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julho 24, 2004

Tirar a cabeça da areia

Este novo Governo, jovem de apenas uma semana, tem já um curriculum de ridículo difícil de invejar sim, mas um ridículo que atinge toda a geração dos anos 60/70 a tal que gosta de vangloriar-se da superioridade das suas vivências relativamente às seguintes.
Este é o produto "possível" no momento da assunção plena das responsabilidades de direcção do país por parte dessa geração.
Não interessa que muitos foram os que se afastaram por isto ou por aquilo, ou mesmo porque não têm pachorra para transigir com o sistema.
É esta a borra que ficou à tona. E aposto que todos adoram a musica dos anos sessenta, os Beatles, os Rolling Stones, e o "em Órbita", alguns tiveram um dois cavalos, andaram à boleia e tudo.
Pode dizer-se em jeito de consolaçãozinha, que reflecte sobretudo o que é hoje a direita em Portugal, intelectualmente de rastos e à mercê do desenrascanço mais imediatista, com as suas possíveis referência mais sólidas e credíveis fora do baralho disponível no momento:
O Cavaco em sabáticas preparando o doutoramento presidencial e o Pacheco, marginalizado ou de molho enquanto dirigente partidário, sem que a sua visibilidade quase ubíqua, garante de um "sucesso de estima" junto dos "intelectuais", lhe assegure os favores da maioria dos militantes ansiosos por resultados "palpáveis" e "pulpáveis" como qualquer adepto desportivo.
Mas o consolo não serve de muito; em termos de "classe política" parece ser pouco o que separa os dirigentes dos vários quadrantes com possibilidades práticas de governar o país, e muito o que os une em termos "culturais".
Bem mais grave porém, é tentar vislumbrar como quem virá a seguir conseguirá melhor, contemplando as possibilidades de regeneração por parte das gerações seguintes afogadas em competências nas áreas do "marketing" do "turismo" na "publicidade" e na "gestão".

Publicado por tchernignobyl às julho 24, 2004 11:50 AM

Comentários

Olhe que não! Olhe que não!
A questão não é geracional. Não confunda a rama com a árvore.
É mais uma opção política de direita e uma mentalidade de ter sucesso a todo o custo sem olhar a quais são os meios para se atingir os objectivos.
Dobrar o número de guarda-costas não é uma questão geracional, é mania das grandezas mesmo!

Publicado por: daniela em julho 24, 2004 12:20 PM

Grande artigo no "Público". Leiam-no todo aqui:
http://jornal.publico.pt/2004/07/24/EspacoPublico/index.html

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Três Vezes Enganado

Como se sentirá o Presidente da República perante o festim que caucionou em nome da estabilidade? Foi para isto que reflectiu tanto e só lhe faltou ouvir os deuses do Olimpo? Que terá pensado da lista de titulares dos diferentes condados desta monarquia dinástico-partidária em que Portugal se transformou? Em escassos dias de espectáculo, já vimos de tudo: anúncios irresponsáveis de ministérios espalhados pelo reino; promessas de diminuição do número de cortesãos... saldadas pelo seu aumento; uma dama a transitar, meteórica e imperturbável, da Defesa para os Espectáculos; um cavalheiro a invocar a linhagem dela (filha de militares e neta de militares) como justificativo de comando das tropas; uma caricata cerimónia de beija-mão, na posse, com milhares de reverentes ao carreirismo e ao caciquismo, com ministros calados e os cinco filhos do Primeiro a prestarem declarações aos jornalistas; ministros que transitaram do anterior Governo a demarcarem-se do que esse Governo fez.

Portugal está enredado numa teia de interesses que se reforçou com este Governo de agentes económicos, de amigos e de arranjinhos de última hora. Falta-nos ter a Kapital por cenário das próximas declarações políticas e a "Caras" a substituir o "DR" na publicação dos diplomas governamentais.

O peso da soberania do povo, paradigma máximo da democracia, foi substituído pela filosofia do quebra e rasga e está bem retratado na presente mistificação nacional, que me faz sentir três vezes enganado: a Câmara de Lisboa tem um presidente que os eleitores não votaram e não conhecem; quem foi eleito para a câmara acabou em primeiro ministro, sem ter sido escrutinado para tal; e quem era primeiro ministro eleito está agora na presidência da Europa... depois de ter sofrido uma monumental derrota nas eleições europeias. Um só fio condutor: o vale tudo, o despudor de fazer hoje o contrário do que se prometeu ontem, a deserção irresponsável dos cargos confiados pelos eleitores.

Publicado por: Três Vezes Enganado em julho 24, 2004 12:25 PM

Lili Canecas

Eu sou uma senhora e não gosto de me meter nestas coisas de gentinha, mas enfim, cada um é para o que nasce e uma mulher como eu tem obrigações. Tenho muita pena dos miúdos que fazem este Blog. Têm uma linguagem do Seixal, ainda parece que vão com a mãe vender fruta. Ó ricos, façam uma plástica, comprem roupinhas de marca, mas deixem essa linguagem de esquerda carroceira que é tão pobrezinha. E o pior queridos, não é ser pobre, é ser pobre e parecê-lo...

Publicado por: Lili em julho 24, 2004 03:24 PM

Esta é a geração dos "YUPPIES" em segunga mão, dos BM 318, do sucesso imediato e sem olhar a meios, dos ataques cardíacos prematuros, da obrigatoriedade de serem vistos com o jornal certo no dia certo, do telélé a conduzir, de falar no restaurante da moda, do gel no cabelo, de encornar o amigo e muito mais. É a esta gente que o poder está entregue, foi esta gente que subiu sem pudor na máquina partidária dos partidos de direita.

Publicado por: Carlos Camacho em julho 24, 2004 10:43 PM

Estou completamente de acordo mas pergunto: quais são as referências mais sólidas e credíveis da Esquerda? Também não creio que façam parte do baralho disponível...

Publicado por: Nuno Morais em julho 24, 2004 11:16 PM


É isso, é um croblema do paralho!

Publicado por: anhuca em julho 25, 2004 03:26 AM

É uma questão de sabedoria popular: não lixes os outros como não queres que te lixem a ti!

Publicado por: daniela em julho 25, 2004 09:37 AM