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julho 07, 2004

ADENDA

Apesar do meu texto anterior, concordo inteiramente com o Luís no que ele escreveu sobre agradecer-se a um tipo principescamente pago. Quem quer ser de esquerda na prática e não somente no papel sujeita-se a contradições destas.

ADENDA À ADENDA: Para se agradecer ou não a uma pessoa, vários aspectos têm de ser considerados. Para mim, o facto de essa pessoa ganhar salários elevados é um "contra", mas que pode perfeitamente ser compensado por outros aspectos como a relevância dos seus serviços e a maneira como os desempenha. Pode perfeitamente, portanto, agradecer-se a quem tem um salário elevado e não há aqui contradição nenhuma.

Publicado por Filipe Moura às julho 7, 2004 02:21 AM

Comentários

Ora aqui já não concordo. ( o que tem graça é estas oscilações, não é?)
Vamos ver. O que tem o agradecimento a ver com um ordenado? Não consigo por-me na vossa pele. Acho que uma pesoa trabalha, seja qual for o trabalho que faz e deve ser paga. Do operário ao artista. Um quadro de um pintor pode atingir somas astronómicas e ainda bem. É porque há quem tenha dinheiro para o fazer. Depois há a despedida, o abraço, o tal "obrigado" e isso não tem a ver com trabalho e ordenado, tem a ver com afectos. Aliás o que dizes no post aqui em baixo. É disso que se trata. Um bailarino parte uma perna e vai deixar de dançar, um pintor deixa de ver e não pode pintar, ganharam dinheiro antes e podem continuar a fazê-lo noutras áreas, mas não devem receber uma palavra de apreço? Porque não? Mudámos de áreas, estamos agora a falar de emoção e afectos.

Publicado por: Emiéle em julho 7, 2004 08:20 AM

Tens razão, Emiéle. Já escrevi a "adenda à adenda".

Publicado por: Filipe Moura em julho 7, 2004 11:10 AM

Mas agradecer o quê, com mil diabos?
O facto de o Rui Costa jogar bem? Os jogos que fez pela selecção? O não ser tão morcão como 99% dos seus colegas?
As duas primeiras hipóteses não fazem muito sentido: há muitos outros nas mesmas condições que não te suscitam esse público penhor da tua gratidão. A última parece-me insuficiente.

Publicado por: Luis Rainha em julho 7, 2004 11:15 AM