novembro 28, 2003

AS CRIANÇAS, SENHOR AS CRIANÇAS

Então filho o que aprenderam hoje na escola? Perguntava João Sem Medo ao filho.

Curioso como esta narrativa evoluira sem que o nosso herói para aqui lançasse a família como quem manda sem temor cristãos aos leões ou milho aos pombos. Pecadores uns, os leões, vegetarianos os outros, as aves. Mas essa evicção ficará para mais tarde, que a demora tarda e o tempo arrefece.

Mas dizia o narrador que João começara a noite pelas perguntas sacramentais de querer saber do filho mais do que o humor do momento. E colocada a pergunta, a resposta não tardou. Não fizemos nada. Nada? Interrogou o pai. Mas nada mesmo!? Nada! respondeu o filho entre a surpresa do pai e a força da surpresa. Nada!

Bem. Nada, não é bem o que aconteceu. Andamos de escorrega no pátio. Brincamos às casinhas, às cozinhas, corremos, pulamos e falamos de cidadania. Falamos do papel das crianças com intervenientes da dinâmica social. A professora disse que era muito importante que fossemos consciente e assumidamente imbuídos da noção de cidadania.

Dito isto. Que não é pouco nem muito. Mas uma espécie de conta de somar 2 e 2 ou 'b' e 'á' 'bá' ou desenho das férias. João achou que as crianças destes tempos decoravam discursos de políticos como "dá cá aquela palha" ou as professoras primárias já não tinham verrugas no queixo, nem colants de lã grossa, nem saíam pelas janelas sentadas nas vassouras depois das aulas findas. Umas fadas.

Publicado por joão sem medo em 06:55 PM | Comentários (0)

Choraquelogobebes perdeu a organização


Tristeza. Fungadelas. Braços caídos. Desalentados. Monco. Mais monco. Assim continuavam os Choraquelogobebences depois da revelação. A Copa da Saca-à-vela não ia ser realizada em Choraquelogobebes. Traiçoeira a organização tivera outros desejos ou estímulos e arredara para outros ventos (que para aqui não são chamados, nem fazem falta para tal desporto).

Choraquelogobebes já estava engalanada, de orgulho erecto, esperta e desperta, para a grande ocasião. O sonho esfumou-se. O termos é mesmo quando se trata de Saca-à-vela.

Já tudo tinha sido pensado, equacionado e pensado outra vez. A prova ia realizar-se na Praça Central, os feirantes corridos à vassourada ou com um subsídio para deslocações. O armazém dos tractores do Teodósio servia para guardar as sacas. O Celeiro do Barnabé para as equipas dormirem. Bastava tirar de lá duas ou três ovelhas, ou nem isso, que poderiam servir as ditas de almofada ou edredão para as noites frias. Assim ficariam acomodados os participantes confortáveis. As velas seriam acendidas pelas crianças da catequese. Ia ser um sucesso mas não vai ser. A candidatura de Choraquelogobebes foi chumbada por causa do vento. A maldita brisa contínua de nordeste.

Mais uma vez Mata-Touros ganhou. Mais uma vez. Mais um reforço para a choradeira orgulhosa dos chorincas.

Nota do autor: Saca-à-vela é um desporto ancestral e muito popular. Consiste numa corrida de dois grupos de pessoas enfiados numa saca de serepilheira, daquelas que depois de desmanchadas servem para apanhar a azeitona. Cada saca leva um grupo de 10 ou 12 enfiados (assim se chamam os participantes) em que cada um deverá levar uma vela acesa. Acaba vitoriosa a equipa que chega em primeiro com todas as velas acesas. Trata-se de um jogo muito competitivo para o qual o vento é o pior inimigo como se percebe pela contingência da vela.

Publicado por joão sem medo em 09:26 AM | Comentários (0)

novembro 25, 2003

Um lugar de estacionamento por favor

Hoje João ia às compras, eram necessárias mais sementes, duas ou três mãos cheias de bicabornato de sódio para polir os dentes, uma sachola, um par de luvas de trabalho e por ai fora, em artes de trabalho e duas ou três distracções de descanso. Esta era a lista de compras que João levava na cabeça ou num papelito arrumado no fundo do bolso das calças de peitilho.

Assim ia à vida o nosso herói, pronto para a trabalheira, quando, chegando à praça verificou que não havia lugar (nem um) disponível para encostar o carro de mão. Que aborrecimento. Logo hoje que não estava com tempo, nem com vontade de carregar aos costados com as sacas. Dizia isto com uma espécie de conformação, mas também de chateza. Havia tanta coisa melhor para fazer do que não ter onde estacionar o carro de mão.

Estava nestes pensamentos o nosso João, quase a desanimar, com vontade de deixar o carro-de-mão em contra-mão (nesta prosa se prova a importância do alinho e da mão), quando descobriu um espaço, mesmo bom, mesmo único, mesmo desejado, para estacionar a viatura. Ala que se fazem pressas e as pernas lá seguiram atrás dos rodados em direcção à solução. Quando se chegou ao sítio, já pronto para a manobra final deparou com uma placa escrita em voz alta – RESERVADO.

Não podia ser. Logo agora. Logo com esta canseira de pernas que já não queriam ir para lá ou para outro sítio qualquer. Estaria reservado para quem? Não era sítio de hospital, creche, deficiente, ministro ou outra gente importante ou necessitada ou as duas coisas. Estaria a exclusividade do lugar garantida para quem? De repente, uma voz gravada fez-se ouvir. Devia ser um sensor que detectava a proximidade e acusava o castigo. Lugar reservado. Lugar reservado. Lugar reservado. E de seguida acompanhada por uma luz vermelha, continuava a gravação. Lugar do Padre. Lugar do Padre. Lugar do Padre. Sujeito a reboque. Sujeito a reboque. E por ai fora numa sequência tipo reza da proibição.

João Sem Medo não queria acreditar no que ouvia. Já conhecia o “Lugar do morto”, “O lugar da fruta” até o “Lugar de Deus Nosso Senhor”, mas nunca ouvira falar no “Lugar do Padre”.

Amanhã ia à Junta de Freguesia reclamar. Também queria uma reserva, especial de preferência. Até já tinha um texto para a placa – Lugar do João Sem Medo Contribuinte número quatro milhões setecentos e noventa mil e dois, pessoa de bem e atrapalhado com as cargas para a horta. Assim seria ou pela necessidade de simplicidade apenas lugar de um homem de fé.

Publicado por joão sem medo em 07:00 PM | Comentários (1)

A Besta-pentagonal

A vida é assim. A vida podia não ser assim, se a tranquilidade, a bondade e a grandeza fossem melhor distribuidas. O nosso heroi estava com estes pensamentos e sentimentos porque se tinha cruzado com uma Besta-pentagonal. Neste momento já os leitores se interrogam das mestranças e poderios de tal animal (quase) irracional.

A Besta-pentagonal descende em linha directa da besta-quadrada e em linha indirecta dos Cunhados-nomeados, só que tem mais espinhos e lança mais gosma. Trata-se de um ser viperino, nojento, com muitos pêlos na língua e pele escamosa. Normalmente, vive no escuro, nos buracos lamacentos, nos sítios fedorentos, onde cheira a enxofre e nunca pernoita, dorme de dia com os olhos abertos. Trata-se de um ser perigoso, que não mata instantaneamente, mas deixa no sangue da vítimas uma bactéria que infecta e debilita, só depois das vítimas estarem fracas, são comidas, numa digestão ácida.

Foi este quadro de horrores que se atravessou ao nosso herói. Um cenário terrível cheio de ais e uis e picadas venenosas e tentáculos a puxarem para o fundo e espinhos eriçados e dores e horrores e...

Quem dera ouvir já. Trimmmmmmmmmmmmmmm. O despertador.
Que pudesse acordar João Sem Medo e ser tudo imaginação.

Publicado por joão sem medo em 12:35 PM | Comentários (0)

novembro 19, 2003

Músicas de JSM III

Stabat Mater - J.B. Pergolesi - Andreas Scholl, Barbara Bonney e C.Rousset - Decca

Novo. Muito novo. Demasiado novo para morrer. Pergolesi acabou esta obra no fim da sua curta vida. Vinte e seis anos. Dramático.

Esta composição foi terminada nos dois ultimos meses de vida tal como aconteceria com A Missa de Requiem de Mozart. Um fim trágico. Belo. Inspirado.

João Sem Medo não é dado a nostalgias, mas não resiste ao carácter harmonioso-simples-denso desta obra. Trata-se de uma gravação cheia de sentimento, quase indolor, de nuanses quase inaudíveis. Muito competente, mas envolvente. Sem reparos. Os cantores cantam. Os músicos tocam e ... ficam todos presentes sem se colocarem em bicos de pés. Ficamos com a sensação de que tudo acontece sem atropelos nem a excessos de "goela aberta até doer".

Uma boa entrada para a grande música sacra.

João Sem Medo vai ouvir de seguida a Stabat Mater de Rossini, para não comparar.

Publicado por joão sem medo em 02:50 PM | Comentários (0)

novembro 17, 2003

Os colants mesquinhos

Choraquelogobebes não estava a atravessar uma vaga de frio. Não nevava. Não fazia brisa norte com gelo de setas de granizo. Nada.

Continuava amena. Um espécie de Outono falso de verde. Com ervas viçosas e plantas a desabrochar pelos campos pelas hortas. O vinho amadurecera bom. De beber mais. Não houve míldio, fungos diversos ou maldades especiais a estragar a colheita. Tudo corria bem. Mornamente bem. Já não havia uma série de três dias tão pacatos como estes.

João Sem Medo até estranhava tanta calmaria. Apenas uma interrupção cómica à tranquilidade das castanhas e da àgua-pé. Começara a nova moda de Inverno, em Choraquelogobebes os homens ao estilo Gaultier de Choraquelogobebes usavam um magnífico par de colants de licra por baixo das calças de fazenda, de sarja e mesmo dos oleados. Nas conversas masculinas entre os temas habituais da orda, que por serem evidentes não são para aqui chamados, os Choraquelogobebences comentavam o tom dos seus colants, a qualidade da fibra, se tinham pés reforçados e por ai fora ou dentro conforme a intimidade dos confrades.

João estava a ficar ainda mais preocupado quando começou a ouvir falar em "duplicar a sedução dos ditos colants com umas exóticas cuecas tipo dental."

Nessa altura foi para casa ver o Canal Fashion de Choraquelogobebes para confirmar as novas tendências. Onde iria conseguir arranjar colants para o seu número? Iria continuar por certo com as mesmas ceroulas de algodão.

Hoje ia mais cedo para casa, discretamente, que as ceroulas não estão na moda e são pobres em tema de conversa.

Publicado por joão sem medo em 08:58 PM | Comentários (2)

novembro 14, 2003

A segurança insegura em Choraquelogobebes II

O Dreadoboné funciona com um sistema muito perigoso de ameaça. As velhinhas, os incautos, os leitoresdejornais, etc. São apanhados na sua dolente posição e zás, um qualquer Dreadoboné, levanta o braço e anestesia o pobre incáuto com um sopro voluntário de mau cheiro anestesiante do sovaco (alguns usam o mesmo sistema descalçando um sapato) e rouba-lhe os pertences, pinta o passadiço com spray colorido, agita no ar a manápula e distribui chapadas a torto e a ainda mais torto. Uma desgraça sem castigo.

Assim segue a segurança no passadiço. Os Dreadoboné impiedosos com doses de malvadez descontrolados. Os Choraquelogobebences cada vez mais temerosos e receosos em sair de casa. No ar um cheiro de gás-cebola-azedo-peixe-podre-peúga-de-fibra-sintética insuportável mesmo para os narizes obstipados dos chorincas.

Publicado por joão sem medo em 12:55 PM | Comentários (1)

novembro 12, 2003

A Segurança Insegura em Choraquelogobebes I

Havia um certo mal estar no ar (e nos outros elementos). Ainda era possível andar no passadiço em Choraquelogobebes com alguma segurança. Mas ultimamente havia cada vez mais receios.

O passadiço, nunca foi um lugar tranquilo, se tranquilo pode ser um local onde toda a gente passa e nunca fica. Os sítios de passagem transmitem aquela impessoalidade dos lugares de ninguém, como se houvesse uma relação forte entre ficar, estar e ser. Uma espécie de ligação umbilical entre a posse, a fruição e a identificação com o local. agora havia mais agitação, não bastavam os habituais pedintes os outros e ainda outros, apareciam agora com muita frequência os Dreadsdoboné. Um perigo.

Publicado por joão sem medo em 04:09 PM | Comentários (0)

novembro 11, 2003

Chuva inunda terra queimada

João Sem Medo ficou pelos extremos na sua análise, estava a apreciar aquela sintonia de elementos. No Inverno a àgua inunda, no Verão braseiro queima. Que bom os extremos estarem consonantes. Uma desgraça nunca vem só. Mais uma vez.

Publicado por joão sem medo em 12:30 PM | Comentários (0)

novembro 10, 2003

O Prof.Cuco cuca sempre três vezes

Choraquelogobebes pára. Fica inerte. Fica imberbe. Dolente. Tolhida de raciocínio quando o Cuco cuca. Sejam Broncomans, Chefesdefamília ou mesmo outros Cucos. Todos recolhem aos seus lares, tocas ou ninho e aguardam. O Cuco.

Domingo, fim de tarde, João calça as pantufas e ajeita o corpo no sofá entre duas ou três almofadas e a lareira em jeito de decoração (mais do que frio, que o tempo anda ameno em Choraquelogobebes). Fica o nosso herói suspenso naquele silêncio a aguardar as cucadelas do Prof. Cuco. Três minutos, dois minutos, um minuto e tan-tan-tan surge em grande plano o bicho.

Todas as frases começavam com a suposição de três (3) abordagens, ou temas, ou ideias."Em relação a isso faria três cucadelas, 1º Cucu..,e 2º Cuco e 3º..." E por ai fora continuava no estilo hipnótico-frenético a emitir sons (em grupos de três).

Com ar de falsa neutralidade desfaz o discurso em bicadelas à esquerda, à extrema, à moderada, à outra e assim sucessivamente com uma aparente desordem ordenada. Gesticula com o bico, ajeita a penugem do pescoço, e mais uma bicadela. Quem ficará desta vez com as orelhas a arder? Outra bicadela e mais uma ferida à distância.

Assim continuava a opinação, entre alguns grasnados de outro pássaro menos sábio e as cucadelas do Prof. Cuco.

João levantou-se e foi pôr mais uma acha na lareira. Preparava-se para a parte principal, o Prof. Cuco ia demonstrar os seus dotes magnificos para a leitura na recta-final, 3.333 livros numa semana!? Era demolidor para qualquer leitor dedicado. João gostava muito de livros e mesmo suspeitando da mentira, gostava de ver o Cuco a usar o bico como apontador de capas e a cucar sabedoria literária. "Tenho aqui três livros de culinária, e mais três de arte e design e outros três de política internacional, e...também para as crianças...".

Publicado por joão sem medo em 12:35 PM | Comentários (0)

novembro 06, 2003

Músicas de JSM II

5ª Sinfonia de Mahler - Orq. Sinf. Viena - L.Bernstein - D.G

Levantam-se nos ares as folhas, as flores, os peixes e os monstros dos mares, levantam-se do sono profundo todos os seres. Alguém fica indiferente? Diferente não. Ùnica.

Elegia da morte em tom triunfal. Expressão do temor da alienação em estilo de testemuno libertário. Pura força concentrada.

Execução imperdível. Boa entrada para a dita sinfonia, que merece outras audições.

Atenção especial à parte III, adagietto (lembram-se de "Morte em Veneza"?) dedicado ao amor ou à tristeza ou à dor? A tudo menos ao lamecha. Um hino.

João Sem Medo aconselha o princípio da noite para começar a ouvir e continuar...uma forma segura de combater a mediocridade, essa ventania má que cruza tantas vezes os ares de Choraquelogobebes e até seca as couves.

Publicado por joão sem medo em 10:30 PM | Comentários (0)

novembro 05, 2003

O orçamento do Clube (COCC)

João Sem Medo estava sentado à soleira da porta. Não era fim de mês e por isso sonhava sonhos doces. Hoje acordara bem disposto como quase sempre. O nosso herói não é dado à matinal acidez de quem-não-dorme-o-que-devia-mas-se-dormisse-era-o-mesmo. As coisas assim corriam, assim decorriam, com uma espécie de moleza de ouriço do mar.

Hoje João iria para o Clube (JSM é sócio número 13 do C.O.C.C - Clube dos Observadores de Caracois de Choraquelogobebes) discutir o orçamento. Este era sempre um dia mortífero para a sua fleumática boa-disposição. Ia ter que ouvir os vários habituais oradores e oradoras. Alguns discretos e sumidos. Outros indiscretos assumidos. Será que ia ter paciência para ouvir todas as alarvidades dos chorincas entusiasmados com o palanque? Brrr. Até se fez um arrepio na espinha, mas tinha que ser.

O ideal seria que a Dona Dementília (responsável pelo orçamento) tivesse um excesso de trabalho na sua ocupação de bruxa malvada que assusta as crianças que não comem a sopa, ou o Sr. Alarvão tivesse que ir procurar o cão faísca para os lados da Floresta do Nunca, ou o Secretário Janelas ficasse subitamente afónico, engasgado com um qualquer nó de uma gravata moderna. Mesmo assim seria um sossego limitado ainda teria que ouvir os outros sócios, as outras sócias, todos com a mesma cassete fanhosa.

Iria, mais cedo, para poder ficar na última fila. ninguém daria por ele, nem sequer precisava levantar o braço para a votação, bastava carregar no botão, que era a forma de desligar o microfone dos oradores quando estes excediam o tempo ou a boa vontade dos ouvidos ampliados dos outros Chorincas. Começava a sossegar.

Publicado por joão sem medo em 12:45 PM | Comentários (1)

novembro 04, 2003

Músicas de JSM I

Vivaldi - Quatro estações - Nigel Kennedy e Orq. Sinf. de Berlim - Emi Rec.

Versão fresca e cheia de ousadias. Pode ser controversa para os mais puristas ou pouco ousada para os que esperariam inovação quebra-corrente. Alguns momentos e sons são de interpretação única do executante. Está ai a surpresa.

A Primavera está bem temperada e até enganou algumas "Dentes de leão" aqui na horta que espreitaram enganadas entre as ramagens verde tropa.

Excelente qualidade de gravação, embora ardilosamente coloque o segundo violino em terceiro plano. Afinal o N.Kennedy é bem mais conhecido (como se chama o segundo violinista? Vou ler...já volto).

Duvidoso o critério de "entalar" as Quatro estações entre outras peças para violino. Se no tempo de Vivaldi existisse CD, este teria feito a peça com cinquenta e tal minutos ou sessenta e resolvia o problema. Modernices.

Publicado por joão sem medo em 10:12 AM | Comentários (1)

O Frio de volta

De manhã, quando se levantava, João sentia o cheiro das flores, do rosmaninho selvagem e dos eucalíptos gigantes que tinha em frente à porta de casa. Alguns desses cheiros eram entrecortados pela brisa do mar. De manhã começava o dia a pensar nas estações, nos elementos. Esta é a sua preocupação imediata - como está o tempo?

Tal raciocínio de ser, pode ligeiro ou mesmo estranho, mas não para quem tenta encontrar na simplicidade razão para as estranhezas do mundo. João Sem Medo acredita que os elementos da natureza não são agentes secretos que controlam os maus humores, mas têm alguns poderes. Não se trata da teoria da conspiração da natureza mas da constatação.

Hoje está frio.

Publicado por joão sem medo em 10:02 AM | Comentários (0)