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<title>Banzé</title>
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<tagline>Banzé pretende contar histórias de viagens e dar a conhecer as terras e as suas gentes!</tagline>
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<title>Da utopia europeia ao delírio português!</title>
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<summary type="text/plain"> (Crónica de uma deceção histórica) Quando em 1986, Portugal passou a pertencer ao clube dos ricos, a dita C.E.E., Jacques Delors ainda sonhava com uma Europa Federal, sem fronteiras, unida num mercado único, em que o princípio da subsidiariedade,...</summary>
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<![CDATA[<p>                  (Crónica de uma deceção histórica)<br />
Quando em 1986, Portugal passou a pertencer ao clube dos ricos, a dita C.E.E., Jacques Delors ainda sonhava com uma Europa Federal, sem fronteiras, unida num mercado único, em que o princípio da subsidiariedade, servia para assistir os estados mais frágeis, ajudando-os a desenvolver e a se aproximarem do “pelotão da frente”. Para o efeito, os fundos comunitários foram enviados para os países mais necessitados, e no nosso caso, ao abrigo de programas como o PEDAP e o PEDIP, e sem paralelo com outros países, chamaram-lhe “fundos perdidos”. Irlandeses, espanhóis e gregos não tiveram essa ousadia, receberam fundos como nós, mas nunca lhe deram esse epíteto, pese embora se saiba hoje, que os gregos também prevaricaram e bastante. Por cá, criou-se uma espécie de euforia, uma embriaguez para captar dinheiros fáceis, que estavam à mão de semear, um tal maná caído dos céus, que parecia nunca ter fim! Afinal, a C.E.E. era boa, dava-nos dinheiro, não existiam auditorias relativamente à sua aplicabilidade, davam-se formações profissionais duvidosas nas empresas, construíam-se autoestradas, IP (Como o IP4, um mau projeto que consumiu sem pudor dinheiros públicos e que agora exige correções para se gastar muito mais) e pontes como a Vasco da Gama ou a do Freixo. Fizeram-se ainda eventos à fartazana, num fausto inqualificável (Imaginámos um padrão de vida de ricos, pensando que já éramos desenvolvidos) como a Expo 98, o Campeonato da Europa de Futebol (Com estádios a mais, mas saúde, justiça e educação a menos), o “Master de Ténis”, o “ Porto-Capital da Cultura”, além de construirmos obras faraónicas como o C.C.B. em Lisboa ou a Casa da Música no Porto, um tal diamante. Os nossos governantes entraram em delírio, criaram uma metáfora eleitoral que foi chegando intacta até aos nossos dias, a tal da “obra feita”! Ora bem, “obra feita” com o dinheiro de outros países, o que deve ser um ato heroico para os nossos crânios dirigentes! Tornámo-nos ao mesmo tempo, mamíferos profissionais a receber subsídios, na babugem de receber sem esforço, ou sem trabalhar, abandonando muitas atividades produtivas nobres, como a agricultura ou a pesca. Quem nos dera ter engenheiros agrónomos ou simples empresários agrícolas, como tem a Holanda, quem nos dera ter engenheiros biólogos como a França, ou pescadores e armadores como a Espanha. Essas profissões são muito úteis à sociedade. No entanto, nós perdemos ativos no setor primário como se não precisássemos dele, enfim seguimos políticas erradas que nos fizeram aumentar o défice alimentar. Hoje, importámos cerca de 3500 milhões de Euros/ano em comida, um valor exorbitante e crescente porque nunca tivemos juízo! Deixámos de produzir, como se tivéssemos petróleo ou gás natural, para poder amortizar sem dificuldade. Fomos lorpas e ceguinhos, sem visão estratégica de futuro! E na bebedeira dos milhões que recebíamos, criámos a ilusão que vivíamos num “oásis” (Lembra-se Senhor P.R., Professor Aníbal Cavaco Silva?), talvez de betão, pois que os camelos eram os lusitanos que ainda pensavam na expressão o melhor aluno da C.E.E. A seguir, transformámo-nos em sapos (Talvez já pensassem no portal informático de Aveiro), basta lembrar a saída apressada do “pântano” (Lembra-se Senhor Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Engenheiro António Guterres?), porque foi a época em que mais se esbanjou na Função Pública e se perdoou dívida à Madeira. Foi a época do “queijo limiano” porque somos um povo que depressa perde a memória, se calhar por ter um “tino” amnésico! E no desatino dos Quadros Comunitários de Apoio, continuámos a receber fundos, criaram-se também “hospitais-empresa”, as autarquias escolheram para as suas obras, empreitadas à brava, para se fazer rotundas, auditórios e chafarizes e todos aqueles que completavam dois mandatos na política, tinham direito a reforma dourada (Luxos de um país que pensava ser rico?! Até existiram viagens-fantasma de deputados da nação). Após a salgalhada dos sapinhos, eis que chega, o homem do “Portugal de tanga” (Penso que nos chamou a todos de apaches)! Houve até críticos a chamar-lhe “cherne”. Coisa tão fina, pois que abdicou de nos salvar da herança pantanosa, para se tornar no primeiro “emigrante de luxo” do século XXl (Lembra-se Senhor Presidente da Comissão Europeia?), só comparável com o Mourinho e o Ronaldo. Dizia-se que era um prestígio para Portugal, já se está a ver o prestígio que temos hoje! Saiu do governo e escolheu bem o sucessor, surgiu então o homem da desconcentração administrativa por oito meses. Queria quase um ministério por capital de distrito e no entanto Portugal nunca se regionalizou! Lembro a expressão comparativa da época, estavam a “dar pontapés no bebé”! Com tanta confusão, o PR de então fez-lhe uma maldade, mandou-o à fava! Eis que surge um novo “salvador da pátria”, português com nome de filósofo grego, sonhou com um tal “choque tecnológico” e lá apareceu o “Magalhães” para as criancinhas brincarem aos estudos, computadores e quadros interativos nas escolas para confundir os professores, que já tinham perdido autoridade há muito tempo. Mas, o senhor engenheiro queria o TGV, o novo aeroporto de Lisboa e a 3ª autoestrada Lisboa-Porto (A maioria do povo também queria muita coisa, mas não tem!) porque não perdera a ideia bêbada e peregrina da riqueza. Criaram-se “empresas municipais” como cogumelos para se estropiar mais dinheiros, apareceu o “ajuste direto”, não se precisando de fazer concurso e sonhou-se com o “Simplex”, mas a máquina burocrática perdurara intangível. Vivemos décadas de embriaguez crónica, como aquele alcoólico que recusa um qualquer tratamento, porque não reconhece a doença! E de mentira em mentira, lá fomos vivendo iludidos, até extorquir todos os dinheiros que recebíamos, ficando no limiar da bancarrota, sem o pejo de dizer, falidos, como diz um gestor profissional da nossa praça, o líder da “Jerónimo Martins”- A. Soares dos Santos. E agora, temos o herdeiro da “troika” (A palavra mais ouvida, juntamente com dívida ou défice), aumentando impostos, subtraindo salários (E com o Subsídio de Natal taxado), multiplicando sacrifícios e dividindo-se os lucros pelos mesmos de sempre. Já se percebe que vamos ter uma década de problemas sérios para se ultrapassar, porque o país não cresce e não tem liquidez suficiente para competir no mercado global. E durante a golpada dos fundos, entretivemo-nos com os casos folclóricos que a Comunicação Social esquizofrenicamente repetia, “Casa Pia”, “Operação Furacão”, “A Universidade Moderna”, “Freeport”, “Apito Dourado”, o “caso dos hemofílicos”, o “caso dos sobreiros”, o “caso dos submarinos” e outros fait-divers que anestesiaram a população. Por um momento, ainda recente, com o PPC (Pedro Passos Coelho) até se pensou, baixar a TSU (Atualmente nos 34,4%, 11% cabendo ao trabalhador e 23,4% cabendo ao empregador nos descontos para a Segurança Social). Contudo, essa ideia poderia reduzir a taxa do empregador ou transferi-la para o trabalhador já precarizado que chegue, para se criar uma tal “almofada” que promovesse o emprego. A esse nível, talvez não fosse tão mau! A alternativa foi aumentar o IVA na restauração, pondo em guerra os pequenos empresários do ramo, que correm sérios riscos de insolvência. Como se depreende, o país saiu de uma magnânima fartura e entrou depressa em depressão, como se tivéssemos uma doença bipolar, pois começou a acordar para a triste realidade de um crescimento económico anémico. Um economista mediático, como Medina Carreira, até expressava radicalmente a ideia de que os governantes dos últimos 10 anos deveriam ser julgados criminalmente, não sei para quê, se a justiça não funciona! Aliás, deveriam prestar contas, todos os governantes dos últimos 25 anos, mas a inconveniência não pode ultrapassar a impunidade dos nossos políticos. Num país digno, políticos como Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, Armando Vara ou João Jardim ter-se-iam demitido com as suspeições. Aqui, não! Os escândalos alimentam-nos de honra! Pobre país que acredita neste tipo de pessoas que tem lata furada, tratando o povo por paspalhos ou atrasados mentais. É certo pensar que a dívida pública resulta da corrupção, uma vez que não foi o vento que levou o dinheiro e criou os buracos financeiros na Administração Pública com as suas empresas, Banca com os seus desvios ciclópicos, Ministérios com estudos milionários e inúteis, etc. E o mais curioso é que foi preciso vir uma troica estrangeira para descobrir os “buracos financeiros” da Madeira e das Autarquias (A Autarquia mais endividada é a de V.N. de Gaia), do sector dos transportes (Só o Metro do Porto ronda os 5 mil milhões), das principais empresas públicas, etc. O gene do desperdício, da usurpação, da apropriação ilícita, da negociata e da corrupção está na massa do sangue dirigente e dificilmente o país irá mudar! Se calhar, os buracos detetados têm mesmo a ver com o dinheiro que o vento levou! Digam-me caros concidadãos, que ratinhos destes a surripiá-los, é pura imaginação do “Second Life”! Depois há chavões que nunca se desfizeram com o tempo, um deles diz que temos muita gente esperta (Xicos-espertinhos) e pouca gente inteligente (massa crítica), outro de que, temos um poder que é forte para com os mais fracos e é fraco para com os mais fortes, acresce ainda, aquele que diz, que temos elites ricas em palavras e pobres em atos. Depois, existem crises que são sempre pagas pelos trabalhadores, com subidas de impostos e descidas de salários. Quando era pequeno até ouvia dizer, que o rico ficava cada vez mais rico, enquanto o pobre, ficava cada vez mais pobre, ou que, se o mar batesse na rocha quem se tramava era o mexilhão, era como quem nos dizia, quando havia azar, o sacrifício era sempre para o mais baixinho na escala. E hoje não é assim?! O fator trabalho vale cada vez menos e o fator capital vale cada vez mais! Não haja dúvida que não há sentido de cidadania social, os que dirigem os poderes públicos não prestam contas e a impunidade existe para quem passa pelo poder e provoca danos irreversíveis pelas suas políticas. Chamem-lhe incompetência, falta de visão, dolo pelo prejuízo propositado ou não propositado que causam, má gestão, etc. Catrapiscando à direita ou à esquerda, o povo nunca estará seguro com estas criaturas do “tacho” e as incertezas para o futuro ficam impregnadas no ar! Não somos uma meritocracia, antes uma cunhocracia caraterizada pelos favores, influências e arranjinhos conchavados pelos mesmos que nos calcam e pisam nos impostos. Teremos futuro, como nação independente? Que rumo está o país a seguir? O que queremos para Portugal, alguém já se perguntou a si próprio? Afinal, quem somos e o que queremos num horizonte próximo de nós ou nos próximos 50 anos? Certo é que um tal “mix” denominado “Merkozy” (Merkel e Sarkozy) pensa que manda numa Europa a desintegrar-se e impõe políticas duras aos seus parceiros, em função dos mercados desreguladores de direitos e crente na alta finança especulativa. O mercado financeiro destronou o mercado monetário em que a Europa tanto acreditou! E hoje quem elege os governos europeus que deveriam ser democráticos é o mercado, gente anónima, sobretudo credores de grandes grupos económicos que se movimentam como camaleões na cena internacional. Não foi preciso um ato eleitoral para destronar o 1ºMinistro Grego, só por ele ter anunciado um referendo, afinal uma consulta popular ao seu povo. É isto a democracia da Europa? Não foi preciso uma eleição em Itália para escolher o sucessor do pitoresco Berlusconi que se demitiu, rapidamente surgiu o tecnocrata Mário Monti que foi lá colocado sem legitimidade popular! Afinal, não é preciso “Golpes de Estado” Senhor Otelo Saraiva de Carvalho, uma vez que se mudam governos exaustos de fracasso, num abrir e fechar de olhos, e numa Europa endividada cada vez mais comprada pela China em títulos de dívida soberana. Até já se fala na dívida da Alemanha, imagine-se como está a União Europeia! A China regozija-se com a falência do projeto europeu e com o impasse americano, que espera saber qual o rumo dos países do Velho Continente! A Europa rica, democrática e abundante como a conhecemos, acabou, definhou! A estagnação das economias europeias adivinha-se para breve e o “Euro” vai morrer sem chegar à fase adulta! A utopia que marcou os anos 60-90, quarenta anos de crescimento económico desapareceu do vocabulário europeísta! Afinal, ser “cidadão europeu” não nos dá garantias de nada, pois não conseguimos ter uma Constituição Europeia, quanto mais uma cidadania! Como disse, o Professor Pedro Cosme Vieira, economista da Universidade do Porto, acabou-se a festa, é preciso reerguer Portugal e o segredo está em saber, como fazê-lo! Portanto, o delírio da grandeza está em vias de extinção! E por tudo aquilo que li, espera-se uma década difícil, onde todos teremos de trabalhar cada vez mais e ganhar cada vez menos (Claro que isto não dá motivação alguma!), uma exploração à maneira mercantil mais esclavagista, cujo modelo económico está nos gigantes asiáticos, China e Índia. O BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China – Economias Emergentes) terá uma palavra a dizer ao Mundo, e a nós, resta-nos pedir ao Brasil, uma proteção futura nos investimentos e no comércio externo (exportações), como o filho ainda novato que se autonomizou e cresceu bastante e que pode ajudar o idoso pai, carcomido pelos calotes, pertencendo aos PIIGS! Há sempre uma solução, mas o grande desafio é encontrá-la para garantir o futuro das gerações mais novas! Caro amigo, desde já me despeço, com a devida gratidão pela paciência que teve ao fazer esta leitura. Se não gostou, lamento tê-lo desiludido pela minha sinceridade e pela falta de crença nos políticos que temos. Espero que um dia me deem provas para voltar a acreditar no país e nas pessoas que o dirigem! Tenho a sensação que os ditadores de outrora voltaram vestidos ou camuflados de democratas, mas pensando do mesmo modo que há 50 anos! Infelizmente, ao invés de um desejado progresso, surge em força o retrocesso! A utopia europeia chegou ao fim e o delírio português afundou-se na insolvência de todo o tipo de valores! Estamos no fim da linha ou no princípio de outra?  A resposta vai encontrá-la vivendo-a no dia-a-dia! Desejo-lhe coragem para encontrar o rumo certo e para tal, procure o GPS da vida mais fidedigno e criativo!      <br />
                            <br />
  Banzé no fim da linha!<br />
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<title>Brasília – Cidade Administrativa</title>
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<![CDATA[<p>A capital federal do Brasil é precisamente Brasília, a cidade planeada por Óscar Niemeyer e Lúcio Costa, desde os anos 60 do século XX. Antes fora capital, o Rio de Janeiro e os seus habitantes nunca se adaptaram à ideia desta nova capital no interior brasileiro. Criticam-na dizendo que no Verão é só pó e no Inverno é só lama. Niemeyer, atualmente com 103 anos, diz que a cidade é diferente de todas, é muito espaçosa e dividida por quadras. É uma obra da arquitetura moderna! Mas, o que se pode visitar nesta cidade original? Deve-se começar o “tour” pela catedral metropolitana, cujo exterior representa duas mãos unidas e ao alto a rezarem. À entrada há quatro escribas da bíblia e no seu interior pode-se ver uma réplica do Santo Sudário e da Virgem Negra. Na enorme avenida em que se insere a catedral, pode-se observar as torres gémeas do Congresso Nacional, os edifícios dos ministérios, o Teatro Nacional, a Biblioteca, o Palácio de Itamaraty onde se situa o Ministério do Interior e o Palácio da Justiça. Por detrás do Congresso existe um espaço cultural subterrâneo com as maquetes de construção da cidade, os candangos que são duas estátuas gigantescas, o pombal que se parece com uma mola de segurar a roupa num estendal. Pode-se numa avenida transversal, já próximo da estátua do Presidente Jucelino Kubisheck, visitar o Palácio Militar. Foi precisamente a esposa deste estadista que pediu que se edificasse na cidade, uma igreja em honra de Nª Sª de Fátima. Mas, em matéria de religiosidade, para mim, o santuário Dom Bosco é o mais bonito da capital. Tem uma cúpula de vitrais azulados e um Cristo de altar muito estilizado. O ponto mais elevado de Brasília situa-se na Praça do Cruzeiro, onde se realizou pela primeira vez, uma missa campal. Mas, esta cidade está setorizada, as ruas são números e existem quadras, entrequadras e superquadras. Por exemplo, o setor das universidades ocupa cerca de 700m de extensão e o setor habitacional tem prédios que não ultrapassam os seis andares. Mas, a cidade também tem um lago artificial, o Paranoá e um lago natural situado numa reserva natural. Passando o primeiro lago pela ponte JK chega-se ao Palácio da Alvorada, também conhecido pelo Palácio do Jaburu, onde se avistam emas passeando com estilo e um pássaro comum nas árvores, o João de Barro. Avistam-se ainda árvores de flor amarela, os Ipês e de flor rosa, as paneiras. A vegetação que domina toda esta área exterior à zona central é parecida à savana africana, é o domínio do cerrado, onde por mero acaso demos conta de um incêndio ao passar por aí! Outro local de interesse de Brasília é a Praça Buriti (Buriti é um fruto tropical) onde se observa o memorial a Jucelino Kubisheck, estadista da ditadura militar brasileira, o parque da cidade, o autódromo Nelson Piquet e uma área onde está ser construído um estádio de futebol para o campeonato do mundo de 2014. A cidade tem quadras específicas para o comércio a retalho, abundando lojas de todo o tipo, restaurantes e bares. Porém, a zona mais nobre é a do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal de Justiça e que está enquadrada na Praça dos Três Poderes. A asa sul de Brasília tem cerca de 15Km e todos os anos fecha ao trânsito, servindo para correr, passear de bicicleta, praticar patins e as pessoas se divertirem. O setor hoteleiro está bastante desenvolvido pois recebe muitas altas individualidades estrangeiras. Esta cidade que já visitei por duas vezes permitiu-me da última vez, almoçar num rodízio chamado “Chama”. Nele comi uma variedade de carnes como alcatra, picanha, fraldinha, frango, salsicha toscana e bebi uma cerveja denominada “Devassa” que serviu mesmo para “devassar” a minha vida naquela tarde quente e seca. Na parte final, a sobremesa permitiu-me saborear um quente e frio riquíssimo. No entanto, o momento mais bonito na permanência nesta capital foi a mudança de bandeira, a segunda maior do mundo que é hasteada. Ocorre uma vez por mês e aconteceu naquela altura que passava por lá. Os militares cercavam todo o perímetro envolvente e faziam com muita generosidade e orgulho. Não obstante, o maior susto que jamais esqueci, foi num avião da TAM, com saída noturna do aeroporto Jucelino Kubisheck, e ter apanhado imediatamente após a descolagem, uma zona de grande turbulência, onde se viam das janelas dos aviões, os fortes relâmpagos que cruzavam de um lado e do outro a nossa nave. A atmosfera estava carregada de eletricidade e podia causar danos na navegação aérea. Felizmente as coisas correram bem e depressa se atingiu uma zona de acalmia. O mais curioso, sempre que estive em Brasília foi por um dia e nunca pernoitei! Os brasileiros das outras cidades dizem que esta é a cidade da gatunagem, que os principais ladrões estão nos vários Ministérios. Independentemente dos julgamentos, eu não me senti mal nesta cidade exígua, com uma arquitetura fora do normal.<br />
Brasília é uma cidade que nasceu para administrar um grande território, o quinto maior do mundo, e tem similaridade com outras cidades-gémeas do mundo, como Camberra (Austrália), Pretória (África do Sul), Haia (Holanda), Madrid (Espanha), Ancara (Turquia), Rabat (Marrocos), Washington (EUA) ou Otava (Canadá). Também a Guiné Equatorial pensa criar uma capital de raíz no meio da floresta tropical, uma cidade que vai ser criada por arquitetos portugueses e que será Djibloho. Se Brasília nasceu do nada, Djibloho nascerá a pensar na sustentabilidade florestal. Hoje, também Milão pensa construir a maior floresta vertical do mundo, um prédio de 27 andares desenhado por Stefano Boeri, a “Bosco Verticale”. O edifício coberto de plantas, andar a andar, constituirá um filtro das partículas de pó do ambiente urbano milanês, assim como dos gases de estufa. É um projeto inovador que criará um microclima, libertará oxigénio, a humidade necessária e terá um sistema de energia fotovoltaica, um sistema que recupera energia. Brasília quis algo parecido, mas com o lago artificial que criou e as árvores que plantou!</p>

<p>Banzé!<br />
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<title>S. Paulo - Cidade Financeira</title>
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<![CDATA[<p>A cidade dos paulistanos tem cerca de 11 milhões de habitantes, mas com os municípios vizinhos perfaz 25 milhões, enquanto o estado de S. Paulo, o dos paulistas, atinge os 44 milhões. Nesta megalópole, o turismo é apenas empresarial, pois estamos na cidade dos eventos, realizando mais de 900 por ano. Esta é a cidade do mundo com mais helicópteros “per capita”, cerca de 273 privados que pousam no cimo das torres. A principal avenida da cidade é a Paulista, marcada por arranha-céus que riscam os negócios das diversas empresas nacionais e multinacionais. Mas, fazendo um “city tour” à Grande Cidade deve-se visitar o mosteiro de S.Bento e a estação ferroviária da Luz e perto desta obra de arte, encontra-se a Pinacoteca. Com a devida curiosidade, atravessaremos ruas ligadas a ofícios, sobretudo na antiga S. Paulo, como a rua das noivas, a rua dos eletrónicos, a rua dos informáticos, a rua das ferramentas, a rua dos padeiros, etc. Mas, o burgo de imigrantes italianos e japoneses modernizou-se e tem prédios emblemáticos, como o Palácio Itália e o Palácio Copan, sendo este último, um edifício ondulado, obra de Óscar Niemeyer. A nível de bairros, é imprescindível passar pelo bairro da Liberdade e pelo bairro japonês, com os seus típicos candeeiros rubros, restaurantes de sushi de abacaxi e manga, pub´s, etc. Na praça da liberdade visita-se a Catedral Metropolitana, o Palácio da Justiça, a Prefeitura e a grande obra da cidade, o Teatro Municipal, com 100 anos de existência. Na zona histórica vê-se o ponto fulcral onde se iniciou a cidade, o Pátio do Colégio, com convento e um memorial central, lembrando que fora fundada pelos portugueses Nóbrega e Anchieta. E também no núcleo central, pode-se visitar a Torre Banespa, onde está centrada a zona de valores, sedeada a alta finança. Foi aí que fui surpreendido com o “impostômetro”, o contador de impostos diários que relata a quantidade de taxas pagas pelos brasileiros. Não sei se é uma utopia para fugir à dura realidade dos trisóstomos ou uma maneira de dissuadir a economia paralela! Mas, para mim, uma das partes mais interessantes da cidade, é o Parque de Ibirapuera, onde se observa o seu obelisco, o lago artificial, o jardim, o museu paulista, o monumento aos bandeirantes, o pavilhão japonês e o Centro de Congressos. Mas, S. Paulo tem zonas na cidade que se extremam, como a Craquelândia, onde os drogados injetam doses nas veias, voando na loucura da cocaína e mergulhando no abismo das suas vidas perdidas, um “rolling in the deep”, do qual jamais sairão incólumes, ou como Higienópolis, onde a limpeza e o purismo de muitas vidas escorreitas se confunde com uma excelente qualidade de vida. Mas, a cultura em S. Paulo é também muito importante, pois museus não faltam, mais de duzentos! Pontos de interesse nesta megalópole são também o Parque Trianon, num determinado setor da Avenida Paulista, o Zoológico Caio Pimenta, o Teatro Jefferson Pancieri e o Morumbi, onde se encontra o Memorial a Ayrton Senna, o piloto de fórmula 1 que fez chorar uma nação alegre. Ainda hoje, a saudade mora no âmago dos corações paulistas. Mas, qualquer patrício que se orgulhe da raça lusitana deverá visitar a igreja de Nossa Senhora do Brasil que é simplesmente espetacular. Situa-se numa zona chique de vivendas ajardinadas e bancos. Esta igreja tem imensos azulejos, altares dourados e pinturas nos tetos. Até a casa de banho desta igreja tem uma azulejaria espetacular, havendo ainda um mini-zoo lateral e capelas fazendo de transepto com frescos interessantes. O mais curioso é que não se trata da padroeira do Brasil, pois a padroeira é a tão anunciada Sª da Aparecida, uma santa negra, a chamada mãe negra que está a 100Km daqui! Podemos ainda visitar nesta enorme cidade, a Igreja da Consolação, o memorial aos afro-brasileiros, a igreja arménia, as torres de televisão, etc. S. Paulo é uma cidade industrial onde surgem com pujança económica os ramos automóvel, elétrico e informático. Mas, o setor empresarial mais forte está na Petroquímica, associada sobretudo à Bacia Petrolífera de Santos, uma cidade da costa que dista de si 30Km. Há outras cidades económicas importantes na região, como são Guarulhos (Onde se situa um dos aeroportos) e Campinas. Nesta grande urbe, uma das dez maiores do mundo, os centros comerciais são abundantes e os seus habitantes gostam de passar o tempo, a fazer compras, “pegar um cineminha”, lanchar umas sanduíches e beber uns sucos bem soberbos, aproveitando os seus gostos próprios da tropicalidade. Fazem jus à expressão publicitária – “Mais sabor por menos valor”! Foi num centro comercial de Guarulhos que pela primeira vez provei suco de uva, para mim, algo com esse nome teria de ser vinho! Provei e dei conta que não era esse néctar de Baco, pois não se tratava de uma fermentação alcoólica, mas uma agradável bebida! Reparei que o centro comercial tinha televigilância por toda a parte e um heliporto na parte cimeira. Estava ligado ao mundo pelas estátuas de grandes monumentos, desde o setor americano com a estátua da liberdade, o setor britânico com o Big Bem, o setor espanhol com o toureiro, etc. Assim, as temáticas das zonas ditavam as lojas comerciais que se queriam escolher para fazer compras. S. Paulo é uma cidade grandiosa com o rio Tietê completamente poluído, um sambódromo, vários times de futebol e pólos industriais a perder de vista. É simplesmente uma das maiores cidades do mundo!</p>

<p>Banzé!<br />
</p>]]>

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<title>Petrópolis - Cidade Imperial</title>
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<summary type="text/plain">Petrópolis situa-se a 68Km do Rio de Janeiro e nascera em memória do imperador da independência do Brasil- D. Pedro I (D. Pedro lV de Portugal). Para lá chegar, passa-se pela Serra da Estrela, mas esta é brasileira, deixando para...</summary>
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<email>paulo.pafde@gmail.com</email>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://banzado.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<p>Petrópolis situa-se a 68Km do Rio de Janeiro e nascera em memória do imperador da independência do Brasil- D. Pedro I (D. Pedro lV de Portugal). Para lá chegar, passa-se pela Serra da Estrela, mas esta é brasileira, deixando para trás a Serra dos Órgãos (Nela até há o monte do “Dedo”!). Partindo de Copacabana, atravessa-se o Aterro do Flamengo, a Praça Mauá, avistando o Outeiro da Glória com a igreja em honra de D. Maria ll, a educadora, e mais à frente, a primeira favela do Rio, a favela da Providência, o Alto da Penha, e rapidamente se chega a Duque de Caxias, observando a sua refinaria. Em Petrópolis, pode-se visitar o Palácio de Verão, que fora oferecido como prenda de casamento por D. João Vl e Dª Ana Carlota ao seu filho D. Pedro l e ao cônjuge Dª Leopoldina. Todavia, o imperador com o seu amigo José Bonifácio trataria da independência do país, mas era considerado um homem mundano, libertino pois, sabia-se que ele tinha uma amante à época, a Marquesa de Santos. À morte de seu pai, D. João Vl, ele não pode tomar o poder e enviou para Portugal o seu irmão, D. Miguel e a sua filha, Dª Maria da Glória (A tal da Igreja da Glória). Do matrimónio do primeiro imperador do Brasil nasceria D. Pedro ll (D. Pedro de Alcântara) que tornar-se-ia um verdadeiro diplomata, dominando 12 línguas e adquirindo uma cultura fora do normal. D. Pedro l regressaria a Portugal para combater contra o seu irmão, nas célebres lutas liberais. O filho D. Pedro ll casaria com a italiana Teresa Cristina e fora esta, que a 13 de Setembro de 1888 publicaria a Lei Áurea, acabando com a cruel escravatura. Esta mulher “encomendada” por foto para D. Pedro ll (E não existiam classificados na época) era feia exteriormente, mas bela interiormente, ficando conhecida como a “Mãe do Brasil”! Quanto a D. Pedro ll, o seu relacionamento universal era tão importante, que Graham Bell teria telefonado pela primeira vez ao seu amigo real, demonstrando assim, a invenção do telefone! O espólio da família real surge no Palácio com muitos objetos, nomeadamente, o cetro do rei banhado a ouro, a esfera armilar, o “dragão”- símbolo da Casa de Bragança, os quadros, mobiliário em jacarandá e sucupira, contadores, etc. No exterior do palácio há um belo jardim, onde se veem jacas, pau-brasil, juçaras ou palmitos, banana vermelha, etc. Mas, Petrópolis tem uma catedral imponente ao melhor estilo neoclássico, a catedral de S. Pedro de Alcântara, vários palácios - Rio Negro e Cristal, a Casa Santos Dumont, o Casino Quitandinha, o lago que tem a forma do mapa do Brasil, a Universidade Católica, etc. Mas, Petrópolis é uma cidade com muita influência germânica devido a um conjunto de emigrantes que para aqui vieram. Assim, o casario à volta do casino tem todo ele, o estilo alemão e tal como Koblenz na Alemanha, também aqui há uma confluência entre dois rios. Para além disto, a cidade imperial apresenta num morro uma imagem de Nª Sª de Fátima, chalés ajardinados, uma fábrica de chocolate soberba e espaços verdes infindáveis. Esta cidade foi a primeira cidade imperial do Mundo, sobretudo no continente americano. E aí eu fiz um almoço ao mais alto nível, num estilo aristocrata, num chalé familiar chamado “Manaka”, onde comi uma sopa de ervilhas, um bufê de carne com batata-doce e salada, acompanhado de cerveja Itaperava (cerveja local). Foi aí que conheci pela primeira vez, uma jabuticabeira, um boldo do Chile, pimenta de cheiro, acerola, etc. Não muito longe daqui, fica Teresópolis, cidade em honra de Teresa e que também é uma cidade catita. O problema destas cidades é a chuva torrencial que por vezes, provoca deslizamentos de massa como aqueles que aconteceram em Búzios. Mas, a própria casa do repasto deve o nome a uma flor chamada Manaka da serra. Quem vem a Petrópolis deve conviver de forma sustentável com a natureza e se calhar, até se deixar envolver pelos arredores do Grande Rio de Janeiro, onde também pontifica uma lagoa como a de Jacarepaguá ou a floresta da tijuca com a sua bela cascata. A cidade de Petrópolis fora apenas residência de veraneio, mas nela reside uma parte substancial da história deste grande país que se chama Brasil!</p>

<p>Banzé!<br />
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<title>Iguaçu e os 3 A: Águas, Arco-Íris e Aves</title>
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<![CDATA[<p>As Cataratas de Iguaçu integram um Parque Natural dos dois lados da fronteira, Brasil e Argentina e são consideradas, Património Comum da Humanidade. Iguaçu significa na língua tupi-guarani “grandes águas”. As referidas quedas de água têm em comum três países, nomeadamente Brasil, Argentina e Paraguai.  Do lado brasileiro, fica a cidade de Foz do Iguaçu com 300 mil habitantes, do lado argentino, situa-se Puerto Iguazu com 50 mil habitantes e finalmente do lado paraguaio, surge Ciudad Del Leste com 150 mil habitantes. Aliás, há um marco representativo que sinaliza as três fronteiras já citadas. Porém, é no limite entre o Brasil e o Paraguai que nos aparecem a barragem binacional de Itaipu e a ponte da Amizade entre estes dois países sul-americanos. Já entre o Brasil e a Argentina há uma outra ponte, aquela que foi baptizada com o nome de Tancredo Neves. Voltando às cataratas, estas são alimentadas pelo rio Iguaçu, que nasce na Serra do Mar, perto da eco-cidade de Curitiba e se liga ao rio Paraná, para separar o quinto maior território do mundo, o Brasil, do Paraguai. Mas, o que tem Iguaçu de atraente? Tem as extensas quedas de água, que me encheram a vista de beleza natural, a floresta subtropical envolvente e um céu luminoso que extasia os sentidos! Numa manhã muito bonita, visitei as cataratas do lado brasileiro, caminhando por escadas marginais, que permitiram panorâmicas deslumbrantes até chegar à ponte do vapor, situada mesmo por baixo das cataratas. Tomei aí um banho maravilhoso, saudado por um arco-íris que me cobria como um arco de uma marcha popular. Através de um elevador regressei à parte alta, onde uma estátua de Santos Dumont eternizava a altura deste magnifico local. Foi aí que um coati nos veio dar as boas vindas, estava manifestamente à coca dalgum possível alimento que lhe pudéssemos dar. Como ninguém foi suficientemente generoso, ele fugiu para a floresta e ao tentar segui-lo, por um instante, descobrimos o cadáver de um outro, junto à estrada. Talvez tivesse sido atropelado na ânsia de procurar comida. Este bicho difunde sementes de frutos, quando trepa as epífitas e os acajus. Entretanto, um cheiro fresco a madressilva tomava conta de mim, era exalado de um pequeno bosque, local que fora desbravado para instalar infraestruturas de apoio às cataratas. Daí, via-se o único hotel desde 1959, o “Hotel Tropical” e o local onde se embarcou de helicóptero para ter uma diferente perspectiva das águas a escorregar pelos precipícios. Nesse voo sem asas, avistou-se a confluência do Paraná com o Iguaçu, a selva, as ilhas fluviais do Paraná, a ferradura da cascata, pontes, etc. Foi nessa viagem, que eu quase fazia queda livre, uma vez que em pleno voo, a porta do meu lado se abriu. Não voei sem pára-quedas porque conseguira segurar a porta com algum afinco. Bem, no final do voo, a barriga estava agitada e a cueca quase pintada à pistola. Do heliporto, o grupo que me acompanhava deslocou-se para a Argentina, onde almoçamos um rodízio de carnes - picanhas, maminhas, fraldinhas, alcatras, entre outras carnes suculentas, acompanhadas da cerveja Quilmes. Finda a refeição gaúcha, fomos visitar a “Garganta do Inferno”, as “Duas Irmãs”, “Adão e Eva”, o Salto de Bassetti e a ilha de San Martin, enfim as quedas de água do lado argentino. Para lá chegar, fizemos uma viagem de comboio e a seguir, cerca de 2Km, em pontes metálicas. Esse trilho de pontes possibilitou avistar cormorões a pescar, gralhas cancã em árvores que tinham as suas raízes mergulhadas nas águas e macacos-prego. Pessoalmente, gostei mais das cataratas do lado argentino, pese embora, a visão de conjunto seja melhor do lado brasileiro. Refira-se que as quedas de água em Iguazu ficam na região de “Missiones”, região historicamente ligada às missões no tempo da colonização espanhola. Saídos de Puerto Iguazu, dirigimo-nos ao Hotel Recanto do Iguaçu – Brasil, afastado cerca de 15Km destas encantadoras águas em movimento. Comentou-se que fomos bafejados pela sorte, porque tinha chovido muito na nascente do Iguaçu, a 1000m de altitude, e desse modo, as cataratas estavam com muita água. Senti que o som daquele caudal de águas que se precipitava, arrepiava-me a alma, era como se a emoção estivesse continuamente a extravasar o meu corpo, ou faltasse chão às minhas pernas, para me manter de pé! E naquele enorme arco-íris que não se desfazia e filtrava a luz solar, eu provava com base nas leis da física, que a liberdade podia ser o respeito pelas diferenças, tal e qual, como as diferentes cores de uma palete de um artista, que se vivem durante uma vida, independentemente de gostarmos ou não delas. Mas, Iguaçu também me permitiu passear pelo Parque das Aves, uma parte da floresta que foi adquirida por um mecenas sul-africano, um verdadeiro ornitólogo, que nos apresenta aves de todo o mundo. Assim, observam-se as aves de todo o Brasil, como tucanos-toco, papagaios, catatuas, araras, harpias, urubus, colibris e outras. Avistam-se também aves doutros continentes, como grous, avestruzes, flamingos e abutres de África, casuares e emas da Austrália, ou corujas e mochos europeus. Os trilhos têm bastante vegetação, desde cedros a ipês amarelos e rosas, bromélias e heliconias, mas também répteis (crocodilos), ofídios (jibóias e sucuris), mariposas, peixes, etc.<br />
Iguaçu permite também conhecer a região em termos geológicos, perceber como ocorreu a deslocação vertical dos basaltos e das camadas superiores sedimentares, aquando da formação das cataratas. Também se pode fazer uma incursão ao “Mona Lisa” no Paraguai, para se fazer boas compras, sobretudo material electrónico e relógios. O maior problema está nas imensas formalidades de fronteira, pelo que se precisa de um dia inteiro para ir ao Paraguai. A principal recomendação é optar pela Barragem de Itaipu, algo que eu fiz e que poupou muito tempo e preterir as compras neste país. É evidente que as relações do Brasil e da Argentina com o Paraguai não são as melhores desde a histórica Guerra do Paraguai. Todavia, para a natureza, o conflito entre humanos não se coaduna com a sua partilha de recursos, em que os três países saem ganhadores.<br />
Iguaçu partilha águas, o arco-íris em dias de sol e as aves e por isso, as fronteiras administrativas não têm sentido para a natureza!</p>

<p>Banzé<br />
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<title>Safari no Pantanal</title>
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<![CDATA[<p>Parti da capital do Estado de Mato Grosso, Cuiabá, que segundo a lenda, significa uma cuia (tigela índia) que foi pelo rio abaixo e que um português teria exclamado - “Cuia …. Vá”. Mas, tudo indica, que o verdadeiro nome se deva a um rio de lontra brilhante, pois a cidade é atravessada pelo rio Cuiabá. Eu estava a cerca de 165km de um importante ecossistema, o Pantanal, a maior área inundada do mundo, e não muito distante, de um outro ecossistema soberbo, Araguaia. Saí num pequeno furgão, passando por Livramento e Poconé (antiga Pedro D’el Rei), estando esta última localidade ligada ao garimpo do ouro. No Pantanal há muitos carandais (ligados ao carandá) e buritais (ligados ao buriti) disseminados pela paisagem e por vezes, encontrámos ainda babaçuais. Em Poconé, parámos junto ao largo da Igreja de NªSª da Conceição (Padroeira do Pantanal) e ao largo desta cidade, viam-se montes arenosos, eram cangas (garimpos). Também se observou, no caminho para esse burgo, “quilombolas”, isto é, moradores ilegais de terras. Entrados na estrada transpantaneira, em terra batida e cascalho, começou-se a contemplar de imediato, imensas aves. A primeira ave que vi, foi precisamente uma, que tinha cor de cinza e cabeça vermelha, era o “cardeal”! Depois, viram-se pássaros totalmente amarelos e outros totalmente castanhos. Os primeiros eram os “bem-te-vi” e os segundos, eram os “cafezinhos” ou “casacas-de-couro”. No estrato herbáceo carregado de água, surgiam garças, gaviões, curicacas e catuitas. Nos charcos surgiam jacarés refastelados com a água tépida e outros mais ousados, encontravam-se ao sol, parecendo que precisavam do meu “Piz Buin”. Contudo, o que se tornava hilariante era a passagem da boiada pelos charcos, não temendo a enorme quantidade de répteis, nem as boas (serpentes). Por vezes, algumas garças brancas poisavam no dorso dos jacarés, uma simbiose bizarra, que não atemorizava essas aves. Nalguns ribeiros, havia um imenso borbulhar de águas, gorgulhos que eram piranhas ávidas dalguns pedaços de carne, tal como os abutres quando esperam a contagem final das suas vítimas. Alguns cursos de água tinham gigantes nenúfares e flores de aguapé, abrilhantando a paisagem pantaneira. Nessas águas, os “lava-bundas” como são conhecidas as libélulas, deixavam os ovos dos peixes e estes, proliferavam nos rios que alimentavam o Pantanal. Todavia, os cenários mais belos diziam respeito às aves engravatadas, elegantes no voo, que nos seus ninhos altaneiros, sobretudo no topo das árvores, criavam os seus filhotes, eram os jabirús ou tuiuius. Estes pássaros são emblemáticos da região e sobretudo, da música sertaneja, tocada pelos peões, tratadores de gado. Tive oportunidade de sair do furgão e caminhar a pé pela estrada, fotografar inhumas, siriemas, corvos e arus, mas também lagartos, tapires e capivaras. Contemplei no seu habitat, capivaras com as suas crias, estou a falar dos maiores roedores do mundo. E na passagem pelas imediações dalgumas fazendas, viram-se veados, gazelas e cavalos. Porém, o destino final deste safari era uma pousada situada numa margem do rio Pixaim. Foi aí que almocei e comi um bom “pintado” grelhado (Surubim) com salada. De uma plataforma local, saímos em barco para um passeio no Pixaim! Foi inolvidável o que se viu, com o guia sertanejo Josué a comandar as operações. Desde o cómico ao trágico, percebi que a natureza não sabe o que é a bondade ou a crueldade, conhece apenas a lei da sobrevivência, aquela que dita as regras da vida em cada ciclo de existência. Pela primeira vez, vi uma anaconda ou sucuri a devorar uma capivara, na margem desse rio. No capim mais alto da margem, estavam outras capivaras que pareciam lamuriar o desaparecimento de uma igual. Imensos jacarés misturavam-se com os mangais e dispersavam-se pela água e por algumas praias fluviais. Todavia, Josué resolveu chamar um amigo de respeito, era o “Dragão”! Tratava-se de um gavião com esse nome, que respondia ao seu chamamento e o agradecimento era oferecer-lhe um pedaço de carne. Dragão fazia uma pose artística para as câmaras fotográficas e pousava em cima do ombro de Josué. Após esta investida, Josué começou a pescar piranhas e o mais caricato, é que ele pescava e a seguir, punha na boca de forma velada, as piranhas, e trincava-as. Acabada a pesca, continuámos o passeio pelo rio, observando nalgumas árvores, macacos barrigudos e saguis. Por vezes, os cormorões faziam voos picados e retiravam da água os seus alimentos. O respingar da água do rio molhava a minha camiseta e eu não maldizia a sorte por causa do intenso calor. Enquanto isso, Josué arrancara um bocado de folha de aguapé para nos mostrar o principal filtro do rio. Finalizado o passeio de barco, regressou-se à pousada e aí, estive atento, ao localizado comedouro de aves, que atraía canários de água, periquitos, cardeais e gralhas cancã. A meio da tarde, decidiu-se voltar de furgão a Cuiabá e foi aí, que se percebeu que cada animal tem o seu próprio ciclo natural. Assim, a bicharada que se vira de manhã, não era a mesma que se estava a ver de tarde e nas horas crepusculares. Viram-se colhereiros, javalis, catuitas, íbis-escarlate e urubus. O Pantanal estende-se pelo rio Paraguai e outros rios da região e a onça e o puma são felinos que também existem neste vasto ecossistema natural. Antes do regresso, Josué tocou músicas sertanejas dedicadas ao Pantanal, e algumas pantominas como o beijo doce e a loira do carro. Este peão de boiadeiro deixou-nos uma boa recordação! Entretanto, o sol já se despedia no horizonte e observavam-se algumas queimadas na mata do cerrado (Espécie de savana sul-americana). Chegados mais uma vez a Cuiabá, fui jantar um “Filé Mignon” com “batata sauté” e descansar na “cidade verde”, que tem influência portuguesa e libanesa. Eu encontrava-me precisamente no centro geodésico de toda a América do Sul, ou melhor, a meio do continente, à mesma distância do Oceano Atlântico e do Oceano Pacífico, cerca de 2300Km para ambos os lados. Não obstante, a noite não foi para dormir, mas para escutar o “botelhão” que os habitantes de Cuiabá celebravam toda a noite. Com a música tão alta dos carros, as pessoas desforravam-se na bebida, na estroinice e na gritaria alucinada. No meu quarto, eu fiquei a contar jabirús até o sono aparecer e acordar num novo dia cheio de Paz e Alegria! O safari no Pantanal foi uma experiência inesquecível!</p>

<p>Banzé!<br />
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<title>Na Selva Amazónica</title>
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<summary type="text/plain">Estava no quinto dia, do oitavo mês, do décimo primeiro ano, do terceiro milénio, quando pelas oito horas de uma manhã abrasadora, numa pequena comitiva, em que me inseria, saíra com o índio Iuris em direcção à selva. Na cabana,...</summary>
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<![CDATA[<p>Estava no quinto dia, do oitavo mês, do décimo primeiro ano, do terceiro milénio, quando pelas oito horas de uma manhã abrasadora, numa pequena comitiva, em que me inseria, saíra com o índio Iuris em direcção à selva. Na cabana, eu tinha assistido durante a noite vespertina, a um concerto memorável de sapos-boi que tilintavam ufanadamente, aqui e ali, abafando os outros ruídos da imensa floresta. Uma tímida perereca estava instalada no meu regaço e fazia vigília a todo um sono instável, onde as glândulas sudoríferas não davam tréguas com o calor e a humidade equatoriais. Iniciada a incursão à selva, as primeiras árvores de grande porte que surgiram diante dos meus olhos, foram sucubas, que se encontravam rodeadas de folhas de quinino e de cumarus tombados no chão. Os cumarus são sementes de cor negra, aconselhadas pelos nativos para fazer baixar estados febris, combater problemas respiratórios e curar pneumonias. Na exuberância da selva, avistavam-se imponentes amapás e ainda arabás, tendo estes últimos, troncos com muitas estrias e arestas junto à base do solo. De qualquer modo, diversos cipós (lianas) entrelaçavam-se nos amapás e nas imponentes sumaúmas. Iuris destacava as nervuras que surgiam amiúde nas sumaúmas, eram sapopemas e estas, serviam para se bater com um pau, emitindo sons comunicativos com as tribos da região. Naquele local, também se viam algumas árvores-escada, assim denominadas, porque os macacos aproveitavam-nas para subir aos ramos mais altos. De súbito, o nativo que nos comandava pedia o máximo de silêncio para se escutar o som dos animais, e no entretanto, começaria a varrer com os pés, a folhagem do chão, com o objectivo de não se produzir qualquer barulho. Isso, considerava-se desejável, caso não se quisesse ser emboscado por uma onça-pintada, disposta a caçar alguém, ou a fazer de um de nós, uma presa comestível do agrado do seu dente felino. Durante o trilho selvagem, viam-se árvores sangradas por facões índios, cuja finalidade era a obtenção de seiva como alimento. Por exemplo, da robusta Amapá produzia-se um nutritivo leite. Observavam-se também ramos de tucumã caídos e que apresentavam o seu fruto avermelhado tão requerido por papagaios, catatuas e araras. A comitiva já tinha caminhado cerca de 1km numa mata próxima do igarapé de Turumã-Açu (Braço do Rio Negro), quando eu acabava de tropeçar naquilo que pensara ser uma raiz, e na verdade, era um grande lagarto que tinha passado titubeante por cima do meu pé. Como não podia deixar de ser, um engraçado macaco fazia as suas habilidades numa grande liana e encontrava-se de rabo para o ar e de cabeça para baixo. Naquela ocasião ficara assarapantado porque nunca tinha visto um macaco de pêlo castanho claro e face avermelhada. De pronto, Iuris demonstrava o escopo daquele primata, uma vez que disseminado pelo chão se encontravam castanhas de sapocaia. Normalmente, os símios limpam as sementes do interior da castanha e os nativos aproveitam o invólucro para fazer instrumentos de música e cinzeiros. Mais à frente, neste percurso ímpar e irrepetível, observava pela primeira vez, aquilo que se designa por “falso olho”, tratando-se exactamente de um fruto vermelho de olho negro chamado guaraná. Esta caminhada ecológica, era para mim, uma verdadeira expedição científica, em que as surpresas sucediam-se em catadupa. Assim, numa enorme árvore vestida por musgos e líquenes, via-se um exército de formigas transportando pedaços de folhas e algumas termiteiras em espaços mais esparsos da vegetação densa. Depois de duas horas a caminhar e sem parar, o índio-chefe resolveu pregar-nos uma partida, escondendo-se numas enormes sapopemas. Uma grande parte dos exploradores estava a ficar desorientada e eu fora o único a descobri-lo, mas calei-me porque queria observar as reacções individuais. Certo é que ninguém entrou em pânico e ao fim de alguns minutos, ele aparecera com folhas a cobri-lo por inteiro. Iuris já tinha perdido uma zarabatana, mas não se lastimava com o sucedido. Era um nativo bem-humorado e que falava um português perfeito. Passado algum tempo, começaria a extrair pó de sucupira e um pó de Chichan, colocando-os numa cuía, onde misturaria cachaça e mel. Deu-me a provar essa mistela estranha que dizia ser muito poderosa, dando sobretudo vigor ao sexo masculino. Tratava-se do “Viagra” Amazónico! Como se não bastasse, à bebida produzida na selva, foram arrancadas algumas epífitas, partindo-as em bocadinhos do tamanho de dedos adultos. Iuris provocou fogo com pedras e um ferro e acendeu as pontas das epífitas. De seguida, deu-me um pedaço de epífita para fumar, dizendo que aliviava o sistema nervoso, acalmava o ritmo cardíaco e que tal, fazia bem à mente. É claro que, se algum amigo mais sensato me visse naquele momento, diria que eu me encontrava com uma grande pedrada. Deste modo, bebi o xarope da virilidade e dei umas passas de epífita, não precisando de qualquer outro elixir, ou do Cachimbo Paz! Depois destas duas aventuras, recolheu-se do chão bacabas (Não se confunda com pupunhas - uvas amazónicas) e provámo-las seguidamente. Comeu-se a parte exterior da bacaba e deixou-se o caroço que se encontra no seu interior, servindo este, para fazer magníficos colares. Porém, o conhecimento da flora ficaria mais completo, quando contactámos com o urucum, o fruto que permite fazer as pinturas índias e extrair uma especiaria importante, o colorau! Aquela manhã estava quase passada e havia tanto para ver! Vi ainda uma árvore quase descascada, fazendo um impressionante “pilling”, muito parecido ao eucalipto, tratava-se do mulateiro. A sua casca era utilizada na medicina nativa, misturando-a com banha de tartaruga, criando um produto excelente no combate ao cancro. Mas, a aventura amazónica culminaria naquele dia, com uma pesca à piranha, realizada num igapó isto é, numa área de floresta inundada. Fomos brindados pelo aparecimento de caimões curiosos com a nossa presença, araras vermelhas e carnides a cruzar as nossas cabeças, além de uma majestática águia pesqueira. Um isco de carne era colocado no anzol e lançado no igapó e de imediato, as piranhas de barriga vermelha trincavam os petiscos, sendo içadas para a borda das pirogas. Eram retiradas dos anzóis com facão e colocadas na água para repasto dos répteis ansiosos pela dádiva humana. Os jacarés agradeciam as piranhas que nós atirávamos. Finda a pescaria, regressámos à cabana, para descansar um pouco e higienizarmos os corpos com água tratada. Da cabana podia observar as águas do Turumã-Açu, a sua coloração escura que impressionava e metia medo. Sempre que me deslocava à cabana, pulverizava a epiderme com repelente de insectos e talvez atraídas pelos odores, várias mariposas de todas as cores, ficavam doidas varridas e apareciam no nosso caminho. Aliás, o fim do dia era considerada a hora mais “picante”, pois era o período preferido pelos insectos para infectar o sangue ou deixar as suas larvas nas águas. Todos os cuidados eram poucos! Refira-se que na maior floresta da Terra eu estive alguns dias e para aumentar a adrenalina foi feita uma observação nocturna aos jacarés! Sentados em pirogas e com poucos focos nas mãos, dirigimo-nos para as margens do igarapé. Comandava a minha piroga o índio “Pé de Leque” que nos mostrava os olhos luminosos dos jacarés. Para grande surpresa, Pé de Leque pedira contenção verbal e sobretudo silêncio ao aproximar-se de um jacaré devidamente localizado. Num segundo, atirou-se às águas cor de breu e apanhou um jacaré bebé, que teria cerca de 1,5m. Algumas miúdas na piroga soltaram estridentes berros, sobretudo aterrorizadas, quando ele subiu à canoa com o jacaré nas mãos. Para mim, foi um espectáculo fabuloso, melhor não podia ter acontecido! Eu até peguei no jacaré com a ajuda de Pé de Leque! A natureza no seu estado puro e bruto oferecia aventuras excitantes e ao mesmo tempo, estas estavam prenhes de sentimentos pelo ciclo natural dos seres vivos. Ali, havia partilha de um espólio de saberes que os nativos adquiriram no contacto diário com a selva. Num outro dia selvático, fomos de chalana visitar uma Kayapó Maloca, ou seja uma habitação índia numa pequena aldeia nativa. Os íncolas dançaram, falaram na língua tupi, mostraram os seus utensílios, concretamente lanças e zagaias, cuías e potes, arcos e flechas. Percebi que os índios comiam o que a selva lhes oferecia. Mandioca, frutos, raízes, alguns animais e peixe são a base da alimentação da tribo tupi-guarani. Muitas canoas transportavam as mulheres e os filhos entre os canais do rio Negro. Alguns caboclos pescavam tucanarés, jaraquis, surubins, tambaquis, pacus e traíras. Alguns pescadores profissionais pescam mesmo o maior peixe de água doce, o pirarucu (Considerado o bacalhau do Amazonas). Um grande manto verde cobria as margens dos rios e as tonalidades da vegetação davam um esplendor inigualável! Outro momento impressionante que pude viver foi o encontro das águas dos rios Solimões (Amazonas) e Negro. Para lá chegar, atravessei grande parte de Manaus, o seu porto de mar, a enorme ponte sobre o Negro, observando a cúpula do Teatro, a praia da Ponta Negra, muitas palafitas, a fábrica da Cerveja Miranda, os Terminais e a Refinaria, o edifício da Fazenda Pública, etc. Chegados ao encontro de águas, o Amazonas, barrento, está carregado de sedimentos e não se mistura com o Negro, escuro e carregado de matéria vegetal. Durante quilómetros os rios circulam paralelamente devido às diferenças de densidade e temperatura. Reparei que alguns botos saltavam muito serenos nas águas do Amazonas. Essas águas têm tartarugas, manatins, candirus, moreias e enguias eléctricas. Quando volvi ao cais de Manaus, reparei nos imensos barcos que transportavam pessoas pela auto-estrada fluvial, o Amazonas, de Manaus a Tabatinga, Santarém, Alenquer, Paratins, Óbidos, Barcelos (A primeira capital da Amazónia), etc. Muito aprendi em terras tropicais e pela primeira vez soube que o Amazonas tem cerca de 2000 espécies piscícolas, enquanto o Negro (rio que é ácido) tem à volta de 200 espécies de pescado. Aprendi também por estas paragens, que qualquer planta da selva que seja leitosa, cabeluda ou peluda e amarga, significa que é venenosa. Foi também no coração da selva que provei suco de tapereba, licor de jenipapo, gelados de açaí e goiaba, peixes gostosos como os matrinchãs, camarão abiu e caranguejo siri, frutas da selva como o araçã-boi e o jatobá. Mas, não se pense que não há perigos a espreitar os exploradores. A mucunha é um insecto que suga sangue às pessoas, uma espécie de vampiro da selva, as sucuris são um grande inimigo dos índios, o puma também assusta os humanos, tal como a onça. Se lhe acrescentarmos os insectos causadores do dengue, febre-amarela e malária, percebemos que a beleza tropical procurada encerra muitos riscos. Não obstante, a minha aventura amazónica não teve quaisquer contratempos e tudo correu muito bem!</p>

<p>Banzé!<br />
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<title>Sonho de uma Sefardita!</title>
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<![CDATA[<p>A maior comunidade judia em Portugal situa-se em Lisboa, seguindo-se Belmonte, uma vila do distrito de Castelo Branco. Fora precisamente na segunda maior comunidade hebraica portuguesa que eu conhecera Lara Joshua, uma jovem ambiciosa que pretendia ser economista, pese embora, tivesse um gosto especial pelo cumprimento do serviço militar na terra de seu avô Elisha. Lara tinha um irmão ortodoxo, que gostava de cumprir todos os rituais judios, inclusive casar com uma mulher do seu credo religioso. Porém, Lara contrariava a tendência da comunidade judia porque não se importava de conhecer um companheiro de outra confissão religiosa, com quem partilhasse os seus pontos de vista e os seus desejos mais sublimes de mulher. A miúda de dezoito anos cumpria no que podia, o livro sagrado, a Tora, embora se quisesse libertar do rigor sefardita, sobretudo de uma tradição que implicava ser diferente da maioria dos portugueses, enquanto o irmão Abraão seguira todos os ditames judaicos e assim, sete dias após o Mitzvah (Nascimento) fora circuncidado, e com o tempo tornara-se um seguidor irredutível do rabino Mirzá. Cumpria o dia sagrado, o Sabath, fugindo ao manifesto trabalho nesse dia tão importante. A comunidade não crescera muito, mas conta atualmente com mais de uma centena de pessoas, que têm a sua sinagoga na Fonte da Rosa, perto da judiaria. Saliente-se que a sinagoga fora construída por um judeu marroquino, algo impensável, porque o benemérito era oriundo de um país predominantemente árabe. Mas, as regras mais comuns da comunidade passam pela gastronomia, pois os judeus não comem carne de porco, algumas aves ou peixe sem escamas. Baseiam-se nos textos sagrados, dizendo que protegem certas espécies e ao mesmo tempo respeitam a sustentabilidade dos ecossistemas. A comida Kosher tem normas próprias e em Portugal já está certificada. Assim, o pão (Matsá) tem de ser feito com menos fermento que o habitual e as padarias de Belmonte fazem-no com respeito. Já o queijo, só é aprovado se não tiver coalho animal e o leite deve ser pasteurizado a temperaturas mais baixas. Tendo por base esses rituais, os laticínios de Vila Franca das Naves têm a certificação Kosher, assim como as compotas de Idanha-a-Nova ou os vinhos da Covilhã. A própria comunidade sefardita celebra um festival todos os anos, criando um mercado próprio, onde os alimentos são genuínos e podem abastecer todos os judeus, com produtos confecionados em Portugal. A comida Kosher (Ou Casher) é um padrão cultural da comunidade de Belmonte e Lara cumpria escrupulosamente essa tradição. Esta comida fazia observância do Cashrut, onde não se pode comer juntos, laticínios e carnes, havendo necessidade de separar louças, talheres e utensílios para esses alimentos. Como se sabe o povo judeu está disseminado pelo mundo, teve uma grande diáspora e na língua hebraica chama-se a este povo, “Kadosh Goy”! Lara fazia parte desta raíz hebraica, cujos antepassados sofreram vicissitudes de uma obstinada Inquisição e muitos deles, até foram expulsos do território em que ela aprendeu a crescer. Tornou-se mulher e haveria de chegar o dia, em que ela fora estudar para a Universidade de Lisboa. Aí, conhecera o homem da sua vida, que afinal de contas era um agnóstico, que pouco ou nada acreditava em religiões. Chamava-se Franco Agnelli, um português de origem italiana, e era sobretudo um cientista que estudava novos materiais para aplicar a terapias medicinais no âmbito das doenças tumorais de fígado, pulmões, estômago e intestinos. A futura economista, defensora do ambiente e de uma gestão ambiental sustentável, encontrava um engenheiro biólogo, um defensor da vida humana. Lara explicava-lhe como era vida dos judeus, comungando a partilha dos deveres na sinagoga, existindo andares distintos para homens e mulheres, ficando os primeiros no patamar superior e elas, as segundas no patamar inferior. Esforçava-se por lhe dizer que isso prendia-se com o facto de não haver qualquer distração por parte dos homens, que podiam ser provocados pelas silhuetas femininas se estivessem em contacto. Desse modo, evitava-se que a visão provocasse confusão nas mentes e houvesse desejos carnais ou sexuais. A fidelidade aos ensinamentos era fundamental e os crentes não podiam distrair-se do objetivo que era afinal a oração! O próprio rabino casava divorciados e não havia aquelas interdições como na religião católica. Franco não julgava, mas tudo lhe parecia estranho ou cómico e ria-se por vezes do que Lara lhe contava. Mas, sensível à beleza daquela mulher alta e trigueira, um facto ocorrera, ele apaixonara-se por ela, e até admitia que um dia, quando casasse, poderia seguir os preceitos sefarditas e converter-se ao judaísmo. Tiveram um Sirid prolongado, ou seja um namoro consistente! Franco esquadrinhou todos os traços naturais de Lara, partiu-lhe o coração em estilhaços, mas com beijos a desfez e com beijos a refez! Quando Lara apresentou Franco aos pais, adivinhe-se, foi um choque muito grande, pois eles estavam à espera que a filha apresentasse um judeu oriundo da comunidade lisboeta. Com o tempo, acomodaram-se à ideia, uma vez que Franco era um jovem de cabelo dourado e olhos celestes, simpático e muito gentil, respeitando as tradições judias, sem nunca pôr em causa os seus rituais. Era um “special one”, não só no laboratório, mas também nas idas ao Museu Judaico, para conhecer o passado dos judeus em Portugal e ao mesmo tempo, começava a perceber a rede de produção portuguesa que assegurava a alimentação dos judeus locais. Centrava atenções nessas comidas, tanto mais que ele se interessara por um estudo de um cientista do Porto, que estudara os polímeros presentes no camarão e na lagosta, para se reconstruir cartilagens e ossos danificados, ou ainda o colagénio das lulas para tratamentos de fraturas ósseas. Lara dava-lhe todo o apoio necessário, pois ainda hoje, se acredita piamente, que por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher! Tornaram-se Chatan (noivo) e Kallah (noiva) e haveria de chegar o dia do enlace matrimonial, mas à maneira judaica. Casaram na sinagoga, debaixo de um “Chupah” - pálio, e ele nem precisou de vestir um kittel (manto branco), mas bebeu vinho de um copo e com a sua amada, leram o contrato matrimonial (Ketubah), tendo uma ajuda do rabi da comunidade belmontense. Franco até partiu no fim, o copo de vidro como mandava a tradição, depois de se fazer as sete bênçãos. Indefetíveis às luzes bruxuleantes da sinagoga, eles cumprimentaram os convidados no “Panim Kabbalat”. Não precisaram de jejuar, como faz a maior parte dos judeus até chegar à “Sala Yichud”, pois fizeram uma refeição festiva denominada “Sendah”! Ambos os esponsais, como prenda de um compromisso de amor, e como um “tefilin” (compromisso judaico), foram para Jerusalém, a terra santa, podendo desfrutar da oração no Muro das Lamentações. O “zugot”- casal, fez ainda uma escapadela à Jordânia, para visitar Petra, uma das sete maravilhas do mundo! Para um agnóstico convertido ao judaísmo, o “ahavat” (amor) trouxe-lhe surpresas, a visita a um lugar de encruzilhada de religiões, que ele jamais imaginaria que lhe acontecesse, ou acharia que isso seria no mínimo surreal. Ele não era um avatar de si mesmo, ou um outro ser, pois além de cientista, ocorreria na sua alma uma profunda metamorfose, o aparecimento de um judeu eclético. Franco era sobretudo um grande humanista e Lara completava-se com ele a seu lado. Certo é que Lara não precisou de seguir francamente a ortodoxia do irmão Abraão. Os seus sonhos conquistaram-se ao lado de alguém inimaginável até atingir a maioridade em Belmonte. A miúda sefardita (Sefardi - a fação hispânica dos judeus) que fora, numa comunidade fechada, hermética às outras, transformara-se muito e à custa do marido, ficando sobretudo desperta para a Ciência, a Humanidade e o Mundo! Teve uma gestação trigemelar e esses três filhos (Moisés, Noé e Bela) deram-lhe muita alegria, pois a cada beijo seu, e aos rebentos que amamentava, a sua boca adoçava! Assim, o sonho de uma sefardita que procurou ser feliz neste mundo, vivendo em harmonia e com muito amor, era agradecido ao seu D´us! Ela percebeu que o futuro esteve sempre nas suas mãos, acreditou nele e ganhou-o! Reconheceu que D´us fora sempre justo e que a recompensou!</p>

<p>Banzé Judeu!</p>]]>

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<title>Na Baía de Todos os Santos</title>
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<![CDATA[<p>S. Salvador da Baía é a terceira cidade do Brasil e tem cerca de 3,5 milhões de habitantes. É a cidade da alegria, onde se encontram diferentes culturas, a europeia que se deveu à colonização portuguesa, a africana devido aos escravos trazidos pelos colonizadores e os nativos, indígenas que já existiam por aqui! Foi a primeira capital do Brasil e a religião mais comum é o Candomblé (secretismo religioso)! Os negros que foram escravizados tiveram de adoptar os santos cristãos, mas fizeram-no correspondendo cada um deles aos seus orixás (deuses africanos). Quando cheguei a esta bela cidade, a primeira expressão que ouvira foi – “Sorria que você está na Baía”. Fiquei hospedado no Vila Galé, pertencente a uma cadeia de hotéis portugueses. Aqui a costa era muito rochosa e as correntes marítimas muito perigosas. Todavia, as principais praias situavam-se na Baía de Todos os Santos, a segunda maior enseada do mundo, ficando no ranking atrás da Baía de Hudson no Canadá. Mas, Salvador é também a “Roma Negra” pelo facto de ter muitas igrejas, sendo a mais famosa a Igreja Dourada. É constituída topograficamente pela parte alta e ainda pela parte baixa da cidade. Eu tive oportunidade de ir a um espectáculo de ballet folclórico, precisamente num teatro da parte alta. A dança que vi incorporava os vários deuses negros, destacando-se:<br />
- OGUM, Deus do ferro e da guerra;<br />
- OXUM, Deusa dos rios e dos lagos;<br />
- OMOLÚ, Deus das doenças e da morte;<br />
- IANSÃ, Deusa dos ventos;<br />
- OXOSSI, Deus da caça e das florestas.<br />
Curioso é que tinha observado uma dança intitulada, dança do fogo, homenageando o Deus do Fogo, Xangô. Era incrível, o sujeito punha as mãos e a boca no fogo, passava com os pés por cima de brasas e lançava fogo nos braços. Contudo, o “pandan” (Combinatória) da teatralização fora uma dança dramática chamada “Maculelê” dedicada à agricultura e que era um meio de defesa dos escravos contra os senhores feudais. Ainda se assistira a um espectáculo de “Capoeira”, uma luta ginasticada de origem africana, trazida para o Brasil pelos escravos oriundos de Angola, assim como, a um “samba de roda”, uma dança executada por escravos nas sanzalas (Verdadeiros espaços sem ar) nas horas vagas e que eram muito raras. Era impossível ignorar os sentidos, sentir o cheiro do capim africano, o sabor dos restos de comida, o som dos balangandás, a visão da brasa, afinal de contas, de uma semente encarnada, que dera o nome a este grande país! E a partir deste espectáculo, eu percebera o que valia a miscigenação de raças e de culturas. Esta cidade-fortaleza combateu espanhóis, franceses e holandeses que pretendiam invadi-la, mas que encontraram enormes dificuldades em mar aberto, um mar revolto que atinge facilmente os 500m de profundidade. Não obstante, essa profundidade à entrada da costa contraria a máxima profundidade da Baía de Todos os Santos que vai até aos 13m. Mas, Salvador teve também uma história muito triste, ligada aos traficantes de escravos, pois muitos seres humanos pela diferença da cor de pele, foram colocados em vitrinas para serem vendidos, expostos à vil humilhação de serem considerados inferiores, quando na realidade eram iguais a todos nós! Durante séculos carregámos os fantasmas da raça, da cor de pele e do credo religioso! Esta cidade fez-me rever a história, os seus pontos fortes e os seus erros. É curioso que os barcos negreiros que traziam os escravos para o Brasil eram de diferentes partes do continente africano e por isso, os negros não comunicavam entre si, porque não tinham a mesma cultura, religião e tradições. Por isso, foi mais fácil comandá-los nas plantações e nas casas que não tinham janelas, para que estes não fugissem. Aqueles que arriscaram a fuga foram torturados no tronco! Zumbi dos Palmares, o negro que tem uma estátua em Salvador (No Largo da Sé), é o herói de cor que defendeu o fim da escravatura, aquele que foi martirizado até à morte! A cidade carrega um fardo de angústias, como aquela carta que se escreve pela última vez, sabendo que os limites da vida são tão estreitos. E por paradoxal que possa parecer é considerada a cidade da alegria! E hoje, Salvador detém a zona com mais petróleo do Brasil e então, afinal, o negro tem ou não tem um valor merecido?! O Brasil passou por três ciclos produtivos importantes, quanto a história da Baía. Começou com o “ouro branco”, a exploração do açúcar, passou para o “ouro dourado”, com a extração do metal precioso e mais recentemente, em “on shore” na Baía, obtém o “ouro negro”, o petróleo! Mas, esta fantástica cidade é rica em pedras preciosas. Senão vejamos, é o maior produtor do mundo de Aqua Marinha, o segundo maior produtor de esmeraldas e ainda detém uma pedra raríssima que é o Topázio Imperial. Mas, passemos à Baía histórica, que tem um espólio maravilhoso. E importante é o Terreiro de Jesus com as igrejas de S.Pedro, S. Domingos, a Basílica e a Igreja de S. Francisco de Assis (Igreja Dourada - Com 700Kg de ouro maciço), sendo esta última, considerada a sétima maravilha do barroco português espalhado pelo mundo. Há ainda uma igreja do barroco espanhol (O barroco palatinado), mesmo ao lado da Igreja Dourada. Depois, há ainda o Largo da Cruz Caída junto à Sé, próximo da Misericórdia e que dá acesso ao Palácio Rio Branco, Prefeitura e miradouro com vista para a Baía de Todos os Santos. Desse miradouro observa-se o elevador Lacerda que permite o acesso da população da parte baixa à parte alta. Outro ponto fulcral de Salvador é o Pelourinho, lugar onde se castigavam os negros. Vê-se aí a Fundação Jorge Amado e a casa onde ele viveu, as igrejas de NªSª do Rosário dos Pretos e a do Alto, além da calçada portuguesa, a qual se chamou à pedra, “pé de moleque” ou “cabeça preta”, porque quando o senhor passava, pisava a cabeça do escravo. A escravidão só terminaria em 1888 e o Brasil tornar-se-ia independente da coroa portuguesa a 7 de Setembro de 1822, porém a Baía só se tornaria independente, 9 meses depois. Contudo, reza a história que um português vindo numa nau, prometeu que se chegasse vivo a terra, construiria uma igreja na Baía, a igreja do Bonfim. Esta é das mais frequentadas do Brasil e também está ligada ao candomblé. Compram-se fitas que se colocam no gradeamento em frente à igreja e pedem-se desejos de felicidade. Quem visita esta igreja, passa pelo dique de Tororó (Feito pelos holandeses), onde há repuxos de água e orixás e passa ainda, pelo Bairro da Liberdade, que não é uma favela, porque as pessoas pagam impostos, não têm água e luz de graça e têm estrada. Nessa direcção deslocámo-nos à Península de Itapagipe que nos permite aceder ao Forte de S. Filipe e ao Bairro de Monserrate. Daí, consegue-se ver e dividir a cidade por classes, os bairros pobres, a zona alta com os bairros ricos de Vitória e Campo Grande, a zona baixa com o mercado Modelo, enfim tem-se a mais bela panorâmica da cidade. Mas, o forte mais representativo de Salvador é onde se situa o Farol da Barra, o Forte de S. António, de onde se avista a célebre Baía de Todos os Santos, nome assim dado por Américo Vespucci que teria chegado aí a 1 de Novembro. Mas, a Baía é também a terra do Axé, uma dança típica da cidade de Salvador e do estado a que pertence (Baía). E quanto à gastronomia, há tanta coisa boa que é difícil de enumerar. No entanto, irei salientar alguns pratos típicos como o “caruru” (estufado de quiabo), moqueca de peixe e camarão, “vatapá” (pasta de camarão), lasanha de banana, “acarajé”, “bonito”, o uso do aipim e do óleo de dendé. Mas, uma guloseima comestível típica, que é muito boa é a “cocada” e que é de três tipos - a branca, a negra e a de frutas. Salvador deslumbra pelo legado português e uma história que jamais se esquece é a do “Santo do Pau Oco”. Muitos portugueses teriam de carregar o ouro do Brasil para a coroa portuguesa e uma forma dalguns populares surripiarem algum ouro para si, foi escondê-lo nos santos de madeira que eram enviados nas naus. Como os santos não eram aquilo que aparentavam, começou a usar-se a expressão para as pessoas que mostravam caras de santos e na realidade, eram demónios. Portanto, o “Santo do Pau Oco” corresponde aquilo que parece ser, mas não é (Uma dissimulação)! Por outro lado, visitar o Estado da Baía é conhecer “Ilhéus” e os saveiros de pesca que Jorge Amado tanto evocou, a primeira Universidade de Medicina do país, actualmente o museu afro-brasileiro, é ir à “Chapada Diamantina”, conhecer as plantações de açúcar recôncavo, as explorações de mármore (Exporta cerca de 80% para todo o mundo) etc. S. Salvador é uma herança portuguesa e do tráfego negreiro escravo, pois 90% dos soteros paulitanos são negros. Compreende-se agora que o calor de África foi transportado pelos negros para aqui e que a expressão bombástica – “Está na Baía, por favor sorria” tem sentido! E por agora, me despeço com um sorriso baiano!</p>

<p>Banzé<br />
</p>]]>

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<title>Cluster do Mar - Uma oportunidade de futuro</title>
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<![CDATA[<p>O mar português é vasto e confunde-se em Portugal, com o passado, com a nossa brilhante história dedicada ao empreendimento dos Descobrimentos ou mesmo, com a colonização portuguesa de África. O país tem a maior Z.E.E. da Europa (Portugal é 19 vezes mais mar que terra), mas não tira partido desse enorme espaço marítimo. Actualmente, os portugueses limitam-se a contemplar o mar, a pescar tradicionalmente nele, a banhar-se e pouco mais fazem com essa grande extensão territorial! Sucessivos governos portugueses desde Abril de 1974 abandonaram a sua tradição marítima, trocando-a pela integração europeia. Foi um erro crasso virar as costas ao Oceano Atlântico, a nossa principal porta de relacionamento com o exterior, ou o nosso B.I. como nação secular. Quando cumpríamos a nossa real vocação marítima, não éramos periféricos ou ultra-periféricos, porque estávamos mais próximos da América ou de África do que qualquer outro país europeu. O nosso pseudo-isolamento desfez-se na condição de finisterra. O mar ligou-nos à Índia, ao Brasil, a Angola e a Moçambique, à Terra Nova e à Península do Labrador, a Timor e a Solor, a Macau e ao Grão Cataio (E às ilhas Sanchoão na China), a Mombaça e a Melinde, ao reino do Congo e à feitoria de S. Jorge da Mina, a Arguim (Mauritânia) e à Costa do Ouro (actual Gana), a Ormuz (Safávidas da Pérsia) e a Calecute, ao Sião e a Malaca, a Sumatra e às Molucas, enfim ao Mundo! À distância de tudo isso, o afastamento do mar prejudicou a nossa produção alimentar e a nossa posição geoestratégica. Os nossos estrategas políticos equivocaram-se, pensando que estando voltados para o mar estaríamos de costas para a Europa. Poderíamos ter feito a integração europeia, mas sem esquecer as potencialidades do mar, continuando a ser amigo do nosso maior aliado natural. Porém, a inércia e a inacção justificaram a ignorância relativamente ao mar! Os grandes barcos da época ultramarina foram todos “abatidos”, tais como, o maior barco de transporte da época chamado “Vera Cruz”, o “Ilha de Moçambique” ou o “Niassa”, o “Afonso de Albuquerque” (navio de aviso de 1º classe), ou o “Pedro Nunes” (navio de aviso de 2ª classe), as canhoeiras “Tete”, “Pátria”, “Zambeze”, “Chaimite”, “Cuanza”, “Bengo”, “Beira”, os navios-patrulha “S. Tomé”, “Príncipe”, “Maio”, “Santiago”, “S. Vicente”, “Porto Santo”, o cruzador “Carvalho de Araújo” entre outros! Não os aproveitamos para cruzeiros turísticos, nem para transportes marítimos, simplesmente abandonámos o que tínhamos construído. Foi um erro fatal no destino nacional e significou um paradigma perdido! Hoje, teremos de voltar ao mar, se quisermos sobreviver como nação independente e produtora de recursos. Caro leitor, lembro que temos cerca de 350Km de costa sem vigilância, ao longo das nossas praias, e ao largo, podem muito bem ser edificadas plataformas multiusos, onde poderíamos explorar a energia offshore (vento, ondas, correntes e marés), a aquicultura offshore (Diferentes tipos de pescado e marisco), extrair recursos minerais e metais, cultivar algas para biocombustíveis, absorção de CO2 e para a cosmética, utilizar tecnologias subaquáticas (exploração de hidrocarbonetos), extrair inertes, etc. Infelizmente, ignorámos a nossa Geografia e o mesmo aconteceu ao Hino Nacional que nos fala dos “Heróis do Mar”, ficando estes sepultados nas grandes autoestradas marítimas. Esquecemos que o mar português era uma avenida sem limites e esquecemo-lo, construindo autoestradas para nos ligarmos a Espanha e à Europa. Não é que confundimos a Escola Náutica de Sagres (A NASA da época quinhentista), o visionário Infante D. Henrique e o navegador Vasco da Gama com o país “orgulhosamente sós” do Estado Novo! Foi uma estupidez pensar que ao fim do império ultramarino, só nos restava o caminho da Europa. Era uma solução mas, não era a única! Recordo que o mar ligava-nos ao Brasil e aos PALOP, aos EUA e ao Canadá, ao Magrebe e a África a Sul do Sara. Num mundo globalizado perder esses mercados, pensando que a Europa nos ofereceria tudo, foi um grande e terrível engano! Não obstante, à tese errónea do passadismo, o que nos resta agora? O que se poderá fazer para o futuro? Se pretendemos alargar a nossa plataforma continental para 350 milhas, e se o conseguirmos nas Nações Unidas, ficaremos com um território de mar equivalente ao território da Índia. Só contemplar ou vigiar o imenso mar salgado, é pouco! Temos de construir um cluster do mar, com perfil tecnológico, onde podem entrar muitos ingredientes para o sucesso económico, como a reparação naval, mais postos de amarração para barcos de recreio, apostar nos navios turísticos de cruzeiro, ter uma pesca moderna e potenciar a aquicultura, investir em portos de “transhipment” (Transbordo), aproveitando os arquipélagos da Madeira e Açores e no continente – Sines, Leixões e Lisboa. Para barcos de cruzeiro, potenciar Setúbal, Lisboa, Portimão/Faro, Figueira da Foz, Aveiro e Viana do Castelo. Temos de criar portos de pesca modernos – Olhão, Vila Real Sº António, Sesimbra, Peniche, Nazaré, Matosinhos, Vila do Conde, Caminha, etc. E ter uma pesca moderna é vital porque em Portugal, todos juntos, comemos por ano, uma quantidade de peixe equivalente a dois submarinos (Os mesmos do Paulo Portas) – cerca de 800 milhões de Euros. Na aquicultura, o país só produz cerca de 10 mil toneladas de peixe/ano, quando um país como a República Checa que não tem mar e apenas tem cursos de água, produz três vezes mais que Portugal. Bem, com a quantidade de rios que temos, podemos produzir muito mais e também é por aí que o investimento deve ser realizado e não podemos ser despiciendos. Temos de construir uma janela de oportunidades porque o mar é uma extensão do nosso território terrestre. As Ciências do Mar têm que se desenvolver a nível universitário e devem ser aplicadas na prática à realidade que temos. Temos de reactivar a indústria conserveira, a indústria do frio e/ou congelados e precisámos urgentemente de pôr a nossa frota piscatória a funcionar. Perdemos nas últimas décadas activos na pesca e para criar emprego no sector, precisámos de recuperar esses postos de trabalho. É preciso fazer saber que as más condições de vida marítima se acabam imediatamente com boas frotas de arrasto (fundo), bons equipamentos e boa organização dos produtores. O Estado e os particulares devem investir na agregação de empresas ligadas ao mar, só assim podemos rendibilizar mais a nossa economia. E as potencialidades são imensas, daí que a estratégia para o mar deva plasmar-se no conhecimento, no planeamento/ordenamento marítimos e na defesa dos interesses nacionais. Assim, é preciso desenvolver novas tecnologias aplicadas à maritimização e investigação científica que promova a importância do mar. As biotecnologias marinhas, as telecomunicações submarinas e a marinha mercante (O comércio marítimo) são desígnios apontados no Livro Verde da U. E. e por isso, temos de fazer algo a esse nível, se queremos ter uma economia do mar desenvolvida, caso contrário, continuaremos a ter mar, apenas para observar e para turismo balnear. O mar pode ser uma fonte endógena de energia renovável, por que não apostar aí também? Pelo menos, a factura energética que está tão dependente do petróleo e do gás natural baixariam substancialmente, reduzindo desse modo, a nossa dívida externa. Por outro lado, o mar português é uma custódia colectiva que cabe a todos preservar, sobretudo a sua biodiversidade. Mas, para implantar equipamentos eólicos flutuantes sem causar impacto negativo, é necessário ordenar o espaço marítimo, conhecer as localizações preferenciais e certamente que a célebre “nortada” que ocorre a Norte do Cabo Carvoeiro não descuraria a localização mais apropriada. Depois, seria necessário instalar redes eléctricas submarinas, com todo o cuidado ecológico que isso deveria merecer, pois a nossa pegada ambiental poderia aumentar o prejuízo para determinados bancos de peixe. Há mesmo quem peça, um destaque europeu ecossistémico pelo facto do sistema oceânico ser um importante regulador do clima mundial. Então, tal como os brasileiros reclamam a importância do mecanismo de “carbono verde” para a floresta amazónica, os portugueses deveriam alocar grande parte da ZEE (território oceânico administrado por nós) como um mecanismo de “carbono azul” importante para a Europa e para o Mundo. Assim, uma parte da nossa ZEE era tida em conta como sistema de termóstato do aquecimento global actual. Ecossistemas como zonas húmidas lacustres (Ria de Aveiro e Ria Formosa), sapais (Cávado, Castro Marim) e juncais (rios Lima, Minho e Coura…) também são sorvedouros de toneladas de CO2, pois uma grande parte desse gás emitido para atmosfera é também assimilado pelas zonas costeiras. Este serviço ecossistémico deveria custar dinheiro à Europa, exigir-se-ia uma espécie de taxa para se proteger uma economia ecológica, traduzida num valor de mercado! Eu não partilho totalmente desta ideia de muitos investigadores científicos do mar, porque uma crescente absorção de CO2 implica um aumento da acidificação do mar, alterando o seu PH, começando também a afectar a calcificação de bivalves e moluscos. Aliás, as cadeias tróficas seriam alteradas, uma vez que, os peixes também sofreriam com o excesso de carbono na água. No entanto, o mar terá de ser equacionado como um activo nacional com valor de mercado para a Europa e para o Mundo. Como? Por ser um regulador climático, nunca esquecendo que o Anticiclone dos Açores devolve bom ou mau tempo à Europa e Portugal colhe aí, uma importância inigualável. A fileira de mercado não pode ser só sol/praia que corresponde a 11% do PIB português, deverá incluir-se o sequestro de CO2 pelas camadas de sedimentos do leito marinho. Eu apostaria na criação de uma rede mundial de áreas marinhas protegidas, onde grande parte da nossa ZEE estaria inclusa, até como uma obrigação no âmbito da Rede Natura 2000. Em suma, Portugal poderá prestar serviços ecossistémicos à Europa, pelo seu tesouro ambiental que é a nossa ZEE. Elencaria agora um conjunto de serviços que deveriam criar proventos para Portugal nomeadamente, serviços de regulação climática já supra-referidos, serviços de reciclagem de nutrientes e tratamento natural de resíduos, serviços de produção alimentar através da pesca e aquicultura, serviços de produção energética renovável, criação de recursos genéticos aplicados à indústria farmacêutica e aos cosméticos, serviços proporcionados pela biodiversidade marinha ligados ao lazer e à cultura, entre outros ligados ao turismo náutico. Acresce a importância dos Açores pelas fontes hidrotermais que possui em profundidade e que podem ser aproveitadas e para tal é urgente, termos massa crítica para gerir e explorar o mar. As Universidades dos Açores, Algarve, Lisboa e Porto devem trabalhar conjuntamente em prol do estabelecimento de incubadoras de empresas, desenvolvimento de ecotecnologias, criação de empresas de consultadoria do ambiente marinho e monitorização/controlo das condições e da qualidade da água do mar e produção de software aplicado a navios. Importa ainda dizer que 2/3 do peixe consumido em Portugal é importado e isso não faz sentido. Temos de desenvolver a pesca para baixar o défice da nossa balança alimentar relacionada com o pescado. Temos de ser pioneiros no “greening transport sea” imprimindo às auto-estradas do mar, a segurança adequada para se evitar catástrofes causadas por navios petroleiros ou metaneiros, criar condições para se cultivar sal e algas alimentícias e investir em novas indústrias transformadoras do pescado, que sejam inovadoras e rentáveis. Com a extensão territorial de mar que o país detém, comportámo-nos como “pasmões”, ou apenas observadores de um grande horizonte marítimo e isso, claramente que não chega, pois nós somos o terceiro maior consumidor de peixe do mundo e não falo só do consumo de bacalhau (o 1º é o Japão e o 2º é a Islândia). A vocação marítima que perdemos por pensar que tudo era passado, não foi sensata e pelo exposto em retro, devemos reproduzir hoje, indústrias de pesca sustentáveis, apostar num cluster marítimo, onde muitos serviços anteriormente expostos não podem ser esquecidos. Só temos a ganhar investindo no maior activo que Portugal tem, o seu mar, o mar salgado que Fernando Pessoa tanto aludiu como alma de um povo. Quisemos ressuscitar o “coma” marítimo com a “Expo 98” mas tal, não chegou para promover o interesse pelo mar. É de todo, incompreensível a desproporção entre o que temos (A maior ZEE da U.E.) e o que não fazemos (a letargia actual, perdendo-se “Know-How”, um saber-fazer que nos faz falta). O peso ancestral da nossa Geografia e da nossa gloriosa História são incontornáveis e devem começar a fazer parte do novo pensamento estratégico de Portugal, cujo lema incidirá na expressão - O mar é o nosso futuro! Por certo que, se o jovem soubesse e o velho pudesse, não haveria nada que não se fizesse! Porém, com o esforço de ambos (jovens e anciãos) podemos honrar a pátria dos “Heróis do Mar” e recriar a nossa vocação marítima!</p>

<p>Banzé<br />
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<title>Laboratório de Vida</title>
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<![CDATA[<p>A Floresta da Amazónia é um dos maiores laboratórios de vida na Terra. Constitui um espaço territorial de enorme diversidade vegetal e animal, considerando-se geograficamente muito importante para as Ciências Farmacêuticas, Medicina Tropical e Biologia em geral. Engloba nove países, sendo eles, Guiana Francesa, Guiana Inglesa, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru e Brasil, estando a maior extensão deste ecossistema em território do último país nomeado. Geologicamente, nos escudos brasileiro e guiano ocorreram abatimentos (sineclises) há 200 milhões de anos, por oposição aos Andes que resultaram de um levantamento tectónico (choque de placas). Nesses escudos, formou-se um imenso graben, que estruturalmente foi aproveitado para que o rio Amazonas se instalasse, assim como uma rede densa de rios tributários. Assim, o Amazonas desce por gravidade desde os Andes Peruanos (A nascente é no Lago Lauri), local onde nasce, até chegar a Belém, local onde desagua. O seu nome fora dado pela legião castelhana de exploradores comandada por Francisco Orellana, mas ligados ao conquistador Pizarro. Antes de se chamar Amazonas era apelidado de rio das Icamiabas (Índias que dominavam a região). As tropas de Orellana, explorando a região amazónica em busca de ouro, tinham atingido uma área ribeirinha do Brasil (próximo do rio Negro), onde existiam mulheres guerreiras invencíveis, que não tinham homens, tendo os exploradores castelhanos sido derrotados por elas. Reza então a história que eram umas amazonas (amas=mães, numa sociedade matriarcal), figuras míticas implacáveis. E assim, ficou conhecido pelo rio das Amazonas. E é no seio da maior floresta planetária, que percorre este gigante aquático, forte e sinuoso, qual anaconda enroscada que se meandriza ao longo do percurso, transportando sedimentos que deposita na parte terminal, qual sangue espalhado por artérias e capilares, que alimenta o enorme manto verde, grande fonte de oxigénio e enorme assimilador de carbono. É dos poucos lugares que ainda dispõe de tribos a viver num estado primitivo, descobertas há pouco tempo. Xingus e yanomanis têm as suas reservas nativas, mas já estão familiarizadas com rostos pálidos e negros. Existem outras tribos, destacando-se Caiapós, Guajajaras (índios maranhenses), Karajás, Araras, Waimiris, Apiakás, Muras (Índios dos canais, da região do rio Purus), Karatianas (Índios da língua Tupi), Wai-Wai, etc. Neste laboratório vivo é indissociável a floresta e os rios que a percorrem. O rio principal toma vários nomes, Ucayali no Peru, Marañon na Colômbia e Solimões no Brasil, percorrendo portos fluviais importantes como Quito, no Equador, ou Letícia, na Colômbia. Trata-se de um rio branco, turvo, pejado de materiais que inunda amiúde a floresta, constituindo igapós. Não obstante, também existem igarapés, riachos onde os miúdos caboclos e índios se banham alegremente. Contudo, também existem rios negros, carregados de matéria orgânica, oxigenando as águas e fornecendo nutrientes importantes à fauna aquícola. No Amazonas surgem tambaquis, pirarucus (Considerado o bacalhau da Amazónia), botos cor-de-rosa, manatins, piranhas, aligatores, matrinchãs (Considerados os peixes mais saborosos), surubins, jaraquis, barbados, bicudas, acarás-açu, apapás, amanãs, peixes-boi, pacus, traíras, jaús, piraíbas (De onde se extrai a cola de peixe) etc. Aldeias palafíticas marginam este colosso aquático, onde a pesca fluvial com rede e lança são a base do sustento de muitas famílias. Graças aos bandeirantes, muitas cidades amazónicas, portuárias e não portuárias, têm nomes lusos, tais como Santarém, Chaves, Alenquer, Óbidos, Borba, Monção, Barcelos, Alter do Chão, Fátima (Próximo de Manaus), Alvarães, Fonte Boa, Carvoeiro, Silves, Aveiro, Guimarães, etc. Atracam nos cais das cidades portuárias, balsas e alguns cruzeiros turísticos, tendo maior amplitude em Manaus e em Belém. Porém, é preciso perceber a relação que existe entre a seiva vegetal e o grande caudal de águas. O rio principal fornece à floresta depósitos aluvionares e a floresta grata pela dádiva, retribui-lhe com oxigénio e fitoplâncton para os peixes. Esta simbiose natural demonstra um sistema em equilíbrio, muitas vezes perturbado pela ganância humana, com as acções nefandas de garimpeiros, seringueiros, madeireiros, camponeses, urbanistas, sem-terra, etc. Uma espécie em risco de extinção é por exemplo o acaju ou mogno brasileiro, tantas vezes abatido para alimentar industriais e companhias multinacionais sem escrúpulos. Depois, há a pressão sobre babaçuais de onde se extraem cocos e carvão vegetal, a exploração de minas de ferro (Carajás, Serra Pelada) e de ouro, as jazidas de petróleo na região do Coari, os grandes empreendimentos como a Barragem de Tucuruí no Tocantins ou de Balbina no rio Uatumã, o uso do açaí para fabrico de medicamentos e como fruta dos mercados, a transamazónica, uma auto-estrada vermelha que corta diametralmente toda a Amazónia brasileira. Se lhe juntarmos, os desmatamentos para efeitos pecuários, queimadas e incêndios, descobrimos que existem grandes perigos que ameaçam destruir o tão propagandeado pulmão da Terra. Mas, querendo visitar o coração da Amazónia é aconselhável que o faça desde o Parque Nacional da Amazónia, a 370 Km de Santarém, na margem esquerda do rio Tapajós (Aliás, existem 2 Parques Nacionais – Parque Nacional de Tapajós e Parque Nacional do Pico da Neblina). Poderá descobrir plantas ímpares como a bacaba (palmeira nativa), a inajá (Outro tipo de palmeira), a árvore angelim-pedra, a juta, o castanheiro do Pará, o camu-camu (arbusto que dá um fruto amazónico), a pupunha (Uva da Amazónia), a araçã-pera, o abiu, lidar com frutas tropicais como o sapoti, o buriti, o cupuaçu e o bacuri. À custa do leite de Amapá procede-se a tratamentos respiratórios segundo a farmacopeia tropical e nativa e os utensílios mais usados pelos povos da selva são a cuía e o tacapé (espada indígena). A magia amazonense baseia-se em entes como o Curupira, a Iara, o Mapinguari e a Matinta Perera. Há ainda a lenda do boto que se transformou em homem bonito. Mas, quem foi o grande bandeirante que delimitou a Amazónia e fez com que grande parte dela pertencesse ao Brasil? Foi o português de Cantanhede, Pedro Teixeira, que fez o percurso desde Cametá-Pará até Quito no Equador, demarcando os limites que passaram a ser da coroa portuguesa, após o Tratado de Tordesilhas. Outro que se lhe seguiu foi Raposo Tavares na consolidação dos limites territoriais. É certo que os espanhóis, durante a dinastia filipina aproveitaram-se do território, mas em conjunto com os portugueses, expulsaram holandeses e ingleses do Pará e de Amapá, onde tinham fundado feitorias para explorar as chamadas drogas do sertão – cravo, resinas, urucum e guaraná. Também durante o domínio filipino, os franceses fundaram S. Luís do Maranhão, que fora conquistada mais tarde por tropas luso-castelhanas. Com a restauração da independência (1640), o Estado do Maranhão voltava definitivamente à soberania portuguesa. Mas, façamos um percurso semelhante ao dos bandeirantes, evocando a fauna e a flora desta grande mancha verde. Antes disso, convém que se saiba, quais são as regiões que compõem a Amazónia brasileira. São elas, e a maior de todas, a região do Amazonas (A mais intacta e onde se situa o ponto mais alto do Brasil – Pico da Neblina com 3014m, em S. Gabriel), a Rondónia (antiga Guaporé), Acre (Ligada à Bacia do Rio Branco), Roraima (Estado que permite o acesso ao rio Orenoco e tem o Monte Roraima com 2875m, carregado de formações em quartzo e “tepuis”- formações de rocha sedimentar), Mato Grosso (Onde uma parte é amazonense e a outra está ligada ao Pantanal), Amapá (Com o Festival de Cirandas e o Mancapuru), Pará (Aqui, a Foz do Amazonas tem uma largura com cerca de 320Km, equivalente à distância Porto-Lisboa), Tocantins (Em que se destaca a Ilha do Bananal) e Maranhão (Onde se celebra a festa do Bumba Meu Boi ou Boi Bumbá). Irei destacar sobretudo duas grandes cidades da Amazónia, a capital que é Manaus e na foz do Amazonas, Belém. Relativamente a Manaus, quem fundou a cidade e o que havia antes? E o que se pode conhecer actualmente? Manaus está praticamente na confluência do Solimões e do Negro, sendo este último rio, aquele que banha a cidade dos indígenas Manaós. A urbe foi fundada pelo bandeirante Francisco da Mota e face às tropas lusitanas, as tribos Barés, Banibas e Passés subjugaram-se, menos a tribo Manaós que se negou a ser escrava. Com a cristianização, primeiro de jesuítas e depois de carmelitas, foi possível conviver com eles, acabando estes, por se integrarem na sociedade. A capital da Amazónia é a cidade da barra do rio Negro e a principal praia é a da Ponta Negra. Em Manaus pode-se visitar a igreja de Nª Sª da Conceição, padroeira da cidade, a Rua Bate-Palmas com os seus centros comerciais, o forte de S. José da Barra e o Teatro, uma obra emblemática da cultura amazonense na praça de S. Sebastião. Mas, aconselhável é o Parque Jaú ou ir até ao Lodge Amazon Ecopark Jungle (Complexo turístico, científico e educacional). Deste modo, poderemos contactar in locko com a Floresta dos Macacos (Conhecer Uacaris preto e branco, barrigudos, saguis e macacos-aranha), os jabuti-piranga (tartarugas), os jacarés, capivaras, coatis, tamanduás (porcos formigueiros), cutias, tatus, gatos maracajás, araras, catatuas, tucanos, gaviões reais, libélulas roxas, preguiças, entre outras espécies. É evidente que no interior da selva amazónica é possível observar ofídios como jibóias, sucuris, jararacas, cascavéis e no reino das trevas (solo/subsolo), galerias de formigas e térmitas e no reino dos grandes predadores, felinos como a onça-pintada ou o puma (onça parda conhecida por suçuarana). No barco “Amazon Nemo Tucuna” é possível a deslocação às ilhas Anavilhanas (400 ilhas a 40Km de Manaus), a lagos de várzea para pescarias, comer o prato típico da região – “Tucanaré na brasa” (peixe mais comum no Amazonas), reconhecer o grande símbolo da flora amazónica – a “Vitoria Régia” (enorme nenúfar) e plantas ímpares no mundo, como o pé de mamão, a flor “feliz da vida”, o Ypê, a heliconia, a flor de jambú, orquídeas selvagens, flor da goma, bromélias vermelhas, alamandras azuis, bonjuás, sálvias, jojobas, unhas de gato, jamborandis, amores crescidos, calêndulas, alfavacas, entre outras. Outro momento ao alcance é a junção das águas do Negro (escuras) e do Amazonas (barrentas) que correm paralelas lado a lado, com dois tons, e por alguns quilómetros devido às diferenças de densidade. Ainda interessante e a 100Km de Manaus pode-se usufruir das belas cachoeiras de Presidente Figueiredo como Santuário, Iracema, Suframa e Lajes e da gruta de Maroaja com um “filete” de água cristalina a escorrer pelas paredes e pela vegetação exuberante. E do coração da selva pode-se voar para Belém, assim como navegar rio abaixo, percorrendo muitas estações fluviais interessantes. Belém tem a magia da foz! Aqui, pode-se desfrutar o mercado “Ver-o-Peso”, o Forte do Presépio, o rio Guamá e a baía. É comum que muitos surfistas procurem a foz do Amazonas para aproveitarem um fenómeno conhecido por pororoca, que na realidade é um macaréu. Deste modo, forma-se uma onda gigante à custa da corrente do rio e de uma maré viva. E se não quisermos tanta adrenalina, pode-se optar por visitar Salinópolis, as praias de Salinas, a ilha Cotijuba ou a ilha de Marajó (Maior que a Suíça e que contém 13 cidades). Pode-se ainda aproveitar para aprender a dançar o Siriá, folclore típico do Pará. Contudo, fica uma recomendação, muitos visitantes que demandam a Amazónia deverão vacinar-se, pois muitos não o fazem e isso constitui um perigo iminente. O mosquito “aedes egypti” que provoca a doença de dengue é o mesmo que causa a febre-amarela, um flavovirens letal. Mas, há outros perigos como o “procotó”, cientificamente conhecido por Doença de Chagas, a esquistossomose e a malária, ameaças ao visitante incauto. Se daqui partirmos para o Estado do Maranhão, é fundamental visitar os “lençóis maranhenses”, uma paisagem soberba de magia, com enormes dunas e lagos de águas transparentes nas suas partes cavas. Situam-se a 242Km de S. Luís e são de uma beleza inebriante. Compreende-se agora, os cenários idílicos que podemos encontrar em diferentes estados que estão dentro do sistema amazónico. Se a opção, residir no Estado de Mato Grosso, a estrada transpantaneira, toda em cascalho, leva-nos aos capins aquáticos, às ilhas de substrato herbáceo que se situam entre pântanos, a camalotes e ao paraíso das aves, desde o colibri ao pica-pau, ou do jabirú à harpia. O Pantanal é um ecossistema que pode ser visitado também de cavalo, sobretudo em certas áreas, ou até de canoa. Mas, o sistema amazónico não termina aqui! Há um grande sertão, onde o caipira trabalha arduamente, deslocando-se aquilo que é conhecido por “sítio” (espécie de quinta) para capinar e plantar as terras. Num sistema agrícola de roças, muitos sobrevivem à custa da terra! A Amazónia é uma floresta de chuvas (Equatorial), todavia, é nas suas extremidades que surgem variantes próprias dos climas tropicais (húmido e seco). Assim, não é de estranhar que uma parte do Nordeste Brasileiro seja seco e sujeito a uma grande escassez de água e outra parte, mais próximo da linha do equador, esteja sujeita a chuvas abundantes (3000mm-6000mm/ano). Neste laboratório vivo, pode-se desenvolver muitos conhecimentos da Floresta Virgem e fomentar o ecodesenvolvimento, pois já existem empresas certificadas com “nível zero” relativamente à poluição, sobretudo no pólo industrial de Manaus. E em redor da capital, há iguarias apreciáveis e inesquecíveis como a sanduíche de tucumã (Também apelidada de X-Caboquinho), bolo de macaxeira (aipim), tapioca, pupunha cozida e pé-de-moleque (torrão). Os temperos no peixe ou na carne fazem-se com tucupi ou pimenta de cheiro e usa-se uma farinha que faz o papel de pão ralado, a farinha do uarini. Existe uma tradição imparável para os citadinos de Manaus, que é o café regional da manhã. Não esqueçamos que estamos no centro da Amazónia. A sua floresta (5,5 milhões de Km2) concentra 60% de todas as formas de vida do planeta, mas só 30% são conhecidas pela ciência. É uma reserva estratégica para a sobrevivência humana, na medida em que possui uma considerável reserva de plantas alimentares, bem como de plantas medicinais. Para os brasileiros, o seu rio principal é o maior do mundo com cerca de 6400km, ultrapassando numa centena de quilómetros o mítico Nilo. A sua bacia de inundação (onde se incluem todos os igapós ou matas inundadas) é mais extensa que a maioria dos países da Europa. Por conseguinte, evoca-se um bioma que tem matas de cipós, campinas, matas secas, manguezais, matas de várzea, cerrados, matas de bambu, igapós e igarapés, campos de terra firme, ilhas fluviais, lagos, cachoeiras, milhares de rios e uma enorme floresta virgem. A Amazónia é o maior bioma terrestre do planeta e por isso, o maior laboratório de vida, cujo código genético importa preservar para conseguirmos conservar a espécie humana.</p>

<p>Banzé Amazónico!<br />
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<title>Entre Silves e Loulé</title>
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<summary type="text/plain">Quem passa por Monchique e se dirige a Silves, é inevitável a passagem pelo resort “Longevity” e quem quiser, pode visitar a Barragem de Odelouca. Mas, passemos à cidade histórica que é terra encantada da moura, a acastelada Silves. À...</summary>
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<![CDATA[<p>Quem passa por Monchique e se dirige a Silves, é inevitável a passagem pelo resort “Longevity” e quem quiser, pode visitar a Barragem de Odelouca. Mas, passemos à cidade histórica que é terra encantada da moura, a acastelada Silves. À entrada da cidade, é possível visitar a Casa da Cultura Islâmica, com arcos em ferradura de tom granada. Perto dessa casa situa-se a Escola Técnica, uma novidade passadista que ficou registada no mural de entrada. Dali passa-se com facilidade ao espaço verde, que margina o rio Arade, onde se pode observar a velha ponte romana. Continuando junto à margem, chega-se à praça que tem o memorial a Al Mouhatamid Ibn Abbad com os seus repuxos de água e ainda à biblioteca. Os quiosques dessa praça são elementos de pura arte mourisca, onde o estilo moçárabe pontifica. E do memorial parte-se para um rendilhado de ruas estreitas e becos sem saída, disseminados pelo núcleo histórico. É aqui que a cidade se mostra cativante, sobretudo pelo conjunto de escadarias que possui, recantos pitorescos, odores floridos e colorido casario. É ainda interessante pelo museu de arqueologia onde se encontra o poço cisterna árabe, a torre albarrã (introduzida pelos almóadas) de entrada para a mesquita, a Sé Catedral, que constitui um templo gótico, edificado com grés rubro e com uma porta barroca, além da janela manuelina que lhe está num muro lateral. Para chegarmos a este espólio monumental, passa-se pela Câmara Municipal com a sua arcaria e depressa nos deparamos com a estátua do povoador, Dom Sancho I. Porém, Silves tem sítios muito interessantes como a Herdade da Moura Morta, o Hotel Colina dos Mouros e a “Fábrica do Inglês”, local onde de forma costumeira se realizam muitos eventos, desde exposições a concertos de música, mostras de artesanato a congressos, etc. Nesta cidade pode-se desfrutar de um restaurante Thai (tailandês) e de um café ao melhor estilo clássico, o Havanesa! Mas, o elixir da sua longa vida reside no castelo, o maior do Algarve e que tem uma estrutura composta pelas muralhas da Almedina (cidade), a alcáçova (fortaleza antiga) onde se podem observar duas cisternas da época de origem (Um dos Poços é apelidado de Cisterna da Moura) e escavações que deixaram a descoberto uma habitação muçulmana – O Palácio das Varandas, local de residência do senhor da cidade. A mistura de argila, cascalho, cal e arenito vermelho dão cor avermelhada à construção castelã. Se deixarmos a parte alta da cidade, que tem uma função de atalaia e descermos à parte mais baixa, deparámo-nos com o Palacete Visconde da Lagoa ou da Grade, o Pelourinho (único no Algarve), a igreja da Misericórdia e o Arco da Rebola, que representa um trecho das muralhas do arrabalde. Muito provavelmente que a cidade teria fossos e barbacãs que faziam parte do seu sistema defensivo, envolvendo as muralhas que têm forma de polígono irregular e que apresentam onze torres de planta rectangular. Silves permite-nos fazer a Paz com os mouros e sermos inebriados pela pacatez das ruas e pela simplicidade da sua população moradora! É uma visita deveras fantástica, tão acolhedora como graciosa. Daqui acede-se facilmente à A22 que nos levará à cidade da Tia Anica, a de Loulé, pois claro! Se não quisermos tanta rapidez, opta-se pela visita a S. Bartolomeu de Messines. À partida, opte-se então, pela Via do Infante e em 30 minutos chegámos a Loulé, outra cidade mourisca acastelada. O seu castelo comporta três torres de alvenaria e adossado à muralha está o edifício da Alcaidaria que é hoje, Posto de Turismo, Arquivo Histórico e Museu. A cidade foi marcada diacronicamente pela presença de fenícios, cartagineses, romanos e mouros, mas é também o burgo do poeta do povo, António Aleixo. Aliás, o poeta popular tem uma estátua em sua homenagem, onde surge sentado no passeio de uma rua central. Não obstante, qual é o espólio que merece visita cuidada? Por um lado, o Mercado Municipal, com uma bela fachada e onde se sente o pulsar dos louletanos, por outro lado, um conjunto de monumentos. Dentre o edificado monumental, destacam-se o Convento do Espírito Santo, actualmente Universidade e Galeria de Arte; o antigo Convento da Graça, restando o seu portal em ruínas; o chafariz da Bica Velha; o Palácio de Gama Lobos, edifício brasonado do século XVIII também conhecido por Palácio dos Espanhóis porque acolheu os refugiados espanhóis durante a guerra civil; a Igreja Matriz de S. Clemente, a Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco, a Misericórdia e o monumento a Duarte Pacheco. Nos arredores da cidade, é possível visitar a ermida de Nª Sª da Piedade ou da Mãe Soberana, que apresenta um miradouro soberbo sobre a cidade e o mar e ainda as minas de sal, um conjunto de galerias muito interessantes. Daqui sai a sal-gema para limpar as neves das auto-estradas francesas e inglesas, um produto de origem nacional que é frequentemente exportado. Não obstante, Loulé tem um surpreendente vermidigestor situado numa escola modelo concelhia. Em termos gastronómicos há o Museu do Lagar, um local convidativo aos comensais e até um restaurante japonês. Eu prefiro sobretudo a “Tasquinha” situada numa ruela da cidade, onde existem imensos restaurantes populares. Foi aí que eu vi uma moura encantada com olhos de amêndoa e coração de cordeiro. Numa envolvência cordata, a magia dos seus gestos delicados, perturbavam o meu siso e a minha desajeitada razão. Era um brilhozinho para os olhares furtivos dos figurões babados que se cruzavam com ela. Percebi que os jovens louletanos gostavam desta moura! Quando saí da tasquinha fui assediado rapidamente por um mendigo, que já antes me havia seguido junto ao mercado para pedir tabaco e dinheiro. A sua insistência foi dissuadida com a pergunta que dirigi a um polícia e com a entrada no meu carro. Contudo, tive a percepção que ele me queria assaltar, mas não teve sucesso porque o meu ardil dissipou-lhe as desonestas intenções. Foi o único momento desagradável no Barrocal da Tia Anica. Mas, o saldo final das visitas a Silves e a Loulé foi muito positivo. De comum, ressalta a origem árabe das duas localidades urbanas, os castelos e as colinas com vista para o mar! A conquista cristã permitiu a Silves ter um cruzeiro chamado “Cruz de Portugal” e a Loulé várias ermidas para a devoção cristã – Sª do Pilar, Nª Sª da Conceição e Nª Sª da Piedade. Entre Silves e Loulé há um bom punhado de pontos interessantes, onde o sabor a figo, amêndoa ou alfarroba adocicam os curiosos visitantes.</p>

<p>Banzé!<br />
</p>]]>

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<title>Viagem de uma vida!</title>
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<summary type="text/plain">Nunca imaginei que alhures, a partir do país do dragão, pudesse um dia percorrer em sentido inverso toda a rota do comboio transiberiano. Foi uma odisseia concretizada num avião novo da companhia alemã Lufthansa – O “A-380”! Acabei nesse afortunado...</summary>
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<email>paulo.pafde@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Nunca imaginei que alhures, a partir do país do dragão, pudesse um dia percorrer em sentido inverso toda a rota do comboio transiberiano. Foi uma odisseia concretizada num avião novo da companhia alemã Lufthansa – O “A-380”! Acabei nesse afortunado dia, por observar através de câmaras de fundo e laterais, a descolagem do AIRBUS, como se realmente tivesse a pilotar aquela enorme nave. Observei o movimento estonteante sobre a pista, os prédios de Pequim, as várias cinturas urbanas, a cidade proibida, um lago, os pagodes, a grande muralha e muitas das suas ameias, a rede de estradas, etc. A rota traçada estava vectorizada pelo computador de bordo, rumava direitinho à Mongólia Chinesa, região árida de cor ocre, onde se observava de quando em vez, uma casa ali, outra acolá, ou uma pequena represa de água que brilhava com o raiar do sol matinal. E o avião dirigia-se em direcção à capital da Mongólia – Ulan Bator. Já em território dessa república, que pertenceu ao guerreiro Gengis Khan, observavam-se grandes círculos verdes, uns maiores do que outros, como se tivessem sido desenhados geometricamente num grandíloquo espaço árido, que correspondiam a propriedades agrícolas irrigadas com muita mestria. Era um milagre autêntico para os meus olhos, depois de sobrevoar uma imensidão do grande deserto de Góbi, que parecia nunca mais acabar. Junto ao rio Tull, rodeando a cidade de Ulan Bator, viam-se muitos acampamentos yurtas. Não pude presenciar as fachadas dos monumentos a Zaisan, o palácio de Inverno do Khan transformado no Museu Bogd Khan, o mosteiro de Gandan e a praça central de Suchabaatar, porque avistava no zénite do lugar todo o edificado. Uma enorme área verde marginava o rio que atravessava a cidade era o Parque Nacional de Terlj, um cenário idílico, já afastado do centro urbano. Do outro lado da fronteira mongol, ficava a República Autónoma de Buryat, cuja capital é Ulan Ude, parte integrante da Federação Russa. Mas, a aeronave flectira mais para ocidente e cruzara os Montes Sayan, sendo esta cordilheira montanhosa cruzada por alguns rios que atravessam a República do Cazaquistão. Deixava para oriente, uma cidade orgulhosa, conhecida pela “Paris da Sibéria”, tratava-se de IrKutsk. É uma cidade com casas em madeira, sendo a casa de Volkonsky a mais famosa pelos concertos aí realizados. Ali perto situa-se o maior e o mais profundo lago do mundo (1620m), o Lago Baikal. É o “olho azul” da Sibéria! Pode-se considerar uma importante reserva de água doce, onde se pesca o Omul, peixe que só vive aqui, uma espécie endémica muito apreciada na gastronomia da região. No interior do lago há a ilha de Ochlon que se atinge de barco e numa margem deste, aparece a aldeia lacustre de Listvyanka. Mas, a imagem mais nítida que eu apreciava dos céus da Sibéria era o degelo de grande parte da tundra, onde se observavam enormes poças de água envoltas num espesso manto branco que nalguns locais resistira à fusão promovida pela energia solar. No computador percebia-se o rumo que estávamos a levar, marcava-se no mapa um destino inesquecível, a cidade de Novosibirsk, que tem cerca de 1,5 milhões de habitantes. Antes, já se tinha passado ao largo do rio Jenessei e de uma pequena cidade chamada Krasnoyarsk, uma cidade fechada no meio da Sibéria Ocidental. Reconhecia-se ser uma cidade verde, rodeada de muita vegetação, aliás uma periferia da taiga siberiana. Passou-se também pelo rio Irtysh, junto à cidade de Omsk e por uma vasta área agrícola, onde se notavam as “sandes de arame” (forragens) para o gado. Nunca tinha imaginado que iria percorrer uma parte substancial da Sibéria Ocidental conhecida pelas “Lowlands siberianas”. Reparei pela limpidez do céu que uma grande parte das terras até Novosibirsk era de estepe. Chegados a Novosibirsk, via-se o vale do rio Ob, o seu porto e os barcos atracados e muitos prédios que se estendiam na margem de um afluente do Ob. De facto, pareceu-me dos ares estratosféricos uma grande cidade. E é, trata-se da terceira maior cidade da Federação Russa e a maior da Sibéria! Obviamente que não consegui descortinar o Museu dos Caminhos de Ferro, mas consegui localizar uma grande praça, que viria a conhecer mais tarde o seu nome, era a Praça Lenine, onde se localiza a maior Casa de Ópera da Rússia. Ficou-me na retina um extenso e viçoso vale acompanhado pelo caminho-de-ferro e uma urbe com dois largos rios. E seguidamente, o computador apontava o rumo dos Urais, a fronteira física entre a Europa e a Ásia. Fui feliz porque consegui vislumbrar uma cidade fronteiriça chamada Jekaterimburg, nada mais, nada menos, que a capital dos Urais. O A-380 voava um pouco mais baixo e fora possível deslindar muito do seu casario. Esta cidade foi fundada pelo Czar Pedro-o-Grande, em 1723, e é um marco geográfico da separação entre dois continentes. É na catedral desta cidade de charneira que jazem os restos mortais do Czar Nicolau II e da sua família, aliás um monumento que só fora edificado, por ter sido nesse local que toda a família do Czar acabaria por ser executada. Não me foi possível descortinar, o obelisco, que marca a separação de continentes. Seguidamente, o meu estado de espírito sucumbiu ao vapor de água, porque as nuvens passaram a toldar os céus tártaros e as minhas pálpebras não eram acossadas pelo ardor do sono. Mas, numa boa aberta, eu pude observar a cidade tártara de Kasan e o maior rio da Europa, o Volga! Não vislumbrei o Kremlin da cidade, a Casa do Governador, nem tão pouco o Palácio de Tatarstan. Contudo, apercebi-me de uma cúpula enorme, uma abóbada que teria meia-lua no topo que mais tarde investigara para saber do que realmente se tratava, e tinha chegado à conclusão de que era a Mesquita de Qol Sarif. Neste “expresso” aéreo, eu tivera a oportunidade de viajar sobre algumas das áreas mais remotas do mundo. Deserto de Góbi, Mongólia, Montes Sayan, Sibéria e Urais são espaços geográficos singulares, os quais a maioria dos mortais nunca, mas nunca terá alguma vez possibilidade de visitar ou de sobrevoar. Por ser um momento único e por viajar numa aeronave ultramoderna que tinha sido inaugurada há pouco tempo, eu sentia-me um privilegiado deste assimétrico mundo. A câmara de fundo do “A-380” mostrava-me agora a paisagem do Lago Ládoga e a seguir S. Petersburgo, a Veneza do Norte. De súbito, rumava em direcção à Estónia, passando muito próximo de Tallin e por fim, já no Mar Báltico, cruzava a ilha de Gotland, seguindo um percurso costeiro até Gdansk e Gdynia (Polónia), flectindo depois para o interior, até o avião aterrar na cidade financeira do rio Sarre, Frankfurt. Uma hora antes da aterragem, eu andara um pouco de pé para activar a circulação sanguínea. Fora a uma casa de banho, tendo de descer ao piso inferior da aeronave, e ficando aí surpreendido pelo hall de entrada, pois era tão largo que dava para colocar uma mesa e jogar pingue-pongue. Os executivos, esses, estavam no piso superior e o acesso fazia-se na sua parte dianteira. Podia-se dizer sem reservas, que o conforto deste avião era magnífico! <br />
Se calhar, um dia quando puder, repetirei a rota que descrevi, mas no maravilhoso comboio que liga Moscovo a Pequim (cerca de 8000km), ou da capital russa a Vladivostok, talvez com um desvio à Manchúria para visitar o festival do gelo em Harbin. Entre a estepe e o deserto, a tundra e a taiga, a planície siberiana e as montanhas dos Urais, o Volga e o Baikal, os pagodes chineses e as catedrais ortodoxas russas, ou entre, a Grande Muralha da China e a Praça Vermelha há um mundo para viver experiências novas e um mundo maravilhoso para nos fazer acreditar que vale a pena viver e amar a vida! Numa viagem destas, só pude agradecer a Deus por estar vivo e poder assim, desfrutar das esplendorosas paisagens, que a natureza quis brindar ou das criações humanas, que a inspiração do génio pode devolver à mente humana! Um dia, sabe-se lá quando, o ser humano desaparece, mas a memória colectiva dos povos, essa, permanece no espaço e no tempo. O transiberiano é a viagem de uma vida!</p>

<p>Banzé da Sibéria!<br />
</p>]]>

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<title>Expressões Célebres!</title>
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<summary type="text/plain"> Sobre o Desejo: “É o desejo que cria o desejável e o projecto que lhe põe fim” – Simone Beauvoir; “ O que enobrece o Homem não é o seu acto, mas o seu desejo” – Robert Browning; Sobre...</summary>
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<name>Pafde</name>

<email>paulo.pafde@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>                                                     <br />
Sobre o Desejo:<br />
“É o desejo que cria o desejável e o projecto que lhe põe fim” – Simone Beauvoir;<br />
“ O que enobrece o Homem não é o seu acto, mas o seu desejo” – Robert Browning;<br />
Sobre a História:<br />
“A história, a indefectível história, vai a reboque das ideias” – Camilo Cela;<br />
“A história é uma galeria de quadros onde há poucos originais e muitas cópias” - Tocqueville<br />
Sobre a Imaginação:<br />
“Viajar só é necessário às imaginações curtas” – Sidonie Colette;<br />
Sobre a Vaidade:<br />
“Imita o sábio que mesmo na opulência, permanece modesto” – Muslah Al-Din Sachi;<br />
Sobre a Solidão:<br />
“A solidão é muito bela, mas quando se tem perto de si alguém a quem o dizer” – Gustavo Bécquer<br />
Sobre a Determinação:<br />
“Faça o que anunciar e não anuncie coisas que não faz!” - Anónimo<br />
“Não é o fim que é interessante, mas os meios para lá chegar” - Anónimo<br />
Sobre a Fraqueza:<br />
“ O maior vai de boa mente com o mais pequeno, o medíocre vai sozinho” - Anónimo<br />
Sobre a Beleza:<br />
“Beleza é uma carta de recomendação a curto-prazo” - Anónimo<br />
Sobre as Virtudes Humanas:<br />
“As qualidades de espírito produzem invejosos, as do coração, amigos!” Genlis Fecilité;<br />
“ A natureza e os livros pertencem aos olhos que os vêem” – Ralph Emerson;<br />
Sobre a Informática:<br />
“ Já há mais tweets do que humanos. O nº de mensagens já ultrapassa os 7 mil milhões” - Twiter<br />
“A Amazon já vende mais “e-books” que livros de papel” - Amazon	<br />
Sobre a Razão:<br />
“A fé na razão está sujeita a parecer racionalmente tão insustentável como qualquer outra fé!”                       Anónimo<br />
Sobre a Opinião:<br />
Se queres convencer os outros, deves parecer pronto a ser convencido.<br />
                                                                                Philip Chesterfield<br />
Sobre a Liberdade:<br />
Quanto mais se está no alto, menos se é livre.         Cayo Solstício<br />
Sobre a genialidade:<br />
Génio é 1% de inspiração e 99% de transpiração.        Thomas Edison<br />
Sobre as aparências:<br />
As aparências devem estar em perigo porque é sempre preciso salvá-las.<br />
Barley Natalie<br />
Visão sobre o mundo:<br />
Quanto mais alto se sobe, mais longe é o horizonte!  Virgílio Ferreira</p>

<p>Regionalização:<br />
Uma região é tão verdadeira quanto outra!          Robert Burton<br />
Política:<br />
A minoria pode ter razão, a maioria está sempre errada!    Henrich Ibsen<br />
Riqueza:<br />
A riqueza pode servir ou governar o seu possuidor.      Horácio<br />
Prazer:<br />
Não há prazer que dure se não for reanimado pela variedade.      Siro<br />
Bom senso:<br />
Muitas vezes há mais bom senso numa única pessoa do que numa multidão!                                                   Fedro<br />
Aparência:<br />
Parecer o que se é, é um crime; parecer o que não se é, um sucesso!<br />
                                                                         Madame Émile Girardin<br />
Verdade:<br />
A verdade surge mais facilmente do erro do que a corrupção.<br />
                                                                                          Francis Bacon<br />
Erro:<br />
Os erros são portais da descoberta.                                  James Joyce<br />
Desejo:<br />
O amor sem desejo é uma ilusão, não existe na natureza! Ninon Lenclos<br />
Carreira:<br />
Mata o tempo e mata a tua carreira.             Bryan Forbes<br />
Experiência:<br />
Não se pode criar experiência, é preciso passar por ela.          Albert Camus<br />
Angústia:<br />
Se de noite chorares pelo sol, não verás as estrelas.   Tagore Rabindranath<br />
Amizade:<br />
Quando sobes a montanha do sucesso, não encontras um amigo.<br />
                                                         Mark Twain<br />
Objectivos:<br />
Pelos mesmos caminhos, não se chega sempre aos mesmos fins.                    J.J.Rousseau<br />
Pensamento:<br />
A palavra foi dada ao Homem para esconder o seu pensamento.   Stendhal<br />
Silêncio:<br />
A palavra é tempo, o silêncio é eternidade.                  Maurice Maeterlinck<br />
Coragem:<br />
A coragem é a escada por onde sobem as outras virtudes.        Clara Luce<br />
Desejo:<br />
Perco o desejo do que procuro ao procurar o que desejo.       A. Porchia<br />
Felicidade:<br />
A felicidade é uma flor que não se deve colher.           André Maurois<br />
Natureza:<br />
A Natureza nunca nos engana, somos nós que nos enganámos.   Rousseau<br />
Esperança:<br />
A esperança é um bom almoço, mas sem mau jantar.               F. Bacon<br />
Liberdade:<br />
Um Homem com fome não é um homem livre.          Robert Stevenson<br />
Orgulho:<br />
Sê indulgente com os que se submetem e subjuga os soberbos.   Virgílio<br />
Aprendizagem:<br />
O Homem tem muito para saber e pouco para viver e não vive se não souber nada.                                     Baltazar<br />
Verdade:<br />
A verdade de um homem é em 1º lugar aquilo que ele esconde.  <br />
                                                               André Malraux<br />
Educação:<br />
São muitos os que usam a régua, mas poucos os inspirados.         Platão<br />
Orgulho:<br />
O orgulho é o complemento da ignorância.                     Bernard Fontenelle<br />
Beleza:<br />
É por tudo ter de acabar que é tão belo.                Charles Ramuz<br />
Imaginação:<br />
Viajar não é necessário às imaginações curtas.             Sodonie Colette<br />
Aborrecimento:<br />
O segredo para não ter tédio, pelo menos para mim, é ter ideias.<br />
Eugene Delacroix<br />
Dor:<br />
Sentimos a sua dor, mas não a sua ausência.                   Schopenhauer<br />
Amigo:<br />
Não tem amigos, o homem que nunca teve inimigos. Alfred Tehnyson<br />
Poder:<br />
É um estranho desejo, desejar o poder e perder a liberdade.   F. Bacon<br />
Porquê dar conhecimento das nossas opiniões, amanhã, podemos ter outros.                                                                                     Paul Leautaud<br />
Sentimento:<br />
A mente é sempre enganada pelo coração.             François Rochefoucauld<br />
É fácil amar a Humanidade, difícil é amar o próximo.                  L. Crescenzo<br />
Sucesso:<br />
O sucesso tem uma estranha capacidade de esconder o erro.<br />
                                                                                                                 Cayo <br />
Coragem:<br />
Um braço vigoroso não é mais aguerrido contra a lança do que um braço frágil, são o carácter e a coragem.                                                    Eurípedes<br />
O Homem ama a companhia, mesmo que seja de uma vela que queima.<br />
                                                                                                 George Lichtenberg<br />
Aquele que não precisa de nada, tudo lhe falta.                           Marie Noel<br />
Coração:<br />
As qualidades do espírito produzem invejosos; as do coração, amigos.<br />
                                                                                                        Genlis Félicité<br />
Sacrifício:<br />
A cada instante há que sacrificar o que somos ao que podemos vir a ser.<br />
                                                                                                              Charles Bos<br />
Experiência:<br />
A experiência ensina mais seguramente que o conselho.               A. Gide<br />
Sabedoria:<br />
Quanto mais alto se sobe, mais longe é o horizonte.             V. Ferreira<br />
Fim:<br />
Não é o fim que é interessante mas os meios para lá chegar.    G. Braque<br />
Conhecimento:<br />
Podemos alargar os conhecimentos, nunca amputá-los.        Arthur Kostler<br />
Hábito:<br />
Não é novidade mas no hábito que descobrimos os maiores prazeres.<br />
                                                                                                Raymond Radignet<br />
Decisão:<br />
Nada é tão fatigante como a indecisão e nada é tão fútil.  Bertrand Russell</p>

<p>Banzé</p>]]>

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<title>Continente Pulsátil</title>
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<summary type="text/plain">O que é realmente a Antártida? Para o comum dos mortais é um continente gelado situado no Hemisfério Sul, povoado sobretudo por colónias de pinguins (Imperador, Adélia, entre outras). Mas, saiba que é a partir do Cabo Horn ou de...</summary>
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<name>Pafde</name>

<email>paulo.pafde@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>O que é realmente a Antártida? Para o comum dos mortais é um continente gelado situado no Hemisfério Sul, povoado sobretudo por colónias de pinguins (Imperador, Adélia, entre outras). Mas, saiba que é a partir do Cabo Horn ou de Ushuaia (a cidade mais austral do mundo) que se pode fazer um cruzeiro de barco e atingir a península antárctica, onde se podem observar algumas estações ou bases científicas. Sete estados que assinaram o Tratado Antárctico reclamam este continente, ou porção dele, para si, nomeadamente a Argentina, o Chile, a Noruega, o Reino Unido, a França, a Austrália e a Nova Zelândia. Aliás, algo parecido acontece com a Dinamarca relativamente ao Árctico, a qual reclama o Pólo Norte como sendo território de sua pertença, tal como a Gronelândia que já administra há muito tempo. O diferendo Viking envolve vários países como o Canadá, os E.U.A., a Rússia, a Noruega e a Finlândia que também são parte interessada desse continente setentrional gelado. Volvendo o discurso ao meridião, em 1991, o Protocolo de Protecção Ambiental da Antárctida (Tratado Antárctico) estabeleceu as bases para a sua protecção efectiva, declarando-a como Reserva Natural consagrada à Paz e à Ciência. Etimologicamente, Antártida significa o oposto a Árctico, tendo origem no termo grego “antarktikos”. Mas, este continente, ora alarga os limites, ora se retrai e por isso, é pulsátil! Significa isto que, no Inverno com os nevões contínuos se expande, aumenta de tamanho e no Verão, com o degelo, se comprime, diminuindo à sua dimensão. Com uma superfície de 14 milhões de Km2, é a região mais fria e seca da Terra. Possui ainda o maior índice de ventos fortes e a temperatura mais baixa da Terra foi registada aqui, na base russa de Vostok, cerca de -89,2ºC. Este continente é mais frio que o Árctico e existem dois motivos distintos para afirmá-lo. Por um lado, a altitude, pois que a maior parte do continente está a mais de 3000m acima do nível do mar e por outro lado, a área do Pólo Norte que está coberta por Oceano Glacial Árctico e o relativo calor do oceano é transferido através do gelo. A Antártida tem cerca de 80% da água doce do planeta, constituindo uma reserva de água muito importante da Terra. Por equiparação com o Árctico, também com um importante manancial de água doce, este último tem congelado sementes de muitas espécies vegetais, sendo uma salvaguarda da biodiversidade vegetal futura. O mais curioso é que no Árctico não existem pinguins e na Antártida não existem ursos. As duas espécies tem hemisférios próprios para viver e sobreviver. As primeiras, de pequeno porte, são aves que migram para Norte, até à Argentina, Malvinas, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia para aí nidificarem. Também, e através de uma corrente fria, chegam às ilhas Galápagos (Equador). Destacam-se os seus dotes natatórios sui generis, tendo estes nas longas travessias, como predadores principais, as orcas e as focas-leopardo. Tudo indica que o pinguim tenha existido no Hemisfério Norte e fosse extinto pela caça abusiva do homem. Há registos da Alca Gigante (Great Auk) no Atlântico Norte, e entre os séculos XVI e XIX encheram os porões de muitos navios para servir de alimento e ser usada como isca na pesca do bacalhau e da lagosta. Com a enorme pressão, as alcas declinaram bastante até uma situação desesperadora que levou à extinção. A última alca (espécie de pinguim) foi encontrada na ilha de Eldey (Islândia). Acresce dizer que os pinguins na Antártida não têm predadores terrestres e por isso, se adaptaram bem a esta região. As segundas espécies são mamíferos, de grande porte (pardos, brancos ou negros), que sobrevivem nos desertos gelados do Canadá, Alasca, Lapónia e Sibéria, procurando os grandes cursos de água para caçarem salmões. Mas, a principal presa junto à costa, é a foca. Alimentam-se ainda de frutos, algas marinhas, moluscos e em terra, procuram raposas brancas, bois almiscarados e renas. Não migram para Sul, em busca de climas mais temperados e a natureza conferiu assim, aos continentes gelados, a sua própria selecção natural. No Oceano Glacial Antárctico é possível observar florestas de Kelp, em que focas, morsas ou baleias se deliciam em brincadeiras e alimento como o krill. No entanto, existem perigos para essa floresta, assim como para o fitoplâncton, ligados sobretudo ao efeito de estufa e aos danos colaterais causados pelas bases científicas que produzem lixeiras. Se lhe adicionarmos o rombo da camada de ozono devido à poluição atmosférica, pois que esta circula na alta atmosfera, e aos vórtices que constituem movimentos turbilhonares descendentes, o rompimento da espessura dessa camada acontece a cada ano que passa. As radiações ultravioletas, altamente cáusticas, chegam com mais facilidade à Antártida, provocando o degelo de massas glaciárias e originando grandes icebergues, sobretudo tabulares, mas também estriados, como aqueles que já atingiram a Nova Zelândia. Soma-se a esse facto, a pesca ilegal à baleia, sobretudo a azul, praticada por embarcações japonesas e russas que limpam os mares austrais, tendo custos impactantes enormes. Alguns cetáceos correm mesmo sério risco de extinção, como já acontecera com a Alca Gigante, a Vaca Marinha de Steller ou o peixe-boi! Depois, há ainda o turismo, embora mais selectivo, que também pode constituir um problema ambiental pela pressão que traz a estes ecossistemas do frio. Na paisagem antárctica, pode-se ainda aduzir que há fenómenos naturais deslumbrantes, pena que eu nunca tivesse observado pelo menos um! Há auroras austrais conhecidas por “luzes do sul”, parecidas às auroras setentrionais, pois brilham durante a noite gélida, há ainda o “pó de diamante”, uma neblina compacta de pequenos cristais de gelo que se formam sob um céu limpo, sendo salientados como precipitação do céu limpo e por último, os falsos sóis, brilhos formados pela reflexão da luz solar em cristais de gelo, conhecidos como parélio. Quanto ao relevo, na península antárctica, até onde vão os cruzeiros, há os Montes Ellsworth e o Maciço Vinson (este tem o ponto mais elevado do continente com 5140m). De vulcões, salientam-se apenas crateras na ilha Decepção e o Monte Erebus (Vulcão mais meridional do mundo, situado na ilha de Ross) que expele actualmente lava. Mas, a visita a Antártida também causa miragens porque se formam “banquises”, isto é, bancadas de água de mar congelado e que se confundem com os contornos do continente. As plataformas de gelo (gelo flutuante) correspondem a 44% do continente, sendo a plataforma de Lambert a maior do Mundo. Este continente pulsátil tem mais de 145 lagos e o Vostok (Descoberto em 1996) é o maior deles, apresenta também cursos de água e maior é o rio Onyx que desagua no Lago Vanda. No interior do 5º maior continente, há “gelo azul”, sobretudo no Lago Fryxell, próximo dos Montes Transantárcticos. Não é fácil chegar aqui e explorá-lo! Muitas expedições pereceram e muitos barcos se afundaram. Acredita-se que os povos “Aush” da Terra do Fogo tenham chegado ao “país do gelo” como se referiam a ele, e que um chefe maori em 650DC, também por aí tenha passado. No século XIX, James Wedell e Clark Ross descobriram os mares que hoje têm os seus nomes e no século XX, Amundsen e Scott atingiram pela primeira vez, o pólo sul. O americano Richard Byrd foi o primeiro a sobrevoá-lo. Não é inusitado que a população nas bases oscile entre 1000 pessoas no Inverno e 4000 pessoas no Verão. A altitude média da Antártida ronda os 2000m e como tal, não é fácil delinear qualquer percurso ou trilho para observar as suas riquezas naturais. Retirando habituais cientistas e militares, turistas curiosos como eu, só cheiram a Península Antárctica, as plataformas de gelo, as estações, as ilhas, as colónias de pinguins e os icebergs estriados ou tabulares. A recepção é quase sempre feita pelos pinguins de Adélia ou de Magalhães. Estamos no mundo da “morte branca”, das expedições mortíferas, dos limites da natureza humana face à austera paisagem polar. Para tanto, a Antártida deverá ser entendida como o último reduto da sobrevivência do Homem. Porém, se quisermos preservar a vida planetária, teremos muito a aprender com este continente pulsátil, uma vez que o nosso ADN só perdurará no tempo, se os gelos polares não desaparecerem definitivamente. Retenham esta última informação com acuidade, não contraindo qualquer neuroma acústico pelo que acabaram de escutar ao lerem este artigo em voz alta! Faço questão dessa visceral assimilação!</p>

<p>Banzé<br />
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