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julho 13, 2004

IMPOSTOS E IMPOSTORES

Nunca percebi por que é que a tarifa doméstica da electricidade é mais cara do que a tarifa industrial. Parece-me que o uso da electricidade para passar a ferro, para um frigorífico ou para cozinhar, é tão essencial como o leite. Por que é que um alfaiate ou o dono de um restaurante, que utilizam a electricidade para os mesmos fins (e mais um, que é ganhar dinheiro), pagam a electricidade mais barata? É um favor que o Estado lhes faz por fugirem ao pagamento de impostos?
De resto, a fuga aos impostos dos nossos empresários (mais de 60% não pagam impostos durante anos a fio!) é uma escandaleira nacional. Mas se eles não pagam de uma maneira, tem que pagar de outra. A partir de agora, eu quero que a tarifa da electricidade industrial passe a custar cinco vezes mais do que a tarifa doméstica.
No gasóleo industrial e nos veículos comerciais, a filosofia é a mesma. Por que é que são mais baratos que os nossos? Eu quero que o gasóleo industrial custe o dobro do normal, em vez do contrário, e, se eles têm dinheiro para comprar Ferraris e Range Rovers, também têm dinheiro para pagar veículos comerciais, que são os que lhes dão o dinheiro a ganhar. Eu quero que qualquer veículo comercial passe a custar, no mínimo, 50000 euros, mais um imposto de selo por ano no valor de 500 euros. Se eles não pagam de uma maneira, pagam de outra.
Toda a gente sabe que os profissionais liberais também são muito bons a fugir aos impostos (os trabalhadores por conta de outrém pagam em média 200 contos de IRS por ano, enquanto os profissionais liberais se ficam pelos cento e poucos). Eu quero que as tarifas da electricidade e água, em escritórios de médicos, advogados, arquitectos, etc, sejam 20 vezes mais caras do que as tarifas domésticas. Se eles não pagam de uma maneira, pagam de outra.
Outra coisa que me parece evidente: se as únicas pessoas que pagam impostos são os assalariados, e os empresários continuam a recusar-se a pagar o IRC, que agora até é só 30%, aumentam-se todos os empregados 30%, o que dá um aumento na colecta de impostos de 30%, e acaba-se com o IRC. É justo, não é? Se eles não pagam de uma maneira, pagam de outra.
Eu não quero continuar a aturar empresários chico-espertos, que recebem ajudas, incentivos e subsídios (muitos a fundo perdido) do Estado e da UE, que pagam a electricidade, a água, o gasóleo, os carros, e os terrenos em zonas industriais, mais baratos e à nossa custa, mas estão sempre a falar contra o Estado-Providência e políticas sociais, que até choram quando um pobre recebe o rendimento mínimo, que estouram os subsídios do Estado e da UE em carros, putas e copos, que montam o seu tasco, arranjam um empregado a quem pagam a caixa, mais meia dúzia de ilegais, a quem pagam 60 ou 70 contos por mês, que se acham sempre os melhores pagadores porque ali ao lado só pagam 50, e que ainda vão para o café gabar-se e rir, à frente de toda a gente, de que não pagam impostos.
Parece-me que andam a roubar os pobres para dar aos ricos.
(Luis Alves)

Publicado por José Mário Silva às julho 13, 2004 02:03 PM

Comentários

????

Publicado por: JR em julho 13, 2004 02:55 PM

Este texto do Luís é um bom exemplo da inveja nacional.
Eu não quero que o preço da electricidade para fins idustriais suba. Eu quero é que a minha desça...
Aliás, é plenamente justificada a existência de taxas especiais para as empresas. É a única forma de elas serem minimamente competitivas face aos preços praticados noutros países.
O problema é que, á falta de recuros, o estado vem buscar dinheiro aos bolsos do Zé Pagante, o contribuinte vulgar...

Publicado por: O Raio em julho 13, 2004 04:12 PM

É bem verdade. Nas minhas discussões cordatas com os meus amigos economistas e fiscalistas também lhes digo coisas do género, só que eles não acham muita graça, pois a realizar-se tal utopia correriam o risco de perder emprego!
Depois há toda uma categoria de "bem pensantes" à direita e à esquerda muito defensores da livre iniciativa e livre mercado que não desdenham a existência de incentivos (subsídios à incapacidade e convite à vigarice) por parte do Estado e que nos consideram (você, eu e outros) utópicos ou demagogos.
Mas que lhe digo que se estas ideias fossem postas em prática isto mudava, lá isso mudava e de que maneira!

Publicado por: FBR em julho 13, 2004 04:12 PM

Sem comentários...

http://portabandeira.blogspot.com ---> respondam-me a esta pergunta...

Publicado por: Viriato em julho 13, 2004 05:17 PM

Apoiado!

Mas "outrem" não tem acento.

Publicado por: curioso em julho 13, 2004 05:17 PM

Peço licença. Venho "meter bico em bebedouro alheio", mas a causa são os impostos e os calores que me causam. Sempre se fala em aumentos e desaumentos de impostos (mais aqueles do que estes) dou comigo a magicar que, sim, senhores!, são sempre os pobres e os trabalhadores por conta de outrem que "pagam as favas ao Miguel..."
Ora, conjecturando. Se estes últimos -primeiros da cadeia dos tributados- pudessem abater, integralmente, na sua declaração de IRS, todos -TODOS, disse!- os custos da sua vida diária, desde a bica ao carrito, veriam que os impostos arrecadados nos tais intermediários que fogem permanentemente so fisco, superariam, largamente, os valores que deixariam de ser cobrados aos pobres que vivem de salários de miséria!
Pois não é que, ante a inutilidade dos recibos do médico, do advogado, de tantos e tantos outros, o consumidor final deles abdica?
Enquanto todos os custos suportados pelos consumidores finais, os que não podem escapar à retenção na fonte, não forem considerados, as fugas, nos "independentes" e intermediários serão a causa da pouca receita fiscal.
creio.

Publicado por: Zé Lume em julho 13, 2004 05:51 PM

A fuga aos impostos é a musica mais tocada neste país, sei que já foram apresentadas algumas propostas sérias para controlar este crime, mas ninguém tem coragem,faz perder votos.
Basta ver a proposta do Medina Carreira e a pressa com que foi arrumada pelo Pina Moura, assim vamos continuar e o resto é treta.
Já agora este também arranjou um bom tacho, parabéns.

Publicado por: provocador em julho 13, 2004 06:06 PM

Será que os que reclamam que a electricidade é cara são os mesmos que andam de um lado para o outro de automóvel e nem pestanejam quando aumenta a gasolina e o gasóleo?
E será que o problema do IRC deve ser resolvido com algo tão pouco realista e justo para a minoria de empresas que paga os seus impostos, cira emprego, etc, etc.?
Penso que não.
Quanto à electricidade, será que o consumidor comum não reparou que nos últimos anos houve anos consecutivos em que as tarifas baixaram. Os consumos, esses, subiram, o que leva a que muitos consumidores vejam a sua factura total subir.
A esses sugiro racionalização dos consumos, compra de equipamento mais eficiente e p.ex. envio de leituras frequentes à EDP, via internet.

Publicado por: FlorGrela Estampa em julho 13, 2004 06:07 PM

O Zé Mário, porque é que publicas tanta estupidez pegada? o artigo é tão idiota fiscalmente que não tem ponta por onde se Lhe pegue.... quanto aos impostos, folgo em saber que há pelo menos uma pessoa que tu conheces que defende aumento dos mesmos.

Publicado por: cparis em julho 13, 2004 07:50 PM

Que porcaria de Post... Se descesse à Terra era uma boa ideia! Se é para escrever tanta idiotice junta mais vale nao escrever nada!

Publicado por: Armando em julho 13, 2004 08:52 PM

Ia falar mal disto, mas já o fizeram acima de mim... Um disparate pegado.

jcd

Publicado por: jcd em julho 13, 2004 11:01 PM

Acho que o Luís Alves tem razão numas quantas coisas. Mas a vida no país não é a preto e branco.
Eu sou profissional liberal. Vou pagar 270 contos de IRS e, por isso, não posso fazer férias. Este é o quinto ano consecutivo em que não faço férias.
O governo do Durão Barroso só andou a destruir a classe média. Não queiram vocês enveredar pelo mesmo caminho, que assim não vamos lá...

Publicado por: anónimo em julho 13, 2004 11:26 PM

Seria uma imensa alegria constatar que opinadores de esquerda fossem também empresários por conta própria. Ou seja: que não fossem: estudantes, trabalhadores do estado ou empresas públicas e outras castas absolutamente improdutivas e dependentes da produtividade alheia.
Um ilustre engenheiro e sociólogo, ex-ministro da engª Pintassilgo (Bruto da Costa) nos seus estudos sobre a pobreza (alheia)conclui que a maioria são... empresários em nome individual e patrões.
Isto está mau para arranjar base social de apoio para fazer a revolução social.

Publicado por: alice samora em julho 14, 2004 01:09 PM

E o Chouriço do Vitorino que espetou com cara de mau a brutal nega ao PS !!!!!?????!!!!!
Ia meter-se na mixórdia ?
Sabe Deus o que saberá ele !!!

A esquerda resvala inexoravelmente .
No futuro ,( sei lá daqui a uns 200 anos) só vai haver PP e PSD.
Depois aparece o PS, uma sombra esqualida , uma curiosidade.
E o PC e o BE não passarão de fósseis há muito extintos.

Publicado por: Afonso Henriques em julho 14, 2004 07:18 PM