirem a boca, essa primorosa língua tem um futuro que Sua Excelência Ministerial espezinha com tanta candura e tanta traição.

É essa tocante confiança que, no dia a dia, o brasileiro mostra ter na sua língua que deve inspirar-nos. Para fazermos, nós, depois. Não à brasileira, menos ainda à espanhola, mas simplesmente à portuguesa.

Deveria envergonhar-nos que os grandes artistas do nosso idioma sejam, e já há muito tempo, sistematicamente brasileiros ou africanos.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 3, 2005 10:44 PM

Gilberto Gil sempre que atuou na GALIZA, embora sendo solicitado pelo público para falar em portugués, sempre, sempre, tentou falar castelhano.

Eu acho que para demostrar a todos e a si mesmo como ele é políglota.

Agora bem, o que ele fala é um Castelhano péssimo. E como até hoje, por desleixo pregiza ou incapacidade nao conseguiu passar de um castelhano sofrível, decidiu se aderir ao "portunhol" que nao é outra coisa que o castelhano dos portugueses ou brasileiros que nao sabem falar espanhol.

E digo que é dos portugueses ou brasileiros porque já os espanhois e argentinos nem se molestam em tentar falar portugués. Eles achan que no Brasil ou em Portugal debem entendelos quando falem "la Lengua del Imperio".

O que sim é penoso é que um ministro de Cultura do Brasil se dedique a exportar analfebetismo e que aínda mais, se candidate para carrasco da nossa lingua.

Saúdos fraternais desde a GALIZA

Inácio Lage

Publicado por: Inácio Lage em fevereiro 4, 2005 12:42 AM

Fernando, eu não li o discurso completo do GGil, mas não vejo, nos excertos que apresenta, razão de repúdio. Passo a explicar. O Ministro Brasileiro da Cultura não diz em nenhum momento que nós devemos de abandonar o Português e devemos aceitar o Portunhol como língua oficial. Aquilo que ele diz é que existe uma língua Portunhol - fenómeno linguístico de compromisso entre as duas línguas ibéricas - que torna a comunicação bem sucedida entre falantes de línguas diferentes. Eu acho que isto é verdade e que deve ser pensado a sério. O que é que existe de fantasmático ou de halo na língua Portuguesa que permite a qualquer falante do Português espanholar o seu discurso - e ser compreendido por um falante Espanhol? Esta "língua" enquanto fenómeno comunicativo é muito interessante, parece-me.
Outra coisa: eu sou mais por uma gramática descritiva do que normativa, mas são posturas.
Última: diz que "os grandes artistas do nosso idioma [são], e já há muito tempo, sistematicamente brasileiros ou africanos." A Literatura Brasileira teve gigantes da Literatura Mundial, como Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e Clarice Lispector (só para citar os maiores dos maiores). A Literatura Africana de Língua Portuguesa também tem o enorme Pepetela. Mas e os portuguesíssimos e excelentes Carlos de Oliveira, Herberto Helder, Cardoso Pires, Agustina Bessa-Luís e Maria Velho da Costa (just the top)? A Literatura de Língua Portuguesa parece-me de boa saúde em qualquer das frentes.

Publicado por: ZeroAesquerda em fevereiro 4, 2005 04:20 AM

"não diz em nenhum momento que nós devemos de abandonar o Português e devemos aceitar o Portunhol como língua oficial." - aceitem a frase tortuosa como sintoma da hora a que foi escrita [mesmo assim, "devemos de abandonar", eu nem acredito que escrevi "devemos de abandonar"]

Publicado por: ZeroAesquerda em fevereiro 4, 2005 04:34 AM

Que beleza, a Galiza connosco. Um abraço de ancestral fraternidade para o Inácio.

O Português está vivinho da Silva no Brasil, pois eles são muito mais experimentalistas do que nós; para além da particularidade, prenhe de consequências expressivas, de se dar uma confluência dos vocabulários nativos com um vernáculo português que vai parar a quinhentos e que nós já há muito esquecemos no sótão poeirento.

Nesta questão do político menor, artista maior, espanta a aparente ingenuidade de se desconhecer os modos psico-sociológicos pelos quais se institui historicamente uma língua ou dialecto. Não é, seguramente, por decreto, mas por tecido económico, movimento afectivo.

Poderá haver zonas fronteiriças, em Portugal e no Brasil, onde o "portunhol" seja corrente, mas daí concluir que temos défice de compreensão por se manterem matrizes linguísticas distintas é ofender a inteligência de muitos milhões de indivíduos. Que pobre seria o mundo se apenas uma língua o habitasse. Que horror claustrofóbico...

Haja alguém que explique ao Gigi o que é uma língua – uma entidade absolutamente única, não cambiável, sede primeira da identidade psicológica e cultural, lugar do pensamento, fonte de sentido e realização.

Sim, respiro sublime da liberdade, és tu meu Português.

Publicado por: Valupi em fevereiro 4, 2005 07:58 AM

ZeroAesquerda

Admiro o seu optimismo, a sua grande crença na humanidade. Vem a propósito de você supor que Gilberto Gil pode não ter sido tão leviano na sua proposta. Voltei a ler o mais extenso relato (www5.brfree.com.br) que encontrei do caso, googlando «gilberto Gil portunhol».

Poderia pensar-se que o que se propõe é uma simples «terceira língua» para efeitos de comunicação. Isto quando diz: «O fato de podermos ensinar formalmente mais português nos países hispanos e mais espanhol no Brasil vai fazer com que dominemos melhor as nossas línguas e estimulemos o aperfeiçoamento e o desenvolvimento da terceira língua, o portunhol».

Acontece que ele prossegue: «Deixa a língua nascer, crescer, deixa ela no léxico natural, na gramática natural. Ela é uma língua livre e precisa ser uma língua livre [...], uma língua das ruas, dos negócios, das trocas, dos hotéis, dos motéis, dos estádios, do futebol, do nosso tempo, da nossa diversidade cultural». E aqui já me parece mais claro o empenho em vê-la universalizada.

Tenho, a esse respeito, dois problemas de fundo.

O primeiro: duvido que possa criar-se, entre português e castelhano, uma língua intermédia (sobretudo se de carácter espontâneo), com manutenção, pelos falantes, das suas línguas originais.

O segundo: tudo indica que essa língua intermédia acabe por ser uma criação unilateral, no caso, brasileira, já que me parece pouco provável que o outro lado, o hispano, atinja o mesmo (ou semelhante) grau de ‘disposição’ de servir-se da língua do vizinho em abundância suficiente para uma boa mistura.

[Nota à margem: não creio precisar você de penitenciar-se por escrever «devemos DE abandonar». Poderá haver aí uma aragem castelhana, mas já foi incorporada, faz parte já da nossa língua patrimonial.]

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 4, 2005 09:22 AM

Mais isto.

Importa não cometer o erro de perspectiva que consiste em pôr em demasiado paralelo o «mundo hispânico» e o «mundo lusófono».

Um portunhol, a começar a desenvolver-se, teria imediatamente a frontal e maciça oposição do «mundo hispânico», pacificamente comandado pela Espanha, e onde só o México ousa fazer cócegas. A Espanha tem (e merece ter) uma dinâmica e planos de influência no mundo que nunca admitiriam brincadeiras na areia da praia à Gilberto Gil. (Leiam, a propósito da dinâmica espanhola a entrevista com Alain Minc, ontem, 3.2, no Público).

É mais um motivo para não ter dúvidas de que qualquer portunhol minimamente consistente seria sempre uma humilhante criação unilateral brasileira.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 4, 2005 09:40 AM

Estou de acordo com Fernando, sería impensavel que um ministro espanhol ou mexicano voltase de uma viagem aos Estados Unidos falando maravilhas do Spanglish. Orgulhoso de falalo e disposto a promovelo. Nao conhezo tanto México como para saber o qué faríam com ele, más na Espanha acababam co tal Ministro em menos de uma semana.

Na Galiza sabemos muito bem no que acabam as tais convivencias de duas línguas, até temos uma palavra propria para o portunhol de aquí. Nós chamamos CASTRAPO a essa mixtura que em realidade é a manifestaçao viva da sustituçao do galego pelo castelhano.

Coisa que já sucedeu no pasado com outros idiomas, como o aragonés e o astur-leones do que aínda restam uns vestigios em Miranda do Douro e em Asturias.

O mais chocante de tudo é ver que um ministro de Cultura de um pais de 170 milhoes de habitantes ande polo mundo afora fazendo de abandeirado e promotor do analfabetismo

Publicado por: Inácio Lage em fevereiro 5, 2005 02:50 AM

Gilberto Gil é um ministro BRASILEIRO não tem de prestar contas a nenhum portuga, ele estava se referindo a lingua brasileira que graças a Deus cada vez tem menos a ver com a lingua patuguesa ou melhor a lingua falada no país dos patos "Patugal", quac!

Publicado por: Maria Bigoduda em fevereiro 5, 2005 05:01 AM

Ah e pelo que eu sei no Brasil niguém é "irmão" de pato portuga pelo contrário adoramos assar um pato apesar que a carne portuga é podre e fétida emprenhada de racismo, ignorância e xenofobia nem aos porcos pode ser lançada seu destino é um só: o Lixo, então parem de grasnar patugueses de merda.

Publicado por: Maria Bigoduda em fevereiro 5, 2005 05:15 AM