outubro 18, 2004

Um certo som do coração

Começou o mau tempo em Choraquelogobebes, dizem aqueles que vivem de costas viradas para o campo, a horta a sementeira. A chuva trás em si esse fluxo de vida vivida encerra a geração, o ciclo o retorno ao que era, será, já foi eterno das sementes que nem todos percebem.

Para esses a chuva atrai a melancolia e é essa tristeza que somada á penúria dos Choraquelogobebences os torna mais melancólicos e sofridos, cansados já da gabardina, do oleado, do chapéu de chuva, dos pés molhados.

Nesses dias de chuva, quando a bátega cai nas janela e assusta tocada a vento é que o coração acelera ao ritmo das tempestades. João Sem Medo fica a olhar o escorrer da água no vidro, nas levadas, nos canteiros, nas poças e a entranhar-se na terra a refluir entre as pedras da ribeira que agora é um mar. Fica a adivinhar a forma da água, a ouvir o som martelado, tum, tum, tum, tum no telhado. Um tambor líquido continuo ou um tímbalo certo de granizo. O coração acelera.

Publicado por joão sem medo em outubro 18, 2004 01:00 PM
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