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dezembro 22, 2004

QUANDO A "ERUDIÇÃO" É TRADUÇÃO

Começa esta história pouco edificante quando hoje leio um post no Afixe, ainda a propósito do "Código da Vinci". Nele, gabava-se, em termos entusiásticos, uma série de textos bloguísticos sobre os Templários, sobre Le Corbusier, enfim, prometia-se um verdadeiro festim para o intelecto: "a Joana revela uma destreza fenomenal no tratamento de temas históricos tão díspares como os Templários, a sucessão de Fibonacci e o Número de Ouro, a complexa história das Cruzadas (...) e tantos outros temas menos conhecidos da História da Europa Ocidental e do Médio Oriente. Ela domina as fontes, ela conhece os autores, ela sabe o que diz!"
Não é grande segredo que já andei "à pega" com a autora do blogue em questão, o Semiramis, numa ou noutra ocasião. Mas, mesmo assim, lá fui confirmar a presença rutilante de tanta erudição, ainda para mais ligada a temas que até me interessam.
Bem, numa coisa estamos de acordo: ela domina mesmo "as fontes". Acontece que, à medida que ia lendo um dos textos assim elogiados, instalava-se um murmúrio no meu cérebro: "mas eu já li isto algures!"
Está visto. Trata-se não de erudição mas sim de um muito mais rasteiro descaramento absoluto a copiar, traduzindo sem qualquer pudor ou referência o trabalho de Gilles C H Nullens.
Tratei de afixar por ali um comentário dando conta da minha indignação. Resposta da senhora "autora"? Acreditem ou não, ela não só negou como ainda classifica a minha denúncia como "calúnias desse comentador"! Vejam até onde chega a lata humana: "em primeiro lugar pretendia pedir desculpas pelo facto, alheio à minha vontade, de não ter assistido pessoalmente ao processo dos Templários. Por isso, e dado não possuir a máquina do tempo, tive que me socorrer de diversas fontes. Nenhuma delas foi a fonte citada. Aliás, o manifesto real de 14 de Outubro de 1307 é público. Logo, esse tal Gilles C H Nullens, que eu desconhecia, assim como centenas de historiadores não passariam, assim, de infames plagiadores ao citá-lo."
Ora vamos lá a tirar a prova dos nove. De seguida, podem ler meia dúzia (!) de passagens que, numa primeira inspecção, detectei no texto da "Joana" e no livro de Nullens. Digam lá depois se vos parece remotamente possível que a senhora não conheça mesmo as frases que traduz literalmente. Será mais um fenómeno místico associado aos Templários?

"This operation had been carefully prepared in advance. The order had been given to the Bailiffs and Seneschals one month in advance -on September 14 1307- in sealed envelopes to be opened the day of the arrests. The written instructions mentioned the accusations against the Templars" passa, depois de roubado, a "era necessário, para que surtisse efeito, que aquela operação tivesse sido minuciosamente preparada. Na realidade, a ordem de prisão fora enviada um mês antes, em 14 de Setembro de 1307, sob a forma de cartas fechadas, dirigidas aos bailios e senescais, com indicação de as abrirem numa determinada data. O texto dessas instruções continha acusações contra a Ordem do Templo".
"A Royal Manifesto is distributed in Paris to explain the accusations against the Templars. The Templars are accused of apostasy, of insult to Christ, of obscene rites, of sodomy and idolatry. It is said, specifically, that they obliged the new recruits to abjure three times the Christ and to spit on the cross. After that their clothes were taken off and they were kissed on the lower back, on the navel and on the mouth by the Brother who received the recruits. They were also ordered to submit to sodomy if required to do so. Finally they were required to worship a small statue called Baphomet and to wear a piece of string that has been first put on this statue" é traduzido, com canina fidelidade, por "um manifesto real é espalhado por Paris, tornando públicas as acusações contidas na ordem de detenção: os Templários seriam culpados de apostasia, de ultrajes à pessoa de Cristo, de ritos obscenos, de sodomia e, por fim, de idolatria. As suas infâmias manifestam-se, especialmente, aquando da admissão dos freires: obrigam-nos a renegar Cristo, três vezes, e a escarrar sobre o crucifixo; em seguida, despojados das suas vestes, são beijados na ponta inferior da coluna vertebral, no umbigo e na boca por aquele que os recebe; depois, obrigam-nos a prometer entregar-se à sodomia, se isso lhes for pedido; finalmente, adoram uma estatueta a que chamam Baphomet e trazem consigo um cordãozinho que foi, precedentemente, deposto sobre essa estátua." Tudo traduzido tintim por tintim, com todas as frases na sua rigorosa ordem original.
Querem mais ainda? Há muitos exemplos deste esbulho que se faz passar por erudição: "publica em 22 de Novembro a bula Pastoralis preminentiaie, onde ordena a todos os príncipes da cristandade que prendam os Templários que se encontram nos seus Estados. Explica que se vira obrigado a tomar essa medida pelas confissões dos templários de França e que certos templários em serviço na cúria romana lhe teriam confirmado o bem fundado dessas confissões; seria efectuado um processo eclesiástico, em seguida ao qual, se a Ordem fosse reconhecida inocente, todos os seus bens lhe seriam devolvidos; caso contrário, esses bens seriam consagrados à defesa da Terra Santa." é tradução simples de "Clement V's Bull of 22 November 1307, "Pastoralis praeeminentiae", gives the order to all the Christian Princes to arrest all the Templars present on their lands. He changed his mind on the base of the admissions made by the French Templars as well as from what some Templars working for the Curia told him. An ecclesiastic trial should ascertain their guilt and if found not guilty, their properties would go back to them. If found guilty, the proceed of their sale would be used to defend the Holy Land.", com a calinada óbvia de a tal Joana se ter enganado a transcrever o nome da bula... na mesma onda de disparate, "Agnani" passa a "Anagni".
"One hundred and thirty-eight prisoners were interrogated in the Paris Temple between the 19 October and the 24 November 1307 by the Inquisitor Guillaume de Paris. Before that they had been detained by the King's Officers that were authorised to use torture, if required. Thirty-six of them died as a result of these preliminary interrogations. In front of the Inquisitors only three denied the crimes of which they were accused" é vertido para "No mês seguinte, cento e trinta e oito prisioneiros são interrogados em Paris, na sala baixa do Templo, peto inquisidor de Paris, depois de terem passado pelas mãos dos oficiais do rei, que, de conformidade com as instruções contidas nas cartas fechadas, empregaram «a tortura, em caso de necessidade». De facto, trinta e seis dos presos deveriam morrer em consequência dessas torturas. Perante o inquisidor, apenas três deles negaram ter cometido os crimes de que os acusavam".
"They also underlined the fact that no Templars out of France accused the Order" é mais ou menos igual a "fazem notar que, fora de França, não se encontrou nenhum freire do Templo que dissesse ou apoiasse as «mentiras» proferidas contra a Ordem."
"Jacques de Molay and Geoffrey de Charnay declared that their confessions were false and made only to save their life. They also declared that the Order and the rules of the Templars were sane, just and Catholic. They said there were not guilty of heresy and did not commit the sins they were accused to have committed. (...) They died courageously for their beliefs" passa a "Nessa mesma tarde Jacques de Molay, o mestre da Ordem, e Geoffroy de Charnay (...) clamaram mais uma vez a sua inocência, declarando que o único crime que haviam cometido fora o de se terem prestado a fazer falsas confissões para salvarem a vida. A Ordem era santa, a Norma do Templo era santa, justa e católica. Não haviam cometido as heresias e os pecados que lhes atribuíam. E diante da multidão paralisada de espanto, morreram com a mais tranquila coragem."
Isto, só por si, já representa grande parte do texto em apreço. Agora, que gente mais dada a estas tarefas detectivescas procure as outras "fontes" empregues. A mim, isto já me está a causar algum nojo.

Publicado por Luis Rainha às dezembro 22, 2004 12:01 AM

Comentários

Em primeiro lugar queria pedir desculpas pelo facto, alheio à minha vontade, de não ter assistido pessoalmente ao processo dos Templários. Por isso, e dado não possuir a máquina do tempo, tive que me socorrer de diversas fontes. Nenhuma delas foi a fonte citada (http://www.nullens.org/content/view/270/49/). Aliás, o manifesto real de 14 de Outubro de 1307 é público. Logo, esse tal Gilles C H Nullens, que eu desconhecia, assim como centenas de historiadores não passam de infames plagiadores ao citá-lo. O texto desse manifesto deve ter sido reproduzido em centenas de estudos históricos.

Quanto ao nome exacto da bula de Clemente V publicada em 22 de Novembro de 1307, enganei-me. O nome exacto era Pastoralis praeminentiaie. Mas é um erro menor ... como se sabe, “ae” lia-se “é” em Latim.
Curiosamente o Luís Rainha e o infeliz historiador que eu teria alegadamente plagiado também se enganaram!! Puseram um “e” a mais ("Pastoralis praeeminentiae")!!

Quanto a Anagni ... é mesmo Anagni. Sabe quando não se percebe nada de um assunto e se tenta fazer correr motores de busca insensatamente à procura de alegados erros cometem-se algumas imprudências ...

O Luís Rainha, apareceu no Semiramis, há pouco mais de 1 mês, a dizer umas inconveniências. Sobre a sua viagem ao meu blog, leiam s.f.f.:

http://semiramis.weblog.com.pt/arquivo/164198.html O Lazareto Semiramis
http://semiramis.weblog.com.pt/arquivo/164454.html Lazareto Semiramis II

Ele é de facto muito imprudente ... e malcriado

Publicado por: Joana em dezembro 22, 2004 12:22 AM

Querem mais?
Dirijo-vos então para um site francês, onde o mesmo tema é tratado. Vamos lá a ver as concordâncias que encontrei num primeiro exame:

"20 Mars
Le roi Philippe le Bel se présente lui-même à Vienne en grand cortège.
22 Mars
En consistoire secret, Clément V fait approuver la suppression de l'Ordre du Temple par la Bulle "Vox in Excelso" ; le texte de celle-ci ne condamne pas l'Ordre mais fait état du bien de l'Eglise pour prononcer sa suppression.
Avril
Mort de Guillaume de Nogaret.
2 Mai
La Bulle "Ad Providam" attribue à l'Ordre de l'Hôpital les biens des Templiers."
"O próprio rei apresentou-se em pessoa, em Vienne, em 20 de Março de 1312 seguido de um grande cortejo. Dois dias depois, em consistório secreto, Clemente V faz aprovar a supressão da Ordem do Templo, pela bula Vox in excelso; o texto desta bula não condena a Ordem, mas invoca o bem da Igreja, para. pronunciar a sua supressão. Semanas depois a bula Ad providam atribui à Ordem do Hospital os bens dos Templários."

"Ils demandèrent à tourner leur visage vers Notre-Dame, crièrent une fois de plus leur innocence et, devant la foule saisie de stupeur, moururent avec le plus tranquille courage"
"Pediram para ficar de cara voltada para Notre-Dame (...) E diante da multidão paralisada de espanto, morreram com a mais tranquila coragem".

Publicado por: Luis Rainha em dezembro 22, 2004 12:31 AM

Joana,
Como dizem os americanos, "You're barking at the wrong tree". Não é relevante o nome da bula (embora, por sinal, não consiga encontrar uma só referência com a grafia que assinala) e muito menos o do local.
Interessa é que o seu texto é uma colagem de traduções, sem as obrigatórias aspas ou menções de origens.

Quanto à minha passagem pelo seu blogue, olhe que já a mencionei. Tambem não tem sorte por aí.

Publicado por: Luis Rainha em dezembro 22, 2004 12:36 AM

É preciso ter lata... Essa Joana devia corar de vergonha e parar de tentar enganar os outros.

Publicado por: snowgaze em dezembro 22, 2004 08:56 AM

Não parece haver hipótese para dúvidas, mas é interessante e engraçado como a menina Joana continua, com a coragem dos templários que morreram, a acreditar na originalidade da sua investigação. Nós também estamos espantados, mas não paralisados.

Publicado por: Zangalamanga em dezembro 22, 2004 10:39 AM

Estas coisas acontecem. A Clara Pinto Correia explicou até muito bem: a gente vai procurar um texto, encontra-o e passa-o para o nosso PC. Depois esquece-se disso. Mais tarde encontra-o e julga que é nosso. Se é nosso, não deve haver aspas, não é? Completamente natural. Ele há gente perversa que só vê o mal.

Publicado por: Emiéle em dezembro 22, 2004 11:00 AM

Diz a Emiéle:
"Estas coisas acontecem. A Clara Pinto Correia explicou até muito bem: a gente vai procurar um texto, encontra-o e passa-o para o nosso PC. Depois esquece-se disso. Mais tarde encontra-o e julga que é nosso. Se é nosso, não deve haver aspas, não é? Completamente natural. Ele há gente perversa que só vê o mal."

E tem toda a razão, a mim aconteceu-me agora o mesmo com aquele fabuloso livro do Zimler, "Meia Noite". Só quando o fui levar à editora é que me avisaram da coisa! Afinal, não era meu!

Publicado por: Monty em dezembro 22, 2004 11:16 AM

E o que é mesmo engraçado é que está a levar uma ganda cabazada do Rainha. Com quem ela se meteu. É que isto de estudar Fátima profundamente acaba por trazer gnoseologia acoplada. LOL

Publicado por: Monty em dezembro 22, 2004 11:27 AM

"Nele, gabava-se, em termos entusiásticos, uma série de textos bloguísticos sobre os Templários, sobre Le Corbusier, enfim, prometia-se um verdadeiro festim para o intelecto"

Luís, desculpa lá, não sei se era essa a tua intenção, mas estás a ser um bocado parvo com a minha pessoa, ok?

Não queria prometer a ninguém nenhum "festim para o intelecto". Se a Joana recorreu a uma fonte ou várias, e se plagiou e traduziu literalmente muitos excertos de outrém, a ela cabe reconhecer e dar-se como culpada. Até entendo o teu esforço em descobrir a verdade, mas não me metas ao barulho, ok?

O que se passou foi simples: dei uma leitura pelos textos que a Joana tinha no blogue dela. Gostei do que li, porque os dados históricos estavam correctos, e o texto estava bem apresentado.
É evidente que toda a gente recorre a fontes, e que é possível, com melhor ou pior sucesso, perceber a que fontes alguém recorreu, simplesmente comparando textos.

Ninguém escreve sobre um tema destes sem recorrer a fontes! O grande erro da Joana está na falta de referência às fontes!
Vou até mais longe: se se tratava de um artigo de blogue, nem era exigida a formalidade de notas de rodapé, e referências página a página. Bastava a Joana ter dito: "vasculhando algumas obras, entre as quais o livro X e o livro Y e o site Z, consegui perceber isto:". Ou seja, mesmo com informalidade, a Joana tinha-se safado se tivesse referido as fontes da sua inspiração.

E pronto.
É esta a minha opinião, e que eu lhe enviei pessoalmente por email.

Estava sem qualquer vontade de me meter na discussão, mas como me pareceu que o Luís ridicularizou as minhas palavras, pareceu-me de bom tom repor alguma justiça.

Eu só conheci o trabalho da Joana ontem. Não li todos os artigos dela, não li todas as caixas de comentários. Não estou a par das zangas entre a Joana e o Luís, e se querem que vos diga, tenho cada vez menos paciência para este tipo de situações.

A minha intenção com o artigo no Afixe era boa. Vê-se tanta merda nos dias de hoje a correr pela blogosfera, que me pareceu interessante e importante louvar algo que apresentava qualidade. Já percebi que me precipitei. Coisas de quem tem pouco tempo para a blogosfera.

Não perceberes as minhas boas intenções, e gozares de forma pouco séria com as minhas palavras, isso é que me parece mal, ó Luís...

E fico-me por aqui.

Publicado por: Bernardo Motta em dezembro 22, 2004 11:42 AM

Estás um bocado a leste, Bernardo. Não gozei com as tuas palavras; e a prova de tal é que até segui, apesar de não ter nada boa ideia do tal blogue, a tua recomendação. Não confundas, por favor, um estilo aligeirado na descrição com gozo.
E parvo é o avozinho, tá?

Publicado por: Luis Rainha em dezembro 22, 2004 11:47 AM

Luís,

"enfim, prometia-se um verdadeiro festim para o intelecto"

Isto é "estilo aligeirado na descrição com gozo"?
Da próxima, escolhe outro alvo para o teu estilo aligeirado na descrição com gozo.
Não gostei. Ponto final. Evita. Obrigado.

Publicado por: Bernardo Motta em dezembro 22, 2004 11:49 AM

Olha: eu escolho o que me der na telha. Diabos me levem se vou pedir-te autorização seja para o que for.
Mas, já agora, fica sabendo que essa passagem nem sequer é irónica; é sim uma boa descrição da minha primeira reacção ao teu post. Levei-o a sério e segui a tua recomendação. Não entendo muito bem porque é que "um festim para o intelecto" tem de ser coisa pejorativa, mas enfim...

Publicado por: Luis Rainha em dezembro 22, 2004 12:01 PM


Uma coisa é "Ou seja, mesmo com informalidade, a Joana tinha-se safado se tivesse referido as fontes da sua inspiração.", outra, bem diferente, e parece-me que é disso q se trata, plágio puro e duro (e não assumido! o q é pior). Ah! Parece-me também uma má desculpa o espirito "como é um blog ninguém não se exige que se apresentem as fontes", mais que não seja por uma razão singelinha e prática: fazer um link é tão fácil...

Publicado por: Shyznogud em dezembro 22, 2004 12:03 PM

errata: "ninguem exige q se apresentem as fontes".
Ah! recado para o Filipe Moura: o mp3 do coro do D.Pedro V não está esquecido, o problema é dar com o cd.

Publicado por: shyznogud em dezembro 22, 2004 12:07 PM

Ai a porra, sejam amigos, caraças! Agora por causa da outra desatinam um com o outro? Mais uma prova do quão nojento é o acto de plágio.

Publicado por: Monty em dezembro 22, 2004 12:07 PM

Vá, Luís, esquece lá o que eu te disse... Esta merda das palavras pode ser muito enganadora. Se calhar estou tão habituado à porrada pura e dura que reajo exageradamente.
Já entendi o teu ponto de vista.
Desculpa se exagerei.
PAX!
(afinal, é natal!) ;)

Publicado por: Bernardo Motta em dezembro 22, 2004 12:29 PM

É pena; estava agora mesmo a convocar as energias arcanas maléficas para te perseguirem...
A paz é muito menos divertida! Mas seja; que a época é propícia...

PS: o "estilo aligeirado" e o "gozo" eram duas coisas diversas, precisamente a não serem confundidas...

Publicado por: Luis Rainha em dezembro 22, 2004 12:36 PM

Cara Shyznogud (belo cartoon, também gosto!),

"Ah! Parece-me também uma má desculpa o espirito "como é um blog ninguém não se exige que se apresentem as fontes", mais que não seja por uma razão singelinha e prática: fazer um link é tão fácil..."

Ok, fazer um link é fácil.
Mas não julgues que estou a desculpar a Joana. O plágio é algo de muito grave, e quem o comete, mais vale reconhecer o erro, corrigir o problema (colocando lá as referências, os links, etc.), e bola para a frente.

Erros toda a gente os faz: o parvo é aquele que não reconhece os erros. Errar faz parte de um processo de aprendizagem.

Mas chega de dizeres banais: o que eu queria dizer é simples: num blogue não se exige a formalidade que se exige noutro tipo de apresentação textual. Isso é óbvio. Não é uma desculpa.

Seja como for, como já disse, informalidade não é desleixo. A Joana devia ter colocado lá os nomes dos autores que usou...

Publicado por: Bernardo Motta em dezembro 22, 2004 12:39 PM

Luís,

Estamos conversados!
Sim, a paz é muito menos divertida.
Mas, porra, de vez em quando tem que se fazer a paz, para depois se poder partir a loiça! ;)

"PS: o "estilo aligeirado" e o "gozo" eram duas coisas diversas, precisamente a não serem confundidas... "

Sim, eu notei na minha asneirada logo depois de ter postado. Fiz copy e paste da tua frase, um bocado a correr...

BOM NATAL!

Publicado por: Bernardo Motta em dezembro 22, 2004 12:42 PM

que bonita reconciliação entre os meninos Luís e Bernardo: depois de uma discussão que evoluiu em tom "Carmina Burana", terminamos em tom "Eine Kleine Nachtmusic". Estou baravilhado!

Publicado por: gibel em dezembro 22, 2004 01:36 PM

Gibel,

Ensinaste-nos muito bem!
As tuas aulas de ética, apesar de caras, estão a dar frutos!

Publicado por: Bernardo Motta em dezembro 22, 2004 03:20 PM

Como ainda não fiz as compras, a banda sonora deste Natal anda mais pelo "Verklärte Nacht"...

Publicado por: Luis Rainha em dezembro 22, 2004 03:24 PM

De acordo, desmascare-se o plágio e os plagiadores. Por outro lado, acho a polémica Luis Rainha/Bernardo Motta interessante mas estéril. Voltando ao plágio: o grande mestre é Pacheco Pereira: como cita muito, e nas regras (com itálicos, aspas, etc.), pensa que pode fazer passar por entre a rede da legalidade plágios gritantes. Por exemplo, apresenta uma rica ideia: «Tolstoy amava a “humanidade” o que significava que não amava ninguém», como se fosse dele, quando a frasesinha, tirando o «Tolstoy», merecia um grade par de aspas: a frase (e a ideia) é de Dostoievsky. Manhoso, o Pacheco.

Publicado por: jm em dezembro 23, 2004 08:45 AM

So what ? Vai-me fazer crer que tudo esta' escrito no seu blog, e da unica e exclusiva sua auto-criaçiao? Que nunca foi influenciado por textos de outros autores ? La' porque nao goste dos ideais da Joana, nao precisa de , perversamente , mostrar que a apanhou com a "boca na botija", quando o mundo dos blogs é isso mesmo : "copy & paste" + comentarios. Tenha paciencia....

Publicado por: Ethan Hunt em dezembro 23, 2004 11:56 AM

So what???
Eu explico: como toda a gente, sou influenciado. Mas nunca, nunca, copiei, adaptei ou traduzi trabalho alheio, tratando depois de o apresentar como meu. As duas coisas são "um pouco" diferentes, ou não?
O seu mundo - e da Joana, se é que não são uma só pessoa - pode andar à volta do "copy & paste". Se gosta, mantenha-se por lá. Aqui não há disso.

Publicado por: Luis Rainha em dezembro 23, 2004 04:21 PM

O copy e paste é bom para quem tem vácuo na cabeça. Quem tem lá dentro qualquer coisita, dedica-se a outros passatempos.

Usá-la, por exemplo.

Publicado por: Jorge em dezembro 24, 2004 01:41 AM

Acho que estas personagens subservientes à Joana existem mesmo, não são meras criações. Não é que fosse estranho ela passar-se por uma horda de fãs lambe-botas, mas a tacanhez e a diversidade das suas intervenções curtas de vistas leva-me a crer que são mesmo pessoas reais. E isso é que me faz ficar atónito.

Aos apologistas do copy-paste... copiai e colai isto:
.|.

Publicado por: Hermínio em dezembro 24, 2004 01:33 PM