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julho 25, 2004

TOTOTOLO

Como previam os mais pessimistas, o governo de Santana Lopes já está a dar que falar: ele é jigajogas de última hora com secretários de Estado, um discurso de posse incompreensível, deslocalizações inexplicáveis, avanços e recuos a propósito de tudo e de nada, o diabo a sete. E a coisa conta com meros dias de vida!
Sei que se trata de um esforço arriscado, quase certamente votado ao fracasso. Mas não quis deixar de tentar. Num audacioso exercício de futurologia política, vou aqui prever as próximas medidas que o glorioso líder vai extrair do seu crânio coroado de gel.
Daqui a dois anos, veremos quantas acertei. Para tornar a coisa mais interactiva, podem os estimados leitores assinalar as que julgam mais prováveis e sugerir outras. Quem sabe se Santana Lopes, sempre à cata de ideias inovadoras e surpreendentes, não nos tem debaixo de olho... ainda vamos acabar por contribuir para muita "inspiração" das luminárias que nos governam!
Assim sendo, tenho como certo que estas vão ser as grandes linhas-mestras da acção governativa de Santana Lopes:

1- Todos os ministérios sairão enfim do Terreiro do Paço. Este será convertido num gigantesco salão de bingo.
2- Três meses antes das próximas eleições legislativas, eliminará o IRS, baixará o preço do tabaco e legalizará os bordéis.
3- Proporá uma emenda à Constituição para permitir que o primeiro-ministro possa ser, ao mesmo tempo, Presidente da República.
4- Falhando a medida anterior, vai apresentar Alberto João como candidato presidencial.
5- Mudará o ministério dos Negócios Estrangeiros algures para o estrangeiro.
6- Cinha Jardim será a próxima presidente da Cruz Vermelha.
7- Ainda neste Verão, arregimentará à força todos os arrumadores de Lisboa para vigiar as florestas. Como consequência imediata, os fogos triplicarão.
8- Dando seguimento a um seu sonho antigo (isto é verídico), reduzirá os impostos a que as casas de fados estão sujeitas. Quem faz "cultura para elites", que se vire sozinho.
9- Promoverá uma OPA amigável sobre o PP. Como contrapartida, Paulo Portas receberá duas ilhas dos Açores.
10- O INE será extinto. Os números sobre a nossa economia passarão para a alçada do gabinete da astróloga Maya.
11- Permitirá que os seus ministros levem a cabo MBOs sobre bens das áreas que tutelam. Telmo Correia ficará assim proprietário da Praia dos Tomates e Paulo Portas terá, finalmente, um submarino - com respectiva tripulação . só para si.
12- Para evitar mais confusões entre políticos e tribunais, o cargo de juiz passará a ser de nomeação governamental.
13- Declarará guerra a qualquer país na mira dos EUA, ainda antes que estes o invadam. A França perfila-se como alvo n.º1.
14- O problema do desemprego vai ser resolvido com um golpe de génio: quem permanecer por mais de seis meses sem emprego perde a cidadania portuguesa e é expatriado para S. Tomé e Príncipe.

Publicado por Luis Rainha às julho 25, 2004 08:11 PM

Comentários

O Amigo Luis Vieira do Blog Ourém teve a idéia (e o trabalho!) de criar um blog com 41 fantásticos posts. Nem mais! O Programa do XVI Governo Constitucional que se pretende comentado e votado. Está em Programa do XVI Governo Constitucional.

Publicado por: Santa Cita em julho 25, 2004 08:22 PM

"Idéia" não tem acento.
Quando se usam estrangeirismos como "post" devem-se colocar aspas.

Publicado por: edite em julho 25, 2004 08:56 PM

Senhora Dona Edite

Há de convir que a senhora , depois desse arrazoado merece bem que eu a corrija a si: devem usar-se « » (aspas)e não "" (meias aspas) como a senhora usou. É tudo uma questão de cacharoletes, como diria o Dr. Cunhal.

Publicado por: Xica Benta em julho 25, 2004 10:19 PM

TOTOLOTO não :) TOTOBOLA :)

Publicado por: cachucho em julho 25, 2004 10:28 PM

Hoje recebi por email este poema. Em certos momentos, a rima é forçada, mas "no peito dos desafinados também bate um coração", como diria Tom Jobim. Cá vai:

A NAU CATRINETA

Lá vem a Nau Catrineta

Que tem muito que contar

São Paulo Portas à proa

Santanás a comandar

Ouvi agora senhores

Uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim

D. Morais trata das velas

D. Guedes limpa com VIM

Tachos, pratos e panelas

D. Pereira na enfermaria

Conta pensos e emplastros

E o D. António Mexia

Põe vaselina nos mastros

D. Durão deu à soleta

Enjoou de andar à vela

E Santa Manuela Forreta

Largou-os sem lhes dar trela

Aflito El-Rei Sampaio

Com estas novas tão más

Disse aos bobos de soslaio

Chamai lá o Santanás

Aqui estou meu Senhor

Vós mandasteis-me chamar?

Soube agora desse horror

D. Durão vai desertar?

Cala-te lá meu charmoso

Não me lixes mais a vida

Troco um cherne mal-cheiroso

Por um carapau de corrida?

Pobre da Nau Catrineta

Já lamento a tua sorte

Esta marinhagem da treta

Nem sabe onde fica o Norte

Parece que já estou vendo

Em vez de descobrir mundo

Ao primeiro pé de vento

Espetam com o barco no fundo

Ou então este matraque

Com pinta de Valentino

Gasta-me a massa do saque

Nas boîtes do caminho

Não se aflija meu Rei

Que agora vou assentar

Pois depois do que passei

Cheguei onde quis chegar

E por aquilo que passei

Aqui ninguém nos escuta

Eu quero mesmo é ser Rei

E vamos embora à luta

Publicado por: João Ribeirete em julho 25, 2004 10:58 PM

Peço desculpa.
Não é meu hábito deixar publicidade nas caixas de comentários e só por lapso este está aqui.

Publicado por: Santa Cita em julho 25, 2004 11:01 PM

MST no Público de 6 feira:
(...)
O grosso do Governo do Pedro e do Paulo é uma colecção de oportunistas de carreira, oriundos das juventudes ou dos aparelhos partidários, representantes mais sérios de interesses mais perigosos e notórios medíocres atraídos pelo cheiro do poder. Tudo atirado ao ar, sem nexo, a ver onde poderiam cair - e tanto poderiam cair na Defesa como na Cultura, nos Negócios Estrangeiros como na Agricultura.
(...)

4. Em Lisboa, Santana Lopes deixou um rol de cartazes de autopromoção que entraram no anedotário político, as verbas para propaganda multiplicadas por cinco, um parque automóvel de luxo ao serviço da câmara, um buraco no Marquês, um imbróglio no Parque Mayer, um milhão de contos gastos num arquitecto que nem um rabisco fez, um casino para o sr. Stanley Ho, quatro ideias diferentes e nenhuma definitiva para Monsanto, um estádio novo para o Benfica e, sabe-se agora, em resultado de tudo isso, a câmara endividada como nunca. Eis o estilo de governação que é de esperar para o Governo do país.

Publicado por: MST em julho 25, 2004 11:09 PM

Santana Casilho no Público de sábado:

(...)
Três Vezes Enganado

Como se sentirá o Presidente da República perante o festim que caucionou em nome da estabilidade? Foi para isto que reflectiu tanto e só lhe faltou ouvir os deuses do Olimpo? Que terá pensado da lista de titulares dos diferentes condados desta monarquia dinástico-partidária em que Portugal se transformou? Em escassos dias de espectáculo, já vimos de tudo: anúncios irresponsáveis de ministérios espalhados pelo reino; promessas de diminuição do número de cortesãos... saldadas pelo seu aumento; uma dama a transitar, meteórica e imperturbável, da Defesa para os Espectáculos; um cavalheiro a invocar a linhagem dela (filha de militares e neta de militares) como justificativo de comando das tropas; uma caricata cerimónia de beija-mão, na posse, com milhares de reverentes ao carreirismo e ao caciquismo, com ministros calados e os cinco filhos do Primeiro a prestarem declarações aos jornalistas; ministros que transitaram do anterior Governo a demarcarem-se do que esse Governo fez.

Portugal está enredado numa teia de interesses que se reforçou com este Governo de agentes económicos, de amigos e de arranjinhos de última hora. Falta-nos ter a Kapital por cenário das próximas declarações políticas e a "Caras" a substituir o "DR" na publicação dos diplomas governamentais.
(...)
O peso da soberania do povo, paradigma máximo da democracia, foi substituído pela filosofia do quebra e rasga e está bem retratado na presente mistificação nacional, que me faz sentir três vezes enganado: a Câmara de Lisboa tem um presidente que os eleitores não votaram e não conhecem; quem foi eleito para a câmara acabou em primeiro ministro, sem ter sido escrutinado para tal; e quem era primeiro ministro eleito está agora na presidência da Europa... depois de ter sofrido uma monumental derrota nas eleições europeias. Um só fio condutor: o vale tudo, o despudor de fazer hoje o contrário do que se prometeu ontem, a deserção irresponsável dos cargos confiados pelos eleitores.

Publicado por: asas em julho 25, 2004 11:10 PM


Acho que certos comentários mereciam ser apagados e, mais não digo.

Publicado por: cachucho em julho 26, 2004 12:54 PM

Tens razão e peço desculpa. A verdade é que o poema parecia bastante mais pequeno no email. Logo depois de ter afixado a curiosidade, arrependi-me - mas já era tarde. Não repito, não.

Publicado por: João Ribeirete em julho 27, 2004 02:13 AM

indepêndencia para a madeira já!

o nojento do jardim só quer o dinheiro do «contenente» e passa a vida a atacar lisboa e não só, ó pá deêm-lhe mas é a indepêndencia e o gajo que se amanhe sózinho. não sei poquê que os madeirenses têm tanto medo desse ditador, estilo américa do sul.

ele que arranje emprego no circo.

Publicado por: antonietapaulo em julho 27, 2004 10:21 AM

Ao antonietapaulo
Em relação aos Açores e à Madeira, o dinheiro que conquistarmos na capital do império é sempre pouco, enquanto formos tratados como colónias.
Vejam por exemplo o mau gosto, mesmo por brincadeira, do Luís Rainha, de no ponto 9 dizer que, seja lá pq for, como recompensa o PP receberá duas ilhas dos Açores. Quer queiram quer não, isso demonstra um corrente subcutânea de colonialismo cultural.

Publicado por: TóZé em julho 29, 2004 06:39 PM