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julho 22, 2004

A TRIBO DO ASTÉRIX

O processo da Casa da Música, sejam quem forem os responsáveis, é um escândalo que simboliza o triunfo da rede de cumplicidades, incompetências e corrupção intelectual, para dizer o mínimo dos mínimos, que envolve Portugal no planeamento, projecto e execução de projectos desta dimensão.
De 182 para 300 milhões de euros e de dois (salvo erro) para seis anos de obra!
E estes não são ainda os números finais, mas apenas a projecção mais actualizada. Quando a obra acabar MESMO, vamos ver.
Não é a derrota na Final do Europeu, ou a ida de Barroso para Bruxelas, a tibieza de Sampaio e a ascenção do inenarrável Lopes ao cargo de Primeiro-Ministro que nos deveriam fazer emigrar.
São porcarias como esta, a dos túneis, do metro e do marquês de Pombal, a Ponte Europa em Coimbra, e, não esqueçamos, o caso do CCB, o Templo Dourado do Cavaquismo, concluído com uma derrapagem orçamental em termos percentuais como não há memória.
É que com as aventuras do Lopes, do Durão e do Sampaio, uma pessoa ainda pode refugiar-se na crítica populista "aos políticos".
Com estes casos que referi, embora se possa argumentar que há decisões políticas irresponsáveis na raiz dos problemas (os túneis de Lisboa, a Casa da Música são casos óbvios...), é a vida profissional de milhares de pessoas que é directa ou indirectamente afectada, porque pressupõe a caução iniludível, incompreensível e continuada que se dá a estas situações por centenas ou milhares de técnicos de várias especialidades e diversos níveis de responsabilidade.
Injusto?
É que não há sequer a desculpa da falta de know-how.
Atente-se na execução do terminal do Gás Natural em Sines, cujo contrato foi assinado em Novembro de 2000 e a conclusão da obra prevista para Dezembro de 2003:
Uma obra com um orçamento brutal, 269 milhões de euros, superior ao orçamento inicial da Casa da Música, certamente de não menor grau de dificuldade de execução técnica e de muito mais graves potenciais perigos ambientais e de segurança, no caso de existirem erros no projecto.
Qualquer desvio orçamental de pontos percentuais se traduziria em milhões de euros, já para não falar nas costumeiras situações dos 20 por cento, 50 por cento, 100 por cento!
No entanto, coisa inacreditável, a obra foi completada no prazo (apertado para uma obra desta envergadura) e dentro do orçamento! Ficou mais barata do que a Casa da Música.
Não acredito que haja aqui algum dedo milagreiro, alguma imagem do Menino Jesus de Praga estrategicamente colocada no local da obra e faço a pergunta:
Será que não existem em Portugal, uma vez que já se viu que a "classe política" dominante é mais ou menos homogénea, mais equipas de gestores, projectistas, empreiteiros, fiscais, etc... ou, no mínimo, com capacidade de liderança e coordenação que tornem esta situação a regra e não a excepção?
Porquê? Porque razão é isto um caso isolado e não a regra? Como é possível um desnível tão abissal de performances?
Alguém, mas tem de ser alguém muito bem colocado no processo de tomada de decisões relativas a estes projectos de grande envergadura, precisa de me explicar isto.
Nota final: os estádios do Euro, e muito bem, foram cumpridos dentro do prazo e também em tempos record. Esperam-se informações quanto ao cumprimento dos orçamentos.

Publicado por tchernignobyl às julho 22, 2004 08:59 PM

Comentários

Não metas o Asterix ao barulho que é um tipo fixe! Isso para mim é blasfémia!

E a sua aldeia com todos os seus vicios que tenha é bem melhor do que os indios que nos têm governado.

Publicado por: Rui Silva em julho 22, 2004 09:36 PM

"Tubarão" aldrabão: isso já vem muito antes do tempo do Tonecas.

Publicado por: Paulo em julho 22, 2004 10:05 PM

Um texto interessante, mas cuidado com os erros de acentuação e com o uso exagerado de estrangeirismos... também é um sinal de contaminação de influências além-mar que convém evitar...

Publicado por: Prometeu em julho 22, 2004 10:50 PM

Rui Silva a ideia do post é que este estado de coisas não depende apenas dos "indios que nos têm governado".

Publicado por: tchernignobyl em julho 22, 2004 11:20 PM

Prometeu: os erros de acentuação são gralhas.
Os estrangeirismos, alguns dão-me gozo, outros insinuam-se nas minhas deficiências em matéria de expressão escrita.

Publicado por: tchernignobyl em julho 22, 2004 11:25 PM

Concordo em absoluto com tudo o que escreveste.
Porque raio nunca mais falaram da barraca do metro entre santa apolonia e terreiro do paço?
Cambada de incompetentes.

Publicado por: cachucho em julho 23, 2004 02:19 AM