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junho 11, 2004

ENCONTROS MAIS E MENOS AGRADÁVEIS

Acabadinho de chegar a Lisboa para uma breve estadia, dirigi-me à Feira do Livro, onde já não ia há alguns anos, tantos quantos não estava em Lisboa em Junho. Cruzei-me com alguns relativos e, provavelmente, com o Luís (isto de a malta que escreve no mesmo blogue não se conhecer...).
Bem, mas os encontros desagradáveis que refiro no título não são, sem dúvida, estes. Pensei que a campanha eleitoral tinha sido suspensa, mas afinal foram só os partidos sérios a fazê-lo. Assim que chego ao Parque, cruzo-me com um cortejo do Partido Nacional Renovador, que empunhava, alegremente, bandeiras com o fascio.
Era 10 de Junho. Afinal, ainda há gente que, como António Ribeiro Ferreira, o maior fã de Ariel Sharon (em editorial neste dia, no DN, em 2002), fala na raça.
Por um lado sou pela liberdade de expressão e associação em geral. Por outro, sou sem dúvida a favor da proibição da publicidade de ideais discriminatórios, racistas e fascistas de qualquer espécie. Traçar a fronteira é complicado. Mas ainda acho que se vivia e respirava melhor no tempo em que estas pessoas tinham vergonha de andar na rua. E foi isso que me fez confusão: como um cortejo fascista pode circular em Lisboa perante a indiferença generalizada. Trinta anos depois do 25 de Abril, está na altura de se voltar a falar em valores; está na altura de se voltar à superioridade moral da democracia.

Publicado por Filipe Moura às junho 11, 2004 05:25 PM

Comentários

Consola-te: se a indiferenca era generalizada, e' sinal que ninguem lhes liga. Valha-nos isso...

Publicado por: Nuno Morais em junho 11, 2004 05:36 PM

Sim, Nuno, é uma perspectiva. Se calhar tens razão, e é essa a melhor atitude.

Publicado por: Filipe Moura em junho 11, 2004 05:45 PM

Já agora repararam como as tvs, se esfalfavam para conseguirem apanharem alguns papalvos em qualquer das campanhas??
Ninguém convence ninguém, só os convencidos é que fazem um esforçozinho, mas muito a custo, mesmo em Matosinhos parece-me que aqueles gorilas foram contratados por esses grandes democratas socialistas e de esquerda, um aparte a maior parte de vocês parece-me diferente, Seabra e Miranda, já agora imaginem o que aconteceu em Matosinhos na Madeira, a vossa indignação não teria limites.
E então o Ferro nem falemos.

Publicado por: provocador em junho 11, 2004 06:39 PM

Definitivamente essa gente não tem vergonha. Cada vez mais o PNR começa a assumir aquilo que é, um partido fascista. A capa de "partido democrático" que tentou envergar durante os primeiros tempos já foi ao ar, como tal, estes radicais da extrema direita, mesmo com toda a indiferença que os rodeia (e isso, a meu ver, é perigoso) deveriam ser chamados à Justiça. Vivemos num país em que esse tipo de organizações não são permitidas por lei, se os meninos já assumem esse tipo de simbologia, é porque estão claramente a desrespeitar a lei. Deveriam responder em tribunal.

Publicado por: MBP em junho 11, 2004 06:42 PM

A Moleskine (www.mymoleskine.blogspot.com) fez na quarta um texto sobre estes tipos. Fascistas de merda! Mas nestes ninguém pega e anda tudo a fazer de conta que eles não existem. ISto ainda vai dar chatice.

Publicado por: JP em junho 11, 2004 07:07 PM


Já agora, espreitem, também, os "blogs" mantidos por estes mentecaptos, com nomes sonantíssimos, tipo "Nova Frente", "Último Reduto", "JovemNR" (publicitados pelo "Blasfémias" nos seus links, como se fosse a coisa mais natural). O cabeça de lista da coisa, em miúdo, era um "skinhead" membro do MAN, escrevia para a primeira publicação racista que vi à venda na rua, de nome "Ofensiva" - na altura pouco mais que propaganda neonazi traduzida, encimada pela cruz céltica. Alguma coisa se está a passar que ainda nao compreendi: proibindo a nossa Constituição este tipo de grupelho e a sua propaganda, não era altura de alguém pedir a sua extinção? Ou de condenar os seus "líderes" por incitamento ao ódio racial? Não haverá mecanismo do próprio Estado para tomar essa iniciativa? É verdade que o Portugal em que vivemos não é o mesmo de há 15 anos e estes patetinhas são agora vistos como um "freak show". Mas não me agrada ver a impunidade com que, sobretudo na Net, propagam fóruns neonazis e mensagens racistas primárias, e nós aqui, quase indiferentes e de braços cruzados.

Publicado por: Ana Miranda em junho 11, 2004 07:17 PM

A propaganção da verborreia racista e xenófoba na internet é algo que não pode ser controlado. Contudo, a propagação dessa mesma verborreia e a sua organização em partidos políticos (como o PNR) já pode muito bem ser controlada. É precisamente nesse ponto que acho que a Justiça deveria entrar em acção.

Já agora, talvez já estejam a par desta notícia, mas aí vai na mesma o link: http://www.lemonde.fr/web/recherche_articleweb/1,13-0,36-368380,0.html

Para vermos que em França as coisas ainda vão funcionando.

Publicado por: MBP em junho 11, 2004 08:02 PM

Um post muito oportuno, Filipe.
Vi no tempo de antena do PNR umas imagens duma reunião do Front National em que o enviado dos neo-fascistas portugueses era recebido em apoteose. Se por enquanto este tipo de gente tem uma acção marginal na vida portuguesa, não quer dizer que as coisas não mudem depressa.
Em França também muita gente achou que não valia a pena muito barulho por uns quantos nostálgicos folclóricos. Até que eles foram crescendo até quase 20%...
Por isso não posso estar mais de acordo contigo. Acho mesmo que se diviam retomar quanto antes as actividades e mobilizações anti-fascistas que se desenvolveram nos tempos mais agitados dos skin-heads.
Como diria o outro, é quando ela ainda não cresceu que a ascenção da besta imunda é resistível...

PS: já agora, só uma correcção histórica. O símbolo do PNR não é um "fascio" mas um "facho". O "fascio" que está na etimologia da palavra "fascismo" é o nome dado ao feixe de varas atadas a um eixo, utilizado pelos oficiais do império romano. A utilização do símbolo da "chama", por parte do PNR, refere-se sem dúvida ao seu parentesco com o FN em França e com a Alleanza Nazionale de Gianfranco Fini em Itália.

Publicado por: Manuel Deniz em junho 12, 2004 12:48 AM


"já agora, só uma correcção histórica. O símbolo do PNR não é um "fascio" mas um "facho". O "fascio" que está na etimologia da palavra "fascismo" é o nome dado ao feixe de varas atadas a um eixo, utilizado pelos oficiais do império romano. A utilização do símbolo da "chama", por parte do PNR, refere-se sem dúvida ao seu parentesco com o FN em França e com a Alleanza Nazionale de Gianfranco Fini em Itália."

Todavia, mais que símbolo de fachos, aquela coisa é, há anos, o símbolo da maior companhia de distribuição de gás do Reino Unido (BP Gas acho), e só me faz lembrar um esquentador ou aquecimento central quando o vejo :(

:))))

Publicado por: Pedro Miguel em junho 12, 2004 05:37 PM

Este comentário absolutamente execrável, prova, isso sim, a falência do modelo por si dito de democrático. Você diz que traçar a fronteira é complicado,a questão aqui é outra, NÃO SE PODE, NEM DEVE TRAÇAR NENHUMA FRONTEIRA, fazer isso é destruir o próprio ideal de democracia.

Publicado por: Rui Pereira em junho 21, 2004 11:17 AM

Olhe um "fascio" é um martelo utilizado como símbolo por Mussolini. A chama do PNR é algo totalmente diferente.........tanta ignorância até doí.

Publicado por: Carlos Mimoso em agosto 26, 2004 08:23 PM