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julho 02, 2004

CESSE TUDO O QUE A MUSA ANTIGA CANTA

Morreu a Sophia.

Publicado por José Mário Silva às julho 2, 2004 08:58 PM

Comentários

Muito triste.

Publicado por: MCG em julho 2, 2004 10:09 PM

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

Sophia de Mello Breyner Andreses, Poesia, 1944

Publicado por: Sofia em julho 2, 2004 10:28 PM

Pedia-se, pelo menos, um Requiem. E uma breve antologia. Porque Sophia é menos um rosto e muito mais uma obra. Se se preferir, a capacidade de nos devolver palavras fulgurantes sobre o que acontece a alguém entre as duas datas de uma vida.
E Sophia foi uma poeta que soube percorrer os altos e baixos da vida com um entendimento amoroso. Ou, como deixou escrito, "o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas."
Já agora, um poema, do livro Coral.

ESPERA-ME

Nas praias que são o rosto branco das amdas mortas
Deixarei que o teu nome se perca repetido

Mas espera-me:
Pois por mais longos que sejam os caminhos
Eu regresso

Publicado por: Afonso Correia em julho 2, 2004 11:17 PM

Vamos aguardá-la junto ao mar onde ela disse que voltaria...
Calou-se a sua voz.Mas Ela não morreu: voou.Partiu para junto dos eleitos da Poesia, lá numa qualquer Ilha de Vénus.

Publicado por: AMELIA em julho 2, 2004 11:54 PM

Não, Sophia não está no mar; está no Olimpo dos Poetas.

Publicado por: João Pedro em julho 3, 2004 12:09 AM

Acho que a Sophia preferiria mil vezes estar no mar a estar no Olimpo dos Poetas. Especialmente no mar de um Algarve que já não existe, destruído por estupidez e betoneiras.

Publicado por: Jorge em julho 3, 2004 01:20 AM

...Mais uma Sofia que se vai! Uma Sofia, também do Porto, como a minha Mãe! Sofia que vestiu o meu imaginário da infância. Quando era criança paseava na quinta dos "Andersen", em frente à casa onde nasci; as festas de anos dos meninos amigos eram nos jardins das quintas na Rua do Campo Alegre, os pais pediam autorização e lá iamos nós. Mais tarde conheci alguns dos seus poemas, poucos, veriquei depois; mais tarde ainda, pela mão da minha filha, comecei a conhecer melhor esta Sofia exemplar - a escritora, a poeta - ; já depois dos cinquenta, nesta idade em que nos apetece voltar aos lugares da infância, recomecei a ler escritos dos A. Os roteiros de um Porto inseguro dos anos 50/60; Os poemas daquela figurinha "miudinha" que (como referia Margarida Gil ontem à noite) quase não tocava o chão ao passar. Para mim as Sofias da minha vida passaram muito breves, deixando sulcos de dor-amor. Para mim, as Sofias da minha vida trouxeram-me luz, clarividência e um sentimento profundo sabedoria.

Obrigado Sofia (de Mello B. Andersen)pela inteligência e ternura com que povoaste a vida de todos nós oferecendo-nos os teus poemas!
Teresa Campos Moraes

Publicado por: teresa em julho 3, 2004 02:15 PM

passeava, na primeira linha, de novo Teresa

Publicado por: teresa em julho 3, 2004 02:18 PM

sophia não morreu. apenas deixou de escrever.

Publicado por: Alexandre Monteiro em julho 3, 2004 07:17 PM