janeiro 05, 2004

Alegria vs. Alergia

Alegria e alergia são duas palavras muitíssimo parecidas. Basta apenas trocar duas letras de posição entre si. No entanto, definem dois sentimentos completamente diferentes.
Usarei um exemplo real para explanar cada uma delas. Comecemos com Alergia:
É o que os adeptos do Benfica sentem desde ontem à noite. Alergia ao verde (sempre a sentiram, agora mais intensamente que nunca). Alergia ao àrbitro por supostamente os ter prejudicado. Alergia até, pode-se dizer, ao novo estádio. Porque batem lá com os cornos, porque perderam lá o primeiro derby, por imensas razões (embora, e sendo sportinguista, o admita, o estádio seja lindo). Alergia ao seu treinador, pelo seu óbvio medo do risco. Alergia aos seus jogadores, por não conseguirem render o que realmente valem. Alergia a si próprios, porque nesta hora é difícil levantarmo-nos depois de tamanho banho de bola.
Passemos agora à alegria: É o que sentem, obviamente, os sportinguistas. Alegria por terem, finalmente, uma equipa à sua imagem, batalhadora, com ganas de ganhar, entrosada e a jogar bem. Alegria por terem alcançado uma vitória incontestável, contra o rival de sempre, num estádio a abarrotar, num ambiente totalmente adverso. Alegria por ainda estarmos na corrida para o título. Alegria porque estamos a acertar no caminho a seguir. Este é o caminho certo para a vitória.
Mas, para definirmos ainda melhor os sentimentos, vamos à análise do àrbitro, razão de alegria para uns e alergia para outros.
O àrbitro errou. Mas, meus amigos, todos erram. E, ao contrário do que muitos dizem, errou para ambos os lados. O primeiro penalty não existe? Pois não. Mas também há uma mão na àrea, do Miguel, que não é assinalada. O Rochemback é claramente mal expulso; no primeiro amarelo, é um lance perfeitamente normal que acontece. O Miguel tenta agredir o Rochemback e quem leva amarelo? O Rochemback. O Miguel nem raspanete leva. Depois, no carrinho, o Tiago tropeça no Rochemback, já que este tenta tirar o pé. Segundo amarelo e consequente expulsão. No livre de Zahovic, Ricardo está em cima da linha de golo. A bola está por baixo dele. Ora, se Ricardo não transpõe a linha, e estando a bola debaixo dele, é óbvio que a bola também não transpõe a linha. Como tal, não é golo. Hélder queixa-se que a bola saiu no lance do golo de Silva. Só ele pensa assim, visto que a bola está claramente em jogo. No golo do Benfica, a falta que precede o livre que dá origem ao dito não existe; apenas a bola é jogada. Depois, sim, há contacto. Mas não conta como falta; a bola foi jogada primeiro. E, meus amigos, para finalizar, o segundo penalty não existe?!?!? Essa é, sem sombra para dúvidas, a afirmação mais ignóbil que eu já ouvi em toda a minha vida. Precisais, indubitavelmente, de um bom par de óculos, pois apenas um cego não vê que o Ricardo Rocha atropela positivamente Liedson.
Em suma:
Alergia e alegria são duas palavras muito parecidas, mas que transmitem sentimentos muito opostos.
Um conselho a cada um:
Aos Sportinguistas: Sintam toda a alegria possível, mas não em desmesura; o campeonato ainda não acabou e há muitos jogos pela frente. Todos vão perder e ganhar pontos; só no final se fazem as contas.
Aos Benfiquistas: Exactamente o mesmo conselho. Não baixem a cabeça; ainda há muito jogo. Tal como os demais, ireis perder e ganhar pontos. No final se fazem as contas. E precisamos de vós, para termos mais emoção e competitividade no campeonato. Não desistam!!!

Publicado por aShBuRn em janeiro 5, 2004 08:39 PM
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