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julho 03, 2004

AGRADECIMENTOS

Deve um orador, numa conferência ou num simples seminário, agradecer o convite que lhe foi formulado? Ou mesmo que se tenha autoproposto a falar, deve agradecer a oportunidade que lhe foi concedida (falar numa conferência destas não é para qualquer um)? Manda a cortesia, em ambos os casos, que sim. Para alguns oradores, porém (não me refiro a ninguém em particular), manda o número de artigos e de citações que não.
Dá que pensar. Sem hipocrisias: um operário caloiro (e calão) deste ofício, como eu, quando vem a esta conferência gosta de ouvir as estrelas. Não sou de maneira o único a pensar assim: basta ver a ocupação da sala de conferências de cada vez que uma das estrelas fala. Depois, mais do que em qualquer outra área, na ciência o estatuto de estrela tem de ser renovado permanentemente. Muito dificilmente se ganha, muito facilmente se perde. Não há vacas sagradas (refiro-me à ciência de nível internacional...). Basta ter passado um ano sem se ter publicado um artigo de grande impacto para não fazer sentido falar na conferência. Quem trabalhou a sério para isso e obteve resultados (são duas coisas independentes; a primeira não implica a segunda) pode se calhar achar que merece e que tem direito a falar na conferência.
O agradecimento deve ficar, assim, ao critério de cada um, e ninguém deve ser julgado por isso. No entanto, nesta conferência, gostei de ver que os cientistas de quem à partida tinha melhor impressão enquanto pessoas (por outras razões que não esta) agradeciam.

Publicado por Filipe Moura às julho 3, 2004 01:57 AM

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