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julho 18, 2004

DOIS IRMÃOS

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Ontem à noite, no Teatro Municipal de Almada: «Dois Irmãos», de Fausto Paravidino. Uma produção dos Artistas Unidos, encenada por Jorge Silva Melo, com José Airosa, Pedro Marques e Carla Galvão.
O texto é uma máquina de tensões, um pequeno universo de afectos desencontrados, de equívocos, de vidas em circuito fechado. Há uma progressão temporal claustrofóbica, um acumular de energias à espera de explodir, cartas que se trocam de viva voz (através de cassetes áudio), bastantes silêncios, um bizarro triângulo amoroso, jogos sobre a verdade e a mentira. Quase tudo coisas assim: frágeis, voláteis.
Depois, como sempre nas peças de Paravidino, a escrita é feita de rasgões, a linguagem tem a lâmina afiada. Só que este espectáculo, por enquanto, ainda não fere, ainda está rombo, perro, desafinado. Falta qualquer coisa, sobretudo ao nível da direcção de actores: Pedro Marques não convence quando berra; Carla Galvão é mais açucarada do que o pote de Mutella que vai comendo com corn flakes; e só Airosa tem o desprendimento certo no papel de irmão mais velho.
Nada que o tempo em palco (e os ajustes de Silva Melo) não possa solucionar, quando a peça reiniciar a sua carreira no Teatro Taborda.

PS: Depois de «Dois Irmãos», os Artistas Unidos fizeram uma leitura encenada de outra obra de Paravidino: «Natureza Morta numa Vala». É um extraordinário tour de force narrativo, com seis personagens à procura da explicação de um crime, que já tinha sido levado à cena no Festival, na versão italiana para um só actor (Franco Russo Alesi). Se dúvidas restassem de que Fausto Paravidino é já, aos 28 anos, um dos dramaturgos mais interessantes do teatro europeu contemporâneo, esta leitura (juntamente com a que foi feita de outro texto brilhante: «Génova 01») dissiparam-nas por completo.

Publicado por José Mário Silva às julho 18, 2004 04:48 PM

Comentários


Muito obrigado

Com isso veio-me à memória, que poderíamos, nesta época de indiferença Política e de um Autismo de ideias que caracteriza a Traumatizada "Esquerda", reeditar a nossa querida e adormecida MAIORIA SILENCIOSA:

- Que são os 6 milhões de Portugueses, que trabalham honestamente e que sustentam esta "esquerda" ressabiada e odiosa.
Esses mesmos 6 milhões, que só querem trabalhar para ter uma vida melhor.

Porque sem trabalhar, e a viver à conta do Erário Público e do Patronato, nós já sabemos quem eles são há 30 anos.

Era só terem o Cartão de Militante, e já tinham emprego.

Foi assim que arrasaram as nossas empresas.A juntar à descolonização "exemplar" encharcaram o País de desemprego e miséria.

São esses mesmos 6 Milhões, que não metem os pés em Eleições nenhumas.

Esses é que são a força do nosso País.

São esses mesmos 6 Milhões que trouxeram as bandeiras para a Rua. E disseram que Portugal é bom, que os portugueses fazem tão bem ou melhor do que os outros.

A Maioria Silenciosa está viva!

Publicado por: Guelas em julho 18, 2004 11:15 PM

Será que ainda não perceberam que ninguém tem paciência para as vossas atoardas?

Publicado por: José Mário Silva em julho 18, 2004 11:56 PM

Oh Guélas, assim não! A Direita não quer tipos como você que só estragam a imagem duma direita responsavel, educada, e consciente. Assim não, amigo, ordinarices não!Só está a prestar um mau serviço à direita que sempre se pautou por uma moral acima de qualquer suspeita.

Publicado por: john em julho 19, 2004 02:56 AM