março 31, 2004

Abril em Choraquelogobebes 2

Amar. Serenos como aves depois de uma tempestade de frio e neve e punhais. È Abril. È possível meu amor.

Publicado por joão sem medo em 08:43 AM | Comentários (0)

março 30, 2004

Abril em Choraquelogobebes 1

Abril é um mês especial em Choraquelogobebes. A primavera vem, grandiosa, num esplendor de flores, agora tímidas, amanhã em revolução de pólen.

Publicado por joão sem medo em 08:37 AM | Comentários (1)

março 23, 2004

Memórias da Guerra

Choraquelogobebes é uma terra pacífica. Parada. Paradona. Sem estaleca, garra ou mão em espada. Choraquelogobebes é discreta e só sai do casúlo da indiferença quando ganha algum campeonato de chinquilho ou é fim de mês.

Comemora-se agora o dia em que tudo escorria numa moleza mole, quando um Broncoman decidiu declarar "GUERRA A TODOS OS FUNGOS E MUSGO". Pôs-se em picos de pés em cima de um banco, em cima de uma consciência moral e botou discurso.

Toda a humanidade ficou a saber que Choraquelogobebes estava solidária com os G.R.A.N.D.E.S e pronta para a guerra contra o verdete.

Publicado por joão sem medo em 12:30 PM | Comentários (0)

março 20, 2004

O Sonho comanda o desespero

Chega pela calada da noite. Vem subindo pelos dedos dos pés, numa espécie de formigueiro. O sonho. Depois sobe ou desliza dependendo da posição de dormir e chega finalmente ao coração sem passar pelo cérebro. O sonho provoca uma espécie de bebedeira fatal, uma ilusão de “tem que ser a qualquer custo”. Esmaga qualquer argumento simples. O Sonho é um tractor com muitas rodas e lagartas, uma espécie de todo-o-terreno da falta de senso. Mas é um sonho. Os sonhos são raros. Os sonhos são para cumprir. Assim se passa do estado de estar-simples-a-cores, para o estado de sonhador-lerdo-a-preto-e-branco.

O sonho é um argumento para justificar qualquer coisa. Saltar de pára-quedas e partir a coluna a seguir, comer gafanhotos e pensar que se é profeta no deserto e ficar com diarreia, pisar alguém que está ao nosso lado e achar que se está a matar um dragão-mau. O sonho tudo justifica. O sonho é que interessa. Forte. Em frente. A grande velocidade.

Nesta voracidade justificada pelo sonho fica para trás a realidade, agora num pesadelo.

Publicado por joão sem medo em 12:30 PM

março 09, 2004

Músicas de JSM VII

Hoje é mais um dia. Um dia. Um dia. Ressoa esta verdade quase absurda na cabeça de João Sem Medo. Mais um dia. Hesita o nosso homem entre a felicidade de um mar calmo, que hoje a maré é suave e o desgosto da rotina traiçoeira e lângida.

Assim entre uma beleza inexplicável de àguas e cabos longínquos e partidas e velas e acordar, levantar e o partir rotineiro, o nosso João reparte-se. Entre achar o belo ainda mais, ou acabrunhar melancólico na rotina igual.

Depois deste comício de revolta interna entre uma e outra verdade, que por serem ambas são mais difícies de casar, João Sem Medo escolhe uma música que possa ser um fiel de balança, para ajudar a decidir entre mau e bom entre a tristeza deprimida e a força da beleza que não se repete. Música para desequilibrar a favor do melhor. Johannes Brahms. Piano. Concerto n1.

Mesmo antes de acabar não vão restar dúvidas. É levantar e marchar, sorriso nos lábios e determinação a vestir um dia que ameaça chuva em Choraquelogobebes.

Publicado por joão sem medo em 08:39 AM | Comentários (0)

março 08, 2004

Dia da Rosa Enjeitada

Hoje é dia de carpir a mágoa por todas as rosas enjeitadas de Choraquelogobebes. Hoje todos, mesmo, e principalmente, aqueles que mais esmagam, aqueles que tiram as pétalas, os que cortam as flores rente ao pé, os que submetem, os que castigam rosas por perderem tristes uma gota de orvalho. Esses todos vem à rua com os olhos rasos de tristeza falsa e compadecem-se com todas as vilanias que hoje, ontem e que amanhã farão sem piedade de calendário. Assim que o dia passar e as primeiras flores se atravessem no seu caminho e atrevam-se a dizer : “olá bom dia eu sou uma rosa.” Vão ser dilaceradas, torturadas ou ignoradas sem piedade, resultado da impiedade métrica do “dia que já não é”.

João Sem Medo não gosta de “dias”. Parecem uma espécie de manto de veludo forrado de arrame farpado no verso, uma espécie de capa para tapar as maldades, uma tinta espessa para encobrir os desconfortos de quem só faz bem por agenda.

Por esta razão e por outras que são tantas e tantas quanto os que sofrem, sejam caracóis esmagados na berma da estrada, sejam burros sobrecarregados pelos donos gananciosos, flores violadas, nenhum merece um dia que seja. Acabe-se hoje já com todas as maldades e em vez de “dia” faça-se eternidade. Pelo amor a todas as flores.

Publicado por joão sem medo em 02:23 PM | Comentários (2)

março 05, 2004

Leia antes de assinar

João Sem Medo não acreditava no que estava a ouvir na rádio: "como é normal não li o contrato todo e por isso assinei-o. Só depois vi que não concordava uma das alíneas e eram tantas, como tal anulei-o". A imbecilidade doi mais do que uma mordedura de cobra venenosa, do que uma pontada nos costados quebrados pela carga, do que uma chapada injusta. Mesmo considerando que a quantidade de trabalho é muita. Mesmo aceitando que se tinha esquecido dos óculos de ler ao perto. Mesmo assumindo que não sabia ler bem , manda a mais simples prudência que não se assine sem antes ler e já agora - perceber.

Publicado por joão sem medo em 06:43 PM | Comentários (2)

março 02, 2004

As prioridades

Não saber escolher. Não hiearquizar as coisas pela sua relevância. Misturar. Alienenar o primeiro, o segundo, o outro e o outro a seguir, alterar as importâncias, confundir o seu valor é o mesmo que comprar roupa estando com sede. Saltar de para-quedas antes de saber andar. Ser infeliz antes de saber o que é ser feliz. Uma impossibilidade.

Publicado por joão sem medo em 11:11 AM | Comentários (0)

A enxaqueca

A enxaqueca é uma traição do bom-humor. Um desconforto do lóbulo frontal esquerdo que depressa se transforma em má-disposição. Um enjoo.

Publicado por joão sem medo em 11:06 AM | Comentários (0)