outubro 12, 2004

A rouquidão do Professor Cuco

Já aqui se falou do Professor Cuco, das suas potencialidades oratórias, da magia do verbo, da certeza das certezas e da determinação do olhar. Já aqui se referiu a importância das suas bicadas certeiras em todos os lados e por todos os lados.

O Professor Cuco, como todos sabem não é flor, desculpem os leitores, ave que se cheire. Não que o dito bicho emane humores olfativos penalizadores para os narizes inadvertidos dos chorincas, mas pelo perigo real de bicada certeira na cana do nariz com as consequências maléficas que dai advém para o apêndice e respectiva hemorragia.

O Professor Cuco tinha, escreve no passado o autor, para antecipar o drama que o presente deixa adivinhar para o futuro, uma pose de “quem nada teme”, um ajeitar de penas que parecia couraça de tatu e um agitar de asas directo que o tornavam intocável qual pegaso em direcção ao infinito.

Certo dia estava o Professor Cuco nas suas cucadelas fantásticas quando vindo de não se sabe de onde, que estas coisas maravilhosas acontecem sem se saber a razão, também porque nunca a têm no singular e são várias as possibilidades, surge vindo do espaço, que é chamar ao desconhecido um nome possível, um par de mãos em forma de garra que se prenderam ao pescoço da ave. Então sem saber o porquê, o porque não, as mãos agarraram-se ao pescoço pelo lado direito e numa agitação frenética de punhos apertaram o pescoço ao Professor Cuco e abanaram em todos os sentidos a gritar – “contraditório”; “contraditório”, “contraditório.

Nesta agitação e pela surpresa, o cuco ia caindo da árvore onde estava instalado, conseguiu agarrar-se por uma pata e já sem pio, ainda tentou apontar um ou dois culpados do crime sentados ali ao lado sem resultado por falta de voz.

O Professor Cuco, que todos estranharam derrotado e acabrunhado a ajeitar as penas garrotado pelo pescoço, ergue-se num pedestal de silêncio digno e em linguagem gestual (ou penal conforme se considere o gesto feito por mãos de penas) ainda teve tempo de vociferar ou espanejar - “Hei-de voltar.....voltaaaaaaarrrrrrrr...serei presi......den........den ....te e e e e e e...”


Publicado por joão sem medo em outubro 12, 2004 12:46 PM
Comentários

Epá este personagem é o melhor que aqui tens. Já o outro texto do prof.cuco era do melhor. Dá-lhe.

Afixado por: André Sousa em outubro 12, 2004 12:25 PM