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julho 21, 2004

POR DETRÁS DOS SLOGANS TELEVISIVOS...

1 - Os nossos sacrifícios estão a valer a pena.
«Sem medidas temporárias e com ajustamento ao ciclo, o défice ascenderia a 5,7% do produto interno bruto (PIB), em 2001, a 4,7%, em 2002, e a 4,5%, no ano seguinte» (Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal). Nota: é sensivelmente o mesmo décife do final da legislatura de Guterres.

2 - O novo governo é a continuidade do anterior.
«Este Governo não tem que responder pelas suficiências ou insuficiências do anterior» (Morais Sarmento, ministro da Presidência do Conselho de Ministros)

3 - Sampaio não dá orientações nem assume responsabilidades no novo programa do governo.
«É preciso conter criteriosamente a despesa pública corrente e combater eficazmente a evasão fiscal. Só assim se poderá ganhar margem de manobra para evitar que se sacrifiquem indevidamente despesas sociais necessárias» (Jorge Sampaio, na mesma intervenção)

Tanta honestidade e coerência até assusta. (Nuno Pinho)

Publicado por José Mário Silva às julho 21, 2004 12:25 PM

Comentários

Bela análise do défice José Mário.

Comparar os gastos e as receitas do Estado situação pré-recessão com uma situação de recessão não lembra a ninguém. Enfim...

Publicado por: Miguel em julho 21, 2004 12:40 PM

O texto não é meu, Miguel. Está assinado. É de um itálico: o Nuno Pinho.

Publicado por: José Mário Silva em julho 21, 2004 02:41 PM

Haverá certamente uma diferença. Mas o que há a sublinhar é o facto de não ter havido, apesar de tantos sacrifícios económicos, uma real contracção do défice. Essa foi a grande bandeira promocional do governo transacto, e é uma ilusão. Não sou eu que o digo, mas o Governador do Banco de Portugal.

Publicado por: Nuno Pinho em julho 21, 2004 02:44 PM

Desculpa JMS, foi falta de atenção.

O problema meu caro Nuno é que em recessão é normal o aumento do défice. Aumentam as despesas (nomeadamente com o aumento dos subsídios de desemprego) e diminuem as receitas (menos impostos colectados). Temos também de ter em conta que muita da despesa é fixa (um colega dizia que era cerca de 80%)

O facto de o governo apesar do agravamento da situação económica ter conseguido manter o défice (antes das despesas/receitas extraordinárias) no mesmo valor é um bom resultado.

Já que refere a recente conferência de Vítor Constâncio convém recordar também o que este falou sobre o défice que foi herdado dos governos de António Guterres.

Publicado por: Miguel em julho 21, 2004 04:22 PM

Miguel ,
o "defice" que é referido na citacao do JMS é o defice "Sem medidas temporárias e com ajustamento ao ciclo " i.e está ajustado de forma +- correcta ao ciclo economico recessivo presente.
o defice que falas( ajustado apenas de medidas temporárias ) até aumentou...-4.4% em 2001 ,-4.1% ,e -5.3% em 2003 .

importa referir é que passámos de uma situcao em que a despesa primaria crescia a taxas 10% ao ano...para crescimentos de 3/4%...
importa pensar como estariamos se o governo tivesse optado pelas politicas de aumento de gastos que alguns defendiam...

Publicado por: JR em julho 21, 2004 05:55 PM

Nesta conjuntura, parece-me a política dividida entre Cascais e o Fogueteiro. Mero debitar de palavras, sem vencedor à vista, se a recessão já vinha dos últimos anos do governo socialista. Mas então que valor tem um discurso da tanga para nos pôr de pelota? É dar tempo, senhores, que ninguém faz milagres, está provado. Mas o perigo real reside na acentuada discrepância entre os "seis milhões" de trabalhadores, mais e mais prejudicados, por força da ancestral minoria de instalados mais à direita da Europa.

Publicado por: Charles em julho 21, 2004 06:17 PM

Meu caro Miguel, acha mesmo que o balanço económico do governo é positivo? Concorda comigo quando diz que não diminuiram o défice. Esse era o tema do meu post: o governo diz que inverteu o ritmo da economia e não o fez.

Contudo, também podemos analisar os dados económicos. fala de receitas: fixas ou não, o governo não as soube aumentar. Aliás, ouso dizer que as conteve com o famoso discurso da "tanga". O governo gastou menos cortando apenas no investimento e aumentando o défice patrimonial.

Certamente que os gastos com subsídios de desemprego foram maiores (a conjuntura ajudou, mas não houve nenhuma acção do governo que travasse o disparar do desemprego). Em contraponto, o IVA aumentou 2%.

As empresas tiveram o benefício de um código de trabalho ao encontro das suas pretensões, o irc (o pouco que é cobrado) começa a baixar, mas mesmo assim portugal cresce abaixo da média europeia. Afinal de contas, parece que a conjuntura ajuda muito a descer, mas a subir já nem tanto.

Quando à herança do governo de Guterres, eu concordo ter sido um fraco governo que não soube capitalizar os melhores ventos económicos de então. Mas nunca disse o contrário.

A verdadeira questão, Miguel, é: depois de tantos sacrifícios impostos à população em geral (congelamento de salários, aumento geral do custo de vida), o governo não soube ter uma política eficaz para melhor a economia do país. Fez operações extraordiárias, estrangulou a população e chegando ao fim, parece que apenas crescemos devido aos tais ventos conjunturais e não devido a políticas económicas. E mesmo assim, menos que os outros (A Grécia crescerá bem mais, por exemplo).

No final da governação de Santana, será interessante ver a política económica seguida.

Um abraço, Nuno Pinho.

Publicado por: Nuno Pinho em julho 21, 2004 07:04 PM

O governo que agora terminou só tomou posse no segundo trimestre de 2002.

jcd

Publicado por: jcd em julho 21, 2004 07:19 PM

O Balanço económico do Governo é muito positivo, tendo em conta o ciclo económico recessivo a nivel mundial. Bastam ler os índices do FMI e do Banco Mundial: o PTI foi de 3,748% (2,78% média europeia), o SLTA foi de 2,418%) (2,415% média europeia e 2,413% média mundial) e o STCE foi de 1,499% (0,491% média europeia). Se isto não são boas notícias, então o que é que serão as más?

Publicado por: Mac Macléu Ferreira em julho 21, 2004 09:33 PM

Caro Mac Macléu Ferreira:

Até me pode dizer que o NGI nacional foi 3.45% comparado com a média europeia de 2.89, que o FTI PT manteve-se dos pontos percentais acima da mesma média e que o NSD foi o maior da OCDE, mas a taxa de demprego aumentou nestes dois últimos anos e a função pública não teve aumentos reais de ordenados (assim como a restante população).

São estas as más notícias. Se as notícias fossem boas decerto seriam propagandeadas pelo actual executivo.

Fique descansado que eles não andam a dormir e avisam-nos. Mesmo que estejam errados.

Publicado por: aZElha em julho 22, 2004 01:04 PM

Exmo Senhor Azelha

Era suposto este ser um espaço para entendidos. A taxa "deste" desemprego não representa nada em termos económicos. Ela flutua em função dos interesses políticos. Os partidos da oposição tendem sempre a querer enganar a população inculta. Se não fosse assim o país ainda estava ao nivel de há 30 anos atrás. É isto que tem de ver, são os indicadores relacionados com o Desenvolvimento que dão o real valor do estado do país. Se o seu vizinho deixar de trabalhar por quis, ele entra para a conta dos desempregados. Se outro não quis aceitar o emprego que lhe davam, ele continua a contar para o desemprego. Já se perguntou porque razão é que as grandes superfícies estão sempre a oferecer empregos? Porque é que precisamos de mão de obra estrangeira, se temos tantos desempregados? Um recém licenciado que não encontra emprego entra logo para as contas do desempregado. Nem começou a trabalhar e já é considerado desempregado. Lá fora não é assim que se fazem as contas. A Lei que nos rege ainda é do tempo do PCP no Governo! Todos os meios valiam para atingir os fins. Tentavam enganar as pessoas para atingirem o poder. Claro que agora só enganam meia dúzia! O Desenvolvimento trouxe uma nova mentalidade!

Publicado por: Mac Macléu Ferreira em julho 22, 2004 04:59 PM