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julho 01, 2004

TRIBUNA DA ASNEIRA

Hoje, municiei-me para enfrentar uma espera numa repartição pública comprando um jornal. Por algum motivo insondável, escolhi "A Capital"; já não lia tal coisa há anos, tinha ouvido dizer que fora renovada, sei lá.
A bem da verdade, o jornal pareceu-me manhoso como sempre. De diferente, só lobriguei uma profusão inexplicável de crónicas e croniquetas, espalhadas a eito pelo jornal como uma infestação de cogumelos de ar duvidoso. Logo na última página, dou com um arremedo de texto humorístico a glosar a relação amorosa que Portugal aparentemente mantém com a Alexandra Lencastre. Tal, imagine-se, a propósito do jogo de ontem: "Milhões de portugueses a sonhar com a Alexandra... e depois vem um Piet-Hein qualquer fazer-lhe os filhos que eram nossos? Mas o que é isto?! Não contente com isso, o holandês decidiu fornicar-nos uma segunda vez e pensou: 'agora vou trazer os reality-shows para cá! Uhahahaha!'"
Assim mesmo. Juro que isto está impresso n'"A Capital" de hoje. Por uma questão de pudor, nem vou mencionar o nome do responsável.
Depois, avancei até à secção cultural: a propósito da estreia da sua peça de teatro, o destaque de uma entrevista a José Eduardo Agualusa arranca assim: "(...) é uma escritor de língua portuguesa (...) é a sua primeira incurssão na dramaturgia". Ou seja: para contratarem humoristas dementes, demitiram o revisor.
Mais sério é o que consta na página 19. Aqui, deram uns largos centímetros quadrados a uma figurinha da TV para abrir a sua alma ao mundo. A alma e uma falta de senso sem limites nem vergonha. Leiam e pasmem:
"Talvez as lésbicas portuguesas não saibam bem o que isto quer dizer, que um filho é mais do que uma revindicação ou direito, é uma opção para toda a vida, é a única responsabilidade que nunca termina. Deverá ou não a lei portuguesa aceitar a maternidade/paternidade dos Homossexuais?"
Esta senhora, ao que parece, coloca a hipótese de o Estado poder recusar a alguém a possibilidade de ter um filho, e logo por uma razão de peso: a orientação sexual! Ou talvez imagine uma repartição eugénica que confisque bem depressa a descendência de tão repugnante e inconsciente gentalha...

Nunca simpatizei muito com os eucaliptos; mas hoje, pela primeira vez, tive pena de alguns deles. Dos que foram abatidos para que não faltasse papel onde imprimir esta edição de "A Capital".

Publicado por Luis Rainha às julho 1, 2004 01:39 PM

Comentários

se calhar hoje é um bom dia para comprar o Público e ler a crónica de José Pacheco pereira (principalmente porque não está online). Doeu e é mais importante que os filhos louros da Alexandra ;)

Publicado por: Sofia em julho 1, 2004 02:39 PM

Sofia: está online, sim. Aqui.

Publicado por: Luis Rainha em julho 1, 2004 03:06 PM

O autor da idiotice é, como não podia deixar de ser, o palhaço do Luís Filipe Borges. A completa falta de talento da criatura reinventa-se todos os dias.

Publicado por: J em julho 1, 2004 03:10 PM

Eu comprava religiosamente a capital todas as sextas feiras. Lembro-me de esperar com fervor pelo dia e a hora que chegava às bancas. E porquê? Para ler duas páginas em que falavam das novidades dos jogos de spectrum :)
Tempos que já lá vão, pena o jornal ainda ter a linha do tempo dos jogos do spectrum

Publicado por: cachucho em julho 1, 2004 03:22 PM

obrigado...agora já comprei...fui logo para o link da edição impressa e já estava a chamá-los sacaninhas, afinal.... mesmo assim é uma reacção, essa sim, importante.

Publicado por: Sofia em julho 1, 2004 04:08 PM

Ai, Rainha, Rainha... Desde que me convenceste a mandar imprimir aquele cartaz patético do pasteleiro que nunca mais foste o mesmo. O que se passa, camarada? Precisas de dar uma? Há miúdas no Técnico para o teu bolso, homem! Até tiras coisas do contexto para atacar um gajo qualquer? Ou pensas que és o único que compra A Capital sem saber porquê? Ah, espera... já me esquecia que tirar coisas do contexto é a tua especialidade... Como é que está aquele problemazinho com a imagem do pasteleiro que sacaste sabe Trotsky onde?

Publicado por: Francisco Louçã em julho 2, 2004 02:53 AM

"tiras coisas do contexto para atacar um gajo qualquer"? Mas em que contexto é que aquilo tem piada? Ó Luís Filipe Borges, quem é que julgas que enganas? Além de só escreveres merda sem graça nenhuma ainda tens falta de jeito para te fazeres passar por outro. Mete os aforismos de directa no cu, pá! Para má poesia já basta o teu livro "Mudaremos o mundo especialmente a zona de Chelas depois das vinte para as cinco da tarde".

Publicado por: Sílvia Neves em julho 2, 2004 10:09 AM