novembro 03, 2003

Visões do Apocalipse - Parte I

Abro os olhos e dirijo-me à janela. Sou imediatamente acossado por visões de um mundo envolto no caos e na desordem.
Para onde quer que olhe, vejo apenas miséria.
Um prédio, outrora orgulhoso e imponente no alto dos seus 126 andares, jaz agora, apenas um monte de pedras e cimento envolto nas sombras de um passado glorioso.
Um centenário carvalho, rachado a meio pelo poder dos relâmpagos do Apocalipse que se abateu sobre nós.
Passa por mim um cão sarnento, levando na boca uma mão humana, separada do resto do corpo pela violenta explosão que se abateu sobre a cidade.
Levanto-me e percorro o ensaguentado corredor até à saída. O panorama é ainda mais desolador visto de fora que pela janela do cubículo onde me encontrava. Corpos sem vida espalhados ao acaso, casas completamente destruídas, estátuas que outrora contavam o passado, olham agora sem esperança para o futuro.
Percorro a avenida, procurando por outros que, como eu, não se lembram do que aconteceu. Viro numa esquina e o calor de uma fogueira abraça-me, confortando-me. Olho em redor, mas não se vê vivalma. Que terá acontecido? Serei o único sobrevivente? Não posso acreditar nisso. Lembro-me do cão sarnento e penso que, se um cão conseguiu sobreviver, também mais humanos terão conseguido.
Entro na porta à minha esquerda. Mais sinais de miséria; frases escritas na parede por alguém que, contando em total desespero o que se passava, escreveu com o seu próprio sangue:
"São demasiados. Não conseguimos suportar a sua carga. O seu poder é fulminante!!! O Apocalipse abate-se sobre nós e nada podemos fazer para o evitar... E eles vê aí!! Eles vê.."
Não conseguiu acabar a frase. Olho para o lado e fecho os olhos. Uma lágrima solitária solta-se, rebelde, contrariando o meu coração, que não pode falhar. Não é o momento de fraquejar. Tenho que continuar a procurar. Tenho que...
Um barulho. Ouço algo na desolação que me rodeia. Será... Sim. É um lamento. Corro na direcção do som que me chega aos ouvidos, quase demasiado ténue para ser humano. Viro à direita numa porta e encontro-o. Meio morto, está à minha frente um homem torturado, cego pela dor e enlouquecido pela impotência. Não é o momento de me compadecer dele. Preciso de saber. Tenho de saber.

Continua...

Publicado por aShBuRn em novembro 3, 2003 11:30 AM
Comentários

"São demasiados. Não conseguimos suportar a sua carga. O seu poder é fulminante!!! O Apocalipse abate-se sobre nós e nada podemos fazer para o evitar... E eles vê aí!! Eles vê.."


demasiado típico...

Afixado por: gulack em novembro 3, 2003 06:07 PM

Muito bom...aguardo pelas entradas seguintes....

Afixado por: Amor da Tua Vida em novembro 3, 2003 06:47 PM

Mto bom. Estás com a inspiração no ponto!! :-)

Afixado por: Rui em novembro 3, 2003 07:01 PM

gulack: Faz melhor, filho. Críticas, todos fazemos. =)

Afixado por: aShBuRn em novembro 3, 2003 07:40 PM

Amor e Rui: Thanks!! Novidades para breve. =D

Afixado por: aShBuRn em novembro 3, 2003 07:41 PM

vai fazer parte do livro? ;P fico á espera da continuação...

Afixado por: Sweet_Lust em novembro 3, 2003 09:23 PM

Ainda não o comecei a escrever, tende calma... Isto foi só um momento de inspiração que me deu no emprego. =P

Afixado por: aShBuRn em novembro 3, 2003 09:25 PM

ja tentaste juntar todos os momentos d inspiração?

Afixado por: Sweet_Lust em novembro 3, 2003 11:16 PM

Digamos que não tenho assim tantos momentos de inspração como isso... E depois, a inspiração tanto me dá para isto, como para cenas de amor, como para cenas de morte... É conforme... Mas não, ainda não experimentei.

Afixado por: aShBuRn em novembro 4, 2003 12:42 PM

Amor e morte são dois temas bastante interessantes... experimenta junta-los ;)

Afixado por: Sweet_Lust em novembro 4, 2003 09:39 PM

Talvez um dia... Para já, não. Quero ver se acabo esta historieta. =)

Afixado por: aShBuRn em novembro 4, 2003 09:47 PM