março 16, 2007

Fumo, logo persisto I

Nos cenários complexos do campo, da ruralidade mais profunda sempre se usou em tempo fresco e húmido, as queimadas para limpar pastos velhos e adubar de cinza rica os terrenos que hão de ser cevada e trigo. Mesmo os alhos mais suculentos medram melhor em campo de cinza. As regras da agricultura assim ditam, que o fogo seja amigo do homem e que o fumo seja uma inevitabilidade boa.

Começa-se aqui a falar de fogo para chegar ao fumo que é consequência natural do anterior numa ligação directa de causa efeito simples. O problema do fogo tem agenda para mais tarde, quando apetecer começar a correr para a praia em Choraquelogobebes e a mandar beatas pela borda fora da carroça. Mas o problema do fumo “começa ontem”, que é uma forma de dizer “que é de sempre”.

Qual o problema do fumo? Não se fazem saunas fumarentas para estar sentadinho a carpir banha e tensões do dia-a-dia? Não se fazem fumos de eucalipto para desentupir os pulmões e ajudar a respirar melhor? Não se fuma um cigarro calmante ou excitante conforme o momento, a companhia, o café ou simplesmente o estado de alma? Porque andam os Choraquelogobebences tão nervosos com o fumo do tabaco? Fumar é legal. Fumar é uma espécie de queimada concentrada num cigarro, em que se queima tabaco. Fumar sabe bem a quem fuma e fica feliz e satisfeito depois do cigarrito enrolado com habilidade entre os dedos amarelados ou simplesmente batido na mesa com tiques de bairro. Qual o problema do fumo?

Publicado por joão sem medo em 12:16 PM | Comentários (2245)