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julho 16, 2004

SALSA NO OLYMPIA

Fui há algum tempo ao histórico Olympia ver Omara Portuondo, a grande dama viva da canção cubana. Não pude evitar recordar que estava numa sala histórica, por onde já tinham passado monstros sagrados da canção. Mas sinceramente pareceu-me que era isso o mais excitante que a sala do sr. Bruno Coquatrix tinha para oferecer que a distinguisse de outras salas: a história. Nada mais. A sala não me pareceu verdadeiramente nada de especial. Pareceu-me algo pretensiosa. A ideia do dono de ter o seu nome em néon por baixo do nome da sala parece-me de muito mau gosto... Se ele queria ser conhecido por ser o dono do Olympia, que tivesse dado o seu próprio nome à sala quando a fundou! O Carnegie Hall de Nova Iorque tem o nome do seu mecenas e ninguém se aborrece. O que eu nunca tinha visto era um tipo que, pelos vistos, só por ter nome de habitante da aldeia do Astérix, se julga tão ou mais importante do que a sala, quando afinal ninguém o conhece.
Bem, talvez esta má vontade se deva a uma certa decepção com o concerto de Omara. Ficou longe do que eu esperava. Ainda não tinha ouvido o seu mais recente álbum, Flor de Amor, mas esperava um trabalho na linha de Buena Vista Social Club e do seu álbum anterior, Omara Portuondo. Ou seja, esperava ouvir predominantemente boleros. No entanto, grande parte do concerto foi constituído por salsas e guarachas. Também houve espaço para algumas canções clássicas cubanas, para uma canção especialmente composta por Carlinhos Brown para Omara e para a inevitável Veinte Anos. Talvez esteja a ser injusto (eu até gosto de salsa), mas saí do concerto com a sensação de que Omara parece apostada em substituir a imortal Célia Cruz como a rainha da salsa. Parece-me um erro por dois motivos. Nunca o conseguirá (principalmente para o público hispânico nos EUA, para quem Célia Cruz era um ídolo), e nem me parece que seja essa a sua vocação natural. Esperemos que se mantenha no son e no bolero.

Publicado por Filipe Moura às julho 16, 2004 01:55 AM

Comentários

Castro comprou a voz da Omara, coisa que nunca pode com a da Célia, "Buena Vista social Club" a "Boas Vista" so para os cegos que nã vem o que acontece na Cuba "Socialista" ou "Sociolista"
Célia moreu com dignidade (Livre)Omara vai ficar como Lenine momificada nas lembraças de uma Cuba em total decadência social e cultural.

Publicado por: el Cubano em julho 16, 2004 01:05 PM

Filipe, aconselho o Le Java, na rua Faubourg du Temple, não me recordo bem do número mas era depois da estação de metro que encontras se subires a partir do canal de st.martin.
passam-se grandes noites de música lá.

Publicado por: tiago em julho 16, 2004 08:50 PM

Obrigado pela sugestão, Tiago.

Publicado por: Filipe Moura em julho 19, 2004 11:02 AM