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fevereiro 02, 2005

VERSOS QUE NOS SALVAM

O mais recente livro do Pedro Mexia — «Vida Oculta» (Relógio d'Água) — é lançado esta tarde, às 18h30, na FNAC do Colombo, com apresentação de António Osório. Bloggers de toda a lusoblogosfera, comparecei.

AMÁVEL PÚBLICO

O prestidigitador (vocábulo
cesarínico e difícil) era espectacular
demais para o espectáculo,
saíam-lhe flores da vara

e pedia ao «amável público»
um voluntário à força
para o fazer, mágico que era,
evaporar-se numa caixa

e toda a infância me parece
essas toscas bancadas de circo
nas quais eu olhava para o chão
com medo de um foco de luz.

Publicado por José Mário Silva às fevereiro 2, 2005 09:36 AM

Comentários

"compadecei", diria eu, tendo em mente a presença inevitável de Fernando Esteves Pinto

Publicado por: tchernignobyl em fevereiro 2, 2005 01:33 PM

Tcher: e se Fernando Esteves Pinto fosse até, em carne e osso, um sujeito amável?

Nós temos sempre vários rostos, e o que aparece escrito não é sempre o mais simpático, embora possa ser o mais verdadeiro.

Mas vão, e dêem um abraço ao Pedro. Um chega. Mas que seja um.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 2, 2005 03:56 PM

sem dúvida, fernando.
de resto o que eu comento essencialmente é apenas a "personalidade blogosférica" dele que é a única que eu conheço. e isto aplica-se à generalidade das pessoas a quem me refiro aqui, com excepção daquelas, poucas, a quem tenho o prazer de conhecer pessoalmente. como tu, por exemplo a quem envio um abraço e pergunto quando reeditamos uma conversa ao vivo.

Publicado por: tchernignobyl em fevereiro 2, 2005 04:20 PM

contra o anonimato vou tentar dar lá um pulo blogueiro. Vou levar os meus óculos de laivos azuis, camisa de rectângulos e quadrados assim para o escuro e casaco verde-esquimó. Pela pessoalização do povo dos blogues, marchai!!

Publicado por: Pedro Vieira em fevereiro 2, 2005 05:53 PM

Quando alguma assistente desatar aos gritos histéricos "é o Bono! é o Bono!", saber-se-á que acabaste de chegar

Publicado por: tchernignobyl em fevereiro 2, 2005 06:16 PM

E como foi? Contem, contem.

Sempre a darem-nos estas notícias bonitas, a fazerem-nos salivar - para depois nos abandonarem à nossa distância, à nossa pobreza, à nossa recusa das câmaras onde se move o belo mundo.

Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 2, 2005 10:20 PM

tcher, obrigado pelo voto de confiança mas não aconteceu. Fernando, foi um lançamento normal, tal como o do martelo ou o do disco. O autor atirou uns poemas à populaça sentada nas cadeirinhas, uma menina leu o poema de uma vida só e pronto. Abraços e beijos, autógrafos e consagrações e mais um pretexto para comprar FNAC

Publicado por: Pedro Vieira em fevereiro 2, 2005 11:27 PM

Ó Pedro (Vieira),
Francamente, lá estás tu com o teu mau feitio.
O lançamento foi discreto e cosy, quase íntimo. A prova de que se pode ser discreto numa FNAC, em pleno Centro Comercial Colombo. Ao contrário do que sugeres, não havia "populaça" sentada nas cadeirinhas: só leitores fiéis, família e "close friends".
No capítulo da leitura, também não houve apenas uma "menina" a dar conta do recado. Para além do autor, estavam lá vários amigos que fizeram tuc-tuc-tuc com o dedo no microfone e aclararam a voz. Por exemplo, eu.

PS- Podes ficar descansado, Fernando (Venâncio), o abraço foi entregue.

Publicado por: José Mário Silva em fevereiro 3, 2005 12:39 PM

Obrigado, Pedro Vieira. Obrigado, Zé Mário Silva. Quando todas as notícias são bem-vindas, são-no, por mais díspares que seja.

Sim, uma das imagens mais impressionantes que armazeno na minha (oops!) bagagem cultural é a de Filinto Elísio (grande intelectual português do século 18, que viveu, com medo da Inquisição, os quarenta últimos anos de vida fora do país, na França, mas também aqui na Holanda) a agarrar-se a quem chegasse do Reino, pedindo notícias de Lisboa, do Chiado, das tertúlias. Há lá cena mais que meta mais dó!

Eu digo-o, e é com má consciência. Mando daqui um abraço, e ele é entregue no mesmo dia. E esta noite vou, se isto tecnicamente correr bem, poder ver neste mesmo ecrã o debate de dois seres de plástico, dos quais um vai governar por uns tempos o meu país. Se eu contasse isto a Filinto Elísio, fazia-lhe mais mal do que dez Inquisições.


Publicado por: fernando venâncio em fevereiro 3, 2005 05:16 PM