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setembro 02, 2004

AINDA A PREGUIÇA

Voltando ao assunto da preguiça gaulesa e portuguesa. Quando eu, após o check-in, me dirigia para o embarque no aeroporto de Orly, coloquei-me, com outras pessoas, na fila para a minha bagagem de mão passar pelo raio X. Havia um empregado que observava as bagagens, e outro cuja missão aparente era simplesmente orientar as pessoas (uma missão daquelas que se fazem com as mãos nos bolsos). Quando eu e a senhora atrás de mim chegámos, este último achou que a fila se estava a tornar muito grande (duas ou três pessoas à nossa frente) e decidiu enviar-nos para o seu colega, na outra máquina de raios X. Algo contrariados, por andarmos a carregar a bagagem, fizemos-lhe a vontade. Chegámos ao local indicado e deparámos com uma máquina vazia, de facto, e pronta a ser usada. Ao lado dela, outros dois empregados conversavam. Ao verem que nos dirigíamos para a máquina, um deles informou-nos que aquela máquina se encontrava encerrada e apontou-nos a máquina de onde tínhamos saído.
Eu ainda não sei insultar convenientemente (e convincentemente) em francês, pelo que permaneci calado. A senhora que vinha atrás de mim imediatamente protestou que nos tinham dito para vir ali da outra máquina. Confrontados com este facto, os empregados decidiram parar com a conversa e sempre nos inspeccionaram a bagagem ali.
Este pode parecer um episódio corriqueiro e sem importância nenhuma, mas corresponde a uma das impressões mais fortes que eu levarei de França no dia em que me for embora. O de dirigir-me a um guichet para ser atendido e estar lá um empregado que se recusa a atender-me e me manda para outro guichet. Seja na caixa do supermercado, seja para pagar a refeição na cantina, seja numa repartição pública qualquer.
Tenho de aprender a insultar (os insultos já sei).

Publicado por Filipe Moura às setembro 2, 2004 02:39 AM

Comentários

Filipe usas véu :)
Sabe-se lá se não é uma questão de descriminação por algum motivo qualquer :)

Publicado por: cachucho em setembro 2, 2004 01:41 PM

Deves ter tido azar, ó Filipe. Em França nunca me aconteceram coisas dessas, pelo contrário.

Publicado por: amélia em setembro 2, 2004 06:59 PM