setembro 29, 2003

O AnjoBom II

Como verificamos no texto anterior. João fora visitado subitamente por uma nave estranha, mas amistosa. Dessa nave desceu um anjo. Aqui se conta do diálogo com esse Anjo. Que como já sabemos responde pelo nome de AnjoBom.

João Sem Medo recuou alguns passos sem perder o contacto visual. O que iria acontecer? Depressa ficou a saber.

-Responde-me tu ao que vens. Acelerou João com uma espécie de determinação que pretendia disfarçar os seus receios (afinal não é todos os dias que se encontra um ser de outro planeta).

-Venho a este mundo depois de ter desistido do meu mundo tinha eu 437 anos. Disse o anjo. Sabes de onde venho há mais coisas más que boas e eu decidi que tinha que espalhar pelo universo coisas boas. Só milagres.

João nada comentou, mas começou a achar que o Anjo lhe iria passar uma caixa de esmolas ou vender a Sentinela (entenda-se folheto tipo "DicasDaFé" que servia de manual de boas maneiras e costumes). Nada disso. O Anjo sentou-se numa pedra lisa e começou a falar da sua passagem por aqueles mundos e por outros.

Usava um tom calmo e parco de adjectivos. Limitava-se a dizer coisas do tipo. Vim para aqui para descansar e ser feliz. Estava farto da minha vida. As coisas simples são as mais essenciais. Não sei se faço bem para alguém, tudo o que faço é para me sentir melhor. E assim continuava. O Anjo sentado numa pedra lisa. João encostado à laranjeira. O fascínio pelo Anjo aumentava. O tempo parecia recuar, na boca ficava uma sabor a caramelo (muito agradável e nada enjoativo). Aquele Anjo prendia. Isso era uma coisa rara para João que tinha uma mente inquieta e um feitio pouco receptivo a Anjoscomuns. Aquele era um AnjoBom.

A conversa continuava enquanto a noite...(isso não interessava nada comparado com o que ainda seria dito).

Publicado por joão sem medo em 03:14 PM | Comentários (0)

setembro 27, 2003

O Anjobom I

João sem Medo sabia que a bondade era uma coisa rara e que a simplicidade só era possível nos morangos doces da horta e no cantar de um ou de outro pássaro menos sofisticado.

Ontem enquanto trabalhava na horta e para a horta João estava a descansar o olhar no ribeiro dos peixes quando súbido o céu foi atravessado por um raio de luz. Uma espécie de nave (como se encontram nos filmes série B) começou a descer lentamente sobre a copa de uma laranjeira. A descida foi subtíl (só assim se justifica que uma árvore tão sensível aguentasse o peso de tal engenho) mas determinada. João percebeu logo que tudo iria ser estranho mas amistoso. Parecia que uma voz celestial lhe segredava - "João diz-me ao que vens?".

Ficou curioso pela forma quase provocatória como a voz se lhe dirigia. Afinal era ele que estava na sua horta e aquela geringonça prateada com uma pernas tipo mesa Estiloimpério é que estava a entrar no seu espaço.

Cada vez ficava mais curioso.


Continua brevemente - O Anjobom II

Publicado por joão sem medo em 10:35 PM | Comentários (0)

setembro 24, 2003

O Congresso da OhomemvaiNU

Estranho, pensava João enquanto colhia uma balde de cerejas. Estranho...como é possível??? Ontem na Parvolândia global acontecera o que já tardava. Reunião Geral da OhomemvaiNU. Reunião magna dos Reis dos Burgos.

João não se conteve e disse alto (até acordou um pássaro num galho perto) - Será que li bem? Num pé de nabo estava escrito com letras azuis (os nabos têm todos sangue azul).

-"Temos que ajudar as jovens democracias" - frase proferida por um ilustre líder da Parvolândia.

João decidiu ir dormir a sesta. Brrrrrrrrrr. Já não aguentava mais tanta visão do BroncoMan. Meses antes mandara invadir o País do GrãocomCebolaeAlho e bombardear as suas cidades por causa da flatulência crónica e supostamente de destruição em massa do seu líder Rei de Copas Bigodudo I.
Virou-se para o outro lado e adormeceu.

Publicado por joão sem medo em 04:39 PM | Comentários (0)

setembro 23, 2003

Os GigantesComCabeçadeVolante

Paralela à rota da Estradaquepassasemandar, espectacular passadiço que leva os Choraquelogobebebences às suas hortas, existe um outro caminho que leva os monstros e outros habitantes para a Parvolândia para as suas fábricas de papel. A parvolândia é habitada por serem magníficos. Os Manhososonolentos, os Paisdevirgensqueconcebemsempecadoriginal, Mosnstroscomcabeçadevolante, os Tristesapagadosubmissos,os Tiosbernardos e outros seres complexos e ainda mais complexos. (1)
Ia João para a sua horta nesta manhã ensolarda, onde o Outono se começa a adivinhar, quando, como o sol estava de frente e para repousar a vista (descansem os leitores que João Sem Medo não sofre de fotofobia, mas de manhã está muito sensível à luz), olhou para a estrada que saía da Parvolândia. Conseguiu destinguir entre os reflexos de luz e as copas das àrvores um Monstrocomcabeçadevolante a grande velocidade. Dentes de fora, muito brancos (os Monstroscomcabeçadevolante nunca bebem chá que como sabem tem um enorme poder corante), com dois braços presos ao volante e os outros dois a gesticular. Os Monstrosemcabeça são muito rápidos e um bocadinho frenéticos. Este estava particularmente agitado, acelerou ainda mais, grunhiu e saiu pela direita de uma Tristeapagada, que na sua submissão nem teve tempo de reagir. Num comportamento simples para desviar a sua tensão, abriu uma especécie de bornal com lantejoulas e tirou um lencinho que passou pela testa. Pelo susto ou por ter acordado com aquele movimento brusco, correram pela sua face uns gotas alaranjadas de suor. O Monstrocomcabeçadevolante já desaparecera ao longe com os braços fora do carro, numa nuvem de fumo. João ainda ouviu um grunhido distante - Passa por cima...

O sol já não estava de frente. Podia voltar à sua leitura. No passadiço as coisas iam mais calmas.


(1) Nota do autor - a não perder "Manual Integral de fungos e outros seres da Parvolândia."

Publicado por joão sem medo em 09:25 AM | Comentários (0)

setembro 22, 2003

Da estrada que não anda caiem choraquelogobebences do céu.

Era um grande drama cada dia que começava. O tempo em choraquelogobebes continuava incerto e a horta oscilava pendular entre o seco, o muito seco. O clima tinha andado incerto. João aprimorava a partida para a horta. Corrigia os pêlos do nariz (os choraquelogobebences são seres mais peludos que nós, mas fazem garbo disso. As mulheres por exemplo não se depilam nem usam descolorantes para falsear o buço), ajeitava as calças e a roupa para levar e tratava das outras necessidades, que não são para aqui chamadas por serem privadas e de conhecimenmto público. Desta vez a saída era muito mais demorada.

- Onde raio deixei eu o capacete? Onde estará? João percorreu a casa e a memória que é quase a mesma coisa, com a vantagem de não ter hipoteca nem vizinhos. Hoje o capacete é muito importante. Herdou o dito do tio que havia participado numas guerras distantes. Não podia sair de casa sem protecção. Ouvira na rádio que "há cerca de 40 pontes em risco de cair". Podia ser perigoso ir para a horta, logo hoje que iria cortar a rama aos nabos. Logo hoje. Nunca se sabe o que poderá cair do céu.

Nota Final: Não estranhem os leitores com a falta de preocupação de João com o seu carro. Em Choraquelogobebes vai-se para as hortas num passadiço gigante, sempre a rodar e não há filas. Só de pessoas. è uma espécie de paraíso. Este sistema de transporte implica a criação de muitas pontes pedonais. E estas têm tendência a cair. Os choraquelobebences têm muitos problemas com a tecnologia do betão ou de responsabilidade (!?)

Publicado por joão sem medo em 06:30 AM | Comentários (1)

setembro 20, 2003

O Comissário está livre

Andava João Sem Medo a cortar uns pés secos de girassol quando descobriu num pé de couve (as couves são uma espécie de animais verdes com pés firmes e inteligência insuspeitável) uma mensagem secreta da "TodosSomosFalantes". A agência noticiosa de Choraquelogobebes segredava para todos ouvirem. "O Comissário não foi escolhido para a "OrganizaçãoTuApanhasNalgadas". A cidade rejubilou de alegria. Começaram a ouvir-se os primeiros foguetes (em Choraquelogobebes há sempre muita húmidade no ar e não se corre perigo de incêndio. Além disso os incendiários foram todos reconvertidos em assadores de sardinhas nos Restaurantes Típicos). O Comissário ficava livre para ser candidato. O povo saiu à rua de monco atenuado.

Publicado por joão sem medo em 09:41 AM | Comentários (1)

setembro 19, 2003

Obrigado pela visita

Caros Choraquelogobebences é com muita alegria e raro prazer que vos comunico. As minhas aventuras na floresta encantada (II) estão a chegar. Romance com "princesas sem cabeça" (números 23 a 147), Filas diárias na estrada que-passa-sem-andar, stress pós-traumático depois da guerra dos 112 anos na parvolândia...e muito mais.

Cordialmente.

João Sem Medo
PS (ou PC, BE, PP ou ABC): Podem recomendar aos amigos que não morde. Só dá 'bordoeja'.

Publicado por joão sem medo em 12:00 AM | Comentários (3)