novembro 09, 2003

Relief

Em explorações numa terra distante, remota, escondida nas profundezas do Mundo conhecido. Esta era a nossa situação. O que procurávamos? Nem nós sabíamos. Íamos de encontro ao perfeito desconhecido. Atravessámos a densa selva da Amazónia e estávamos, presentemente, no que julgávamos ser o seu coração.
Vestígios de uma antiga civilização jaziam dispersos no solo; potes, colares, talheres.
Tudo em perfeito estado de conservação.
Olhámos uns para os outros, completamente aturdidos. Mas como seria possível? Olhando apenas para a constituição dos artefactos, diríamos que teriam, no mínimo, dois mil anos. No entanto, pareciam ter sido feitos há poucas horas.
Fomos reconhecer o terreno. Mais um pote aqui, um medalhão ali...
Até que ouvimos um grito desesperado.
A Ilmana caíra e pedia por socorro.
Acorremos ao local onde ela e a Rhianna estavam. A Rhianna estava pálida; nem um fantasma conseguiria ser tão branco.
"Que se passa?!?", perguntei eu.
"A Ilmana... Ela caiu!!! Aqui!!!"
"Bolas... Bela altura ela escolheu para andar de escorrega... Ray, consegues ver alguma coisa?"
"Nada. Isto é escuro como bréu."
"Então, não temos escolha. Quem quer ir primeiro?"
Obviamente, ninguém. Então, fui eu quem tomou a iniciativa.
Ainda o meu corpo não estava totalmente dentro do buraco e já eu me arrependia para o resto da vida. O túnel, além de ser completamente imundo, estava literalmente a abarrotar pelas costuras com aranhas e ratazanas. À medidxa que ia escorregando, sentia as suas raivosas mordidelas. Pequenos dentes enterravam-se-me na carne, deixando a sua pútrida marca. Mais tarde, haveria de desinfectar aquilo.
Finalmente, cheguei ao fim. Ainda tive que sacudir dois ou três bichos.
Atrás de mim, Rhianna. Logo a seguir, Ray.
E à nossa frente, Ilmana.
"Estás bem??"
"Hmmm... Estou... Acho..."
"Consegues andar?"
"Sim..."
Seguimos. Eu à frente, Rhianna, apoiando Ilmana, logo a seguir, e Ray atrás.
Começámos a sentir um pulsar; uma espécie de energia vibrante que nos fazia abanar os ossos. Não conseguíamos sentir mais nada.
Aquela batida... Chamáva-nos. Era simplesmente irresistível.
Até que a encontrámos... Um centro de energia acumulada, poderosa. Energia antiga.
À sua frente, um guardião.
Imenso, feroz, um autêntico monte de músculos.
"Que querem vocês daqui?"
"Nós... Não sabemos, fomos atraídos."
"Atraídos? Como assim?"
"Não sabemos, simplesmente sentimos um pulsar e fomos seguindo..."
"O Centro de Rhiilissa não lança o seu encanto sobre qualquer um... Vós fostes escolhidos. Cada um de vós deverá tocar o Centro."
"E que nos acontecerá?"
"NADA DE PERGUNTAS! Haveis sido escolhidos para uma honra como nenhuma outra. Façam-no!"
Sem escolha.
Um a um, posicionámo-nos à volta do Centro. A energia que sentíamos em seu redor era indescritível.
Tocámo-lo... E era lindo. Voávamos por entre mil sonhos, éramos livres...
Éramos, finalmente, livres...

O Centro do Rhiilissa

Publicado por aShBuRn em novembro 9, 2003 09:37 PM
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