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fevereiro 01, 2005

CANTO E CASTRO

Morreu, aos 74 anos, Henrique Canto e Castro. Toda a gente fala do grande actor que ele era ou daquela voz única, meio nasalada, que para muitos de nós é sinónimo de infância e desenhos animados ao sábado de manhã.
Sim, é verdade: morreu um grande actor (e lembro-me tão bem de o ver avançando sobre o palco, em Almada). Mas para mim quem morreu, hoje, não foi o artista que se deixou afundar na mediocridade televisiva. Foi o homem de boné preto e manchas na cara que atravessava todos os dias, de cacilheiro, o Tejo até Lisboa. O homem que olhava o rio sob a primeira claridade do dia e me parecia sempre, mas sempre, deslumbrado com a inexplicável beleza daquela luz.

Publicado por José Mário Silva às fevereiro 1, 2005 10:45 PM

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